Entrevista com Marcelo Martins

Quando penso em um trabalho sério em bonsai, utilizando a espécie Pithecolobium torthum, de imediato vem o nome do artista Marcelo Martins. O movimento, acabamento e originalidade de seus bonsais é impressionante. Fico muito feliz de publicar aqui uma entrevista com Marcelo e poder ter no blog um pouco da sua arte. Agradeço aqui o tempo e a disponibilidade de responder a entrevista. Grande abraço.

Todos os contatos de Marcelo Martins (Marcelo Yamadori) estão no final da entrevista.

1 – Quando você se interessou e começou a se dedicar à arte do bonsai?

O meu interesse pela arte do bonsai surgiu no início dos anos 90. Eu cresci em Cabo Frio, Região dos Lagos, no Estado do Rio de Janeiro. A vegetação característica da região é a restinga, que eu costumava percorrer desde pequeno. A associação do bonsai com as plantas nativas foi imediata, desde o início focado na busca de uma expressão nativa e com identidade própria.

2 – Que espécies você mais gosta de trabalhar?

Eu cultivo poucas variedades. Além do pitecolobium, tenho um ipê amarelo e uma schefflera, todas de lida fácil. Naturalmente que, por toda a atividade que se desenvolveu em torno do yamadori de pitecolobium, a relação com essa espécie é muito mais próxima e afinada do que com as outras espécies.

3 – Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mas as circunstâncias de clima e adaptação não permitem?

Eu me sinto abastado trabalhando com as minhas plantas nativas (e ainda tem muito material de qualidade para ser trabalhado no Brasil), mas gostaria de experimentar coletar e cultivar um junípero daqueles esculturais num lugar extremo, como o deserto de Mojave, na Califórnia, por exemplo. Um sonho bom.

Abaixo um bonsai do Marcelo que eu acho singular, pois desta espécie “Xeflera”  acho que é o mais bonito que já vi.

4 – Dos seus trabalhos, qual você destaca com um carinho especial? Me fale um pouco sobre ele.

Muito difícil definir isso. São todas criações minhas, cada uma com sua expressão particular de beleza e, como arte viva, cada uma com os seus momentos particulares de esplendor.

Mas é claro que alguns trabalhos acabam se destacando, por esse ou aquele motivo. O kengai de ipê amarelo, um dos meus primeiros trabalhos, pelo efeito estético do movimento do seu tronco e harmonia com o vaso; o dragão, verdadeira escultura viva; e atualmente a planta que mais tem se destacado é um pitecolobium de troncos múltiplos plantado em uma laje de pedra, outro trabalho dos mais antigos.

5- Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

Eu sigo o meu feeling para avaliar o que pode ficar mais bonito no que identifico como proposto por cada planta e em cada momento. O termo Escola remete a uma conjuntura impositiva, disciplinar, quando na verdade é um resultado da reflexão, colocada de forma didática, dos próprios personagens que compõem o universo do bonsai, a respeito de todas as possibilidades e nuances da expressão artística. A essência da manifestação artística começa e se completa no ato da criação. O artista concebe e realiza, a Escola traduz.

6 – Você gosta mais de algum estilo de bonsai em particular? Qual?

O kengai, pela singularidade estética da inversão da projeção do tronco, é um estilo que tem seu status destacado.

7 – O que a arte do bonsai agregou na sua vida?

Eu sou musicista desde adolescente, instrumentista habilidoso, paixão de uma vida inteira, mas com uma certa frustração por não me saber compositor. A arte do bonsai – e do suiseki também – me agraciou com a condição de autor. Agora, além de interpretar as minhas músicas, eu componho as minhas próprias obras.

8 – Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística?

Essa questão estética diz respeito a cada planta em particular, e também a quem vai trabalhar nela. Como personagem que é, o bonsai pode muito bem representar uma árvore de uma outra espécie que não a sua própria, desde que tenha atributos propícios pra isso. Como expressão artística, o importante é a criatividade e o capricho.

9 – Que bonsaísta (um ou mais) chama a sua atenção hoje no cenário mundial?

Masahiko Kimura, sem dúvida. Foi através das obras dele que entendi que bonsai é uma escultura viva.

10- Hoje é mais fácil começar a se dedicar ao cultivo de bonsai? Quais eram as maiores dificuldades no início?

A arte do bonsai está bem difundida no país, muito intercâmbio, muita gente se dedicando com primor. Toda a estrutura está muito mais organizada, e o acesso a todos os itens necessários para se fazer um bonsai de qualidade estão disponibilizados no mercado com uma profusão que facilita e incentiva bastante o cultivo dessa arte sublime.

11- Qual a sua percepção hoje da arte do bonsai no Brasil? Você acha que teve um crescimento? Há uma maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

Sem dúvida o cenário do bonsai no Brasil está bem amadurecido. Tenho acompanhado essa evolução ao longo desses quase vinte anos que milito nessas fileiras. Muita gente talentosa, plantas de qualidade e intercâmbios regulares com outros artistas renomados, ajudaram a lançar o país no cenário internacional da arte.

Me sinto muito orgulhoso por ter contribuído de alguma forma, com um trabalho de qualidade num material nativo de qualidade, a cimentar esse reconhecimento internacional do talento de nossa gente e das nossas belezas e riquezas naturais.

12 – Que conselhos você daria para quem está começando a se dedicar à arte do bonsai?

Esteja preparado pra levar essa relação para o resto da vida.

13- Que atributos o bonsaísta deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos?

Boa percepção, senso de equilíbrio, ponderação e capricho. Se a planta tiver espinhos, tudo isso em dobro.

14- Quais os benefícios que podemos encontrar no cultivo da arte do bonsai?

O aprimoramento do senso de equilíbrio talvez seja o grande benefício que resulta da lida com a arte do bonsai. Esse senso de que tudo gira em torno de forças opostas e complementares que se aquilatam e produzem o equilíbrio está em tudo no cultivo do bonsai. E também está em tudo na vida.

15 – Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte.

Bonsai é a arte do equilíbrio.

Contatos para adquirir bonsais ou conhecer o espaço de Marcelo Martins:

Se você tem vontade de adquirir um trabalho de Marcelo, muitos dos bonsais que você viu na entrevista estão à venda. Para maiores informações aqui estão os contatos.

EMAIL:   marceloyamadori@hotmail.com

TELEFONES:  (22) 2643 2991  /  (22) 8818 2992  /  (22) 9255 6672.

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Bonsai or contacts to get to know the studio Marcelo Martins :

If you are interested in acquiring a work of Marcelo , many of bonsai that you saw in the interview are on sale. For more information, here are the contacts .

EMAIL : marceloyamadori@hotmail.com

PHONE : (22) 2643 2991 / (22) 8818 2992 / ( 22 ) 9255 6672 .

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Bonsai o los contactos para conocer el estudio de Marcelo Martins :

Si usted está interesado en adquirir una obra de Marcelo , muchos de Bonsai que se vio en la entrevista están a la venta . Para obtener más información , aquí están los contactos.

CORREO ELECTRÓNICO: marceloyamadori@hotmail.com

TELÉFONO: (22) 2643 2991 / (22) 8818 2992 / (22) 9255 6672 .

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Bonsai oder Kontakte zu bekommen , das Studio Marcelo Martins wissen :

Wenn Sie Interesse am Erwerb der Arbeit von Marcelo sind, sind viele von bonsai , die Sie im Interview sah zum Verkauf . Weitere Informationen sind hier die Kontakte .

EMAIL: marceloyamadori@hotmail.com

TEL: (22) 2643 2991 / (22) 8818 2992 / (22) 9255 6672 .

Lindas fotos tiradas pelo Marcelo de um Pithecolobium crescendo harmonioso em seu ambiente natural.

Sementes do Pithecolobium torthum.

7 Respostas to “Entrevista com Marcelo Martins”

  1. João José Says:

    Os trabalhos de Marcelo “Yamadori” são de inspiração para todos aqueles que querem seguir na arte do Bonsai. Parabéns, Paulo, pela escolha do entrevistado. E parabéns, Marcelo, por elevar o conceito do bonsaismo nacional!!

  2. Vânia Fortes Says:

    Marcelo tem muita sensibilidade. A música e arte fizeram dele uma pessoa única e completa. Os detalhes em cada obra sua comprovam o que digo. Paulo, maravilhosa entrevista! Marcelo, obrigada pela sua amizade! Grande abraço aos dois, amigos de coração.

  3. MARCIO BRITO SAQUAREMA RJ Says:

    realmente o Marcelo é um artista !! gostaria de conhecer seu trabalho mais de perto!!

  4. Seu trabalho com pitecolobium é singular, um grande artista !

  5. muito lindo estes bonsai, adoraria ter mais conhecimento sobre os trabalhos dele.

  6. Jorge Luiz Henriques Peçanha Says:

    Muito bacana a entrevista com o Marcelo. Realmente é um grande artista! Parabéns Marcelo.

  7. chaddadbonsai Says:

    É preciso pensar bem para encarar grandes Pitecos, seus espinhos te espetaram a vida toda, é preciso desenvolver um amor incondicional É como um domador de feras, quanto mais afinado estiver com ela menos se machucará.
    Filosofia e persistência.
    Parabéns Marcelo,
    Obrigado Paulo.

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