Arquivo para Bonsai em Minas Gerais

Entrevista Ladoso do Bonsai Shizen

Posted in Bonsai - Entrevistas no Brasil, Bonsai no Brasil with tags , on 26 d e abril d e 2017 by aidobonsai

Dando continuidade as entrevistas de 2017, trago aqui o professor e dono do Bonsai Shizen, Ladoso, muito obrigado por ter você aqui no blog. Grande abraço

1 – Quando você se interessou e começou a se dedicar arte do Bonsai?

Na década de 80 eu conheci o filme Karatê Kid e comecei a me dedicar a arte do bonsai, hoje já fazem 20 anos. Perdi muito tempo, pois não conhecia nenhuma escola.

2- Como está o crescimento do Bonsai hoje em Minas Gerais?

Minas esta acompanhando a evolução do bonsai, graças ao Francisco (Chicão), por trazer grandes nomes do bonsai do exterior, e  também por fazer parceria e trazer o encontro do Mário Leal para Minas Gerais. Temos também muitos talentos em Minas: Rock Júnior, Renan Braido, Fernando Magalhaes e outros.

3- Você gosta de dar aulas? Como surgiu o Bonsai Shizen?

Amo de paixão, principalmente quando vejo o olhar de admiração dos alunos para com a arte, me sinto realizado. Eu comecei a aprender mesmo quando me associei a grupos, especialmente em Pedro Leopoldo (Cidade vizinha). Quando esse grupo acabou, resolvi fazer um no meu viveiro. Depois que já tinha um certo conhecimento comecei a dar aulas, e assim surgiu a Bonsai Shizen

4- Hoje o que o Bonsai Shizen traz para seus alunos e clientes?

Além do conhecimento da arte e cultivo, levo muito a sério os ensinamentos que acompanham o bonsai, não gosto mais da palavra filosofia, prefiro dizer os ensinamentos da natureza. Os resultados sãos boas amizades dentro de um padrão de comportamento baseados nos ensinamentos: Cooperação e Humildade.

5- Quando você está ensinando seus alunos, e administrando cursos, qual sua maior preocupação ?

Envolve-los completamente ao ponto de captar a exência do bonsai,  e mostrar a eles o que vai ser exigido para ser um bom bonsaísta.

Turmas aprendendo a Arte do Bonsai no Bonsai Shizen:

Aula na Universidade de São João Del Rey:

6- No seu curso você tem um foco principal ? Entre: Teoria, Técnica, Prática ?

Tudo começa pela teoria, a primeira aula é teoria geral incluindo a técnica, mas 80% é prática. A prática concretiza tudo.  Abaixo Cambuí.

7 – Quais espécies você mais gosta de trabalhar no Bonsai Shizen ?

Hoje gosto de todas, mas inicialmente minha preferência era Pithecolobium, Jabuticaba, Caliandra, Buxinho, Serissa e pitanga.

8- Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mais as circunstâncias de clima e adaptação não permitem?

Gosto muito do Pinheiro Negro, já perdi muitos e ainda estou aprendendo cultiva-lo. Aqui em Minas é um pouco quente, então é preciso saber cultiva-lo.

9– Dos seus trabalhos qual você destaca com um carinho especial. Me fale um pouco sobre ele ?

Tenho vários nessa situação, mas hoje tenho um carinho pelo bonsai de Pithecolobium Dumosum, é o meu primeiro trabalho naturalista.

10- Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

Amo de paixão todas as escolas e padrões. Sigo um pouco de cada, mas minha inspiração é a natureza.

Penjing com Pithecolobium dumosum.

11 – Você gosta mais de algum estílo de bonsai em particular ? Qual ?

Já gostei muito do Moyogi que é o primeiro amor. Hoje gosto do Bujing, Shakan, e Fukinagashi, não tenho preferência por um só em particular.

12 – O que a arte do bonsai agregou na sua vida ?

Aquelas arvorezinhas nas montanhas no meio das pedras surradas pelo vento e raios com carência de água e nutrientes e mesmo assim encontraram equilíbrio e beleza. Aprendi a buscar o contentamento seja qual for à situação na minha vida.

13 – Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística ?

A técnica (regras) vem em primeiro lugar, através delas compreendemos as formas. Depois de domina-las entendemos o seu objetivo, dali em diante o foco é a harmonia.

John Naka Disse:  “Não faça sua árvore parecer um bonsai, faça seu bonsai parecer uma árvore”

14 – Que bonsaísta (um ou mais) chama a sua atenção, hoje no cenário mundial ?

Dois bonsaístas que foram marcantes na minha vida, com uma nova visão foram: Luiz Nel e Walter Pall.

Um bonsaísta como pessoa: Carlos Tramujas

15- Quais eram as maiores dificuldades para desenvolver a arte no início?

Conseguir material de qualidade e plantas de fora.

16- Qual a sua percepção hoje da arte do bonsai no Brasil ? Você acha que teve um crescimento? Há uma maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

A arte esta crescendo, bonsai é uma longa caminhada. Temos alguns nomes se destacando lá fora. Eu costumo dizer que o bonsaísta passa por três fases:

1º  Acumulador 

2º  Faz bonsai 

3º  Faz Árvore  (Bonsai com cara de árvore)

Ainda temos muitos fazendo bonsai  

17- Que conselhos você poderia dar para quem está começando a se dedicar à arte do Bonsai ?

Bonsai não se aprende sozinho, não se isole e seja de mente aberta e humilde para aceitar criticas, não fique só na internet, a arte só se concretiza fazendo um curso com um bom professor.18- Quais atributos o bonsaísta deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos ?

Amor à arte e ser constante e esmerado.

19- Me fale um pouco do seu espaço, hoje você cuida de quantas plantas?

Meu espaço é pequeno, mas é aconchegante. De coleção tenho 40 bonsais.

20- Quais os benefícios físicos, mentais que podemos encontrar se dedicando a arte do bonsai?

Já soube de uma matéria que disse que a pratica do bonsai combate mal de alzheimer, o bonsai é a uma arte ímpar que nos liga diretamente com a natureza, isso nos causa bem estar.21– Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte.

“Uma arvore no vaso é só uma arvore no vaso, ela se torna bonsai quando toca a alma”

Walter Pall

Entre na galeria e veja mais trabalhos do professor Ladoso:

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Bonsai, Tattoo e Pintura, a paixão do artista Márcio Martin

Posted in Aido Bonsai, Bonsai - Entrevistas Internacionais, Bonsai - Entrevistas no Brasil with tags on 17 d e abril d e 2017 by aidobonsai

Trago aqui os trabalhos do artista Márcio Martin, que chamou muito minha atenção por se dedicar não só ao Bonsai, mas por ter um trabalho lindo de Pintura e Tatuagem. É muito bom conhecer um artista de Minas Gerais, que está se dedicando muito para a divulgação dessa arte, com seus videos no You Tube e no cultivo de suas árvores em Minas Gerais.

Quando você se interessou e começou a se dedicar as artes da Pintura, desenho e da Tatuagem ?

Desenho desde uns 8 anos de idade por influência de uma tia. Comecei a me dedicar a tatuagem,que hoje tenho como profissão a uns 15 anos atrás e a pintura acabou sendo uma conseqüência.

Como surgiu o Bonsai na sua vida ?

Acredito que como a maioria dos brasileiros, meu primeiro contato com o bonsai foi através do filme Karatê Kid, mas sempre gostei de plantas, desde pequeno.

Como sua pintura e o desenho inlfuencia no seu trabalho de bonsai ?

Acredito que todas as artes tem algo em comum, já que a arte é uma forma de expressão, então uma complementa a outra pois as artes de um modo geral afiam a nossa percepção.

 

O cultivo do bonsai influenciou a sua pintura ?

Na verdade o bonsai influenciou toda a minha vida, não só a pintura, mas como ele me transformou internamente, reflete em tudo o que eu faço.

Quais espécies você mais gosta de trabalhar ?

Adoro a Serissa Foétida, Bougainvillea, Jaboticaba e os Pitecos. Mas também gosto de várias outras como, Ulmus, Pingo de Ouro, Amora, Pitanga, etc.

Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mais as circustâncias de clima e adaptação não permitem ?

Gostaria muito de poder aprender e poder trabalhar os pinheiros em geral, mas aqui é bem difícil.

Dos seus trabalhos qual você destaca com um carinho especial. Me fale um pouco sobre ele?

Tenho um pré bonsai que pra mim é o mais especial, por que foi a primeira planta do meu viveiro.Trata-se de uma Serissa Foétida q ganhei de um amigo depois de comentar com ele a minha vontade de aprender a arte do bonsai. Essa planta não está tão estilizada, pois sempre tento fazer intervenções bem calculadas nela pra não correr o risco de errar, mas ela já deu origem a varias plantas através da estaquia já que essa foi a primeira técnica que apliquei.

Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

Acho que nós brasileiros de um modo geral seguimos mais a escola japonesa, mas acho que estamos tendo uma visão um pouco mas ampla e nos deixando influenciar Tb por outras escolas, principalmente a Européia.

Você gosta mais de algum estílo de bonsai em particular ? Qual ?

Sim, o SEKIJÔJU. Principalmente por conta das suas raízes que mostram muita força e perseverança ao se desenvolver abraçando uma pedra.

Você faz algum tipo de croki ou esboço dos seus trabalhos, quando eles ainda estão em fase de criação ?

Sim. Acho muito adequado, já que a planta é algo a ser trabalhado e não uma forma pronta. Acho que quando se faz um desenho antes, você consegue visualizar melhor as possibilidades e o futuro da sua planta.

É como se você fosse construir uma casa, primeiro você faz uma planta pra depois começar a construção.

O que a arte do bonsai agregou na sua vida ?

O mestre Rock Jr,  certa vez disse uma frase que me marcou muito:

Na arte do bonsai a gente entorta a planta enquanto ela nos desentorta”.

E é isso, o bonsai me trouxe uma capacidade de me auto-avaliar de maneira a buscar o meu melhor como pessoa, enquanto lido com meus defeitos e aprendo com meus erros. Mas os principais beneficios que a arte meu trouxe foram, a paciência, tolerância e o respeito à natureza.

Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística ?

Acho que um está ligado ao outro,  as técnicas são muito importantes, já que são fruto de muito estudo dos antigos e uma maneira que explica as formas da natureza de maneira mais didática..

Mas também acho que a arte é uma obra aberta, e deve sim seguir uma direção mais livre já que ela é o resultado do sentimento e inspiração do artista. Para mim o novo deve se juntar ao antigo de forma respeitosa, porém firme e inovadora.

Que bonsaísta (um ou mais) chama a sua atenção, hoje no cenário mundial ?

Não tem como deixar de citar em 1º lugar o mestre Masahiko Kimura, pois pra mim ele é o exemplo do que eu disse antes, o novo e o antigo, com ousadia, inovação e respeito.

Entre vários outros que gosto muito estão:

Walter Pall, Mauro Stemberger, Salvatore Liporace, David Benavente, Masashi Hirao, Taiga Urushibata, Ryan Neil, Robert Esteven, Andres Bicocca, Nacho Marin, entre outros….

E dos brasileiros:

Meu mestre Ladoso, Carlos Tramujas, Rock Jr., Fernando Magalhães, Francisco Corrêa (Chicão), Mário Leal, Felipe Dallorto, Marcelo Martins, Charle White, Renato Bocabello, Paulo Netto, Sergivaldo Costa, Fabiano Costa, Edson Cordeiro, entre outros.

Hoje é mais fácil começar a se dedicar a criação de bonsais? Quais eram as maiores dificuldades no início?

Acho que de um modo geral, a internet facilitou muito a vida do ser-humano e no bonsai não é diferente. Assim como na tatuagem, as maiores dificuldades eram as informações e o acesso a material de qualidade, como plantas e ferramentas.

Qual a sua percepção hoje da arte do bonsai no Brasil ? Você acha que teve um crescimento? Há uma maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

Bom, do pouco tempo que tenho no bonsai (cerca de 7 anos), pude ver que como em toda arte tem pessoas querendo ajudar e outras nem tanto, mas acho que a maioria quer ajudar e fazem isso principalmente na internet onde divulgam fotos de suas plantas e sua experiências. Um cara que tem ajudado muito na divulgação do bonsai no Brasil e no mundo é o Mário Leal, que com seu evento anual reúne uma galera bem bacana em torno da nossa arte e isso tem agregado muito nesse sentido. E um exemplo que gosto de citar é o Felipe Dallorto, que tem viajado o mundo mostrando a arte do bonsai aqui do Brasil.

Como está o crescimento do bonsai em Minas Gerais, que bonsaísta (s) você destaca pelo seu trabalho?

Aqui o bonsai está indo muito bem.Temos o privilégio de ter grandes mestres que além de se dedicar a arte, também se dedicam ao ensino da mesma. Destaco o meu mestre Ladoso, o Rock Jr., o Fernando Magalhães e o Francisco Corrêa (Chicão).

Que conselhos você poderia dar para quem está começando a se dedicar a arte do Bonsai.

Estudo e pratica, além de paciência. Bonsai não é fácil porque demanda tempo e dedicação, mas vale muito a pena. O respeito aos mais velhos também é sempre uma maneira de honrar os pioneiros da nossa arte.

Quais atributos o bonsaísta deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos ?

O mais importante é gostar de plantas, respeitar a natureza em toda sua sabedoria e saber que quem manda é ela. E o respeito para com os mais antigos, porque só trilhamos esse caminho hoje, graças a dedicação que eles empregaram pra ajudar a arte e sua difusão.

Quais os benefícios físicos, mentais que podemos encontrar se dedicando a arte do bonsai?

Calma, serenidade, respeito, percepção artística e ética aguçadas, além de uma grande realização pessoal.

Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte ?

A Natureza é sábia, permita que sua voz ecoe em seu coração, pois essa é a voz de Deus!!!

A Natureza é sábia, permita que sua voz ecoe em seu coração, pois essa é a voz de Deus!

Muito obrigado Márcio Martin pela disponibilidade de responder a entrevista, parabéns pelos seus trabalhos com Bonsai, Penjing, Pintura e Tatto, todos mostram paixão, dedicação e muito comprometimento. Grande abraço 

Contatos do artista:

Canal do you tube: https://www.youtube.com/c/canalsamuraibonsai

E-mail: canalsamuraibonsai@gmail.com

Facebook: https://www.facebook.com/marciomartintattoo

Tel: 31 99229-2435

Entre na galeria e veja mais fotos dos trabalhos de Márcio Martin:

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