Archive for the Bonsai – Entrevistas no Brasil Category

Bonsai e Suiseki com Humberto Dellatorre

Posted in Bonsai - Bonsaistas do Brasil, Bonsai - Entrevistas no Brasil, Bonsai no Brasil with tags , , , on 15 d e maio d e 2020 by aidobonsai

Meu amigo Humberto Dellatorre é um artista que caminha entre duas artes, se dedica ao cultivo e criação de Bonsais e está sempre procurando novas montanhas, montanhas que surgem pela sua visão, quando ele encontra rochas, minérios, pedras que vão se transformar em lindos Suisekis. Trago aqui sua entrevista contando um pouco da sua trajetória, muito obrigado Humberto por ter você aqui no meu blog !

1 –Humberto quando você se interessou e começou a se dedicar a arte do bonsai?

Foi em 2009 quando ganhei um bonsai de presente da minha esposa, um falso Cipreste anão, e que algumas semanas depois secou todo. Apesar de pesquisar sobre a espécie, o pouco que encontrei na internet na época já que era um assunto novo para min e segui a risca o que estava descrito no manual que acompanhava a árvore, aquilo me deixou bem chateado e curioso. Eu nunca tinha me interessado por plantas mais quando comecei a pesquisar e fui vendo tudo o que o cultivo das pequenas árvores em vasos englobava, fiquei bem interessado e comecei a adquirir materiais e insumos em sites especializados além de dedicar alguns momentos do dia para pesquisar e estudar sobre o assunto. 

 

2 – Quais espécies você mais gosta de trabalhar?

Ao longo destes anos eu já tive e tenho várias espécies que deram certo, e outras que não tive sucesso por falta de experiência na época ou ate mesmo por conta do clima. Atualmente me dedico mais as espécies tropicais em especial o nosso Pithecolobium, Caliandras e suas variações entre outras tropicais, além de ter algumas coníferas na minha coleção.

3 – Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mas as circunstancias de clima  e adaptação não permitem?

Já tentei algumas variações da sakura mais não tive sucesso e a piracanta também não me dei bem.

Ligustrum

4 – Dos seus trabalhos qual você destaca com carinho especial. Me fale um pouco sobre ele.

Isso e complicado pois sou apenas um iniciante nessa arte, e meus bonsais como um todo ainda estão em formação, tenho algumas preferidas que eu acabo me dedicando mais em um universo de quase 200 plantas e projetos que tenho aqui em casa cada uma com um desafio e particularidade que vão se aperfeiçoando com tempo, estudo e paciência.

Ligustrum em 2 etapas

5 – Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

No inicio estudava o tradicional dentro das premissas e convenções que estavam nos livros, em 2017 comecei a me interessar mais pelo bonsai artístico e naturalista, e em 2018 comecei efetivamente a me dedicar a esta vertente dentro do bonsai que é defendida por muitos artistas do Brasil e América Latina, mais nem por isso abandonei minhas árvores já iniciadas ou mudei seus projetos o que eu vou conseguindo com novos materiais vou tentando trabalhar, mais fora da estética convencional com uma pegada mais artística e tropical.

6 – Você gosta mais de um estilo de bonsai em particular? Qual?

Hoje tento me desvencilhar de estilos pré-definidos tentando sair do óbvio, mais gosto muito do Kengai e Han-kengai.

Caliandra Espinosa estilo Han Kengai.

Pithecolobium Kengai

7 – O que a arte do Bonsai agregou na sua vida?

Além de um hobby, me ajuda muito a ter foco, pois tenho problemas com isto e me ajuda e ajudou muito a manter a cabeça no lugar para superar tempos e situações difíceis, além de ser um grande exercício de paciência e disciplina.

Caliandra Brevipes
Fotografia Ronald Marques

8- No seu caminho da cultura oriental o que chegou primeiro a paixão pelo bonsai ou pelo suiseki?

Foi pelo bonsai, acho que o suiseki foi consequência do caminho na arte assim como outras artes que são ferramentas para o bonsai e sua composição e acompanhamento.

Alguns dos Suisekis da coleção de Humberto Dellatorre.

9- O que a arte do bonsai e do suiseki tem em comum?

Na minha opinião tem muitas coisas em comum, elas vão além da estética e do desafio de prender a atenção e gerar reações em quem olha, até o estudo profundo de técnicas estéticas e trabalhos manuais. São artes que interagem e se completam além de muito complexas o que exige do praticante aprofundamento em diversos assuntos tanto de exatas quanto de humanas.

10- Qual a maior dificuldade quando se começa a arte do Suiseki?

A maior dificuldade e quebrar as amarras da imaginação e se permitir enxergar paisagens, animais e pessoas em singelos pedaços de rochas.

11- As duas artes podem se complementar ?

Podem sim ajudando ao observador a viajar dentro daquela composição e se sentir imerso na mensagem que a imagem da composição quer transmitir. Eu particularmente gosto muito de utilizar o suiseki como acompanhamento do bonsai nas exposições.

12- Dos seus suisekis você pode nomear um ou mais favoritos e falar porque?

O que torna o suiseki fantástico e a historia por trás da rocha, onde foi coletada e a imagem que ela proporciona, Um dos meus favoritos e o que chamo de ” O Dedo de Deus” e uma basalto que coletei em uma cachoeira em Itaguai/RJ juntamente com meu amigo Roosevelt Freire essa rocha tem um desenho que se parece muito com a montanha com mesmo nome “Dedo de Deus” em Teresópolis/RJ, quanto bati o olho dentro da água e vi a pedra peguei na hora e falei “Olha Roosevelt o dedo de deus”.

13- Hoje a arte do suiseki está crescendo no Brasil ?

Na minha opinião em comparação ao bonsai cresce timidamente pois e uma arte que exige mexer com escultura de madeira e técnicas de marcenaria, apesar dos esforços de grandes suisekistas do Brasil como por exemplo o Sr.º Elio Secchi que faz um belo trabalho de divulgação do suiseki e é uma inspiração para eu que sou entusiasta da arte. 

 

14- Existe alguma associação que você pertença?

Eu pertenço a Associação de Bonsai do Rio de Janeiro, carinhosamente chamada de União Bonsai RJ, inclusive sou um dos fundadores e participo da diretoria, sou suspeito em falar, pois tentamos fazer aqui no rio um trabalho de divulgação da arte do bonsai e suas correlatas trazendo novos adeptos e criando ambiente para a prática do bonsai no Rio de Janeiro.

15– Você acha que um Bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística?

Eu acho que o bonsai deve seguir o que o praticante quer, se ele quiser seguir uma ordem rígida de técnicas e estética ou seguir uma forma mais livre e artística tem que ser livre para tal além de que a gente faz o bonsai primeiro para agradar nos mesmos, o que as pessoas irão achar do seu trabalho e outro assunto,o que você terá que aprender é a lidar com as criticas e elogios. Um bom trabalho no bonsai ou um bom bonsaista ou artista sempre tem que vir acompanhado de muita humildade essa para min e a única regra que não pode ser quebrada ou desprezada.

Serissa Chinesa

16- Que bonsaista (um ou mais) chama a sua atenção, hoje no cenário mundial?

Nacho Marin, Paulo Henrique Gomes, Juan Llaga, Rudi, Julianto, Kimura, Walter Pall e vários artistas de Taiwan e do Vietnam.

17 – Hoje é mais fácil começar a se dedicar a criação de bonsais?  Quais eram as maiores dificuldades no inicio?  

Sempre é mais fácil, hoje a quantidade de informação disponível na internet é gigante comparado há dez anos, mas tem que saber filtrar um pouco, pois tem informação de qualidade boa e mas também tem ruim. Eu pratiquei durante quase sete anos sozinho e vejo que é muito mais fácil aprender quando você faz parte de algum grupo, pois tem sempre alguém te alimentando de informações e experiências.

18 – Qual a sua percepção hoje da arte bonsai no Brasil? Você acha que teve um crescimento? Há maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

Por causa da Associação venho acompanhando isto de perto principalmente no RJ a quantidade de novos adeptos a prática do bonsai cresce muito, mais ao mesmo tempo cresce o número de desistentes e pessoas que se frustram com a arte, pois o mercado ainda é carente de instrutores, e existe ainda muita divergência no meio de como deve ser conduzido à instrução de bonsai no Brasil. O bonsai é um mercado em plena expansão, e que esta longe de atingir seu pico de crescimento por ser uma arte relativamente nova no Brasil. Acredito que de 10 a 5 anos para cá, o crescimento acelerou por causa das mídias sociais. Temos vários bonsaistas brasileiros com uma boa projeção no exterior, acredito que aumentaremos mais esta projeção com o passar do tempo, criando um amadurecimento e identidade na arte. 

Caliandra Brevipes

19– Que conselhos você poderia dar para quem esta começando a se dedicar a arte do Bonsai?

Não desista no primeiro fracasso isto faz parte da aprendizagem, se puder procure alguma referência na arte, grupo ou associação facilita muito o caminho.

20– Quais atributos o bonsaista deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos?  

Paciência, disciplina e perseverança.

21 – Quais os benefícios físicos e mentais que podemos encontrar se dedicando a arte do Bonsai?  

Fisicamente e uma atividade que te exige certo tipo de movimento e coordenação motora fina e mentalmente e uma atividade que te exige concentração, imaginação além de te manter estudando e com a mente ativa.

Caliandra Brevipes
Fotografia Ronald Marques

22– Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte?   

 “Bonsaista e assim como o vinho conforme o tempo passa vai ficando melhor, porem ser for acondicionado de maneira errada vira vinagre”. Humberto Dellatorre

Gosto muito de uma citação do amigo Wagner Guedes 

“Onde não existe liberdade não pode existir arte! O que caracteriza um artista é a capacidade de quebrar regras e não de segui-las!”

Caliandra Brevipes

23- Me fale um pouco da associação de bonsai que você faz parte, como ela surgiu?

A União Bonsai surgiu como um grupo de amigos que praticavam bonsai e resolveram criar um grupo de encontros e começaram a realizar estes encontros em praças e nas casas de um ou de outro amigo. Com o passar do tempo o numero de integrantes foi crescendo e em 2016 já estávamos com mais de cinquenta membros no grupo, foi quando começamos a estruturar o projeto de associação, ate que em 2018 fundamos a Associação de Bonsai do Rio de Janeiro – UBRJ. Hoje temos quase sessenta associados e mais quatro filiais pelo Brasil que são a União Bonsai Pará, União Bonsai Vale do Paraíba, União Bonsai Foz do Iguaçu e União Bonsai São Paulo.

24- Quais os principais objetivos dela ?

A Associação União Bonsai e baseada em três pilares que norteiam todas as metas e decisões: Divulgação, Aprendizado e Amizade. Nosso objetivo e a universalização da arte do bonsai ajudando a quem quer praticar e divulgar a arte realizando exposições, cursos e workshops além de aproximar as pessoas criando vínculos de amizade em torno de uma atividade em comum.

Para conhecer a União Bonsai acesse:  https://www.uniaobonsai.org/

25- Me fale um pouco do concurso que vocês estão criando!

No fim de 2019 surgiu a ideia de organizarmos um concurso nos moldes evolutivo voltado aos associados iniciantes e intermediários na arte então começamos a pensar na estrutura do concurso e qual foco ele teria e resolvemos focar no Piteco (Cloroleucom Tortum) que e a nossa principal nativa para bonsai aqui no RJ e com isto estimular os participantes a aprenderem a cultivar e desenvolver o piteco para bonsai. Então com esta ideia batizamos o concurso com o nome de Troféu Marcelo Martins de Bonsai que foi o artista que introduziu o piteco na arte do bonsai aproveitando também para homenagear este grande artista do bonsai brasileiro.

O concurso terá duração de dezoito meses e terá avaliações trimestrais através de fotografia, esta avaliação será realizada por quatro grandes artistas do estado do Rio e mais um de São Paulo sendo a banca de jurados compostas pelo próprio Marcelo Martins, Alexandre Chow, Paulo Netto, Wagner Guedes e Paulo Henrique Gomes. Ao final do concurso o participante com maior pontuação será o ganhador do troféu e premiações.

SUISEKI:

Aqui no blog você encontra 4 matérias que escrevi sobre a História, Criação, e curiosidades sobre de Suidekis:

PROCURANDO PEQUENAS MONTANHAS:

https://aidobonsai.com/2009/04/25/procurando-pequenas-montanhas-suiseki/

HISTÓRIA:

https://aidobonsai.com/2008/12/29/suiseki-uma-arte-com-2000-mil-anos-de-idade/

100 SUISEKIS:

https://aidobonsai.com/2010/04/29/100-suisekis/

FLORES DE PEDRA KOREANAS:

https://aidobonsai.com/2010/04/29/as-flores-de-pedra-koreanas/

OS INCRIVEIS SUISEKIS DE KEMIN HU:

https://aidobonsai.com/2010/04/29/kemin-hu-colecao-de-suiseki/

Bonsai e Arte Marcial por Ricardo Andrade

Posted in Bonsai - Bonsaistas do Brasil, Bonsai - Entrevistas no Brasil with tags , , , on 9 d e maio d e 2020 by aidobonsai

Quando penso em dedicação e paixão a tudo que faz, tenho como um norte magnético o meu amigo Ricardo Andrade, mestre em taekondo e bonsaísta dedicado. Aqui na sua entrevista um pouco da sua visão destes dois mundos.

1 – Ricardo Andrade quando você se interessou e começou a se dedicar a arte do bonsai?

Sempre admirei a arte do bonsai, mas também sempre imaginei que seria algo inatingível pra mim – técnica e financeiramente. Até que, buscando cursos sobre cultivo de plantas em geral e paisagismo, participei de um curso de orquídeas e assisti a uma palestra do mestre Cláudio Ratto sobre bonsai. Ele discorreu de maneira clara e didática, e me fez ver que seria possível ingressar nesse mundo maravilhoso das pequenas árvores.

2 – Quais espécies você mais gosta de trabalhar?

Como todo iniciante, adquiri várias espécies, de vários estágios – de semente à planta adulta. Mas os ensinamentos e a prática, me fizeram chegar à conclusão de que eu teria que cultivar espécies que eu gostasse, mas que fossem apropriadas ao meu micro clima. A partir daí direcionei minha energia e zelo às jaboticabeiras, bougainvilleas, calliandras, figueiras, dentre outras nativas da minha região.

3 – Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mas as circunstancias de clima e adaptação não permitem?

Certamente cerejeira, macieira, oliveira dentre outras que necessitam de um inverno mais rigoroso e constante que o de Niterói.

Bonsais da NBA (Nipon Bonsai Associantion)

4 – Dos seus trabalhos qual você destaca com carinho especial. Me fale um pouco sobre ele.

Tenho alguns, mas destaco uma jaboticabeira, que adquiri em 2012 com 2m de altura, no Sítio Carvalho, vendida para cultivo em vaso grande. Passado um ano, identifiquei um potencial para ser conduzida como bonsai, e perguntei a meu mestre Cláudio Ratto. Ele confirmou minha percepção e apliquei a técnica de poda drástica do grande e saudoso bonsaísta John Naka. Atualmente, 7 anos depois, tornou-se um belo shohin, aguardando flores e frutos chegarem.

OBS: Veja o passo a passo deste trabalho no fim da entrevista.

5 – Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

Faço parte da Escola de Bonsai Niterói, conduzida pelo Mestre Cláudio Ratto, que transmite seu conhecimento a partir dos estilos e técnicas do bonsai japonês. Mas ficamos à vontade para estudar e aplicar outras propostas e estilos, de acordo com a planta e gosto pessoal.

6- Você gosta mais de um estilo de bonsai em particular? Qual?

Hokidashi, Bujin e Kengai

7 – O que a arte do Bonsai agregou na sua vida?

A arte do bonsai chegou em minha vida num momento difícil. Meu pai estava internado e mal de saúde. Era como se fosse uma válvula de escape. Comecei em abril de 2012 a frequentar as aulas do mestre Cláudio Ratto, e diversas foram as vezes que 

eu ia direto do hospital, onde passava a noite com meu pai, direto pra casa dele, ajudar em alguma tarefa relacionada ao cultivo do bonsai.Meu pai faleceu em agosto daquele ano. O lidar com o bonsai agregou muito em meu perfil e conduta, aliado à minha formação em arte marcial desde 1979. E nesse período de confinamento, cuidar dessas pequenas árvores – podando, desfolhando, adubando e observando, definitivamente minimiza e muito o estresse gerado pelo isolamento social.

8- Como um mestre e fundador de uma tradicional escola de Taekwondo (Highway One), e que tem muitos alunos de idades diferentes, me diga como a arte do bonsai influencia, e se pode ajudar na arte marcial?

Influencia e muito. Diversas são as situações que durante as aulas, faço comparações e metáforas, envolvendo o treinamento do praticante com o treinamento dos bonsais. E dessa forma procuro transmitir as boas e valiosas características do cultivo do bonsai, com a formação de um genuíno praticante de arte marcial.

Conheça a Highwayone Taekwondo : www.hw1.com.br

Facebook:   https://www.facebook.com/highwayonetkd/

No instagram:  @highwayonetkd

9- Existe filosofia, diretrizes que sejam comuns nas artes marciais e no cultivo do Bonsai?

Sim, com certeza. Respeito, disciplina, ética, paciência e treinamento de repetição para buscar a excelência.

Foto da faixa preta Livia Lessa filha do mestre Ricardo Andrade.

10- O que é mais difícil conseguir a faixa preta no Taekwondo ou na Arte do Bonsai ?

Costumo dizer que a faixa preta significa o início de um longo caminho, onde se dará realmente o aprendizado do praticante, que durante os anos de treino nas faixas coloridas, se preparou para chegar até esse início. Na arte do bonsai

, acredito que seja mais difícil. Na arte marcial você aprende e treina para controlar o seu próprio corpo. Dependerá apenas de você o quê e como acontecerão a execução dos golpes de ataque e defesa. No bonsai, você tem que aprender como utilizar as técnicas, mas que terão que ser aplicadas de acordo com as mudanças e alterações daquele ser vivo – a planta, a partir das intempéries climáticas, as ações de animais e as ocorrência de pragas. Ou seja, não depende só do bonsaísta. Por exemplo, depois de conquistar a faixa preta, levei 13 anos para me graduar como mestre no taekwondo, enquanto que estou há 8 anos aprendendo a arte do bonsai. Fazendo uma comparação, imagino que eu seja um 3º gub (a 6ª graduação das 8 existentes nas faixas coloridas), ainda faltando muito para alcançar a “faixa-preta de bonsai”.

11 – Você acha que um Bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística?

Penso que, ao se escolher uma prática, seja profissional, técnica ou corporal, há que haver muita dedicação e aprendizado. É fato que no Brasil, a grande maioria dos bonsaístas segue a escola japonesa, assim como a Escola de Bonsai Niterói. Mas a partir do domínio do conhecimento, pode-se vislumbrar outras vertentes e estilos. Particularmente hoje, prefiro um estilo mais livre e artístico, buscando a estrutura natural que observamos na natureza.

12 – Que bonsaista (um ou mais) chama a sua atenção, hoje no cenário mundial?

Infelizmente não acompanho plenamente o bonsai pelo mundo. Mas posso destacar alguns que já visitei e/ou presenciei atuando – Kobaiashi, Kimura, Nacho Marin e Robert Stevens.

Acima no centro um dos maiores mestres Masahiko Kimura, que revolucionou no Japão a forma de criar bonsais principalmente os de madeira morta: Sabamiki e Sharamiki. Kimura as vezes conduz as raízes de suas plantas com ráfia até o lado oposto do projeto, criando verdadeiras esculturas.

Seja nos estilos de madeira morta ou tradicionais, podemos também ver a criatividade do mestre Kimura em suas paisagens, esse trabalho quando apresentado na Kokofu Bonsai em  1995, se tornou uma referência para bonsaistas de todo mundo.

13 – Hoje é mais fácil começar a se dedicar a criação de bonsais? Quais eram as maiores dificuldades no inicio?

Minha maior dificuldade foi a falta de informação e divulgação da arte, que aqui no Rio de Janeiro era bem restrita. Hoje em dia, principalmente com o advento da internet, podemos acessar inúmeras informações. Mas à reboque, também constatamos muita desinformação – como em todas as áreas, gerando uma deturpação das técnicas a serem aplicadas. Sem falar no grande número de comerciantes, que oferecem mudas, como bonsais antigos.

14 – Qual a sua percepção hoje da arte bonsai no Brasil? Você acha que teve um crescimento? Há maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

Vejo que existem muitos grupos em todas as regiões, fomentando e divulgando a arte do bonsai no país em diversos segmentos. Quanto a nossa projeção internacional, não saberia dizer. Mas certamente temos excelentes bonsaístas brasileiros que teriam muito a contribuir e agregar, principalmente no que tange às plantas nativas brasileiras.

15 – Que conselhos você poderia dar para quem está começando a se dedicar a arte do Bonsai?

Basicamente buscar um professor que norteie seu trabalho com ética, preocupado em transmitir conhecimento sem colocar o viés comercial acima da transmissão do conhecimento. Dessa forma, evitará perder tempo, dinheiro e plantas.

16 – Quais atributos o bonsaista deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos?

Acima de tudo a busca pelo conhecimento, através de livros, das mídias e principalmente da interação com outros bonsaístas.

Abaixo Ricardo Andrade visitando o viveiro do mestre Kobahashi, que possui em sua casa uma das maiores coleções de bonsais antigos de todo mundo.

17 – Quais os benefícios físicos e mentais que podemos encontrar se dedicando a arte do Bonsai?

O benefício mental é notório, a partir da paciência a ser adquirida e da tranquilidade gerada na interação com a planta, seu entorno e assuntos afins. Agora o benefício físico se dará a partir da consciência de cada um, pois terá que lidar com várias dinâmicas e tarefas inerentes à prática do bonsai, que irão demandar o mínimo de condição física, como peneirar, misturar substrato, manusear tesouras e alicates, carregar plantas e vasos etc

18 – Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte?

Entre o enraizar e o florescer, há que se respeitar o tempo.

O tempo se materializa e se perpetua pelas nossas sementes, que se tornam árvores com raízes fortes. Bonsais criados com raízes fortes podem passar por todas as dificuldades que nunca vão cair ou morrer, vão sempre se regenerar. Assim também são os filhos de homens com honra, objetivos e caráter. O meu muito obrigado ao amigo e irmão Ricardo Andrade pela entrevista, e por tudo que aprendo com você todos os dias.   OSSSS

                                                                                  Paulo Netto Neto

PASSO A PASSO DE UM PITHECOLOBIUM THORTUM:

PASSO A PASSO DE UMA JABITICABA POR RICARDO ANDRADE:

REVISTA DO BONSAI

Posted in Aido Bonsai, Bonsai - Biblioteca, Bonsai - Entrevistas no Brasil, Bonsai - Matérias especiais with tags , , , , , , , , on 20 d e abril d e 2020 by aidobonsai

Tenho o prazer aqui de divulgar nessa materia a revista do BONSAI, criada pelo grande mestre Bergson Vasconcelos. Temos que prestigiar essa iniciativa como amantes da arte do bonsai, paisagismo e natureza. Criar uma revista no Brasil com a qualidade que eu tenho observado, e muito difícil.  Já tivemos no Brasil algumas revistas sobre Bonsai que acabaram se estinguido e é muito importante para o crescimento e divulgacão da arte que os apaixonados e iniciantes, possam conhecer os novos cultivadores, as novas espécies, os mestres que estão se destacando no cenário mundial, as técnicas inovadoras e muito mais.  Parabéns amigo Berghson Vasconcelos por mais essa iniciativa, e espero que esta entrevista ajude na assinatura da revista Bonsai.

1- Bergson como surgiu à ideia de fazer a revista Bonsai?

Surgiu da necessidade de suprir uma lacuna na Arte Bonsai devido à ausência de uma publicação voltada aos amantes dessa arte e admiradores em geral. Por longos anos estivemos órfãos de uma publicação para nos manter informados e que pudesse servir como registro da história da Arte Bonsai em nosso País.

Desde cedo sou um contumaz devorador de revistas e especificamente as sobre bonsai sempre me encantaram (a partir do momento em que descobri essa arte apaixonante). A cada mês ia às bancas para adquirir as revistas. No entanto, aos poucos foram paradas as publicações.  Lembro-me da boa sensação em poder ler e descobrir novidades, técnicas e pessoas voltadas ao bonsai em cada revista. E vi que era necessário poder voltar a dividir essa sensação com muitos e assim tive uma dose de coragem ou quem sabe de loucura (kkkkkkk) e resolvi publicar a REVISTA DO BONSAI.

Acredito que agora começamos a escrever um novo capítulo na Arte Bonsai, que temos um instrumento que poderá agregar todos em torno dessa arte.

2- Qual a maior dificuldade de realizar um projeto gráfico e didático no Brasil?

Posso enumerar quatro maiores dificuldades: 1. A falta do hábito da leitura; 2. Os custos envolvidos em todo o processo produtivo; 3. Material a ser impresso; e 4. Conseguir anunciantes.

Hoje entendo porque as revistas sobre bonsai não se perpetuaram. Imagine uma grande editora com dezenas de profissionais, esquema de distribuição e necessidade de lucro. A REVISTA DO BONSAI é uma publicação que apenas não é deficitária, a venda das revistas somada a alguns fiéis amigos que são anunciantes cobrem tão somente os custos de impressão.

3- Como você escolhe as pautas de cada exemplar?

Seguindo o seguinte roteiro: Assuntos com função social; Entrevistas; Como fazer explicando o passo a passo da criação de plantas, paisagens, vasos, ferramentas; adubação; estilos, etc.; e as experiências e necessidades do bonsaísta iniciante ao profissional.

4- Como tem sido o retorno dos bonsaístas do Brasil a sua revista?

Vou responder essa pergunta com uma mensagem que recebi de um leitor e publiquei no Editorial da REVISTA DO BONSAI 05: “Sou apaixonado por bonsai e moro em uma pequena cidade desse grande Brasil e a revista é o que me traz para mais próximo dessa arte. Receber a revista me faz fazer parte desse sonho da arte bonsai, cada linha lê desfrutando e imaginando como trazer para minha realidade o que absorvo nas páginas da revista. Espero por cada edição com a esperança de aprender um pouco mais e me sentir parte desse universo. Obrigado pela coragem de criar e perpetuar nossa revista. Que Deus os abençoe!”.

Acredito que essa resposta traduz de maneira emocionante e direta a receptividade dessa publicação. Isso me faz realizado e feliz.

5- Quais os seus objetivos futuros para a revista?

Dar vida longa a REVISTA DO BONSAI.

6- A revista tem assinatura mensal? Como podemos adquirir a sua revista?

A REVISTA DO BONSAI tem periodicidade semestral, mas estamos trabalhando para que em um prazo de 12 a 24 meses seja quadrimestral.

A revista pode ser adquirida através do site www.revistadobonsai.com.br, no whatsapp 82 98836.2146 ou através do instagram @oficina_bonsai.

7- É possível comprar todos os números já lançados, para ter toda coleção?

Ainda é possível adquirir a coleção completa, hoje temos 05 (cinco) edições lançadas. Porém, a edição 01 está quase esgotada.

8- Algum projeto futuro a caminho? Algum livro novo sendo criado?

Não consigo ficar sem criar/produzir. Essa vontade de fazer novos projetos propicia uma sensação de eternidade, é a chama que move minha vida.

Estou trabalhando em um APP REVISTA DO BONSAI, para poder atender os amigos de outros países que desejam ter a revista. Pois, enviar fisicamente para o exterior devido ao alto custo dos correios é inviável. A Revista será no formato de E-book em inglês e espanhol.

Sempre estou escrevendo, com certeza no próximo ano estarei lançando dois livros sobre Bonsai. Um de conhecimentos gerais e outro especificamente sobre Penjing Landscape.

 

 

 

 

Muito obrigado Bergson pela disponibilidade de dar a entrevista, e principalmente por ajudar a todos amantes da natureza com uma revista tão profísional e Brasileira.

Livro criado e publicado sobre Penjing por Bergson Vasconcelos.

Felipe Dallorto – Entrevista

Posted in Aido Bonsai, Bonsai - Entrevistas no Brasil, Bonsai no Brasil with tags , on 4 d e agosto d e 2017 by aidobonsai

Aqui mais uma entrevista com um bonsaísta que vem se destacando no Brasil,  Felipe Dalorto tem um trabalho de criação, modelagem, triângulação e  estética muito apurados.  Obrigado Felipe, pela disponibilidade de dar a entrevista, parabéns pelos seus trabalhos e por essa paixão a arte do bonsai. OSSSSS

1 – Felipe quando você se interessou e começou a se dedicar arte do Bonsai ?

Comecei no ano de 2001 comprando bonsai de supermercado. O primeiro morreu, depois comprei outro no mesmo supermercado, daí morreu também…rsrs comprei o terceiro também no mesmo supermercado, antes que morresse, comecei a pesquisar pela net e encontrei um curso de bonsai em Jacarepaguá, onde residia nesta época. Foi aí que conheci o Edson Sanroma, do extinto bonsai Sanroma, onde fiz meu primeiro curso de bonsai no ano 2003.  No ano de 2005 conheci o Roberto Gerpe e comecei a estudar com ele, anos depois entrei para a escola do Claudio Ratto. Entre os anos de 2005 a 2012 , fiz diversos workshops com mestres internacionais e nacionais. Em 2014, participei do concurso de novos talentos no evento Bonsai 2014 no Museu do Bonsai em Minas Gerais.  Ganhei em primeiro lugar e conheci o artista Italiano Mauro Stemberger, onde estudei com ele na Itália por 3 anos e me formei como instrutor profissional da escola dele na Italian Bonsai Dream.

2- Como você vê o crescimento do Bonsai hoje no Brasil ?

Vixi, cresceu de mais! Lembro bem da época que comecei, eram poucos que faziam cursos e também as informações eram precárias em relação a hoje. Com a facilidade de informações no mundo virtual, podemos afirmar que o bonsai cresceu muito e infelizmente de forma desordenada, pois muitas pessoas acham que irão aprender pela internet.

Bonsai é prática orientada,  assim como qualquer outra atividade, seja esporte, arte, música e etc.. sem prática orientada, muito difícil fazer qualquer atividade com qualidade e destreza.

3- Você gosta de fazer demostrações ? Que estilo de bonsai você mais gosta de trabalhar nos eventos que participa?

Sim , adoro as demonstrações. Gosto do desafio da criatividade. Você precisa pensar rápido e tomar decisões em pouco tempo, gosto desta adrenalina.

Sobre o estilo, não tenho muita preferência. Gosto de trabalhar todas as espécies no mais variados estilos. Quanto maior a qualidade do material, melhor o resultado final. Sinto falta disso aqui no Brasil, pois no exterior, as árvores são mais preparadas para as demonstrações. Aqui pegamos muitos materiais brutos do campo, onde dificulta muito um resultado final com qualidade.

4– Quando você está ensinando seus alunos, administrando cursos qual sua maior preocupação ?

Com certeza a didática, tento ser o mais didático possível, para que o aluno possa absorver bem as técnicas.

5- No seu curso como você tem um foco principal ? Entre: Teoria, Técnica, Prática ?

Tento passar o máximo possível da prática, pois aprendi muito praticando na Europa. Teoria é importante para a parte fisiológica.

Técnica de posicionamento de galhos, estrutura, aramação, poda, design, traumas e etc.. você só aprende na prática.

6- Você vê alguma diferença dos bonsaístas brasileiros, para os que se dedicam a arte fora do Brasil ?

Muita diferença! Aqui no Brasil, muitos começam como comecei, comprando “Malsai” de supermercado e tentando aprender na internet. Lá fora, quem tem interesse em começar na arte, entra para uma escola com um profissional qualificado.

Já ministrei 3 workshops na Europa junto ao meu mestre Mauro Stemberger, e pude perceber que o nível básico de quem está começando por lá é quase o nível avançado de pessoas daqui do Brasil, devido à qualidade de ensino nas escolas.

Outra é que muitos brasileiros que nunca fizeram cursos e que não se capacitaram como profissionais, ministram cursos e workshop para o público e isso gera uma confusão e distorção da arte no geral.

7 – Quais espécies você mais gosta de trabalhar ?

Pithecolobium tortum, Caliandra Espinosa, jabuticabas e as figueiras.

No quesito complexidade, os Pinheiros e juniperus, são mais interessantes e desafiadores.

8 – Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mais as circustâncias de clima e adaptação não permitem ?

Com certeza as coníferas, pinheiros e juniperus.

9 – Dos seus trabalhos qual você destaca com um carinho especial. Me fale um pouco sobre ele.

Destaco esse Pithecolobium Tortum, devido às inúmeras dificuldades que tive de mantê-lo comigo. Desde a coleta em 2010  com meu amigo Fábio Nery do Rio, tive dificuldade de trabalhar e manter ao meu lado, pois não tinha um espaço para colocá-lo. Sempre a árvore estava na casa de amigos e familiares. Quando me juntei com minha ex companheira, levei comigo e pude dar os primeiros passos nela. Anos depois, me separei  e tive que vender, mas para minha sorte, vendi para o proprietário do bonsai Leblon no Rio, no qual presto serviço para o mesmo e consegui dar continuidade nos trabalhos.

10– Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

Sigo o que as espécies mandam, se for uma conífera, estilizo como uma conífera, se for uma tropical, estilizo como uma tropical.

Aqui no Brasil, muitas pessoas aindam estão presas no bonsai japonês, estilizam árvores tropicais como Pinheiros e juniperus que nascem no Japão.

A técnica e a escola é uma só “Japonesa” digo; aramação, colocar a arvore no vaso, formas de patamares de diferentes espécies, torções, estilos de bonsai como moyogi, chokan e etc.. praticamente a maior parte das técnicas e informações da arte no geral é do Japão, mas as pessoas precisam entender que o Japão usam suas espécies nativas para fazer bonsai e delas que saem as inspirações e criações.

A Europa e os EUA, começaram na arte com espécies japonesas, após as idas e vindas de artistas no Japão, começaram a entender e praticar a arte com suas espécies nativas, desta forma, criaram sua identidade no bonsai do seu país, como na Europa que já é uma grande referência no mundo do bonsai com suas árvores nativas e agora os EUA que estão montando sua identidade.

11 – Você gosta mais de algum estílo de bonsai em particular ? Qual ?

Gosto de todos os estilos, sou apaixonado e muito aficionado pelo bonsai, mas o que mais me chama a atenção é o semi cascata e o literati.

12 – O que a arte do bonsai agregou na sua vida ?

Muitas coisas, principalmente paciência,  muita paciência…rsrsrs

13 – Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística ?

Então, na minha opinião e voltando um pouco do que disse na pergunta n:10 , o bonsai tem que ser como as árvores são, não digo da forma naturalista, mas com um design estético junto ao comportamento das espécies.
Por exemplo ; você já viu um Pinheiro e juniperus estilizados no Japão ou da Europa  com os galhos pra cima como uma tropical ou como uma caduca ? Acredito que não, pois cada espécie tem seu comportamento no ambiente que nascem.  A forma artística entra na criatividade, na transformação de um material que veio de uma forma bruta e você tem a liberdade para mudar ou não esta forma, dentro do comportamento de cada espécie.

14- Que bonsaístas chamam a sua atenção, hoje no cenário mundial ?

Com certeza meu mestre Mauro Stemberger que é requisitado no mundo inteiro e o Bjorn Holm, no qual tive a oportunidade de conhecê-lo e de ter trabalhado o seu lado na China.

15- Qual a sua percepção hoje da arte do bonsai no Brasil ? Você acha que teve um crescimento? Há uma maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

As coisas estão começando a fluir, acredito que em 10 anos estaremos com uma identidade mais concretizada no mundo do bonsai.  Temos bons artistas no Brasil, o que precisamos fazer de imediato é trabalhar mais as nossas nativas e estudar mais, desta forma a projeção mundial será natural.

16- Você esteve no Encontro nacional de Bonsai em Minas ? O que te chamou atençnao no evento ?

Sim, estive neste importante evento no Brasil.
O que me chamou a atenção foi a quantidade de pessoas novas e de diferentes estados e até de países vizinhos participando no evento. Sinal que o bonsai no Brasil está crescendo.

17- O que você gostaria de vêr nos eventos futuros do Bonsai 2018 ?
Gostaria de ver algumas pessoas de todas as associações, clubes, lojas e profissionais que não vi neste ano e 2017 no evento. Temos que nos esforçar mais na união e compartilhamento das informações.

18 – Que conselhos você poderia dar para quem está começando a se dedicar a arte do Bonsai.

Procurem sempre um profissional, façam um bom curso.   Não percam seu tempo com informações na internet. Você nunca irá dirigir um carro lendo um manual… pois para dirigir nas longas estradas é preciso prática, assim como na arte do bonsai.

19- Quais atributos o bonsaísta deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos ?
Talento, criatividade, paciência e ser estudioso.

20- Me fale um pouco do seu espaço, hoje você cuida de quantas plantas?

Infelizmente ainda não tenho um espaço. Vivo em um quarto em Copacabana e estou me esforçando o máximo para concretizar esse sonho.

21- Quais os benefícios físicos, mentais que podemos encontrar se dedicando a arte do bonsai?
Coordenação motora, atenção, criatividade, paciência, contato com a natureza e paciência, muita paciência. Rsrsrs

22– Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte.

Galhos retorcidos, aromas no ar, folhas no chão, sinais das estações e do mundo antigo.
Somos jovens, vagando pela face da terra, moldando árvores centenárias, onde a beleza nos hipnotiza e a troca alimenta a alma .

Entre na galeria e veja mais trabalhos de Felipe Dalorto:

Continue lendo

Adriano Roldão bonsais com muita arte.

Posted in Bonsai - Entrevistas Internacionais, Bonsai - Entrevistas no Brasil, Bonsai - Ferramentas-Utilização, Bonsai - Matérias especiais, Bonsai no Brasil with tags , , on 27 d e abril d e 2017 by aidobonsai

Os Juniperus de Adriano Roldão na minha opinião, podem ficar em exposições ao lado dos trabalhos de grandes mestres internacionais. São árvores que possuem história na sua criação e principalmente muita poesia.

A medida que fui escolhendo fotografias no seu acervo pessoal, fiquei muito feliz de saber que está matéria seria uma das mais ricas publicadas nos 6 anos de blog, pois vocês vão poder observar ás árvores em suas etapas de trabalho.

Muito obrigado Adriano pela disponibilidade em dar a entrevista e de dividir com os leitores, o seu trabalho que possui um material fotográfico tão rico.

1 – Quando você se interessou e começou a se dedicar à arte do bonsai?

Eu ainda morava em Porto Alegre quando tive meu primeiro contato com bonsai, em uma exposição dentro de um shopping. Fiquei maravilhado. Somente em 2008 já morando em Curitiba, foi que, lendo jornal me deparei com uma matéria sobre bonsai. Somente depois de um empurrão da esposa fui atrás dos contatos e fiz meu primeiro curso de bonsai. A partir dai não parei mais.

Adriano trabalhando na coleta de um grande Jacaré (Juniperus horizontalis)

2 – Que espécies você mais gosta de trabalhar?

A espécie que mais gosto de trabalhar são os juniperos. Tenho uma atração muito forte por trabalhos dramáticos que representam os juniperos sofridos que brigam para sobreviver em terrenos e situações adversas. Mas também tenho me aventurado nas plantas tropicais para aumentar meus conhecimentos em outras espécies.

3 – Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mas as circunstâncias de clima e adaptação não permitem?

Aqui em Curitiba, onde eu moro, temos um clima bem diversificado. Não podemos reclamar. Da para trabalhar com quase todas as espécies. Temos só que cuidar com os meses de muito frio e não esquecer de proteger algumas plantas. Mas como meu foco são os juniperos, creio que sou um privilegiado, pois eles adoram o frio e resistem muito bem a geadas

4 – Dos seus trabalhos, qual você destaca com um carinho especial? Me fale um pouco sobre ele.

Tenho um trabalho que me acompanha em minha caminhada evolutiva que tenho muito carinho e muitas tristezas também. Se trata de um cedro Nana que esta sempre passando por mudanças em seu desenho devido a um problema ainda sem solução de seca de galhos.

Esta planta está totalmente oca e já tem um desenho interessante. Mas a cada galho que seca tenho que criar um novo desenho e reconstruir a planta. O motivo da planta estar oca, é bem interessante pois foi quase que involuntário da minha parte levando em conta minha pouca experiência na época.

Adquiri a planta em um pote preto muito grande e resolvi transplantar antes de estilizar. Na hora do transplante me deparei com uma raiz muito forte que mais parecia um pescoço longo até o fundo do vaso. Resolvi cortar e aguardei a recuperação da planta. Pós transplante notei que havia um ninho de formigas no interior da planta. Com o corte que fiz a parte interna da planta apodreceu e a planta passou a sobreviver e se sustentar apenas pelas raízes laterais. Retirei toda parte de madeira podre foi quando que um lindo e natural desenho se apresentou na abertura de um buraco na parte frontal da mesma. Creio que foi trabalho em equipe. Eu e a natureza trabalhamos juntos. Muitas emoções e aprendizados .

5- Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

Tenho muita admiração e respeito pelas escolas orientais, devido ao fato de terem começado com a arte do bonsai. Depois de alguns anos seguindo uma escola ou outra é impossível que o bonsaista não crie sua própria assinatura. Bonsai é arte. Arte quando é boa as pessoas olham e falam.” Eu sei de quem é este trabalho”. Quando isto acontece comigo fico muito feliz. Creio que estou conseguindo me expressar através de minhas obras.

6 – Você gosta mais de algum estilo de bonsai em particular? Qual?

Quando se fala em estilos estamos falando da escola japonesa. Pois foram eles que criaram os estilos que conhecemos e passaram a difundir o bonsai pelo mundo com suas regras e ensinamentos. Neste caso o estilo que mais gosto é o Bunjin. Mas estou criando grande admiração pelos trabalhos dos bonsaistas de Taiwam. Desenhos muito bonitos com um estilo livre de regras, mas com muita técnica e harmonia.

7 – O que a arte do bonsai agregou na sua vida?

O bonsai me colocou em maior contato com a natureza e me fez parar para reverenciar as obras de Deus. Em muitos momentos de concentração e de trabalho começo a reparar minha pequenes perante tão belas obras que tento copiar

Adriano com seu filho Gustavo, já com olhar curioso de bonsaísta.

8 – Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística?

Quando falamos de regras sempre vemos opiniões diversas. Creio que para se quebrar uma regra ou até mesmo criar uma nova técnica dentro do bonsai , primeiramente temos que dominar e respeitar as regras orientais milenares criadas com muito estudo e percepção. Creio que cada um tem que perguntar para si mesmo. “Será que estou apto a criar? Já tenho bagagem que me leve a subir este degrau?  E como já disse anteriormente o tempo fará com que o seu estilo apareça e seja reconhecido.

9 – Que bonsaísta (um ou mais) chama a sua atenção hoje no cenário mundial?

Ha algum tempo atrás eu diria alguns nomes famosos do bonsai como referência. Hoje busco inspiração e referência em quase tudo que vejo no mundo do bonsai. Me tornei mais cuidadoso e minimalista com os detalhes. Procuro avaliar e aprender com o bom e o ruim em tudo na minha vida. No bonsai também funciona.

Juniperu e suas etapas de trabalho:

10- Hoje é mais fácil começar a se dedicar ao cultivo de bonsai? Quais eram as maiores dificuldades no início?

Creio que uma das maiores dificuldades no começo foi a matéria prima. Como sempre gostei de trabalhos com muita madeira morta e bem sofridos, fiquei um pouco frustrado a admirar fotos de plantas coletadas nas montanhas de outros paises. Para atender minhas necessidades de amante dos juniperos eu descobri o Jardindori (Coleta em jardim). Tenho garimpado belos exemplares em jardins de casas antigas. Muitos falam que não se deveria coletar plantas tão velhas. Depois que eu vi que são estas plantas velhas as primeiras a serem arrancadas e descartadas quando uma destas casas é vendida eu passei a focar nesta possibilidade. Hoje está mais fácil pois estamos com um nível muito bom de trabalhos com juniperos de viveiro. Os amigos Carlos tramujas do Bonsai do Campo, Vicente Romagnole do Bonsai Center Romagnole e Francisco Correia estão abrindo novos horizontes com juniperos para nós brasileiros.

11- Qual a sua percepção hoje da arte do bonsai no Brasil? Você acha que teve um crescimento? Há uma maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

Pelas experiências que tive com o bonsai dentro e fora do Brasil notei que começamos a aparecer com mais expressão no cenário mundial. Temos muitos bons bonsaistas espalhados pelo Brasil. O que nos falta é uma maior união na arte. Mas compreendo que o tamanho do Brasil nos dificulta a interação e muitas vezes trava nossa evolução.

12 – Que conselhos você daria para quem está começando a se dedicar à arte do bonsai?

Primeiro conselho. Procure um bom curso de iniciantes para entender o bonsai. Fazer bonsai sozinho ou tentar aprender pela internet são coisas que não dão muito certo.

Bonsai se aprende praticando e de preferencia com direcionamento. Depois que engrenar defina uma linha de trabalho e tente ser muito bom naquilo que se propôs a fazer. Seja com juniperos ou tropicais ,procure sempre evoluir. Se um bonsaista para de evoluir porque acha que um “mestre” não pode buscar novos conhecimentos, creio que ele esta andando de costas ou retrocedendo em sua caminhada.

13- Que atributos o bonsaísta deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos?

Tenha sempre foco onde pretende chegar. Durante tua evolução sempre seja caprichoso. Até mesmo quando estiver trabalhando um pré- bonsai. Busque inspiração em níveis muito superiores ao seu. Só assim vai melhorar seu senso critico na arte.

Demostração:

14- No seu arquivo de fotos esse desenho abaixo me chamou atenção , me fale sobre ele.

Este desenho foi criado a meu pedido por Nacho Marin. Mestre do bonsai. Ele disse que quando fazia um desenho para uma pessoa em especial ele costuma colocar as letras do nome da pessoa dentro da estrutura da planta. Neste caso temos as letras A e R. De Adriano Roldão

15- Hoje você dá cursos de bonsai na sua região ?

Ja dei curso para iniciantes a alguns anos atrás. Hoje dou cursos particulares ou em grupos. Cursos de nivel médio ou avançado. Faço demonstrações dentro e fora do Brasil.

Minha especialidade são os juniperos.
 16- O que você acha importante passar para seus alunos no curso?
 O mais importante quando ensino sobre a arte do bonsai é o seguinte: Por que tentar criar algo quando falamos em uma arte milenar ? Temos que primeiro dominar a arte e as técnicas existentes hoje para no futuro poder ousar a ponto de criar algo novo.
Uma Xeflera a caminho.
17- Quais os benefícios que podemos encontrar no cultivo da arte do bonsai?

Acho que o respeito e admiração pela natureza e pelas obras de Deus foram meus maiores aprendizados com a arte.

Ulmus em modelagem

18 – Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte.

No bonsai não tente criar…. Deus já criou. Se você tiver humildade e muita técnica talvez consiga copiar a obra do pai.

Um ditado para este momento é:      “Na vida nada se cria. Tudo se copia”

Quero trazer aqui no fim da entrevista um produto que eu não conhecia, e que está sendo fabricado no Brasil pelo Adriano Roldão. Uma mesa para trabalho com bonsai, mas que pela minha experiência como acabo improsisando com meu torno qui em casa,  pode ser usada também para escultura e por cerâmistas.

*Pés em alumínio maciço.
*Capa da torre hidraulica cromada.
*Base em compensado naval super resistente.
*Manta emborrachada sobre a base de madeira.
*Pintura na cor preta emborrachada.
*Ganchos para amarração da planta/vaso.
*Acompanha 01 cinta elastica

Base em madeira – 50CM.
Com 02 cm de espessura.
Altura mínima-   43CM.
Altura máxima-   57CM.
Peso montada –      9.100KG.

Valor do produto:   R$ 900,00

Frete não incluso. Pedir cotação.
O Adriano envia para todo o Brasil.
Prazo de entrega favor consultar.
O prazo de entrega pode oscilar de 05 a 20 dias dependendo da disponibilidade.

Contatos: Adriano De Azambuja Roldão   41- 9161-0101

Link do Bonsai Stylist:   https://www.facebook.com/bonsaistyle.com.br/?fref=ts

Entre na galeria e veja mais fotos de Adriano Roldão:

Continue lendo

Entrevista Ladoso do Bonsai Shizen

Posted in Bonsai - Entrevistas no Brasil, Bonsai no Brasil with tags , on 26 d e abril d e 2017 by aidobonsai

Dando continuidade as entrevistas de 2017, trago aqui o professor e dono do Bonsai Shizen, Ladoso, muito obrigado por ter você aqui no blog. Grande abraço

1 – Quando você se interessou e começou a se dedicar arte do Bonsai?

Na década de 80 eu conheci o filme Karatê Kid e comecei a me dedicar a arte do bonsai, hoje já fazem 20 anos. Perdi muito tempo, pois não conhecia nenhuma escola.

2- Como está o crescimento do Bonsai hoje em Minas Gerais?

Minas esta acompanhando a evolução do bonsai, graças ao Francisco (Chicão), por trazer grandes nomes do bonsai do exterior, e  também por fazer parceria e trazer o encontro do Mário Leal para Minas Gerais. Temos também muitos talentos em Minas: Rock Júnior, Renan Braido, Fernando Magalhaes e outros.

3- Você gosta de dar aulas? Como surgiu o Bonsai Shizen?

Amo de paixão, principalmente quando vejo o olhar de admiração dos alunos para com a arte, me sinto realizado. Eu comecei a aprender mesmo quando me associei a grupos, especialmente em Pedro Leopoldo (Cidade vizinha). Quando esse grupo acabou, resolvi fazer um no meu viveiro. Depois que já tinha um certo conhecimento comecei a dar aulas, e assim surgiu a Bonsai Shizen

4- Hoje o que o Bonsai Shizen traz para seus alunos e clientes?

Além do conhecimento da arte e cultivo, levo muito a sério os ensinamentos que acompanham o bonsai, não gosto mais da palavra filosofia, prefiro dizer os ensinamentos da natureza. Os resultados sãos boas amizades dentro de um padrão de comportamento baseados nos ensinamentos: Cooperação e Humildade.

5- Quando você está ensinando seus alunos, e administrando cursos, qual sua maior preocupação ?

Envolve-los completamente ao ponto de captar a exência do bonsai,  e mostrar a eles o que vai ser exigido para ser um bom bonsaísta.

Turmas aprendendo a Arte do Bonsai no Bonsai Shizen:

Aula na Universidade de São João Del Rey:

6- No seu curso você tem um foco principal ? Entre: Teoria, Técnica, Prática ?

Tudo começa pela teoria, a primeira aula é teoria geral incluindo a técnica, mas 80% é prática. A prática concretiza tudo.  Abaixo Cambuí.

7 – Quais espécies você mais gosta de trabalhar no Bonsai Shizen ?

Hoje gosto de todas, mas inicialmente minha preferência era Pithecolobium, Jabuticaba, Caliandra, Buxinho, Serissa e pitanga.

8- Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mais as circunstâncias de clima e adaptação não permitem?

Gosto muito do Pinheiro Negro, já perdi muitos e ainda estou aprendendo cultiva-lo. Aqui em Minas é um pouco quente, então é preciso saber cultiva-lo.

9– Dos seus trabalhos qual você destaca com um carinho especial. Me fale um pouco sobre ele ?

Tenho vários nessa situação, mas hoje tenho um carinho pelo bonsai de Pithecolobium Dumosum, é o meu primeiro trabalho naturalista.

10- Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

Amo de paixão todas as escolas e padrões. Sigo um pouco de cada, mas minha inspiração é a natureza.

Penjing com Pithecolobium dumosum.

11 – Você gosta mais de algum estílo de bonsai em particular ? Qual ?

Já gostei muito do Moyogi que é o primeiro amor. Hoje gosto do Bujing, Shakan, e Fukinagashi, não tenho preferência por um só em particular.

12 – O que a arte do bonsai agregou na sua vida ?

Aquelas arvorezinhas nas montanhas no meio das pedras surradas pelo vento e raios com carência de água e nutrientes e mesmo assim encontraram equilíbrio e beleza. Aprendi a buscar o contentamento seja qual for à situação na minha vida.

13 – Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística ?

A técnica (regras) vem em primeiro lugar, através delas compreendemos as formas. Depois de domina-las entendemos o seu objetivo, dali em diante o foco é a harmonia.

John Naka Disse:  “Não faça sua árvore parecer um bonsai, faça seu bonsai parecer uma árvore”

14 – Que bonsaísta (um ou mais) chama a sua atenção, hoje no cenário mundial ?

Dois bonsaístas que foram marcantes na minha vida, com uma nova visão foram: Luiz Nel e Walter Pall.

Um bonsaísta como pessoa: Carlos Tramujas

15- Quais eram as maiores dificuldades para desenvolver a arte no início?

Conseguir material de qualidade e plantas de fora.

16- Qual a sua percepção hoje da arte do bonsai no Brasil ? Você acha que teve um crescimento? Há uma maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

A arte esta crescendo, bonsai é uma longa caminhada. Temos alguns nomes se destacando lá fora. Eu costumo dizer que o bonsaísta passa por três fases:

1º  Acumulador 

2º  Faz bonsai 

3º  Faz Árvore  (Bonsai com cara de árvore)

Ainda temos muitos fazendo bonsai  

17- Que conselhos você poderia dar para quem está começando a se dedicar à arte do Bonsai ?

Bonsai não se aprende sozinho, não se isole e seja de mente aberta e humilde para aceitar criticas, não fique só na internet, a arte só se concretiza fazendo um curso com um bom professor.18- Quais atributos o bonsaísta deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos ?

Amor à arte e ser constante e esmerado.

19- Me fale um pouco do seu espaço, hoje você cuida de quantas plantas?

Meu espaço é pequeno, mas é aconchegante. De coleção tenho 40 bonsais.

20- Quais os benefícios físicos, mentais que podemos encontrar se dedicando a arte do bonsai?

Já soube de uma matéria que disse que a pratica do bonsai combate mal de alzheimer, o bonsai é a uma arte ímpar que nos liga diretamente com a natureza, isso nos causa bem estar.21– Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte.

“Uma arvore no vaso é só uma arvore no vaso, ela se torna bonsai quando toca a alma”

Walter Pall

Entre na galeria e veja mais trabalhos do professor Ladoso:

Continue lendo

Bonsai, Tattoo e Pintura, a paixão do artista Márcio Martin

Posted in Aido Bonsai, Bonsai - Entrevistas Internacionais, Bonsai - Entrevistas no Brasil with tags on 17 d e abril d e 2017 by aidobonsai

Trago aqui os trabalhos do artista Márcio Martin, que chamou muito minha atenção por se dedicar não só ao Bonsai, mas por ter um trabalho lindo de Pintura e Tatuagem. É muito bom conhecer um artista de Minas Gerais, que está se dedicando muito para a divulgação dessa arte, com seus videos no You Tube e no cultivo de suas árvores em Minas Gerais.

Quando você se interessou e começou a se dedicar as artes da Pintura, desenho e da Tatuagem ?

Desenho desde uns 8 anos de idade por influência de uma tia. Comecei a me dedicar a tatuagem,que hoje tenho como profissão a uns 15 anos atrás e a pintura acabou sendo uma conseqüência.

Como surgiu o Bonsai na sua vida ?

Acredito que como a maioria dos brasileiros, meu primeiro contato com o bonsai foi através do filme Karatê Kid, mas sempre gostei de plantas, desde pequeno.

Como sua pintura e o desenho inlfuencia no seu trabalho de bonsai ?

Acredito que todas as artes tem algo em comum, já que a arte é uma forma de expressão, então uma complementa a outra pois as artes de um modo geral afiam a nossa percepção.

 

O cultivo do bonsai influenciou a sua pintura ?

Na verdade o bonsai influenciou toda a minha vida, não só a pintura, mas como ele me transformou internamente, reflete em tudo o que eu faço.

Quais espécies você mais gosta de trabalhar ?

Adoro a Serissa Foétida, Bougainvillea, Jaboticaba e os Pitecos. Mas também gosto de várias outras como, Ulmus, Pingo de Ouro, Amora, Pitanga, etc.

Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mais as circustâncias de clima e adaptação não permitem ?

Gostaria muito de poder aprender e poder trabalhar os pinheiros em geral, mas aqui é bem difícil.

Dos seus trabalhos qual você destaca com um carinho especial. Me fale um pouco sobre ele?

Tenho um pré bonsai que pra mim é o mais especial, por que foi a primeira planta do meu viveiro.Trata-se de uma Serissa Foétida q ganhei de um amigo depois de comentar com ele a minha vontade de aprender a arte do bonsai. Essa planta não está tão estilizada, pois sempre tento fazer intervenções bem calculadas nela pra não correr o risco de errar, mas ela já deu origem a varias plantas através da estaquia já que essa foi a primeira técnica que apliquei.

Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

Acho que nós brasileiros de um modo geral seguimos mais a escola japonesa, mas acho que estamos tendo uma visão um pouco mas ampla e nos deixando influenciar Tb por outras escolas, principalmente a Européia.

Você gosta mais de algum estílo de bonsai em particular ? Qual ?

Sim, o SEKIJÔJU. Principalmente por conta das suas raízes que mostram muita força e perseverança ao se desenvolver abraçando uma pedra.

Você faz algum tipo de croki ou esboço dos seus trabalhos, quando eles ainda estão em fase de criação ?

Sim. Acho muito adequado, já que a planta é algo a ser trabalhado e não uma forma pronta. Acho que quando se faz um desenho antes, você consegue visualizar melhor as possibilidades e o futuro da sua planta.

É como se você fosse construir uma casa, primeiro você faz uma planta pra depois começar a construção.

O que a arte do bonsai agregou na sua vida ?

O mestre Rock Jr,  certa vez disse uma frase que me marcou muito:

Na arte do bonsai a gente entorta a planta enquanto ela nos desentorta”.

E é isso, o bonsai me trouxe uma capacidade de me auto-avaliar de maneira a buscar o meu melhor como pessoa, enquanto lido com meus defeitos e aprendo com meus erros. Mas os principais beneficios que a arte meu trouxe foram, a paciência, tolerância e o respeito à natureza.

Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística ?

Acho que um está ligado ao outro,  as técnicas são muito importantes, já que são fruto de muito estudo dos antigos e uma maneira que explica as formas da natureza de maneira mais didática..

Mas também acho que a arte é uma obra aberta, e deve sim seguir uma direção mais livre já que ela é o resultado do sentimento e inspiração do artista. Para mim o novo deve se juntar ao antigo de forma respeitosa, porém firme e inovadora.

Que bonsaísta (um ou mais) chama a sua atenção, hoje no cenário mundial ?

Não tem como deixar de citar em 1º lugar o mestre Masahiko Kimura, pois pra mim ele é o exemplo do que eu disse antes, o novo e o antigo, com ousadia, inovação e respeito.

Entre vários outros que gosto muito estão:

Walter Pall, Mauro Stemberger, Salvatore Liporace, David Benavente, Masashi Hirao, Taiga Urushibata, Ryan Neil, Robert Esteven, Andres Bicocca, Nacho Marin, entre outros….

E dos brasileiros:

Meu mestre Ladoso, Carlos Tramujas, Rock Jr., Fernando Magalhães, Francisco Corrêa (Chicão), Mário Leal, Felipe Dallorto, Marcelo Martins, Charle White, Renato Bocabello, Paulo Netto, Sergivaldo Costa, Fabiano Costa, Edson Cordeiro, entre outros.

Hoje é mais fácil começar a se dedicar a criação de bonsais? Quais eram as maiores dificuldades no início?

Acho que de um modo geral, a internet facilitou muito a vida do ser-humano e no bonsai não é diferente. Assim como na tatuagem, as maiores dificuldades eram as informações e o acesso a material de qualidade, como plantas e ferramentas.

Qual a sua percepção hoje da arte do bonsai no Brasil ? Você acha que teve um crescimento? Há uma maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

Bom, do pouco tempo que tenho no bonsai (cerca de 7 anos), pude ver que como em toda arte tem pessoas querendo ajudar e outras nem tanto, mas acho que a maioria quer ajudar e fazem isso principalmente na internet onde divulgam fotos de suas plantas e sua experiências. Um cara que tem ajudado muito na divulgação do bonsai no Brasil e no mundo é o Mário Leal, que com seu evento anual reúne uma galera bem bacana em torno da nossa arte e isso tem agregado muito nesse sentido. E um exemplo que gosto de citar é o Felipe Dallorto, que tem viajado o mundo mostrando a arte do bonsai aqui do Brasil.

Como está o crescimento do bonsai em Minas Gerais, que bonsaísta (s) você destaca pelo seu trabalho?

Aqui o bonsai está indo muito bem.Temos o privilégio de ter grandes mestres que além de se dedicar a arte, também se dedicam ao ensino da mesma. Destaco o meu mestre Ladoso, o Rock Jr., o Fernando Magalhães e o Francisco Corrêa (Chicão).

Que conselhos você poderia dar para quem está começando a se dedicar a arte do Bonsai.

Estudo e pratica, além de paciência. Bonsai não é fácil porque demanda tempo e dedicação, mas vale muito a pena. O respeito aos mais velhos também é sempre uma maneira de honrar os pioneiros da nossa arte.

Quais atributos o bonsaísta deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos ?

O mais importante é gostar de plantas, respeitar a natureza em toda sua sabedoria e saber que quem manda é ela. E o respeito para com os mais antigos, porque só trilhamos esse caminho hoje, graças a dedicação que eles empregaram pra ajudar a arte e sua difusão.

Quais os benefícios físicos, mentais que podemos encontrar se dedicando a arte do bonsai?

Calma, serenidade, respeito, percepção artística e ética aguçadas, além de uma grande realização pessoal.

Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte ?

A Natureza é sábia, permita que sua voz ecoe em seu coração, pois essa é a voz de Deus!!!

A Natureza é sábia, permita que sua voz ecoe em seu coração, pois essa é a voz de Deus!

Muito obrigado Márcio Martin pela disponibilidade de responder a entrevista, parabéns pelos seus trabalhos com Bonsai, Penjing, Pintura e Tatto, todos mostram paixão, dedicação e muito comprometimento. Grande abraço 

Contatos do artista:

Canal do you tube: https://www.youtube.com/c/canalsamuraibonsai

E-mail: canalsamuraibonsai@gmail.com

Facebook: https://www.facebook.com/marciomartintattoo

Tel: 31 99229-2435

Entre na galeria e veja mais fotos dos trabalhos de Márcio Martin:

Continue lendo