Grandes Imagens da National Geographic

Site oficial da National Geographic: http://www.nationalgeographic.com/

Gostaria aqui de compartilhar com vocês algumas imagens fantásticas que estão no livro: Grandes Imagens da National Geographic. Uma das melhores lembranças da minha infância era do meu padrinho e bisavô Herbert Alfred Lepper, lendo sua assinatura da NatGeo que chegava em sua casa, acho que uma vez por mês. A capa com as bordas amarelas, e as fotos sempre extraordinárias me chamavam atenção e com mais idade as matérias me encantaram. Adoro fotografia e quem gosta sabe da qualidade dos fotógrafos da NatGeo. Vou colocar 4 galerias de fotos que estão divididas no livro em : Exploração, Vida Selvagem, Povos e Culturas e Ciências e Mudanças climáticas. Abaixo o texto de abertura que está na capa desse livro.

GRANDES IMAGENS NATIONAL GEOGRAPHIC


Esta esplêndida seleção, com muitas imagens que jamais foram publicadas, reúne as mais representativas dentre cerca de 11 milhões de imagens, divididas pelos quatro principais temas que sempre despertaram o interesse de nossos leitores: “Exploração”, “Vida selvagem”, “Povos & culturas” e “Ciência & mudanças climáticas”. Escritos por especialistas renomados, os textos examinam a coleção de várias perspectivas – histórica, artística, técnica e jornalística -, mas na verdade as centenas de imagens inesquecíveis falam por si mesmas da maneira mais eloquente. O resultado é tanto um panorama das incontáveis maravilhas do mundo quanto uma concisa história visual da própria fotografia, desde as primeiras e desajeitadas câmeras para fotos em preto-ebranco até os mais recentes equipamentos digitais.Aqui estão as fotos, feitas ainda no século 19, de montanhistas franceses escalando os vertiginosos picos alpinos e de um caçador europeu, em Zanzibar, posando majestoso no topo de um monte de presas de elefantes. Aqui também estão as imagens de Hiram Bingham nas misteriosas ruínas de Machu Picchu em 1913. assim como uma vista do alto do aeroplano de Lindbergh, engolfado em uma multidão de parisienses pouco depois de pousar no campo de aviação de Le Bourget. Desde as pioneiras fotografias subaquáticas até as mais recentes imagens transmitidas pelo Telescópio Espacial Hubble, esta obra apresenta exemplos de diversas tecnologias pioneiras, como os frágeis autocromos, o primeiro processo viável de registrar imagens coloridas, e as nítidas e imensamente ampliadas fotos de insetos realizadas um século atrás.Também estão presentes os nômades deslocando-se pelas dunas do Saara em 1900, um grupo de monges chineses com túnicas encarnadas em 2001, assim como criaturas selvagens de todo tipo, desde um rinoceronte abatido no início do século 20, passando por um magnífico trio de tigres indianos, até uma fêmea de urso-polar e seu filhote agarrados a um minúsculo bloco de gelo flutuante – um pungente e inesquecível retrato das catastróficas consequências das mudanças climáticas. E essas são apenas algumas dentre mais de 400 imagens. cada qual um fragmento vital de mosaico fascinante e maravilhoso.

Carsten Peter - 2008 - México - Caverna dos cristais gigantes em Chihuahua

Expedição Ártica Pearvy - 1905 - Navio imobilizado pelo gelo na aurora

Para complementar e completar essa impressionante e diversificada seleção. um apêndice exaustivo proporciona detalhada descrição dos bastidores de todo o acervo. desde as coleções especiais até os breves perfis biográficos dos fotógrafos cujas imagens aqui estão incluídas. Para todos aqueles interessados em uma original e criativa crônica visual de mais de um século de produção de imagens fotográficas. esta dramática amostra do Acervo de Imagens da NGS abre novos horizontes a cada página. servindo como catálogo de fotos de primeira qualidade e como guia de referência de uma das melhores coleções de imagens do nosso mundo.

Entre e leia mais sobre a história da National Geographic e veja a galeria de fotos:

Prefácio do livro por: Leah Bandavid-Val

Este livro revela, pela primeira vez, a amplitude do Acervo de Imagens da National Geographic Society.

Essa imensa coleção de quase 11 milhões de imagens, a despeito de toda a sua diversidade, traz a marca singular e inequívoca da NGS. Para fazer justiça a essa riqueza, este volume também possui muitas vertentes, pessoais e técnicas, cronológicas e temáticas. Em destaque estão as Coleções Especiais e os avanços técnicos promovidos pela revista. Também foram incluídas aquelas imagens excêntricas, espirituosas e inesperadas que passaram a fazer parte desse extraordinário arquivo. Em conjunto, essas fotos delineiam uma singular história do mundo, desde 1890 até o presente.

Nenhum dos 33 valorosos cavalheiros-exploradores que se reuniram em Washington, D.C., em uma fria noite de janeiro de 1888, para fundar uma sociedade cuja finalidade seria “o aumento e a difusão do conhecimento geográfico” estava pensando em montar uma coleção de fotos tão ampla e importante. Suas ide ias para a divulgação do conhecimento científico incluíam palestras e encontros, assim como uma publicação de caráter erudito, mas capaz de ser apreciada e respeitada por leitores leigos.

Nove meses depois daquela reunião, em outubro de 1888, foi lançada a revista NATIONAL GEOGRAPHIC, que obteve êxito imediato, embora modesto. A primeira foto, estampada na edição de julho de 1890 (acima), mostrava a ilha Herald, uma pequena e rochosa extensão de terra perdida no mar de Chukchi, no Ártico. A ilha descortinava-se na página da revista como uma baleia flutuando na imensidão aquática.

Alexander Graham Bell, o impetuoso segundo presidente da NGS, era entusiasta da fotografia, assim como seu circunspecto genro de 23 anos, Gilbert Hovey Grosvenor, primeiro editor da revista. Em uma famosa carta datada de 5 de março de 1900, Bell já conclamava Grosvenor a publicar “imagens mais dinâmicas – de vida e ação – que contenham uma narrativa”. Como nos primeiros tempos a NGS contava poucos recursos financeiros, Grosvenor aproveitou todas as oportunidades para adquirir fotos com pouca ou nenhuma despesa. E, como também adorava viajar, costumava fazer fotos de todos os locais que visitava, usando uma desajeitada câmera Kodak 4A de fole. Algumas de suas fotos saíram na revista. Ele também conseguia fotos baratas ou gratuitas em galerias e museus, assim como em encontros casuais propiciados pelas viagens. Solicitava doações de fotos sempre que possível a amigos, aos clubes e aos órgãos do governo americano. (Os arquivos oficiais eram, e continuam a ser, repositórios de fotos que remontam até a época da Guerra de Secessão, todas elas em domínio público.)

Grosvenor colecionava todo tipo de foto a fim de dispor da mais ampla variedade de opções sempre que surgisse a necessidade, mas muitas dessas imagens jamais chegaram às páginas da revista. Sua política de publicação era diferente de sua política de aquisição, pois estava convencido de que a fotografia devia ser usada como um testemunho de todos os tipos de empreendimentos humanos. Em janeiro de 1905, a revista apresentou aos leitores 11 dramáticas fotos da capital tibetana, Lhasa, obtidas por dois exploradores que as ofereceram de graça.Ninguém antes vira imagens como aquelas. Uma edição de 1906 incluía 74 reveladoras “fotos com iluminação artificial” da fauna selvagem, feitas à noite pelo congressista George Shiras 111. Na época, a publicação dessas e de outras imagens gerou controvérsias. Os leitores adoraram as fotos, mas elas não agradaram a dois membros do conselho da NGS, que se afastaram por esse motivo. “Vagar à toa pela natureza nada tem a ver com geografia”, afirmaram eles, inconformados com a perspectiva de reduzir a revista a um mero “livro ilustrado”.

Grosvenor triunfou e, por volta de 1908, mais da metade das páginas da revista estampava fotos.

A rigorosa política editorial da National Geographic requeria imagens documentais sem qualquer viés pessoal dos fotógrafos, uma contradição nos primeiros tempos da fotografia. E as imagens deviam ter como tema a geografia, definida simplesmente como “o mundo e tudo o que há nele”. A revista tinha de se manter distante da política, da polêmica e do subjetivismo. Tal orientação deixou de lado assuntos importantes e instigantes, mas também tornou possível o aprofundamento de outros temas.

Além do entusiasmo pela fotografia, Grosvenor tinha enorme interesse por inovações técnicas. Isso o levou a investir em novas tecnologias de impressão e no aperfeiçoamento de filmes, iluminação e outros recursos. A contribuição da National Geographic para a impressão colorida é um exemplo notável. Enquanto isso, o acervo de imagens só fazia aumentar. Quando consideravam insuficientes as fotos ou o texto, os editores encomendavam desenhos e pinturas para ilustrar os artigos da revista, e assim foi sendo formado um assombroso acervo de obras artísticas, em paralelo com o de fotografias.

No decorrer do tempo, estabeleceu-se na NGS uma cultura da fotografia. Foi montada editaria para cuidar apenas das imagens. Fotógrafos que colaboravam regularmente contribuíram com concepções e habilidades individuais. E os novos talentos eram bem-vindos. O apoio técnico era generoso e receptivo à imaginação e aos projetos de editores e fotógrafos. Os mais ambiciosos ansiavam por matérias que lhes permitissem conhecer lugares exóticos, testemunhar eventos naturais e culturais jamais registrados, e obter imagens que superassem tudo o que se fizera antes. A despeito de seu arraigado princípio de neutralidade, a National Geographic foi cada vez mais abrindo espaço para estilos e temas diversificados. Com isso, fotógrafos com interesses e abordagens extremamente distintos encontraram abrigo e condições de trabalho na cultura da revista. A National Geographic beneficiou-se de novas realidades sociais e para elas contribuiu, sem contudo perder de vista seus objetivos originais.

Este volume apresenta não só a substância mas também o caráter e o espírito do arquivo de fotos da NGS. Michelle Delaney, curadora de fotografia do Museu Nacional de História Americana, no Instituto Smithsonian, nos oferece uma visão do acervo por alguém de fora, e Maura Mulvihill, vice-presidente e diretora do Acervo de Imagens, nos dá a perspectiva de alguém de dentro.

O mundo já se assombrou repetidas vezes com as inovações tecnológicas, assim como testemunhou dramáticas mudanças de gostos e valores. No entanto, como mostram as páginas a seguir, as boas imagens de algum modo preservam seu enigma e tornam-se mais significativas com a passagem do tempo. É isso e tudo o que ainda resta a ser descoberto no sempre mutável “mundo e tudo o que há nele” que faz com que a fotografia continue avançando de forma criativa e apaixonada.

Porto Rico – 1960 – Jaques Cousteau (Disco mergulhador) –  fotógrafo: Thomas J. Abercrombie

História da National Geographic

Uma perspectiva histórica por: Michelle Delaney

A capital dos Estados Unidos, Washington, D.C., abriga alguns dos mais importantes acervos históricos de fotografia do mundo. Em geral, os primeiros de que nos lembramos são as coleções dos museus do Instituto Smithsonian, na Biblioteca do Congresso, do National Archives ou da National Gallery of Art. Essas coleções documentam o desenvolvimento da fotografia como uma ferramenta das ciências e das artes. No entanto, em meio a esses vastos arquivos, há outro acervo fotográfico preservado no subsolo refrigerado da sede da National Geographic Society, em Washington. A qualidade e a diversidade do Acervo de Imagens da NGS não fica nada a dever aos outros já mencionados. A revista publicada pela NGS e o seu Acervo de Imagens documentam mais de um século de nosso mundo. Os fotógrafos da National Geographic e as coleções especiais adquiridas ao longo do tempo proporcionam essa representação visual, com as explorações geográficas, a vida selvagem, a ciência, os povos, as culturas e a natureza, sempre diversa.

A riqueza do Acervo de Imagens da NGS se deve, antes de tudo, à dedicação da equipe que cuida dele há mais de um século, colecionando e encomendando trabalhos de fotógrafos. Que privilégio para uma curadora de história da fotografia ser convidada para fazer esta apresentação do Acervo de Imagens da NGS de uma perspectiva histórica! De imediato fui assaltada pelas lembranças das longas conversas à tarde com meu amigo Volkmar Wentzel, o “Kurt”, que por tanto tempo foi fotógrafo da National Geographic. Como gostaria que ele ainda estivesse conosco para ver o avanço dos estudos e da valorização de seu amado Acervo de Imagens. Volkmar e eu passamos horas discutindo sua longa carreira na National Geographic, que se estendeu por quase cinco décadas (1937 -85), seus trabalhos, suas viagens e, claro, seu constante empenho em preservar as imagens da NGS, que, na década de 1960, chegaram a passar por um processo de seleção e descarte. Com seu falecimento, em 2005, as imagens históricas que salvou da destruição foram reincorporadas ao Acervo de Imagens da NGS. Algumas delas eram de seu próprio ensaio Washington à Noite, realizado na década de 1930, e outras remontavam quase um século, até os primeiros tempos de Gilbert Hovey Grosvenor como presidente e fotógrafo da NGS. Agora, com um acervo de quase 11 milhões de fotos sobre vários assuntos e em diversos ângulos, a NGS orgulha-se de possuir uma das maiores coleções iconográficas do mundo, ainda que menos conhecida do que a maioria das existentes nos museus americanos.

Minha introdução aos meandros do Acervo de Imagens da NGS ocorreu em 1995, quando Volkmar e eu discutimos meu projeto de pesquisa e uma exposição que estava sendo planejada sobre os primórdios do Acervo Histórico de Fotografia do Instituto Smithsonian, hoje uma seção do Museu Nacional de História Americana. Examinamos juntos meia centena de fotos adquiridas por ocasião do Salão e Exposição de Arte Fotográfica realizado em 1896, no prestigioso Cosmos Club de Washington. Essa aquisição inaugural de fotos artísticas pelo Smithsonian foi promovida pelo primeiro fotógrafo do Smithsonian, Thomas Smillie, que não mediu esforços para montar um acervo de fotos no Museu Nacional dos Estados Unidos. O relacionamento profissional e pessoal de Smillie com a elite científica e artística de Washington incluía os cavalheiros e exploradores que fundaram a National Geographic Society. Foi Volkmar que me apresentou a vertente da NGS dessa história. O permanente interesse de Volkmar pela história da fotografia, a importância do Acervo de Imagens da NGS e a curiosidade que partilhávamos por tudo o que dizia respeito à fotografia em Washington, D.C., acabaram por consolidar uma amizade que se prolongou por uma década.

As coleções de fotos da National Geographic Society e do Instituto Smithsonian se entrelaçam mais estreitamente em seus primórdios, no final do século 19, em função dos esforços despendidos para a constituição de acervos significativos de fotos históricas. As duas instituições seguiram caminhos paralelos, mas com algumas datas marcantes em comum. Em 1888, no mesmo ano em que Smillie começou a colecionar fotos e equipamentos para o Smithsonian, a National Geographic Society foi fundada. Logo em seguida, ela começou a publicar a sua revista. Menos de uma década depois, ambas as instituições reconheceram a crescente importância da fotografia na sociedade americana ao iniciarem suas coleções históricas. Em 1896, o Smithsonian criou oficialmente uma seção de fotografia no âmbito da Coleção de Artes Gráficas do Museu Nacional dos Estados Unidos, e coube a Smillie dar início àquela que hoje é a mais antiga coleção de fotos em um museu americano. No mesmo ano, a NGS utilizou a recém-inventada matriz de meio-tom para estampar fotos na revista, uma mudança crucial que alterou para sempre a natureza da publicação e dos esforços para a formação de um acervo de imagens pela instituição.

A Washington da virada do século era uma cidade dinâmica e aberta para todas as possibilidades – científicas, tecnológicas e artísticas – da fotografia, uma técnica que então contava apenas 60 anos de existência e estava em permanente evolução. Tanto a National Geographic Society como o Smithsonian reconheceram a abrangência internacional do campo, colecionando os melhores exemplares de amadores e profissionais que estavam na linha de frente da fotografia. Enquanto isso, por toda a cidade surgiram clubes de fotografia, e um pequeno círculo de indivíduos abastados passou a realizar experimentos com aquela mais recente tecnologia e arte.

Uma pessoa foi crucial na formação inicial dos acervos tanto da National Geographic Society como do Smithsonian: o explorador John Wesley Powell. Ambas as instituições mantiveram intenso relacionamento com os fotógrafos, então dirigidos por Powell, vinculados ao U.S. Geological Survey. Na condição de membro fundador da NGS, Powell vislumbrou o imenso potencial da fotografia para as pesquisas oficiais, assim como seu interesse para a população em geral. As fotos resultantes dos primeiros levantamentos empreendidos por Powell no Oeste americano, na década de 1870, acabaram assim fazendo parte de ambas as coleções. Em termos individuais, Powell foi o guia mais importante nesses primeiros esforços para a constituição de acervos fotográficos do país e de sua pouco documentada região Oeste. Para tanto, ele atraiu para Washington, D.C., e para a atenção de administradores e arquivistas da National Geographic e do Smithsonian, os melhores fotógrafos que trabalhavam para ele no U.S. Geological Survey, entre os quais William Henry Jackson. Os americanos foram apresentados às paisagens do Oeste por intermédio de publicações como a revista NATIONAL GEOGRAPHIC, assim como pela divulgação de imagens estereográficas tridimensionais que requeriam visores especiais e se tornaram populares entre as famílias no final do século 19. Mais adiante, Powell dirigiu o U.S. Bureau of American Ethnology, onde seria responsável por outro crescente acervo fotográfico, que acabou fornecendo imagens importantes para o Departamento de Antropologia e a Seção de Fotografia do Smithsonian.

Entre as primeiras aquisições do Smithsonian estavam a câmera e o equipamento de daguerreotipia, de Samuel F. B. Morse, da década de 1840; os “Estudos de Locomoção Animal” e os modelos miniaturizados de Eadweard Muybridge, de 1888; uma seleção de câmeras e aparelhos representativos dos rápidos aperfeiçoamentos na tecnologia de captação e impressão de imagens, fabricados por empresas como a George Eastman, de Rochester, Nova York, e a G. Cramer, de St. Louis; assim como as imagens do Salão de Washington de 1896, que documentou o novo movimento na fotografia artística americana. Todavia, a seção de Smillie no Smithsonian aumentava seu acervo de maneira tímida se comparada ao ritmo de aquisições pela National Geographic Society

Esta lançou-se à coleta de imagens com tanta rapidez e agressividade que possivelmente nem chegou a se dar conta da relevância de estar formando um arquivo próprio. Os critérios que regiam a aquisição e a encomenda de fotos para a revista acabou determinando um padrão de excelência na seleção das fotos e histórias publicadas. As imagens feitas durante a expedição de Robert E. Peary ao polo Norte em 1906, as fotos que Gilbert H. Grosvenor fez das primeiras tentativas de voo em 1907 e as inovações técnicas nas primeiras fotos em cores e subaquáticas constituem aquisições notáveis nas décadas iniciais de coleção e impressão da revista NATIONAL GEOGRAPHIC.

O Acervo de Imagens sempre foi visto como um banco de imagens valioso pela maioria dos funcionários da NGS, assim como por curadores externos de fotografia, a despeito de numerosas exposições e livros que não lhe davam o devido valor. Como Volkmar Wentzel insistiu eloquentemente durante toda a vida, a NGS possuía uma coleção de fotos de qualidade museológica internacional, relevante para a história, a ciência e a arte da fotografia, abrangendo desde o final do século 19 até hoje. Mesmo uma breve visita ou passeio ao Acervo de Imagens da NGS deixa evidentes a qualidade e a diversidade das coleções especiais ali reunidas.

A mais numerosa das coleções especiais no acervo da NGS é certamente a coleção de autocromos, abrangendo cerca de 15 mil imagens. O processo Aufochrome foi introduzido no mercado internacional pelos irmãos franceses Auguste e Louis Lumiere em 1907. Ele proporcionou aos fotógrafos o primeiro processo comercialmente viável para a realização de imagens em cores naturais, ainda que com algumas restrições. O processo era lento e desajeitado; os fotógrafos precisavam transportar pesadas câmeras de madeira, tripés e baús com equipamentos. As chapas de vidro coloridas, frágeis e sensíveis à luz, não se prestavam muito bem a serem exibidas, como logo concluíram os principais fotógrafos de arte da época. No entanto, o emprego pelos Lumiere de fécula de batata tingida na mistura da emulsão resultava em cores sutis e belas imagens. Vários museus importantes de arte e história possuem coleções de autocromos, mas o Acervo de Imagens da NGS guarda uma das principais coleções, com imagens que vão desde a invenção da técnica até o fim de sua produção, na década de 1930.

Foi em 1914 que NATIONAL GEOGRAPHIC estampou pela primeira vez um autocromo, a primeira imagem em cor natural publicada na revista. Era “Jardim florido em Gante”, de Paul G. Guillumette, que começou a fazer experimentos com o processo já em 1912. Ele foi um pioneiro no uso das primitivas técnicas de fotografia em cores. A filha de Guillumette, Doris, preservou grande parte da coleção do pai – que incluía autocromos, autocromos estereográficos, transparências Kodachrome posteriores e anotações pessoais – até 1995, quando doou todo esse acervo à Coleção de História da Fotografia do Smithsonian. As anotações de Guillumette revelam que a sucursal americana da empresa dos irmãos Lumiére ficou de tal modo impressionada com suas fotos que o contratou para produzir amostras que seriam distribuídas mundo afora e, mais tarde, para assumir o comando de seu departamento de cor. Guillumette mantinha relações com órgãos oficiais, instituições e fotógrafos profissionais e amadores. Entre os contatos estavam mestres da fotografia, como Alfred Stieglitz e Arnold Genthe, Alexander Graham Bell e o editor Gilbert H. Grosvenor, da NGS. Este último impactou a carreira de Guillumette com a decisão de publicar seus autocromos coloridos na revista.

A possibilidade de substituir as ilustrações por fotos em cores naturais despertou de imediato o interesse de Grosvenor. Em 1913, Guillumette fez uma longa viagem pela Europa, durante a qual fotografou paisagens e a Feira Mundial de Gante. Logo em seguida, uma de suas fotos, feita no Pavilhão da Horticultura da Feira, foi escolhida para a edição de julho de 1914 de NATIONAL GEOGRAPHIC. Segundo a legenda que a acompanhava, “diante dessa imagem ficamos em dúvida quanto ao mais admirável – se a beleza das flores ou a capacidade da câmera para interpretar com tanta fidelidade as cores luxuriantes”.

Para Doris Guillumette, a inspiração de seu pai era mais do que uma tentativa de dominar a técnica da fotografia em cores, pois ele entrevia nela “o potencial de uma nova forma de arte”. Tal como muitos fotógrafos cujos trabalhos eram selecionados por NATIONAL GEOGRAPHIC, Guillumette ficou fascinado pela possibilidade de explorar terras estrangeiras, sobretudo países europeus, como França, Itália, Suíça, Bélgica e Holanda. Ele sempre demonstrou imensa curiosidade por paisagens naturais, e raramente incluía pessoas nas fotos. Doris Guillumette relembra que seu pai “estava convencido de que técnica, destreza e inspiração era tudo o que se precisava para obter uma imagem efetivamente grandiosa”. E isso é comprovado pelo legado de Guillumette no campo da fotografia em cores. No entanto, o autocromo não se consolidou como o formato ideal para levar as imagens coloridas aos museus e às galerias. As imagens eram por demais frágeis e sensíveis à luz. Mesmo assim, ainda restam 40 autocromos comprovadamente feitos por Guillumette no Acervo de Imagens da NGS. Durante décadas, a revista NATIONAL GEOGRAPHIC foi a principal publicação a mostrar essas singulares – e agora históricas – imagens. Atualmente, os milhares de autocromos não publicados e incluídos da coleção da NGS estão entre as imagens inestimáveis que ainda despertam estudos da equipe da NGS e de pesquisadores externos.

O enorme sucesso de sua revista e o eficaz uso das fotos para conquistar os leitores levaram a NGS, nas décadas de 1920 e 1930, a montar um laboratório de fotografia e contratar fotógrafos. Eles eram considerados também exploradores, enriquecendo a revista com seus estilos técnicos e artísticos. Charles Martin, o primeiro a ser contratado para o laboratório, mais tarde se tornaria fotógrafo-chefe da NGS. Suas atribuições lhe permitiam a realização de matérias especiais, nas quais buscou ampliar os limites das técnicas fotográficas e do emprego da cor. No final da década de 1920, Martin colaborou com o ictiólogo W. H. Longley, da Faculdade Goucher, para a realização dos primeiros autocromos subaquáticos de espécies marinhas, nas proximidades de Dry Tortugas, na Flórida. Já em 1918, Longley usara pela primeira vez uma câmera Auto-Graflex, protegida por uma caixa à prova d’água, para fazer fotos submarinas. Para a expedição a Dry Tortugas, além da câmera adaptada de Longley, a equipe de Martin improvisou um sistema de iluminação artificial, queimando pó de magnésio em três botes direcionados a um refletor para lançar luz na cena submersa. Cinco das fotos mais bem-sucedidas ilustram o artigo Primeiros Autocromos do Fundo do Oceano, escrito por Longley para a edição de janeiro de 1927 de NATIONAL GEOGRAPHIC. Martin e Longley produziram uma histórica série de imagens hoje preservadas no Acervo de Imagens da NGS. Em 1940, todo o aparato fotográfico da Graflex – a caixa à prova d’água, a câmera e um suporte de placa sensível (produzidos pelo Departamento Folmer e Schwing da Eastman Kodak, de Rochester, Nova York) foi doado para a Coleção de História da Fotografia do Smithsonian por Waldo L. Schmidt, curador do Museu Nacional dos Estados Unidos e especialista em invertebrados marinhos.

Na década de 1940, tanto a National Geographic Society quanto o Smithsonian redobraram os esforços para ampliar seus acervos fotográficos. E. quando a NGS comemorou seu 509 aniversário, outros fotógrafos foram contratados, confirmando o compromisso da instituição com as formas visuais de narrativa. Ao mesmo tempo, recursos significativos foram destinados a amplos levantamentos pelo mundo. Um pouco antes, no final da década de 1930, o então jovem Volkmar Wentzel apresentou seu ensaio fotográfico Washington à Noite à equipe da National Geographic.

As imagens agradaram tanto que Wentzel foi convidado a trabalhar ali. Embora o primeiro projeto pessoal de Volkmar tivesse como tema a cidade que adotara, ele aproveitou ao máximo a possibilidade de viajar proporcionada pelo novo emprego e, ao longo das cinco décadas seguintes, iria conhecer o mundo todo. Influenciado por mestres da fotografia como Arnold Genthe, BrassaY e Frances Benjamin Johnston, Volkmar fez de sua câmera um instrumento de exploração e conhecimento: as fotos que realizou nos Estados Unidos, Europa e Ásia delineiam um amplo painel da vida em meados do século 20. No auge da Grande Depressão, Volkmar apresentou aos leitores de NATIONAL GEOGRAPHIC cenas da vida cotidiana tanto de Washington como do interior rural, assim como de outros países. Suas primeiras fotos traçam uma panorama visual dos estados da Costa Leste e da identidade cultural de seus habitantes, acabando por constituir uma série que chamou de Tradições Americanas, e se estendeu de 1935 a 1960. Todavia, o maior desafio de sua carreira seria a imensa tarefa de “mostrar a índia”. Ele passou dois anos, de 1946 a 1948, percorrendo a índia e o Nepal, empenhado em documentar regiões e culturas que jamais haviam sido vistas. Foi uma experiência que marcou a sua vida. Volkmar reformou uma velha ambulância e a transformou em um laboratório móvel de fotografia da NGS, usando-o durante todo o seu longo périplo. Recorrendo a câmeras de formato menor sobre tripés e modelos portáteis, produziu oito álbuns de imagens que hoje fazem parte do Acervo de Imagens. Podemos passar horas mergulhados nas páginas de história contidas nesses álbuns. Volkmar encantou-se com toda uma nação, e suas imagens mostram um país em transição, povoado por gente tão curiosa diante do fotógrafo estrangeiro quanto este em relação à população local.

Na segunda metade do século 20, os fotógrafos da National Geographic passaram a se concentrar mais em ensaios fotográficos narrativos de caráter fotojornalístico – abordando temas como as mulheres sauditas, por Jodi Cobb; os elefantes e os gorilas, por Nick Nichols; as imagens do Leste Europeu e da África, por Jim Blair; as fotos da Europa e das Américas, por David Alan Harvey; e as imagens, já digitais, feitas por Brian Skerry no litoral da Nova Zelândia. Todos esses fotógrafos captaram imagens de regiões em processo de transição para o mundo moderno.

O Acervo de Imagens da NGS preserva assim uma história visual de culturas sub-representadas nos acervos fotográficos dos museus de história e das galerias de arte dos Estados Unidos. O Acervo também ilustra a difícil situação de culturas e indivíduos enfrentando as turbulências políticas, o apartheid, os conflitos armados e a pobreza, todos muito distantes da vida da maioria dos leitores de NATIONAL GEOGRAPHIC. Esse enfoque cada vez maior em temas fotojornalísticos e questões mundiais não significou que a revista tenha deixado de publicar artigos e fotos naquelas áreas com as quais sempre esteve identificada, como a geografia e a fauna selvagem. O que mudou foi que os editores aumentaram sua capacidade (e, em consequência, o Acervo de Imagens da NGS) de documentar de forma mais exaustiva o nosso mundo. Blair e Harvey, os veteranos fotógrafos da National Geographic, são apenas dois exemplos dos incontáveis fotógrafos, contratados e independentes, que proporcionam à revista imagens da dura e pungente realidade do mundo.

Em 1988, a NGS celebrou o seu centenário comemorando as suas extraordinárias realizações e lançando uma edição especial da revista que contava a sua própria história ao longo de um século. Com muitas imagens das principais coleções especiais da NGS, essa edição também é preciosa para a história da fotografia. Desde Graham Bel! e os colaboradores de Grosvenor até os talentosos indivíduos que estiveram à frente do departamento de arte e do laboratório fotográfico, o Acervo de Imagens da NGS demonstra que a fotografia é o melhor meio para apresentar os temas mais frequentemente tratados pela revista, nas áreas da exploração, ciência, fauna selvagem e culturas.

A NGS sempre incentivou os fotógrafos a explorar os limites da tecnologia e de sua própria imaginação com o objetivo de melhor contar uma história, desde as primeiras expedições na década de 1890 até os dias atuais. O resultado quase sempre foi bem-sucedido quando se observa a montanha de imagens que constituem o arquivo da National Geographic Society em Washington, D.e. Milhões de fotos que, embora raramente vistas, são preservadas com zelo meticuloso para futuras pesquisas e publicações. Sob as formas mais diversas – como chapas de vidro, primitivos autocromos coloridos, slides Kodachrome, negativos de 35 mm, panoramas, cópias em papel ou arquivos digitais -, a obra dos fotógrafos preservada no Acervo de Imagens da NGS constitui um magnífico painel da história e da arte internacionais. No passado, os curadores talvez tenham tido mais acesso a outros acervos fotográficos tradicionais nos Estados Unidos, mas ninguém mais pode ignorar o tesouro inexplorado


8 Respostas to “Grandes Imagens da National Geographic”

  1. CARALHOOOOO ops, desculpe. rsrsrs hahah PQP fantastico demais velho….

  2. Coreia do Sul pede ação da ONU sobre navio…

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  3. SOU REPORTÉR FOTOGRÁFICO,TENHO 47 ANOS E AINDA SONHO EM SER DA NATIONAL.

  4. SOU REPORTER FOTOGRÁFICO E SONHO UM DIA SER NATIONAL.

  5. Obrigado pela visita, volte sempre ao blog ! Abração e boa Copa!

  6. José Carlos de Figueiredo Says:

    Lindas as fotos e a reportagem, mas asfotos poderiam ser abertas para que poosamos ver maiores detalhes. Mas valeu.

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