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Felipe Dallorto – Entrevista

Posted in Aido Bonsai, Bonsai - Entrevistas no Brasil, Bonsai no Brasil with tags , on 4 d e agosto d e 2017 by aidobonsai

Aqui mais uma entrevista com um bonsaísta que vem se destacando no Brasil,  Felipe Dalorto tem um trabalho de criação, modelagem, triângulação e  estética muito apurados.  Obrigado Felipe, pela disponibilidade de dar a entrevista, parabéns pelos seus trabalhos e por essa paixão a arte do bonsai. OSSSSS

1 – Felipe quando você se interessou e começou a se dedicar arte do Bonsai ?

Comecei no ano de 2001 comprando bonsai de supermercado. O primeiro morreu, depois comprei outro no mesmo supermercado, daí morreu também…rsrs comprei o terceiro também no mesmo supermercado, antes que morresse, comecei a pesquisar pela net e encontrei um curso de bonsai em Jacarepaguá, onde residia nesta época. Foi aí que conheci o Edson Sanroma, do extinto bonsai Sanroma, onde fiz meu primeiro curso de bonsai no ano 2003.  No ano de 2005 conheci o Roberto Gerpe e comecei a estudar com ele, anos depois entrei para a escola do Claudio Ratto. Entre os anos de 2005 a 2012 , fiz diversos workshops com mestres internacionais e nacionais. Em 2014, participei do concurso de novos talentos no evento Bonsai 2014 no Museu do Bonsai em Minas Gerais.  Ganhei em primeiro lugar e conheci o artista Italiano Mauro Stemberger, onde estudei com ele na Itália por 3 anos e me formei como instrutor profissional da escola dele na Italian Bonsai Dream.

2- Como você vê o crescimento do Bonsai hoje no Brasil ?

Vixi, cresceu de mais! Lembro bem da época que comecei, eram poucos que faziam cursos e também as informações eram precárias em relação a hoje. Com a facilidade de informações no mundo virtual, podemos afirmar que o bonsai cresceu muito e infelizmente de forma desordenada, pois muitas pessoas acham que irão aprender pela internet.

Bonsai é prática orientada,  assim como qualquer outra atividade, seja esporte, arte, música e etc.. sem prática orientada, muito difícil fazer qualquer atividade com qualidade e destreza.

3- Você gosta de fazer demostrações ? Que estilo de bonsai você mais gosta de trabalhar nos eventos que participa?

Sim , adoro as demonstrações. Gosto do desafio da criatividade. Você precisa pensar rápido e tomar decisões em pouco tempo, gosto desta adrenalina.

Sobre o estilo, não tenho muita preferência. Gosto de trabalhar todas as espécies no mais variados estilos. Quanto maior a qualidade do material, melhor o resultado final. Sinto falta disso aqui no Brasil, pois no exterior, as árvores são mais preparadas para as demonstrações. Aqui pegamos muitos materiais brutos do campo, onde dificulta muito um resultado final com qualidade.

4– Quando você está ensinando seus alunos, administrando cursos qual sua maior preocupação ?

Com certeza a didática, tento ser o mais didático possível, para que o aluno possa absorver bem as técnicas.

5- No seu curso como você tem um foco principal ? Entre: Teoria, Técnica, Prática ?

Tento passar o máximo possível da prática, pois aprendi muito praticando na Europa. Teoria é importante para a parte fisiológica.

Técnica de posicionamento de galhos, estrutura, aramação, poda, design, traumas e etc.. você só aprende na prática.

6- Você vê alguma diferença dos bonsaístas brasileiros, para os que se dedicam a arte fora do Brasil ?

Muita diferença! Aqui no Brasil, muitos começam como comecei, comprando “Malsai” de supermercado e tentando aprender na internet. Lá fora, quem tem interesse em começar na arte, entra para uma escola com um profissional qualificado.

Já ministrei 3 workshops na Europa junto ao meu mestre Mauro Stemberger, e pude perceber que o nível básico de quem está começando por lá é quase o nível avançado de pessoas daqui do Brasil, devido à qualidade de ensino nas escolas.

Outra é que muitos brasileiros que nunca fizeram cursos e que não se capacitaram como profissionais, ministram cursos e workshop para o público e isso gera uma confusão e distorção da arte no geral.

7 – Quais espécies você mais gosta de trabalhar ?

Pithecolobium tortum, Caliandra Espinosa, jabuticabas e as figueiras.

No quesito complexidade, os Pinheiros e juniperus, são mais interessantes e desafiadores.

8 – Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mais as circustâncias de clima e adaptação não permitem ?

Com certeza as coníferas, pinheiros e juniperus.

9 – Dos seus trabalhos qual você destaca com um carinho especial. Me fale um pouco sobre ele.

Destaco esse Pithecolobium Tortum, devido às inúmeras dificuldades que tive de mantê-lo comigo. Desde a coleta em 2010  com meu amigo Fábio Nery do Rio, tive dificuldade de trabalhar e manter ao meu lado, pois não tinha um espaço para colocá-lo. Sempre a árvore estava na casa de amigos e familiares. Quando me juntei com minha ex companheira, levei comigo e pude dar os primeiros passos nela. Anos depois, me separei  e tive que vender, mas para minha sorte, vendi para o proprietário do bonsai Leblon no Rio, no qual presto serviço para o mesmo e consegui dar continuidade nos trabalhos.

10– Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

Sigo o que as espécies mandam, se for uma conífera, estilizo como uma conífera, se for uma tropical, estilizo como uma tropical.

Aqui no Brasil, muitas pessoas aindam estão presas no bonsai japonês, estilizam árvores tropicais como Pinheiros e juniperus que nascem no Japão.

A técnica e a escola é uma só “Japonesa” digo; aramação, colocar a arvore no vaso, formas de patamares de diferentes espécies, torções, estilos de bonsai como moyogi, chokan e etc.. praticamente a maior parte das técnicas e informações da arte no geral é do Japão, mas as pessoas precisam entender que o Japão usam suas espécies nativas para fazer bonsai e delas que saem as inspirações e criações.

A Europa e os EUA, começaram na arte com espécies japonesas, após as idas e vindas de artistas no Japão, começaram a entender e praticar a arte com suas espécies nativas, desta forma, criaram sua identidade no bonsai do seu país, como na Europa que já é uma grande referência no mundo do bonsai com suas árvores nativas e agora os EUA que estão montando sua identidade.

11 – Você gosta mais de algum estílo de bonsai em particular ? Qual ?

Gosto de todos os estilos, sou apaixonado e muito aficionado pelo bonsai, mas o que mais me chama a atenção é o semi cascata e o literati.

12 – O que a arte do bonsai agregou na sua vida ?

Muitas coisas, principalmente paciência,  muita paciência…rsrsrs

13 – Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística ?

Então, na minha opinião e voltando um pouco do que disse na pergunta n:10 , o bonsai tem que ser como as árvores são, não digo da forma naturalista, mas com um design estético junto ao comportamento das espécies.
Por exemplo ; você já viu um Pinheiro e juniperus estilizados no Japão ou da Europa  com os galhos pra cima como uma tropical ou como uma caduca ? Acredito que não, pois cada espécie tem seu comportamento no ambiente que nascem.  A forma artística entra na criatividade, na transformação de um material que veio de uma forma bruta e você tem a liberdade para mudar ou não esta forma, dentro do comportamento de cada espécie.

14- Que bonsaístas chamam a sua atenção, hoje no cenário mundial ?

Com certeza meu mestre Mauro Stemberger que é requisitado no mundo inteiro e o Bjorn Holm, no qual tive a oportunidade de conhecê-lo e de ter trabalhado o seu lado na China.

15- Qual a sua percepção hoje da arte do bonsai no Brasil ? Você acha que teve um crescimento? Há uma maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

As coisas estão começando a fluir, acredito que em 10 anos estaremos com uma identidade mais concretizada no mundo do bonsai.  Temos bons artistas no Brasil, o que precisamos fazer de imediato é trabalhar mais as nossas nativas e estudar mais, desta forma a projeção mundial será natural.

16- Você esteve no Encontro nacional de Bonsai em Minas ? O que te chamou atençnao no evento ?

Sim, estive neste importante evento no Brasil.
O que me chamou a atenção foi a quantidade de pessoas novas e de diferentes estados e até de países vizinhos participando no evento. Sinal que o bonsai no Brasil está crescendo.

17- O que você gostaria de vêr nos eventos futuros do Bonsai 2018 ?
Gostaria de ver algumas pessoas de todas as associações, clubes, lojas e profissionais que não vi neste ano e 2017 no evento. Temos que nos esforçar mais na união e compartilhamento das informações.

18 – Que conselhos você poderia dar para quem está começando a se dedicar a arte do Bonsai.

Procurem sempre um profissional, façam um bom curso.   Não percam seu tempo com informações na internet. Você nunca irá dirigir um carro lendo um manual… pois para dirigir nas longas estradas é preciso prática, assim como na arte do bonsai.

19- Quais atributos o bonsaísta deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos ?
Talento, criatividade, paciência e ser estudioso.

20- Me fale um pouco do seu espaço, hoje você cuida de quantas plantas?

Infelizmente ainda não tenho um espaço. Vivo em um quarto em Copacabana e estou me esforçando o máximo para concretizar esse sonho.

21- Quais os benefícios físicos, mentais que podemos encontrar se dedicando a arte do bonsai?
Coordenação motora, atenção, criatividade, paciência, contato com a natureza e paciência, muita paciência. Rsrsrs

22– Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte.

Galhos retorcidos, aromas no ar, folhas no chão, sinais das estações e do mundo antigo.
Somos jovens, vagando pela face da terra, moldando árvores centenárias, onde a beleza nos hipnotiza e a troca alimenta a alma .

Entre na galeria e veja mais trabalhos de Felipe Dalorto:

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Adriano Roldão bonsais com muita arte.

Posted in Bonsai - Entrevistas Internacionais, Bonsai - Entrevistas no Brasil, Bonsai - Ferramentas-Utilização, Bonsai - Matérias especiais, Bonsai no Brasil with tags , , on 27 d e abril d e 2017 by aidobonsai

Os Juniperus de Adriano Roldão na minha opinião, podem ficar em exposições ao lado dos trabalhos de grandes mestres internacionais. São árvores que possuem história na sua criação e principalmente muita poesia.

A medida que fui escolhendo fotografias no seu acervo pessoal, fiquei muito feliz de saber que está matéria seria uma das mais ricas publicadas nos 6 anos de blog, pois vocês vão poder observar ás árvores em suas etapas de trabalho.

Muito obrigado Adriano pela disponibilidade em dar a entrevista e de dividir com os leitores, o seu trabalho que possui um material fotográfico tão rico.

1 – Quando você se interessou e começou a se dedicar à arte do bonsai?

Eu ainda morava em Porto Alegre quando tive meu primeiro contato com bonsai, em uma exposição dentro de um shopping. Fiquei maravilhado. Somente em 2008 já morando em Curitiba, foi que, lendo jornal me deparei com uma matéria sobre bonsai. Somente depois de um empurrão da esposa fui atrás dos contatos e fiz meu primeiro curso de bonsai. A partir dai não parei mais.

Adriano trabalhando na coleta de um grande Jacaré (Juniperus horizontalis)

2 – Que espécies você mais gosta de trabalhar?

A espécie que mais gosto de trabalhar são os juniperos. Tenho uma atração muito forte por trabalhos dramáticos que representam os juniperos sofridos que brigam para sobreviver em terrenos e situações adversas. Mas também tenho me aventurado nas plantas tropicais para aumentar meus conhecimentos em outras espécies.

3 – Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mas as circunstâncias de clima e adaptação não permitem?

Aqui em Curitiba, onde eu moro, temos um clima bem diversificado. Não podemos reclamar. Da para trabalhar com quase todas as espécies. Temos só que cuidar com os meses de muito frio e não esquecer de proteger algumas plantas. Mas como meu foco são os juniperos, creio que sou um privilegiado, pois eles adoram o frio e resistem muito bem a geadas

4 – Dos seus trabalhos, qual você destaca com um carinho especial? Me fale um pouco sobre ele.

Tenho um trabalho que me acompanha em minha caminhada evolutiva que tenho muito carinho e muitas tristezas também. Se trata de um cedro Nana que esta sempre passando por mudanças em seu desenho devido a um problema ainda sem solução de seca de galhos.

Esta planta está totalmente oca e já tem um desenho interessante. Mas a cada galho que seca tenho que criar um novo desenho e reconstruir a planta. O motivo da planta estar oca, é bem interessante pois foi quase que involuntário da minha parte levando em conta minha pouca experiência na época.

Adquiri a planta em um pote preto muito grande e resolvi transplantar antes de estilizar. Na hora do transplante me deparei com uma raiz muito forte que mais parecia um pescoço longo até o fundo do vaso. Resolvi cortar e aguardei a recuperação da planta. Pós transplante notei que havia um ninho de formigas no interior da planta. Com o corte que fiz a parte interna da planta apodreceu e a planta passou a sobreviver e se sustentar apenas pelas raízes laterais. Retirei toda parte de madeira podre foi quando que um lindo e natural desenho se apresentou na abertura de um buraco na parte frontal da mesma. Creio que foi trabalho em equipe. Eu e a natureza trabalhamos juntos. Muitas emoções e aprendizados .

5- Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

Tenho muita admiração e respeito pelas escolas orientais, devido ao fato de terem começado com a arte do bonsai. Depois de alguns anos seguindo uma escola ou outra é impossível que o bonsaista não crie sua própria assinatura. Bonsai é arte. Arte quando é boa as pessoas olham e falam.” Eu sei de quem é este trabalho”. Quando isto acontece comigo fico muito feliz. Creio que estou conseguindo me expressar através de minhas obras.

6 – Você gosta mais de algum estilo de bonsai em particular? Qual?

Quando se fala em estilos estamos falando da escola japonesa. Pois foram eles que criaram os estilos que conhecemos e passaram a difundir o bonsai pelo mundo com suas regras e ensinamentos. Neste caso o estilo que mais gosto é o Bunjin. Mas estou criando grande admiração pelos trabalhos dos bonsaistas de Taiwam. Desenhos muito bonitos com um estilo livre de regras, mas com muita técnica e harmonia.

7 – O que a arte do bonsai agregou na sua vida?

O bonsai me colocou em maior contato com a natureza e me fez parar para reverenciar as obras de Deus. Em muitos momentos de concentração e de trabalho começo a reparar minha pequenes perante tão belas obras que tento copiar

Adriano com seu filho Gustavo, já com olhar curioso de bonsaísta.

8 – Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística?

Quando falamos de regras sempre vemos opiniões diversas. Creio que para se quebrar uma regra ou até mesmo criar uma nova técnica dentro do bonsai , primeiramente temos que dominar e respeitar as regras orientais milenares criadas com muito estudo e percepção. Creio que cada um tem que perguntar para si mesmo. “Será que estou apto a criar? Já tenho bagagem que me leve a subir este degrau?  E como já disse anteriormente o tempo fará com que o seu estilo apareça e seja reconhecido.

9 – Que bonsaísta (um ou mais) chama a sua atenção hoje no cenário mundial?

Ha algum tempo atrás eu diria alguns nomes famosos do bonsai como referência. Hoje busco inspiração e referência em quase tudo que vejo no mundo do bonsai. Me tornei mais cuidadoso e minimalista com os detalhes. Procuro avaliar e aprender com o bom e o ruim em tudo na minha vida. No bonsai também funciona.

Juniperu e suas etapas de trabalho:

10- Hoje é mais fácil começar a se dedicar ao cultivo de bonsai? Quais eram as maiores dificuldades no início?

Creio que uma das maiores dificuldades no começo foi a matéria prima. Como sempre gostei de trabalhos com muita madeira morta e bem sofridos, fiquei um pouco frustrado a admirar fotos de plantas coletadas nas montanhas de outros paises. Para atender minhas necessidades de amante dos juniperos eu descobri o Jardindori (Coleta em jardim). Tenho garimpado belos exemplares em jardins de casas antigas. Muitos falam que não se deveria coletar plantas tão velhas. Depois que eu vi que são estas plantas velhas as primeiras a serem arrancadas e descartadas quando uma destas casas é vendida eu passei a focar nesta possibilidade. Hoje está mais fácil pois estamos com um nível muito bom de trabalhos com juniperos de viveiro. Os amigos Carlos tramujas do Bonsai do Campo, Vicente Romagnole do Bonsai Center Romagnole e Francisco Correia estão abrindo novos horizontes com juniperos para nós brasileiros.

11- Qual a sua percepção hoje da arte do bonsai no Brasil? Você acha que teve um crescimento? Há uma maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

Pelas experiências que tive com o bonsai dentro e fora do Brasil notei que começamos a aparecer com mais expressão no cenário mundial. Temos muitos bons bonsaistas espalhados pelo Brasil. O que nos falta é uma maior união na arte. Mas compreendo que o tamanho do Brasil nos dificulta a interação e muitas vezes trava nossa evolução.

12 – Que conselhos você daria para quem está começando a se dedicar à arte do bonsai?

Primeiro conselho. Procure um bom curso de iniciantes para entender o bonsai. Fazer bonsai sozinho ou tentar aprender pela internet são coisas que não dão muito certo.

Bonsai se aprende praticando e de preferencia com direcionamento. Depois que engrenar defina uma linha de trabalho e tente ser muito bom naquilo que se propôs a fazer. Seja com juniperos ou tropicais ,procure sempre evoluir. Se um bonsaista para de evoluir porque acha que um “mestre” não pode buscar novos conhecimentos, creio que ele esta andando de costas ou retrocedendo em sua caminhada.

13- Que atributos o bonsaísta deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos?

Tenha sempre foco onde pretende chegar. Durante tua evolução sempre seja caprichoso. Até mesmo quando estiver trabalhando um pré- bonsai. Busque inspiração em níveis muito superiores ao seu. Só assim vai melhorar seu senso critico na arte.

Demostração:

14- No seu arquivo de fotos esse desenho abaixo me chamou atenção , me fale sobre ele.

Este desenho foi criado a meu pedido por Nacho Marin. Mestre do bonsai. Ele disse que quando fazia um desenho para uma pessoa em especial ele costuma colocar as letras do nome da pessoa dentro da estrutura da planta. Neste caso temos as letras A e R. De Adriano Roldão

15- Hoje você dá cursos de bonsai na sua região ?

Ja dei curso para iniciantes a alguns anos atrás. Hoje dou cursos particulares ou em grupos. Cursos de nivel médio ou avançado. Faço demonstrações dentro e fora do Brasil.

Minha especialidade são os juniperos.
 16- O que você acha importante passar para seus alunos no curso?
 O mais importante quando ensino sobre a arte do bonsai é o seguinte: Por que tentar criar algo quando falamos em uma arte milenar ? Temos que primeiro dominar a arte e as técnicas existentes hoje para no futuro poder ousar a ponto de criar algo novo.
Uma Xeflera a caminho.
17- Quais os benefícios que podemos encontrar no cultivo da arte do bonsai?

Acho que o respeito e admiração pela natureza e pelas obras de Deus foram meus maiores aprendizados com a arte.

Ulmus em modelagem

18 – Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte.

No bonsai não tente criar…. Deus já criou. Se você tiver humildade e muita técnica talvez consiga copiar a obra do pai.

Um ditado para este momento é:      “Na vida nada se cria. Tudo se copia”

Quero trazer aqui no fim da entrevista um produto que eu não conhecia, e que está sendo fabricado no Brasil pelo Adriano Roldão. Uma mesa para trabalho com bonsai, mas que pela minha experiência como acabo improsisando com meu torno qui em casa,  pode ser usada também para escultura e por cerâmistas.

*Pés em alumínio maciço.
*Capa da torre hidraulica cromada.
*Base em compensado naval super resistente.
*Manta emborrachada sobre a base de madeira.
*Pintura na cor preta emborrachada.
*Ganchos para amarração da planta/vaso.
*Acompanha 01 cinta elastica

Base em madeira – 50CM.
Com 02 cm de espessura.
Altura mínima-   43CM.
Altura máxima-   57CM.
Peso montada –      9.100KG.

Valor do produto:   R$ 900,00

Frete não incluso. Pedir cotação.
O Adriano envia para todo o Brasil.
Prazo de entrega favor consultar.
O prazo de entrega pode oscilar de 05 a 20 dias dependendo da disponibilidade.

Contatos: Adriano De Azambuja Roldão   41- 9161-0101

Link do Bonsai Stylist:   https://www.facebook.com/bonsaistyle.com.br/?fref=ts

Entre na galeria e veja mais fotos de Adriano Roldão:

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Entrevista Ladoso do Bonsai Shizen

Posted in Bonsai - Entrevistas no Brasil, Bonsai no Brasil with tags , on 26 d e abril d e 2017 by aidobonsai

Dando continuidade as entrevistas de 2017, trago aqui o professor e dono do Bonsai Shizen, Ladoso, muito obrigado por ter você aqui no blog. Grande abraço

1 – Quando você se interessou e começou a se dedicar arte do Bonsai?

Na década de 80 eu conheci o filme Karatê Kid e comecei a me dedicar a arte do bonsai, hoje já fazem 20 anos. Perdi muito tempo, pois não conhecia nenhuma escola.

2- Como está o crescimento do Bonsai hoje em Minas Gerais?

Minas esta acompanhando a evolução do bonsai, graças ao Francisco (Chicão), por trazer grandes nomes do bonsai do exterior, e  também por fazer parceria e trazer o encontro do Mário Leal para Minas Gerais. Temos também muitos talentos em Minas: Rock Júnior, Renan Braido, Fernando Magalhaes e outros.

3- Você gosta de dar aulas? Como surgiu o Bonsai Shizen?

Amo de paixão, principalmente quando vejo o olhar de admiração dos alunos para com a arte, me sinto realizado. Eu comecei a aprender mesmo quando me associei a grupos, especialmente em Pedro Leopoldo (Cidade vizinha). Quando esse grupo acabou, resolvi fazer um no meu viveiro. Depois que já tinha um certo conhecimento comecei a dar aulas, e assim surgiu a Bonsai Shizen

4- Hoje o que o Bonsai Shizen traz para seus alunos e clientes?

Além do conhecimento da arte e cultivo, levo muito a sério os ensinamentos que acompanham o bonsai, não gosto mais da palavra filosofia, prefiro dizer os ensinamentos da natureza. Os resultados sãos boas amizades dentro de um padrão de comportamento baseados nos ensinamentos: Cooperação e Humildade.

5- Quando você está ensinando seus alunos, e administrando cursos, qual sua maior preocupação ?

Envolve-los completamente ao ponto de captar a exência do bonsai,  e mostrar a eles o que vai ser exigido para ser um bom bonsaísta.

Turmas aprendendo a Arte do Bonsai no Bonsai Shizen:

Aula na Universidade de São João Del Rey:

6- No seu curso você tem um foco principal ? Entre: Teoria, Técnica, Prática ?

Tudo começa pela teoria, a primeira aula é teoria geral incluindo a técnica, mas 80% é prática. A prática concretiza tudo.  Abaixo Cambuí.

7 – Quais espécies você mais gosta de trabalhar no Bonsai Shizen ?

Hoje gosto de todas, mas inicialmente minha preferência era Pithecolobium, Jabuticaba, Caliandra, Buxinho, Serissa e pitanga.

8- Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mais as circunstâncias de clima e adaptação não permitem?

Gosto muito do Pinheiro Negro, já perdi muitos e ainda estou aprendendo cultiva-lo. Aqui em Minas é um pouco quente, então é preciso saber cultiva-lo.

9– Dos seus trabalhos qual você destaca com um carinho especial. Me fale um pouco sobre ele ?

Tenho vários nessa situação, mas hoje tenho um carinho pelo bonsai de Pithecolobium Dumosum, é o meu primeiro trabalho naturalista.

10- Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

Amo de paixão todas as escolas e padrões. Sigo um pouco de cada, mas minha inspiração é a natureza.

Penjing com Pithecolobium dumosum.

11 – Você gosta mais de algum estílo de bonsai em particular ? Qual ?

Já gostei muito do Moyogi que é o primeiro amor. Hoje gosto do Bujing, Shakan, e Fukinagashi, não tenho preferência por um só em particular.

12 – O que a arte do bonsai agregou na sua vida ?

Aquelas arvorezinhas nas montanhas no meio das pedras surradas pelo vento e raios com carência de água e nutrientes e mesmo assim encontraram equilíbrio e beleza. Aprendi a buscar o contentamento seja qual for à situação na minha vida.

13 – Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística ?

A técnica (regras) vem em primeiro lugar, através delas compreendemos as formas. Depois de domina-las entendemos o seu objetivo, dali em diante o foco é a harmonia.

John Naka Disse:  “Não faça sua árvore parecer um bonsai, faça seu bonsai parecer uma árvore”

14 – Que bonsaísta (um ou mais) chama a sua atenção, hoje no cenário mundial ?

Dois bonsaístas que foram marcantes na minha vida, com uma nova visão foram: Luiz Nel e Walter Pall.

Um bonsaísta como pessoa: Carlos Tramujas

15- Quais eram as maiores dificuldades para desenvolver a arte no início?

Conseguir material de qualidade e plantas de fora.

16- Qual a sua percepção hoje da arte do bonsai no Brasil ? Você acha que teve um crescimento? Há uma maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

A arte esta crescendo, bonsai é uma longa caminhada. Temos alguns nomes se destacando lá fora. Eu costumo dizer que o bonsaísta passa por três fases:

1º  Acumulador 

2º  Faz bonsai 

3º  Faz Árvore  (Bonsai com cara de árvore)

Ainda temos muitos fazendo bonsai  

17- Que conselhos você poderia dar para quem está começando a se dedicar à arte do Bonsai ?

Bonsai não se aprende sozinho, não se isole e seja de mente aberta e humilde para aceitar criticas, não fique só na internet, a arte só se concretiza fazendo um curso com um bom professor.18- Quais atributos o bonsaísta deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos ?

Amor à arte e ser constante e esmerado.

19- Me fale um pouco do seu espaço, hoje você cuida de quantas plantas?

Meu espaço é pequeno, mas é aconchegante. De coleção tenho 40 bonsais.

20- Quais os benefícios físicos, mentais que podemos encontrar se dedicando a arte do bonsai?

Já soube de uma matéria que disse que a pratica do bonsai combate mal de alzheimer, o bonsai é a uma arte ímpar que nos liga diretamente com a natureza, isso nos causa bem estar.21– Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte.

“Uma arvore no vaso é só uma arvore no vaso, ela se torna bonsai quando toca a alma”

Walter Pall

Entre na galeria e veja mais trabalhos do professor Ladoso:

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Bonsai, Tattoo e Pintura, a paixão do artista Márcio Martin

Posted in Aido Bonsai, Bonsai - Entrevistas Internacionais, Bonsai - Entrevistas no Brasil with tags on 17 d e abril d e 2017 by aidobonsai

Trago aqui os trabalhos do artista Márcio Martin, que chamou muito minha atenção por se dedicar não só ao Bonsai, mas por ter um trabalho lindo de Pintura e Tatuagem. É muito bom conhecer um artista de Minas Gerais, que está se dedicando muito para a divulgação dessa arte, com seus videos no You Tube e no cultivo de suas árvores em Minas Gerais.

Quando você se interessou e começou a se dedicar as artes da Pintura, desenho e da Tatuagem ?

Desenho desde uns 8 anos de idade por influência de uma tia. Comecei a me dedicar a tatuagem,que hoje tenho como profissão a uns 15 anos atrás e a pintura acabou sendo uma conseqüência.

Como surgiu o Bonsai na sua vida ?

Acredito que como a maioria dos brasileiros, meu primeiro contato com o bonsai foi através do filme Karatê Kid, mas sempre gostei de plantas, desde pequeno.

Como sua pintura e o desenho inlfuencia no seu trabalho de bonsai ?

Acredito que todas as artes tem algo em comum, já que a arte é uma forma de expressão, então uma complementa a outra pois as artes de um modo geral afiam a nossa percepção.

 

O cultivo do bonsai influenciou a sua pintura ?

Na verdade o bonsai influenciou toda a minha vida, não só a pintura, mas como ele me transformou internamente, reflete em tudo o que eu faço.

Quais espécies você mais gosta de trabalhar ?

Adoro a Serissa Foétida, Bougainvillea, Jaboticaba e os Pitecos. Mas também gosto de várias outras como, Ulmus, Pingo de Ouro, Amora, Pitanga, etc.

Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mais as circustâncias de clima e adaptação não permitem ?

Gostaria muito de poder aprender e poder trabalhar os pinheiros em geral, mas aqui é bem difícil.

Dos seus trabalhos qual você destaca com um carinho especial. Me fale um pouco sobre ele?

Tenho um pré bonsai que pra mim é o mais especial, por que foi a primeira planta do meu viveiro.Trata-se de uma Serissa Foétida q ganhei de um amigo depois de comentar com ele a minha vontade de aprender a arte do bonsai. Essa planta não está tão estilizada, pois sempre tento fazer intervenções bem calculadas nela pra não correr o risco de errar, mas ela já deu origem a varias plantas através da estaquia já que essa foi a primeira técnica que apliquei.

Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

Acho que nós brasileiros de um modo geral seguimos mais a escola japonesa, mas acho que estamos tendo uma visão um pouco mas ampla e nos deixando influenciar Tb por outras escolas, principalmente a Européia.

Você gosta mais de algum estílo de bonsai em particular ? Qual ?

Sim, o SEKIJÔJU. Principalmente por conta das suas raízes que mostram muita força e perseverança ao se desenvolver abraçando uma pedra.

Você faz algum tipo de croki ou esboço dos seus trabalhos, quando eles ainda estão em fase de criação ?

Sim. Acho muito adequado, já que a planta é algo a ser trabalhado e não uma forma pronta. Acho que quando se faz um desenho antes, você consegue visualizar melhor as possibilidades e o futuro da sua planta.

É como se você fosse construir uma casa, primeiro você faz uma planta pra depois começar a construção.

O que a arte do bonsai agregou na sua vida ?

O mestre Rock Jr,  certa vez disse uma frase que me marcou muito:

Na arte do bonsai a gente entorta a planta enquanto ela nos desentorta”.

E é isso, o bonsai me trouxe uma capacidade de me auto-avaliar de maneira a buscar o meu melhor como pessoa, enquanto lido com meus defeitos e aprendo com meus erros. Mas os principais beneficios que a arte meu trouxe foram, a paciência, tolerância e o respeito à natureza.

Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística ?

Acho que um está ligado ao outro,  as técnicas são muito importantes, já que são fruto de muito estudo dos antigos e uma maneira que explica as formas da natureza de maneira mais didática..

Mas também acho que a arte é uma obra aberta, e deve sim seguir uma direção mais livre já que ela é o resultado do sentimento e inspiração do artista. Para mim o novo deve se juntar ao antigo de forma respeitosa, porém firme e inovadora.

Que bonsaísta (um ou mais) chama a sua atenção, hoje no cenário mundial ?

Não tem como deixar de citar em 1º lugar o mestre Masahiko Kimura, pois pra mim ele é o exemplo do que eu disse antes, o novo e o antigo, com ousadia, inovação e respeito.

Entre vários outros que gosto muito estão:

Walter Pall, Mauro Stemberger, Salvatore Liporace, David Benavente, Masashi Hirao, Taiga Urushibata, Ryan Neil, Robert Esteven, Andres Bicocca, Nacho Marin, entre outros….

E dos brasileiros:

Meu mestre Ladoso, Carlos Tramujas, Rock Jr., Fernando Magalhães, Francisco Corrêa (Chicão), Mário Leal, Felipe Dallorto, Marcelo Martins, Charle White, Renato Bocabello, Paulo Netto, Sergivaldo Costa, Fabiano Costa, Edson Cordeiro, entre outros.

Hoje é mais fácil começar a se dedicar a criação de bonsais? Quais eram as maiores dificuldades no início?

Acho que de um modo geral, a internet facilitou muito a vida do ser-humano e no bonsai não é diferente. Assim como na tatuagem, as maiores dificuldades eram as informações e o acesso a material de qualidade, como plantas e ferramentas.

Qual a sua percepção hoje da arte do bonsai no Brasil ? Você acha que teve um crescimento? Há uma maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

Bom, do pouco tempo que tenho no bonsai (cerca de 7 anos), pude ver que como em toda arte tem pessoas querendo ajudar e outras nem tanto, mas acho que a maioria quer ajudar e fazem isso principalmente na internet onde divulgam fotos de suas plantas e sua experiências. Um cara que tem ajudado muito na divulgação do bonsai no Brasil e no mundo é o Mário Leal, que com seu evento anual reúne uma galera bem bacana em torno da nossa arte e isso tem agregado muito nesse sentido. E um exemplo que gosto de citar é o Felipe Dallorto, que tem viajado o mundo mostrando a arte do bonsai aqui do Brasil.

Como está o crescimento do bonsai em Minas Gerais, que bonsaísta (s) você destaca pelo seu trabalho?

Aqui o bonsai está indo muito bem.Temos o privilégio de ter grandes mestres que além de se dedicar a arte, também se dedicam ao ensino da mesma. Destaco o meu mestre Ladoso, o Rock Jr., o Fernando Magalhães e o Francisco Corrêa (Chicão).

Que conselhos você poderia dar para quem está começando a se dedicar a arte do Bonsai.

Estudo e pratica, além de paciência. Bonsai não é fácil porque demanda tempo e dedicação, mas vale muito a pena. O respeito aos mais velhos também é sempre uma maneira de honrar os pioneiros da nossa arte.

Quais atributos o bonsaísta deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos ?

O mais importante é gostar de plantas, respeitar a natureza em toda sua sabedoria e saber que quem manda é ela. E o respeito para com os mais antigos, porque só trilhamos esse caminho hoje, graças a dedicação que eles empregaram pra ajudar a arte e sua difusão.

Quais os benefícios físicos, mentais que podemos encontrar se dedicando a arte do bonsai?

Calma, serenidade, respeito, percepção artística e ética aguçadas, além de uma grande realização pessoal.

Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte ?

A Natureza é sábia, permita que sua voz ecoe em seu coração, pois essa é a voz de Deus!!!

A Natureza é sábia, permita que sua voz ecoe em seu coração, pois essa é a voz de Deus!

Muito obrigado Márcio Martin pela disponibilidade de responder a entrevista, parabéns pelos seus trabalhos com Bonsai, Penjing, Pintura e Tatto, todos mostram paixão, dedicação e muito comprometimento. Grande abraço 

Contatos do artista:

Canal do you tube: https://www.youtube.com/c/canalsamuraibonsai

E-mail: canalsamuraibonsai@gmail.com

Facebook: https://www.facebook.com/marciomartintattoo

Tel: 31 99229-2435

Entre na galeria e veja mais fotos dos trabalhos de Márcio Martin:

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Entrevista com Luis Fernando Nickfury

Posted in Bonsai - Entrevistas no Brasil with tags , , on 24 d e julho d e 2012 by aidobonsai

Mais uma entrevista com um amigo que me deu a oportunidade de visitar sua casa e conhecer seu espaço em Brasília. Luis Fernando Nickfury é um apaixonado pela nossa arte,  e isso se retrata no seu trabalho cultivando bonsai. Tive a oportunidade de conhecer um pouco das árvores do cerrado e de observar seu trabalho aprimorado em um estilo que eu acho muito interessante, o Ishitsuki, (Raíz sobre rocha).  Aqui o meu agradecimento por ter me recebido e ter dividido suas experiências, muito obrigado.

1 – Quando você se interessou e começou a se dedicar arte do Bonsai ?

R- Há uns 15 anos, aproximadamente, lendo revistas antigas de bonsai publicadas no país, isso despertou meu interesse pela arte, passando então a tentar formar algo que fosse ao menos parecido com o que via naquelas publicações. Inicialmente, tentei adaptar as plantas que julgava mais simples e fáceis de lidar, como as nativas Jabuticabeira e Pitangueira, passando ainda pelo Fícus benjamina e Duranta repens (pingo de ouro).

Pitangueira (Estilo Literati)

2 – Quais espécies você mais gosta de trabalhar ?

R – Atualmente em meu viveiro cultivo variadas espécies, tanto nativas quanto alienígenas, sendo as minhas prediletas o Acer burgerianum, conhecido por Acer tridente, e a Serissa foetida chinesa.

Serrisa foetida       Mame  (altura 6cm)

3- Quais espécies melhores para o clima de Brasília?

R – De uma maneira geral, as melhores são as nativas, como as diversas variedades da Caliandra, a Jabuticabeira, a Pitangueira, o Pithecolobium tortus. Mas, igualmente, podemos também cultivar com sucesso todas as variedades do Ficus, bem como Piracantha, Carmona, Celtis, Resedá, Serissa, Aceroleira, Pinheiro negro e vermelho, dentre outras.

4- Quais espécies nativas do cerrado , podem ser modeladas para o cultivo do Bonsai?

R – A mais conhecida é a Mirindiba (Lafoensia Glyptocarpa), mas cultiváveis ainda o Ipê, o Jacarandá, Murici, Pau d’alho, Copaíba, Aroeira pimenteira, Uruvalha, etc.

Abaixo Penjing realizado em encontro do grupo de trabalho do Fernando com Serissas foetidas cultivadas em seu viveiro.

Fiquei encantado com esse Penjing de Serissas foetidas, a qualidade das árvores usadas nele, deram uma perpectiva e profundidade incríveis.

Eu sempre digo que o Penjing antes de mais nada deve se destacar pela qualidade de suas árvores e pela escala usada nas pedras e complementos, como pontes, figuras etc.

As diferenças de altura e a poda de patamares bem destacados, são uma característica dos bonsais utilizados no trabalho.

No lado esquerdo da paisagem as earvores seguindo na mesma direção e curvaturas, dão uma naturalidade e um movimento muito bonito ao conjunto.

Foi usado um Suiban de mármore para o conjunto. O Fernando com apoda de refinamento compacta bem a copa da Serrisa foetida e ela fica mais bonita.

5 – Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mais as circustâncias de clima e adaptação não permitem ?

R – Sem titubear, o Pinheiro branco, chamado pelos japoneses de Goyomatsu. (Pinus Pentaphylla).

Goyomatsu  (Japanese white pine) tree from Kandaka Shojuen bonsai garden.

Goyomatsu  (Bonsai museum)

6 – Dos seus trabalhos qual você destaca com um carinho especial. Fale um pouco sobre ele.

R – Pesquisando em sites e revistas japoneses, descobri o estilo Ishitsuki, que eles nomeiam os trabalhos formados com plantas e pedras. Despertou minha curiosidade e aguçou minha vontade de ter exemplares como os deles, todos formados com Acer burgerianum, ou Acer tridente, que os japoneses chamam de kaede. Desde então, nos últimos 8 anos, venho cultivando novas mudas nesse estilo, tenho algumas plantas quase prontas quanto à fusão de suas raízes com pedras, mas que ainda faltam formar a estruturação aérea, algo mais complexo nessa espécie e que irá levar ainda alguns anos mais para um resultado satisfatório.

Na Serissa foetida abaixo, Fernando começou o trabalho com uma pedra coletada em um rio. A pedra possuía um furo que ia de um lado a outro. Ele aproveitou e cultivou suas raízes, atravessando a perfuração da rocha.

Piracanta Coccinea

Detalhe das raízes atravessando a pedra.

Mais um trabalho destacando o estilo preferido de Fernado o Raíz sobre Rocha, Ishitsuki

Repare que a raíz desee pela fenda natural da rocha até a sua base.

7 – Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

R – Eu procuro sempre me guiar pela escola clássica japonesa, muito embora muita coisa tenha mudado ao longo desses anos todos, então também me pauto pela atualização, tanto dos estilos quanto da maneira de formatar corretamente um bonsai.

Viburno

7B – Você gosta mais de algum estilo de bonsai em particular? Qual?

R – Aprecio dois estilos, que são o Kengai e o Ishitsuki, composição que agrega pedra e planta, ambos têm variações interessantes, o que possibilita um resultado surpreendente e bonito, quando finalizados. Pithecolobium tortum, ainda em fase de refinamento.

Estilo Kengai (Cascata)

8 – O que a arte do bonsai agregou na sua vida?

R – O mais importante: ótimas e valiosas amizades, no DF, no Brasil e até no exterior.

Piracanta Coccinea

9 – Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística?

R – As ordens técnicas e estéticas são prevalentes num bonsai, qualquer que seja ele, mas certamente podemos e devemos ser flexíveis quanto à possibilidade de buscarmos, cada vez mais, formatos livres, que permitam exploração artística maior. Todavia, não poderemos jamais sacrificar o tecnicismo por uma abstração totalitária, ainda que reduzamos bastante a limitação criada pelas normas. Acredito num meio termo, entre esses dois limites, e que todos nós, bonsaistas, deveremos sempre conhecer a fundo as técnicas e regras, antes de tentar avançar dentro da criação livre. Ou seja, para quebrar uma regra, é preciso, antes, conhecer a regra.

10 – Que bonsaísta (um ou mais) chama a sua atenção, hoje no cenário mundial?

R – David Benavente, espanhol, é um grande nome, que merece meu respeito. Outro grande expoente, Masahiko Kimura, é sem duvida um dos nomes mais constantemente divulgados, por ser o precursor de inovações técnicas audaciosas quanto ao trabalho de formação de um bonsai de qualidade técnica superior. Admiro e estudo ainda o trabalho de: Kevin Wilson, Imai Chiaru, Sebastian Fernandes, John Yoshio Naka, Mario Komsta, Cheng Cheng Kung, Toni Payeras, Min Hsuan Lo, Robert Steven, dentre outros mais.

Rhus Sucedânea

11- Hoje é mais fácil começar a se dedicar a criação de bonsais? Quais eram as maiores dificuldades no início?

R – Sem duvida, atualmente temos à nossa disposição maiores facilidades quanto ao bonsai, seja no que toca a aquisição de novas e variadas espécies, ou mesmo antigas, bem como de vasos confeccionados no país, por grandes e excelentes artesãos ceramistas, e também pela facilidade em adquirir material didático sério e de qualidade, como revistas especializadas, citando duas espanholas, a Bonsai Actual e a Bonsai Pasion, além das sempre ótimas revistas japonesas Bonsai Sekai e Kinbon. Há também diversos livros, a maioria editados em idiomas estrangeiros, mas outros nacionais, que visam atender um segmento priorizando os iniciantes, como podemos atestar com publicações dos autores Mario Garcia Leal e Vania Fortes. Antigamente, porém, a dificuldade em conseguir bons livros, revistas e vasos era grande, e apenas uns poucos privilegiados tinham acesso a esse material. Ferramentas especiais e de qualidade, tanto japonesas quanto americanas e europeias também é algo que hoje em dia compramos por preços muito inferiores ao que foi pago no passado.

Pinheiro negro

12- Qual a sua percepção hoje da arte do bonsai no Brasil?  Você acha que teve um crescimento?  Há uma maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

R – Desde há alguns anos nomes do bonsai nacional vem conseguindo estabelecer, lá fora, novas fronteiras, sendo o mais festejado o bonsaista Carlos Tramujas, que inclusive esteve a frente durante alguns anos da prestigiada publicação que citei, Bonsai Pasion, quando trabalhava para a empresa espanhola Mistral Bonsai. Outros nomes seriam os da bonsaista Regina Suzuki, Marcelo Martins, que teve plantas suas premiadas em concursos virtuais, e, mais recentemente, o grande incentivador do bonsai nacional, Mario Garcia Leal, que acompanhado por seu fiel escudeiro, o grande amigo Bergson Vasconcelos, vem há alguns anos participando de grandes eventos de bonsai na Europa e Africa, onde tem divulgado o nome e a qualidade do trabalho do bonsai nacional.

Pinheiro negro

13- Como está o crescimento do bonsai em brasília, que bonsaísta (s) você destaca pelo seu trabalho.

R – Brasilia, atualmente, não apresenta o mesmo crescimento que observamos ocorrer em outros locais, como esteve no passado. Há bonsaistas espalhados por quase todas as cidades do DF, mas infelizmente não temos atualmente nenhum ponto relevante de encontro, embora vez ou outra eu promova alguma reunião ou exposição, contando com amigos pertencentes a nossa Associação, criada em 2004, que tem apenas sede virtual: http://www.brasiliabonsaiclube.com

Um clube de amigos unidos pela arte do Bonsai.

Há, inclusive, um comércio relativamente fértil e até forte na cidade, desenvolvido pela amiga Jô Ribeiro, que participa ativamente em feiras, shoppings e outros eventos correlatos, onde sempre leva bonsai para vender, algumas peças adquiridas de cultivadores brasilienses, ombreando com outras, trazidas de outras partes do país. Embora o comércio desperte interesse e haja muitas pessoas que compram suas plantas, essas mesmas pessoas não buscam interação com nosso clube, nem procuram contato com nossos associados, no intuito de interagir conosco, de forma que não sei, com certeza, quantos cultivadores há, atualmente, no DF. Nesse cenário, porém, ouso referenciar o nobre amigo Francisco Lustosa, bonsaista há mais de vinte anos, que apresenta um trabalho de vanguarda e inovador, ao mesmo tempo, com plantas magnificamente trabalhados e formatados por ele dentro de parâmetros estéticos e visuais que não perdem em beleza para nenhum outro trabalho de grandes mestres, nacionais ou internacionais.

Fernando tem toda razão, o trabalho do Francisco Lustosa é de muita criatividade, especialmente os bonsais criados com madeira morta, eles são muito especiais.  Abaixo 3 trabalhos de Francisco Lustosa.  Mês que vem vou publicar sua entrevista, e terei o prazer de fotografar pessoalmente sua coleção para o blog, aguardem !

Estudo de movimento:

Buxinho ainda em fase de estudo de movimento, mas que mostra um trabalho estético lindo. O Fernando colocou a planta na pedra para que eu pudesse fotografar. Vou tentar sempre publicar o acompanhamento deste trabalho.

14 – Que conselhos você poderia dar para quem está começando a se dedicar a arte do Bonsai.

R – Minha sugestão é que o iniciante busque primeiramente o conhecimento contido em livros, revistas, fóruns de discussão, sites e links da internet. Munido do conhecimento assim adquirido, que busque o mais rápido possível participar de algum curso, seja básico, intermediário e avançado, ou todos ao mesmo tempo, bem como vise participar de eventos, workshops, exposições, onde irá ter contato com ótimos professores, ver lindos trabalhos (que sempre servem de modelo) e carrear novas amizades, angariando bons amigos com que interagir e crescer na arte bonsai.

Mames de Serissa foetida

15- Quais atributos o bonsaísta deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos ?

R – O primeiro e mais divulgado é a paciência. Sem pressa, podemos obter ótimos resultados no que tange ao cultivo e formação de um bonsai, obtendo resultados bem mais satisfatórios. Ainda, persistência, pois dificuldades sempre haverá e, superando-as, renovaremos nossa capacidade e vontade de continuar investindo em algo que, ao cabo e afinal, só nos trará prazer e alegrias, tanto na forma de termos lindos bonsai, quanto na possibilidade de angariar novos e valiosos amigos nesse caminho.

Caliandra seloi

16- Quais os benefícios físicos, mentais que podemos encontrar se dedicando a arte do bonsai?

R – O estresse cotidiano, diário, que todos nós sofremos vez ou outra, pode ser o primeiro mal a ser combatido com a prática constante da nossa arte bonsai. Além disso, a arte bonsai é uma forma de desenvolvermos nossa criatividade, de liberar nossas forças e ficarmos em sintonia com a natureza que nos cerca, carreando beleza aos nossos olhos, e satisfação pessoal, pela excelência dos resultados que obtemos com nosso trabalho e labor nesse hobby sempre apaixonante.

17 – Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte.

R – A compreensão da arte bonsai libera a energia criativa que existe em nós.

Abaixo uma serie de fotos de trabalhos que estão sendo desenvolvidos no estilo Ishitsuki   (Raiz sobre Rocha)


Link do Bonsai clube em Brasília :   http://www.brasiliabonsaiclube.com/

Entre na galeria e veja mais trabalhos de Fernando Nickfury:

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Entrevista com Carlos Tramujas

Posted in Bonsai - Entrevistas no Brasil with tags , on 15 d e abril d e 2012 by aidobonsai

Tenho muito orgulho de publicar aqui no blog a  entrevista do meu mestre Carlos Tramujas. Foi em 1998, em Niterói, que fiz um curso com Carlos Tramujas, na casa de um grande amigo e mentor no bonsai Jorge Antonio. Embora já me dedicasse à arte a 8 anos, foi no curso com Carlos Tramujas que meus olhos abriram para a importância da triangulação, a busca da paciência e a ordem correta de executar as etapas básicas na criação do bonsai.

Quero agradecer o tempo que ele dedicou a entrevista, pois sei que ele tem pouco tempo disponível e milharem de filhas para cuidar.  Obrigado mestre Carlos Tramujas. 

O Caminho de Carlos Tramujas

1 – Quando você se interessou e começou a se dedicar à arte do bonsai? Me fale um pouco sobre você, seu espaço e onde ele está localizado.

Foi nos primeiros anos da faculdade. Fiz Agronomia e naquela época eu já tinha interesse por plantas ornamentais. Foi numa ida ao CEAGESP de São Paulo que tive o primeiro contato e onde comprei o meu primeiro bonsai. Isso já faz mais de 25 anos, eu acho. Comprei um Pinheiro Negro que morreu logo depois porque o deixei dentro de casa. E assim foram com mais três ou quatro plantas, até que resolvi me interessar realmente pelo assunto. Naquela época era muito complicado se conseguir informações pois não tínhamos internet, revistas, amigos que faziam, além de que os poucos livros que existiam eram caros e importados. A colônia japonesa era muito fechada e ali era muito difícil se conseguir informações sobre o cultivo.

Vejo a facilidade de hoje com a internet, lojas de bonsai, cursos para iniciantes, revistas, livros…a coisa mudou muito e a arte está cada vez mais acessível a todo e qualquer tipo de pessoa.

Demonstração no primeiro encontro do Bonsai rural.

O bonsai me envolveu de tal forma que hoje vejo que mais da metade da minha vida foi dedicada a ele. Criei a Bonsai Brasil, acho que em 1996; na época foi uma referencia e um dos primeiros sites nacionais dedicados exclusivamente
ao bonsai, não somente a nível de informação aos visitantes, mas também na comercialização de plantas e acessórios.

Tive também a oportunidade de ir trabalhar na Espanha na Mistral Bonsai, acho que ainda hoje o maior viveiro de bonsai do mundo. Fiquei por lá alguns anos como editor chefe da revista espanhola Bonsai Pasion e participei de muitos eventos internacionais em diversos países como demonstrador, como repórter ou apenas com a finalidade de divulgar a revista e a Mistral.

Paulo Netto:  Abaixo a revista Mistral Bonsai, uma das melhores e mais completas revistas sobre bonsai editadas no mundo. É um orgulho ter tido um profissional e bonsaísta brasileiro, como editor de uma revista com essa qualidade de informação e gráfica. Tenho todos os exemplares e recomendo a todos que gostam de bonsai.

Na Mistral, tive a oportunidade de fazer de tudo um pouco e participar de muitos processos, tais como o de produção de campo, logística e embalagem , importação e exportação, entre outros.  Mas uma das atividades com que mais me identifiquei foi assumir a relação comercial com clubes e associações da Espanha, que hoje somam mais de 150 no total. Esta relação durou todo tempo em que estive lá e me rendeu bons amigos, com os quais mantenho contato até hoje.

Nesses anos que morei na Espanha, uma das atividades que fazíamos com frequência era caminhar pelas montanhas para apreciar Pinus, Juníperus e tantas outras espécies, em seu habitat natural. Acredito que tenha sido uma das minhas maiores lições de aprendizagem no período em que morei fora do Brasil.

Viveiros da Mistral Bonsai:

Vistas gerais do viveiro da Mistral, onde os números são todos muito impressionantes. São 60.000 metros quadrados de sombrite e estufas, e mais de 500.000 bonsais em estoque.

A criação da Bonsai do campo:

Quando voltei ao Brasil em 2005, comecei uma parceria com um dos maiores viveiros de plantas ornamentais do sul do Brasil, a Belvedere Plantas, para incrementar o seu setor de bonsai e aproveitar a matéria prima existente no viveiro para a produção de bonsai.

Mais tarde me tornei sócio do também Eng. Agrônomo, Edson Anderman, e de seu pai, que era dos antigos sócios da Belvedere. Aí nasceu uma nova empresa, a Bonsai do Campo, que está localizada em Porto Amazonas, no Paraná, a aproximadamente 80 km de Curitiba.

Trabalhamos exclusivamente na produção e comercialização de bonsai e pré bonsai. Nossos números já são bastante significativos: 100 mil plantas no campo, 35 mil prés bonsai, 12 mil bonsai… e uma rotatividade de 450 mil estacas para enraizamento.

Na conclusão do projeto da construção da nova sede teremos preparada uma área com mais de 30.000 m² com sombrites para bonsai, barracão, cisternas, estufas, área para armazenagem de pré-bonsai, etc… Pretendemos inaugurar a sede nova até o final deste ano, para quem sabe no ano que vem finalmente organizarmos o II Encontro Nacional do Bonsai Rural.

2 – Quais espécies você mais gosta de trabalhar?

Gosto muito das coníferas, preferencialmente os Juniperus chinensis (Shimpaku). Pelos trabalhos com madeira morta e pelo excelente contraste que se consegue com o verde das folhas, o tom avermelhado do tronco e o branco característico da madeira morta. Essa preferência talvez esteja relacionada com a oportunidade que tive de vê-los crescendo naturalmente no alto das montanhas.

Gosto também de muitas outras espécies… dos Acer, por exemplo, e das Myrtaceas em geral.

3 – Como você vê o crescimento e procura pelo bonsai hoje no Brasil?

Acho que o bonsai tem se desenvolvido bem no Brasil; muitos sites, fóruns, blogs, associações, lojas especializadas. Nesse aspecto acho que o crescimento está muito acima do que poderia imaginar a alguns anos. Às vezes sinto falta de ver um empenho maior por parte daqueles que se dedicam, mas isso também faz parte de uma evolução natural das coisas.

4 – Dos seus trabalhos, qual você destaca com um carinho especial? Me fale um pouco sobre eles.

No momento, Paulo, não tenho mais nenhum bonsai em casa mas, em compensação, na fazenda tenho quase 15 mil para cuidar, hahaha! Apesar de ter os meus bonsai lá também, tenho focado nos últimos anos a produção e o desenvolvimento de novas espécies para o cultivo de bonsai comercial de qualidade. Para mim se tornou um desafio ainda maior fazer uma empresa como a nossa funcionar de forma saudável. Hoje temos 25 funcionários e nos dedicamos somente ao bonsai. Não deixo nunca de selecionar um bom material para o futuro (é a famosa reserva do patrão) e sinto muita falta em trabalhar direto com as árvores e somente com exemplares especiais, mas pode acreditar que vai chegar a hora. Tudo ao seu tempo.

5 – Você gosta mais de algum estilo de bonsai em particular? Qual?

Difícil escolher um estilo em particular, mas gosto muito do moyogui, do bujingi… realmente fica difícil escolher algum estilo, já que quando se tem um bom material na mão e se quer criar um bonsai de primeira qualidade, temos sempre que respeitar o que o material oferece, pois ele é que irá indicar que caminho devemos seguir.

6 – O que a arte do bonsai agregou à sua vida?

Depois de tanto tempo, Paulo, fica até difícil falar sobre isso, porque as árvores já fazem, de uma forma ou de outra, parte da minha vida. Pode ter certeza que o bonsai não muda o caráter de ninguém, mas acho que ajuda o indivíduo a pensar, questionar e a se relacionar, porque o bonsai não é uma arte solitária. Se tentar fazer diferente, sua evolução será muito lenta e pouco produtiva.

7 – Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística?

Já conversei muito sobre isso, mas minha opinião sincera é que você é obrigado a conhecer a técnica e a noções de estética para conseguir alcançar um bom resultado. Depois, se quiser jogar tudo fora, é um direito seu, mas tem aquele ditado que diz que não se consegue quebrar uma regra se você não a conhece muito bem.

Não podemos, aqui no Brasil, querer fazer bonsai como no Japão por exemplo. A cultura é diferente, a educação é diferente, o clima é diferente, enfim, quase tudo é diferente. Como podemos querer fazer um bonsai como eles fazem? Sabe o que eu acho? Que somos privilegiados e que nosso sangue latino nos confere uma maneira singular de fazer bonsai. Acredito que em mais alguns anos o Brasil será um destaque internacional dentro da arte do bonsai, mostrando justamente isso. O caráter do bonsai brasileiro vem surgindo aos poucos e se firmando cada vez mais. Tem muita gente boa trabalhando pra isso.

8 – Que bonsaísta (um ou mais) chama a sua atenção, hoje no cenário mundial?

Muitos, mas não vou citar nomes, porque certamente estaria sendo injusto com muitos outros. Gosto sim do trabalho dos italianos, dos franceses, dos espanhóis, ou seja, dos europeus em geral. Acho que hoje a maior concentração de bons artistas está em alguns países de lá. Eles estão em um estágio que pouco a pouco começamos a chegar. É saber estudar, praticar, respeitar as regras, os japoneses e seus trabalhos, mas fazer o bonsai da maneira deles aproveitando o material que eles em possuem em sua região. No Brasil, pelo fato de vivermos num clima praticamente tropical, não chegaremos a ter a fartura de yamadoris a que eles têm acesso. No entanto, de uns anos pra cá começaram a surgir excelentes árvores, principalmente do nordeste e que vem sendo trabalhadas por pessoas que já seguiram este caminho. No meu ponto de vista esse é o verdadeiro caráter do bonsai do Brasil.

Visita ao viveiro de Hidaka San em 1998. Fonte contínua de inspiração.

Com Jiro Mizuno em sua casa em santo André, São Paulo. Acho que essa foto é de 1987 e me trás boas lembranças de como tudo começou. Sr. Jiro Mizuno foi uma pessoa muito especial em minha vida.

9- Que perfil de pessoas hoje buscam aprender a arte do bonsai no Brasil?

O bonsai encanta a todos, Paulo. Dificilmente uma pessoa irá passar indiferente por uma boa exposição com belos exemplares. Isso, talvez, pelo fato de que a árvore em si é um dos arquétipos do ser humano. Não existe padrão e nem pré-requisito para a pessoa se envolver com a arte. Nos meus anos de vivencia com o bonsai, já vi todos os tipos de pessoas; de empresários importantes a simples pedreiros e de crianças a idosos se deixarem se levar pela arte. Vi muita gente dar continuidade, mas também vi muita gente desistir em pouco tempo. No bonsai não basta ter talento e inspiração, existem alguns conceitos que tem que ser adquiridos com o tempo como, por exemplo, a disciplina e a perseverança, já que sem eles você não consegue chegar a lugar nenhum. Por outro lado, apesar de existir a questão do cultivo propriamente dito, que envolve técnicas agriculturáveis como a rega, adubação, pulverização, tipos diferentes de substrato, etc, não existe um pré-requisito básico para se iniciar na arte; você não precisa ser agrônomo, biólogo ou ter qualquer tipo de formação na área. Muito pelo contrario, essas técnicas de cultivo, em muitos casos, exercem sobre os leigos no assunto um grande fascínio. Entender como as árvores crescem e se desenvolvem, e como elas reagem as diferentes técnicas que aplicamos, é realmente emocionante.

Bosques de coníferas no viveiro de Paul Lesnievicz

10- O que você acha que as pessoas podem encontrar na arte do bonsai que as ajude tanto no trabalho como na sua vida pessoal?

Como o bonsai é uma arte viva, o seu desenvolvimento depende de muitos fatores, e o controle desses fatores, sem dúvida, traz um sentimento de satisfação muito grande. Você poder admirar sua árvore crescendo bonita e saudável, produzindo flores e frutos, mostrando as mudanças de estação, é que faz com que as pessoas se envolvam com mais profundidade na arte do bonsai. Sem falar do aspecto artístico, onde o bonsaísta pode acompanhar o desenvolvimento de sua árvore caminhando lentamente para um projeto que foi idealizado muitas vezes há décadas atrás. É pura emoção.

11- Qual erro você acha mais comum nos iniciantes quando começam a se dedicar ao cultivo do bonsai?

Você bem sabe que muitas pessoas que compram um bonsai ou ganham um bonsai não conseguem sequer podar a sua árvore uma única vez. Eles simplesmente não conseguem passar da fase inicial e mais importante de todas, que é manter sua pequena árvore viva. Ainda bem que no Brasil as coisas já começaram a mudar, e cada vez mais as pessoas se dão conta de que o problema na maioria das vezes não está no bonsai, mas sim nelas mesmas. É triste ouvir falar que o bonsai é delicado demais, que morre à toa, que é impossível ser cultivado por um simples mortal, que é perda de tempo, complicado de cuidar e outras coisas desse tipo. Esses argumentos sempre fizeram parte da minha vida, mas como comentei anteriormente, as coisas estão mudando e cada vez mais se ouve falar: eu não reguei direito, eu viajei alguns dias e a planta ficou sozinha, eu deixei minha planta num ambiente fechado. Isso é sinal de que as pessoas já estão compreendendo a realidade do bonsai. Que não é enfeite, que não pode ficar em qualquer lugar, que é um ser vivo e que tem que ser tratado com uma árvore. Acho que a maior dificuldade para quem está iniciando na arte é não conseguir fazer o casamento necessário e imprescindível entre o cultivo e a parte estética. Entender que para se aplicar qualquer técnica na árvore, esta precisa estar forte e saudável e que devemos primeiro aprender a cultivar e compreender as necessidades da árvore, para somente depois iniciarmos a sua modelagem.

Demonstração no Bonsai Centrum Heidelberg na Alemanha em 1995. Com Horst Krekeler e Roberto Gerpe

12 – Que conselhos você poderia dar para quem está começando a se dedicar à arte do bonsai?

O primeiro deles é procurar um produtor idôneo para adquirir suas primeiras árvores e solicitar informações ou algum tipo de manual que indique pelo menos as técnicas básicas de cultivo, como ambiente adequado e rega. Antes de comprar a planta, comentar com o vendedor o local onde você pretende deixar o bonsai, pois nesse momento ele poderá indicar uma espécie que se desenvolva melhor no ambiente que você pretende cultivá-la. Evitar começar com bonsai muito pequenos, pois estes são mais difíceis de cuidar. Quanto menor o tamanho do vaso e a quantidade de substrato, mais difícil vai ser controlar as regas e não podemos esquecer que mais de 90% dos bonsais que morrem são justamente por falta de água. Se você está realmente interessado no bonsai, nunca tenha apenas uma planta, o ideal é ter pelo menos três ou quatro e de espécies diferentes para acompanhar o crescimento e poder avaliar melhor as dificuldades no cultivo.

Não desista com as primeiras dificuldades, lembre-se que a perseverança faz parte do negócio.

13 – Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetize nossa arte.

“O bonsai, além de ser uma arte, pode se tornar uma filosofia de vida”

Paulo Netto:  Um produto que também foi criado por Carlos Tramujas e que pode ajudar você que está começando a se interessar pela arte do bonsai. É o seu video com os fundamentos básicos e introdução ao Bonsai.

Contatos de Carlos Tramujas:

tramujas5@gmail.com

ctramujas@onda.com.br

Evento com Carlos Tramujas:

Entrevista com Marcelo Martins

Posted in Bonsai - Entrevistas no Brasil with tags , , on 8 d e abril d e 2012 by aidobonsai

Quando penso em um trabalho sério em bonsai, utilizando a espécie Pithecolobium torthum, de imediato vem o nome do artista Marcelo Martins. O movimento, acabamento e originalidade de seus bonsais é impressionante. Fico muito feliz de publicar aqui uma entrevista com Marcelo e poder ter no blog um pouco da sua arte. Agradeço aqui o tempo e a disponibilidade de responder a entrevista. Grande abraço.

Todos os contatos de Marcelo Martins (Marcelo Yamadori) estão no final da entrevista.

1 – Quando você se interessou e começou a se dedicar à arte do bonsai?

O meu interesse pela arte do bonsai surgiu no início dos anos 90. Eu cresci em Cabo Frio, Região dos Lagos, no Estado do Rio de Janeiro. A vegetação característica da região é a restinga, que eu costumava percorrer desde pequeno. A associação do bonsai com as plantas nativas foi imediata, desde o início focado na busca de uma expressão nativa e com identidade própria.

2 – Que espécies você mais gosta de trabalhar?

Eu cultivo poucas variedades. Além do pitecolobium, tenho um ipê amarelo e uma schefflera, todas de lida fácil. Naturalmente que, por toda a atividade que se desenvolveu em torno do yamadori de pitecolobium, a relação com essa espécie é muito mais próxima e afinada do que com as outras espécies.

3 – Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mas as circunstâncias de clima e adaptação não permitem?

Eu me sinto abastado trabalhando com as minhas plantas nativas (e ainda tem muito material de qualidade para ser trabalhado no Brasil), mas gostaria de experimentar coletar e cultivar um junípero daqueles esculturais num lugar extremo, como o deserto de Mojave, na Califórnia, por exemplo. Um sonho bom.

Abaixo um bonsai do Marcelo que eu acho singular, pois desta espécie “Xeflera”  acho que é o mais bonito que já vi.

4 – Dos seus trabalhos, qual você destaca com um carinho especial? Me fale um pouco sobre ele.

Muito difícil definir isso. São todas criações minhas, cada uma com sua expressão particular de beleza e, como arte viva, cada uma com os seus momentos particulares de esplendor.

Mas é claro que alguns trabalhos acabam se destacando, por esse ou aquele motivo. O kengai de ipê amarelo, um dos meus primeiros trabalhos, pelo efeito estético do movimento do seu tronco e harmonia com o vaso; o dragão, verdadeira escultura viva; e atualmente a planta que mais tem se destacado é um pitecolobium de troncos múltiplos plantado em uma laje de pedra, outro trabalho dos mais antigos.

5- Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

Eu sigo o meu feeling para avaliar o que pode ficar mais bonito no que identifico como proposto por cada planta e em cada momento. O termo Escola remete a uma conjuntura impositiva, disciplinar, quando na verdade é um resultado da reflexão, colocada de forma didática, dos próprios personagens que compõem o universo do bonsai, a respeito de todas as possibilidades e nuances da expressão artística. A essência da manifestação artística começa e se completa no ato da criação. O artista concebe e realiza, a Escola traduz.

6 – Você gosta mais de algum estilo de bonsai em particular? Qual?

O kengai, pela singularidade estética da inversão da projeção do tronco, é um estilo que tem seu status destacado.

7 – O que a arte do bonsai agregou na sua vida?

Eu sou musicista desde adolescente, instrumentista habilidoso, paixão de uma vida inteira, mas com uma certa frustração por não me saber compositor. A arte do bonsai – e do suiseki também – me agraciou com a condição de autor. Agora, além de interpretar as minhas músicas, eu componho as minhas próprias obras.

8 – Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística?

Essa questão estética diz respeito a cada planta em particular, e também a quem vai trabalhar nela. Como personagem que é, o bonsai pode muito bem representar uma árvore de uma outra espécie que não a sua própria, desde que tenha atributos propícios pra isso. Como expressão artística, o importante é a criatividade e o capricho.

9 – Que bonsaísta (um ou mais) chama a sua atenção hoje no cenário mundial?

Masahiko Kimura, sem dúvida. Foi através das obras dele que entendi que bonsai é uma escultura viva.

10- Hoje é mais fácil começar a se dedicar ao cultivo de bonsai? Quais eram as maiores dificuldades no início?

A arte do bonsai está bem difundida no país, muito intercâmbio, muita gente se dedicando com primor. Toda a estrutura está muito mais organizada, e o acesso a todos os itens necessários para se fazer um bonsai de qualidade estão disponibilizados no mercado com uma profusão que facilita e incentiva bastante o cultivo dessa arte sublime.

11- Qual a sua percepção hoje da arte do bonsai no Brasil? Você acha que teve um crescimento? Há uma maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

Sem dúvida o cenário do bonsai no Brasil está bem amadurecido. Tenho acompanhado essa evolução ao longo desses quase vinte anos que milito nessas fileiras. Muita gente talentosa, plantas de qualidade e intercâmbios regulares com outros artistas renomados, ajudaram a lançar o país no cenário internacional da arte.

Me sinto muito orgulhoso por ter contribuído de alguma forma, com um trabalho de qualidade num material nativo de qualidade, a cimentar esse reconhecimento internacional do talento de nossa gente e das nossas belezas e riquezas naturais.

12 – Que conselhos você daria para quem está começando a se dedicar à arte do bonsai?

Esteja preparado pra levar essa relação para o resto da vida.

13- Que atributos o bonsaísta deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos?

Boa percepção, senso de equilíbrio, ponderação e capricho. Se a planta tiver espinhos, tudo isso em dobro.

14- Quais os benefícios que podemos encontrar no cultivo da arte do bonsai?

O aprimoramento do senso de equilíbrio talvez seja o grande benefício que resulta da lida com a arte do bonsai. Esse senso de que tudo gira em torno de forças opostas e complementares que se aquilatam e produzem o equilíbrio está em tudo no cultivo do bonsai. E também está em tudo na vida.

15 – Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte.

Bonsai é a arte do equilíbrio.

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Lindas fotos tiradas pelo Marcelo de um Pithecolobium crescendo harmonioso em seu ambiente natural.

Sementes do Pithecolobium torthum.