A história do Bonsai – parte 2

O SURGIMENTO DO PENJING E DO BONSAI.

A DINASTIA TANG (séc VII-X)

Na história da China, depois de muitos acontecimentos, algumas referências nos fazem entender o quanto é difícil encontrar documentos que atestem com exatidão a prática do penjing na antiguidade.

É por isso que os mitos e lendas que foram transmitidos oralmente substituam, muitas vezes, os fatos históricos precisos. Por exemplo, no ano de 213 a.C o imperador Ts in ordenou a destruição de todos livros antigos, menos os que trataram de técnicas específicas: medicina, astronomia, agricultura e astronomia. Uma história curiosa sobre um soberano conta que, em uma viagem, Che Huang Ti foi surpreendido por uma tempestade e procurou abrigo numa floresta de pinheiros. Quando a tempestade passou, foi decretado que os pinheiros seriam considerados como altos dignatários.

Este episódio foi e é um tema utilizado frequentemente pela poesia e pintura chinesa e também na arte do penjing. À medida que chegamos aos tempos atuais, os documentos ficam mais numerosos e precisos, permitindo analisar a criação das paisagens e jardins.

Los Tang (618-907 d.C)

Quando, em 1971, se descobriu a tumba do Príncipe Changa An Xian  (que reinou de 645 d.C – 684 d.C), uma surpresa foi oferecida aos arqueólogos: ladrões tinham violado e roubado todos os pertences da tumba, mas não tinham conseguido levar as pinturas que adornavam as suas paredes. Estas pinturas representavam, pela primeira vez, uma série de paisagens com todas as características de uma composição clássica.

Artigo 2 - 2

Nas paredes da sala funerária existem 400 metros quadrados de afrescos mostrando a vida detalhada da pessoa enterrada. Em uma habitação, três servas carregam cada uma um penjing em suas mãos.

Algumas observações sobre essas pinturas:

1-         As cerâmicas são ovaladas, baixas e esmaltadas em amarelo.

2-         As árvores tem flores nas cores azul e roxo.

3-         Há uma pedra com musgo representando uma montanha no centro da composição.

4-         Podemos dizer que são as primeiras representações conhecidas de penjing (paisagem típica chinesa) .

5-         Outros desenhos mostram outras cerâmicas esmaltadas em verde, extremamente raras, com um agulheiro no centro.

A época Tang é um tempo de paz e estabilidade, e isso resultou numa explosão cultural extraordinária.

Cerâmica, pintura, poesia alcançam patamares inigualáveis; os imperadores protegem e potencializam as artes em todas as suas formas.

O taoísmo voltou como uma voz mágica e religiosa, extremamente difundido no palácio imperial; a representação da natureza  e o estudo de várias artes como o Feng Shui e o suiseki se desenvolvem. Neste sentido, jardins são construídos em terraços ou em áreas internas. Na hora do descanso vamos ao jardim, fechamos os olhos e os abrimos vendo uma linda paisagem. O penjing é o jardim que traduz perfeitamente o conceito de infinito dentro do pequeno finito. Um dos mais famosos pintores e poetas da época,  Wang Wei, deixou três poemas sobre o penjing.

 

Artigo 2 - 502

Penjing

A influência cultural no Japão:

A atração pela cultura chinesa era muito grande entre os estudantes, poetas, artistas, monges e comerciantes japoneses, que partiam para o continente em busca de conhecimento. No ano de 607 d.C. é estabelecida a primeira embaixada japonesa pelo imperador.

A partir desta data, um grande numero de livros e material artístico é levado para o Japão.

É possível que nestas muitas viagens o penjing tenha sido levado para o Japão, ou pelo menos a sua representação e sua forma de cultivo nos livros.  Em 869 d.C., um artigo sobre o cultivo de plantas em bandejas aparece em um livro “A História do Japão” (Nihon – Shoki). Os jardins descritos obedecem as leis geométricas e técnicas chinesas, mas com o gosto específico das espécies japonesas.

 

Artigo 2 - 3

Penjing com árvores modelas no estilo Fukinagashi (varridas pelo vento)

O pintor Koh Sen (903-965 d.C) retrata em um quadro uma rua chinesa onde se pode observar, em uma esquina, uma bandeja retangular com um penjing. No Japão, mesmo com o desenvolvimento de uma escrita própia (Katakana-Haragana), a cultura chinesa continua sendo dominante, mas as relações com o continente são quase inexistentes.

Penjing artigo 2Apenas os comerciantes abastecem de incensos, perfumes, pinturas, manuscritos e objetos de arte o mercado japonês.  Em um pergaminho pintado no séc. XI, que representa a volta do monge Sâicho (fundador da seita Tendai), vemos um bonsai no pátio interior de um templo, o que nos mostra que a plantação dos bonsais e penjings já era uma prática monástica habitual. Depois da restauração do império chinês, a relação oficial entre os países é reatada, e isto permite ao Japão alcançar o nível artístico da China na era Tang.

Penjing artigo 2 

 

                  

3 Respostas to “A história do Bonsai – parte 2”

  1. Há o restante da matéria traduzida aqui no site? Só consegui ver as duas primeiras partes.

  2. vou postar matheus, obrigado por me lembrar. abraço

  3. Eu é que agradeço, bela matéria, excelente tradução!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: