Archive for the Arte – Filosofia Category

Pensamentos Samurais

Posted in Arte - Filosofia with tags , , on 30 d e agosto d e 2013 by aidobonsai

Aqui uma série de pensamentos Samurais.

Leia a matéria, com a música que é o som ambiente do meu espaço há 22 anos. “Cantos Naturais”

“Um guerreiro não deve demonstrar insegurança em suas palavras, ainda que casualmente. Ele deve ter certeza do que fala antes mesmo de fazê-lo. Até em assuntos triviais, é possível enxergar o que carrega em seu coração.” Yamamoto Tsunetomo Satsuma-samurai-during-boshin-war-period Dizem que uma pessoa não deve hesitar nem por um instante em se corrigir quando comete um erro. Ao fazer isso, seus erros desaparecerão rapidamente. Mas, se tentar ocultá-lo, o erro se tornará ainda mais indigno e doloroso. Yamamoto Tsunetomo 500x_samuraiphoto A coisa mais importante de sua vida é o objetivo que você persegue no presente momento. Toda a vida de um homem se apresenta como uma sucessão de momentos. Se você conseguir entender isso, não existirá mais nada a ser feito, nada mais a almejar. Viva sendo fiel ao objetivo do momento. Yamamoto Tsunetomo 2334_1 Uma alma sem respeito é uma morada em ruínas. Deve ser demolida para construir uma nova. Sasaki Kojiro 30209_1186479641295_1807434096_364944_5859155_n A perfeição é uma montanha impossível de escalar que deve ser escalada um pouco a cada dia. Código Samurai aa52_1 O samurai nasce para morrer. A morte, não é uma maldição a evitar, senão o fim natural de toda vida. Código Samurai Samurai1 Para um autêntico samurai não existem as tonalidades cinzas no que se refere a honra e justiça, só existe o certo e o errado. Código Samurai Samurai Tenha compaixão, ajude os seus companheiros em qualquer oportunidade. Se a oportunidade não surge, saia do seu caminho para encontrá-la. Código Samurai 4902_1019100936932_1807434096_38156_2882880_n Quando um samurai diz que fará algo, é como se já o tivesse feito. Nada nesta terra o deterá na realização do que disse que fará. Código Samurai 7b46_1 Credo do Samurai Eu não tenho pais, faço do céu e da terra meus pais. Eu não tenho casa, faço do mundo minha casa. Eu não tenho poder divino, faço da honestidade meu poder divino. Eu não tenho pretensões, faço da minha disciplina minha pretensão. Eu não tenho poderes mágicos, faço da personalidade meus poderes mágicos. Eu não tenho vida ou morte, faço das duas uma, tenho vida e morte.  4902_1019100896931_1807434096_38155_3049163_n Eu não tenho visão, faço da luz do trovão a minha visão. Eu não tenho audição, faço da sensibilidade meus ouvidos. Eu não tenho língua, faço da prontidão minha língua.  mean_samurai Eu não tenho leis, faço da auto-defesa minha lei. Eu não tenho estratégia, faço do direito de matar e do direito de salvar vidas minha estratégia. Eu não tenho projetos, faço do apego às oportunidades meus projetos. Eu não tenho princípios, faço da adaptação a todas as circunstâncias meu princípio. Eu não tenho táticas, faço da escassez e da abundância minha tática.  s0107l Eu não tenho talentos, faço da minha imaginação meus talentos. Eu não tenho amigos, faço da minha mente minha única amiga. Eu não tenho inimigos, faço do descuido meu inimigo. Eu não tenho armadura, faço da benevolência minha armadura. Eu não tenho castelo, faço do caráter meu castelo. Eu não tenho espada, faço da perseverança minha espada. 4902_1019100856930_1807434096_38154_3569117_n Existe uma maneira de um samurai criar seu filho. Desde sua infância ele deve ser encorajado à bravura, e deve-se evitar assustá-lo ou provocá-lo com trivialidades. Se uma criança for afetada pela covardia, isso permanecerá como uma cicatriz para toda a vida.” Yamamoto Tsunetomo Cópia de samurais_erafeudal O Caminho do Samurai é encontrado na morte. Entre ela ou qualquer outra coisa, não há dúvida: a escolha deve ser a morte.” Yamamoto Tsunetomo bushi2 Existem duas coisas que poderão manchar a conduta de um vassalo: riqueza e glória. Se uma pessoa tiver uma vida de privações, ela não será corrompida.” Yamamoto Tsunetomo samurai_o_yoroi_armor_usd_16500_11 Quando enfrentamos calamidades ou situações difíceis, não é suficiente manter-se calmo, mas sim enfrentá-las com coragem e satisfação.” Yamamoto Tsunetomo WWW_Enami_Pg2_Ues_-_1b_ENAMI_-_T_Enami_1859-1929_-_Self_Portrait_ca_1898-3a.105142121_std Seja fiel ao pensamento do momento e evite distrações. Em vez de se esforçar para dar conta de tudo, concentre-se apenas no que está fazendo. Procure privilegiar um pensamento de cada vez.” Yamamoto Tsunetomo beato_samurai O estado de espírito de uma pessoa se revela em seus sonhos. Devemos nos esforçar para fazer dos sonhos nossos aliados.” Yamamoto Tsunetomo historical-photos-rare-pt2-samurai-1860-1880

Para tranquilizar sua mente, a pessoa deve engolir a própria saliva. Esse é o segredo.

Yamamoto Tsunetomo

The Real Samurai in The 19 Century (8)

Tori – Uma passagem para o mundo espiritual.

Posted in Arte - Filosofia, Arte - Oriental várias, Bonsai - Matérias especiais, Fotografia - Japão with tags , , , , on 28 d e agosto d e 2011 by aidobonsai

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Foto de Tori em Hakone no Japão : Okinawa Soba (Flicker)

O Tori é um portal que representa para aquele que entra em um templo Xintoísta uma separação do mundo físico do espiritual. É construido de maneira tradicional em madeira de lei (Cedro, Momiji, Pinheiro negro, entre outras). Ele é formado por duas colunas que sustentam o céu e por vigas transversais que representam a terra; é um símbolo de muito poder e fé para os povos orientais.

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Na fotografia abaixo um Tori de um templo Xintoísta de 400 anos, misteriosamente intacto, mesmo estando no epicentro da explosão atômica de Hiroshima.

Tori

Gostaria de dividir uma experiência que aconteceu em minha casa. Assim que eu me casei construi na entrada do meu ateliê “Aido Bonsai” um Tori nas especificacões japonesas.

a) Foi usado madeira de lei (maçaramduba) apenas encaixada.

b) O Tori não toca nada à sua volta, apenas plantas naturais.

c) Foi construído na medida menor permitida: 3 metros e meio de altura.

d) Ao seu lado e na sua frente, 4 guardiões (leões) guardam sua entrada.

e)  No centro atrás dele, olhando a entrada, está uma estátua de Buda.

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Em 1999, uma árvore típica da minha região (Batão) de 35 metros de altura, que ficava na frente do Tori, caiu em cima de todo o espaço dos bonsais. A árvore estava com uma parte grande da base de seu tronco podre e comida por formigas negras por dentro, de uma forma que não era possível observar nenhuma mudança no tronco na parte externa. O formigueiro tinha seu ninho no chão e entrou na árvores por debaixo da terra, pela raíz central.

Aido tori 1Numa tempestade um vento sudoeste derrubou a árvore. Eu acordei à noite com o estouro do tronco; a árvore caiu inteira, com sua copa de 100 metros quadrados em cima de todos os bonsais. Quando a foto foi batida nós já tínhamos tirado o tronco maior  que estava a direita do Tori impossibilitando a entrada pelo portão.

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Eu, às vezes aramando os meus bonsais, quebro alguns galhos mais frágeis. No dia seguinte, com ajuda do meu empregado, começamos a retirar a árvore pelo lado externo, quando tivemos espaço para entrar pelo Tori. Das 180 árvores que estavam dentro do espaço, parecia que elas tinham se encaixado entre os espaços dos galhos e troncos do batão. Eu não perdi um galho sequer de todos os bonsais. Mesmo estando na frente da árvore, o Tori não sofreu absolutamente nada.TORI 6

No santuário Xintoísta de “Itsukushimajinja” existe um Tori que é um reconhecido como um dos principais do Japão. Formado por 4 grandes troncos está situado dentro do mar. Em uma festa chamada “Kangenmatsuri”, quando a maré está mais alta, é levado numa procissão uma  árvore sagrada plantada no interior de um barco, este barco vai navegando desde a orla até atravessar o portal.

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Entre na galeria com 90 fotos de Toris no Japão : Continue lendo

Bushido

Posted in Arte - Filosofia, Arte Marcial - Bushido with tags , , , , , , , , , , on 17 d e julho d e 2010 by aidobonsai

O Caminho do guerreiro

Na época em que algumas escolas de armas do Japão foram fundadas como o antigo Dojo da: Iaido Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu, as artes marciais no Japão eram todas chamadas por um único nome: bujutsu. Bu é a raiz que significa “marcial”, e jutsu significa “habilidade” ou “arte”. Embora o termo nem sempre seja usado de maneira correta no Japão atual, no sentido estrito ele se refere somente àquelas escolas que só ensinam habilidades de combate, como, por exemplo, Daitoryu Aiki Jujutsu e Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu.

Muitos séculos depois da fundação dessa escola, as influências do Budismo Zen afetaram as artes marciais japonesas; e, quando o Período de Edo (1603- 1867) – uma longa era de paz – seguiu-se à época dos generais litigantes, um novo conceito entrou nessas artes. Foi nessa época que a idéia de budô veio à existência. Budô significa “via marcial” ou “caminho marcial”. Dô é derivado da palavra chinesa tao e significa um caminho através da vida. A palavra budô era e ainda é usada para designar os sistemas marciais com ou sem o uso de armas nos quais alguns dos aspectos funcionais das artes de combate foram transformados, geralmente por razões estéticas.

Não obstante, conceitualmente, budô é mais do que isso. Ao adotar para si uma “via marcial” nessa época de paz, o guerreiro japonês comprometia-se antes de mais nada a seguir um caminho de desenvolvimento espiritual por meio do treinamento marcial. A eficácia prática desse treinamento de combate passou a ser secundária. Assim, a arte de combate pela espada, o ken-jutsu, tornou se o kendô, a via da espada; o naguinata-jutsu, a arte da alabarda, tornou-se o naguinata-dô, a via da alabarda; e assim por diante. Nas escolas de combate (jutsu), mais antigas, a função predominava sobre a forma; mas nas escolas dô, mais refinadas, a forma e o estilo às vezes sobrepujam a eficiência marcial.

Campeonato de Kendo

Entretanto, o bushidô ou “caminho do guerreiro” trata antes de mais nada das atitudes e objetivos mentais do guerreiro feudal. Na opinião do mestre de Iaido Otake Sensei, o bushidô ou código de ética do samurai foi grosseiramente distorcido e assumiu um sentido totalmente diferente do original. Essa distorção ocorreu principalmente na época moderna e foi usada para justificar sentimentos e atividades nacionalistas e militaristas.

Naginata e Yari fotografadas na exposição do CCBB em 2009.

O Sensei Otake explica:

Especialmente em nossa época, quando as pessoas falam sobre a palavra bushidô, lembram-se do recente suicídio de Mishima Yukio (um romancista cujos livros foram publicados no Ocidente) e pensam naquele tipo de bushidô exposto no livro Hagakure, escrito pelo sacerdote Yamamoto Joche. Além de ser sacerdote, ele escreveu seu livro durante o Período Genroku (1688-1704), que foi uma época de paz no Japão. Infelizmente, ele cometeu alguns erros em diversas passagens do livro, ao passo que outros trechos estão escritos de tal modo que podem facilmente ser mal-interpretados.

Na pintura a seguir  um biombo japonês mostra um general trajado de armadura tradicional atacando o exército inimigo sobre o seu cavalo na batalha do Rio Uji, ocorrida em 1184.

o Xintoísmo é a religião mais antiga do Japão. Os caracteres shintô significam literalmente “o caminho dos deuses”.

Ele afirma, para resumir, que seguir o bushidô é buscar a morte, mas o sentido de bushidô não se resume a morrer. Por causa dessa interpretação errônea, as pessoas de outros países acham que o bushidô é a mesma coisa que o harakiri ou seppuku, ou seja, o suicídio ritual. Na verdade, o sentido de bushidô é o de fazer alguma coisa boa para o mundo, deixar no mundo uma marca benéfica, e depois ser capaz de desapegar-se do corpo humano e aceitar a morte. Porém, é muito fácil entender erroneamente esse conceito. Ele não se resume a sair em busca da morte. Se você tentar realizar algo e por algum motivo não conseguir fazer o que queria, não será muito produtivo pensar:  “Falhei, tenho de me matar”. O bushidô não tem nada que ver com um modo de vida tão irresponsável quanto esse. Quando a pessoa tenta fazer algo e não consegue, há também no bushidô o conceito de continuàr a viver, mesmo que na desonra, se houver a possibilidade de corrigir o erro cometido ou remediar a situação. É esse o verdadeiro bushidô.

Palavra xintoísmo. séc VIX

É claro que esse conceito existe no Budismo: é o conceito budista de compaixão. Também no Budismo encontramos a premissa de que é bom ajudar os outros, fazer o bem ao mundo, mesmo que isso lhe cause problemas ou possa custar até mesmo a sua vida. Os dois conceitos são idênticos. A mesma coisa está presente no Cristianismo quando os cristãos falam da caridade.

Aqui no Japão, temos o Xintoísmo (Shintô). Trata-se de uma religião cujo nome, quando escrito com os caracteres chineses, significa ‘o caminho de Deus’ ou ‘o caminho dos deuses’. O caractere chinês que significa ‘via’, ‘estrada’ ou ‘caminho’ é escrito em duas partes. A parte à direita é o caractere chinês que significa pescoço ou cabeça; a parte à esquerda significa ‘correr’. O sentido global do caractere que significa ‘via’, ‘estrada’ ou ‘caminho’ é o de ‘tomar a cabeça nas mãos e correr para algum lugar’.

Acima desse caractere escrevemos o caractere que significa ‘deus’, e assim obtemos o escrito ‘via dos deuses’ ou ‘Shintô’. Se, acima do mesmo caractere, escrevermos os dois caracteres que significam bushi ou ‘guerreiro’, a palavra se torna bushidô. A nuance de significado da palavra, portanto, é a de que essa é um via que exige responsabilidade; em outras palavras, é uma via na qual a sua cabeça, ou o seu pescoço, está em risco. As diversas artes de cultivo pessoal são escritas com a palavra -dôo O sentido global, portanto, é o de que esse é o caminho correto a ser seguido pelos seres humanos.

Há uma história que, a meu ver, exemplifica muito bem esse ponto. Penso que ela deve ter pelo menos um fundo de verdade. Por volta do ano 1576, os soldados do Senhor Okudaira, um dos parentes próximos do Shogun Tokugawa, estavam sitiados em seu castelo. Dentre os homens havia um guerreiro de posição muito humilde chamado Torisunaemon. Todos os homens estavam no Castelo de Nagashino, sitiados pelos guerreiros da família Takada. O comandante da guarnição do castelo queria enviar um mensageiro ao Shogun Tokugawa para informá-lo da situação e pedir ajuda.

Quando o comandante perguntou quem se dispunha a ir, muitos homens qualificados apresentaram-se, mas um deles em específico, Torisunaemon, era famoso por ser bom nadador, e por isso foi escolhido para fugir do castelo e tentar chegar ao Shogun Tokugawa Ieyasu para pedir ajuda. Os alimentos estavam tão escassos dentro do castelo que os sitiados estavam tendo de comer casca de pinheiros para sobreviver. O comandante pedia que o socorro chegasse em três dias. Depois disso, eles se matariam para não morrer de fome.

Torisunaemon conseguiu escapar do sítio e chegar a Tokugawa, que concordou em mandar uma força de alívio em três dias. No caminho de volta, porém, o mensageiro foi capturado pelos soldados de Takada. O comandante dos homens de Takada pensou que, como Torisunaemon não era nobre, mas de classe baixa, poderia ser manipulado. Disse a Torisunaemon: ‘Se você for amanhã de manhã à frente do castelo e disser ao exército que o socorro não virá e que, portanto, eles devem se render agora, farei de você um oficial no meu exército.’

Aula de Kenjutsu. Jutsu (técnica) Ken (espada).

Torisunaemon começou a pensar com seus botões: ‘Se eu for promovido a essa patente, minha mãe ficará muito contente. Seria muito bom que ela visse que eu dei certo na vida.’ Assim, concordou com a proposta do general inimigo.

No dia seguinte, foi amarrado como se fosse um prisioneiro e levado à frente do castelo. Chamou as pessoas lá de dentro: Tenho algo a dizer; vocês todos, escutem com atenção.’ Quando o povo do castelo viu quem era, agrupou-se nas muralhas para ouvir o que ele tinha a dizer. Lá estava ele, amarrado, com todas as pessoas que conhecia olhando-o de dentro do castelo, do outro lado do fosso.

Então pensou consigo mesmo: ‘Por mais que minha mãe ficasse feliz se me visse oficial de um exército, um homem bem-sucedido na vida, ela ficaria muito mais feliz se eu fosse leal e ajudasse as pessoas do castelo a sobreviver a esta batalha, mesmo que eu venha a morrer por isso.’ Por isso, a essa altura, decidiu o que ia dizer e gritou bem alto: ‘Ouçam todos com atenção!’ Então disse: ‘Não desistam; o socorro está chegando, agüentem firme por mais três dias!’ Nesse instante, os soldados de Takada crivaram-no de lanças e o mataram.

É esse o verdadeiro sentido do auto-sacrifício, a verdadeira flor do bushidô.

Yin e Yang

Posted in Arte - Filosofia with tags , , , , , , , on 13 d e julho d e 2010 by aidobonsai

O Estudo do Yin e do Yang:

Yin Yang é, na filosofia chinesa, uma representação do príncipio da dualidade de positivo e negativo, o conceito tem sua origem no Tao (ou Dao), base da filosofia e metafísica da cultura Chinesa. O mundo do guerreiro japonês não era povoado somente por muitos elementos secretos e metafísicos. Ele era obrigado a cuidar de muitos assuntos práticos, mas, para tanto, recorria a meios totalmente diferentes dos que seriam empregados, por exemplo, por um europeu.

Segundo este princípio, duas forças complementares compõem tudo que existe, e do equilíbrio dinâmico entre elas surge todo movimento e mutação. Essas forças são:

Yang: o princípio activo, diurno, luminoso, quente, masculino.

Yin: o princípio passivo, noturno, escuro, frio, feminino

Também é identificado como o tigre e o dragão representando os opostos.

Essas qualidades acima atribuídas a cada uma das dualidade são, não definições, mas analogias que exemplificam a expressão de cada um deles no mundo fenoménico. Os princípios em si mesmos estão implícitos em toda e qualquer manifestação.

Os samurais não estudavam somente os ensinamentos das escolas do Budismo esotérico, mas também estudavam música, a doutrina de Confúcio e muitos outros ramos do conhecimento, como, por exemplo, a teoria do equilíbrio do yin e do yang. Na cosmologia chinesa, esses são os dois pólos fundamentais do universo, respectivamente o princípio negativo e o princípio positivo. Os japoneses chamam-nos de in e yo.

Todos esses estudos desempenhavam um papel na vida do guerreiro. A teoria do yin e do yang era usada, por exemplo, quando ele queria construir uma casa ou, se fosse rico e poderoso, fundar um castelo. Numa ocasião dessas, ele estudaria o equilíbrio entre o yin e o yang para determinar a melhor localização e orientação para o edifício. Sabia que, por mais esforço que empenhasse na fortificação, isso de nada valeria se os arredores não fossem condizentes com o seu objetivo.

O Yin e Yang na estratégia de uma fortificação:

Quanto a isto, as antigas artes da estratégia incluem ensinamentos acerca da importância das direções. Para o norte, por exemplo, é muito importante ter terras altas, ao passo que é uma grande desvantagem ter montanhas elevadas ao sul do edifício. As montanhas elevadas, quando posicionadas ao norte, garantem a proteção do deus chamado Serpente-Tartaruga. A leste, é importante garantir que haja água corrente, como um rio ou ribeiro. Diz-se que assim fica assegurada a proteção desse lado do edifício, pelo poder do Deus Dragão Azul. Ao sul, é vantajoso ter um espaço aberto, campos ou planícies, para obter-se a proteção do deus Pássaro Vermelho. Por fim, a oeste, é melhor ter uma grande estrada, que lhe garante a proteção do Deus Tigre Branco. Diz-se que um local como esse é protegido pelas quatro divindades: ao norte, a Serpente-Tartaruga; a leste, o Dragão Azul; ao sul, o Pássaro Vermelho; e a oeste, o Tigre Branco. Tudo isso faz parte de um sistema de estudos dos efeitos das forças positivas e negativas, sistema esse que as pessoas seguiam sem se desviar. Na moderna cidade de Tóquio, por exemplo, que antigamente era chamada Edo, o castelo de Edo, construído no século XVI pelos shoguns Tokugawa, foi feito exatamente de acordo com essas instruções.

Atualmente, o castelo faz parte do Palácio Imperial. Segundo os ditames do yin e do yang, uma casa construída de acordo com essas instruções tem grandes vantagens.  É interessante perceber que o Japão, o qual é um país situado basicamente num eixo leste-oeste, com uma cadeia de montanhas no centro, tem a maioria da população vivendo ao sul dessa cadeia de montanhas, no lado voltado para o sol, com os fundos de suas casas voltados para as montanhas, que barram os ventos frios da Sibéria. A meu ver, os ditames do yin e do yang resultam de tendências naturais que levam as pessoas a viver dessa maneira. Seguindo essas regras, elas podem viver confortavelmente de acordo com a natureza.
Há pouco tempo, alguns arqueólogos desenterraram espadas do Período dos Túmulos da pré-história do Japão, de 300 a 400 d.e. Algumas delas são espadas retas com incrustações de ouro e prata num lado ou nos dois. Os desenhos das incrustações são os usados para representar as diversas direções da rosa dos ventos. Outras espadas trazem os desenhos dos símbolos do sol e da lua, que também representam as forças yin e yang, negativa e positiva.”


Os Cinco Elementos no Pensamento Japonês Antigo

Seguindo a tradição chinesa, os guerreiros do Japão ocupavam-se não só da interação entre os dois pólos fundamentais do universo como também dos cinco elementos que se combinam de infinitas maneiras para criar tudo o que existe no mundo. Otake Sensei falou um pouco mais sobre esse aspecto da visão de mundo do guerreiro:

Os nomes dos dias da semana correspondem aos princípios do yin e do yang. O primeiro dia da semana é o dia do sol; o segundo, o dia da lua; e os outro cinco dias recebem os nomes dos cinco elementos físicos, determinados pelo estudo dos princípios positivo e negativo, estudo esse que foi feito na Ásia, nos tempos antigos. Os nomes dos dias são os nomes dos cinco elementos: fogo, água, madeira, metal e terra. Segundo os princípios do yin e do yang, esses cinco elementos podem dispor-se de duas maneiras. A primeira é uma ordem na qual geram um ao outro, uma ordem harmônica; a segunda é uma ordem na qual os elementos se dispôem de acordo com suas rivalidades. Nesta segunda ordem, os diversos elementos inevitavelmente destroem uns aos outros.
No relacionamento harmonioso entre os cinco elementos, a madeira produz fogo, que por sua vez transforma a madeira em cinza, ou seja, produz terra. A terra gera o metal; o metal gera a água e a água gera a madeira.


A segunda ordem, baseada no conceito da rivalidade dos elementos, começa com a madeira. Esta quebra a terra; a terra absorve ou impõe limites à água; a água apaga o fogo; o fogo derrete o metal e o metal corta a madeira. O estudo das forças positiva e negativa no universo; o estudo do Budismo dos encantamentos e magias, chamado mikkyo; o estudo dos cinco elementos; e o estudos das fórmulas mágicas – todos esses estudos foram reunidos e desempenhavam um papel na formação dos homens de guerra e generais militares do passado. Esses estudos constituíam a base do currículo deles.
O verdadeiro conteúdo do que tradicionalmente se chama de ‘artes marciais’ não são simplesmente as técnicas de matar. Há muito mais coisas envolvidas. O fundador da Shinto Ryu, Choisai Sensei, propôs estudos que conduzissem ao desenvolvimento da harmonia e de uma coexistência essencialmente pacífica entre o homem e a natureza e entre o homem e seus semelhantes. É nisso que ele pensava quando disse que as artes marciais devem ser as artes da paz. Os melhores guerreiros e generais do passado conheciam, além da arte de matar outros seres humanos, uma larga variedade de outras artes. Sem o seu conteúdo filosófico, as artes marciais não seriam nada além da aquisição de uma força bruta semelhante à dos animais.”

O diagrama do Taiji simboliza o equilíbrio das forças da natureza, da mente e do físico. (Preto) e (branco) integrados num movimento contínuo de geração mútua representam a interação destas forças.

A realidade observada é fluida e em constante mutação, na perspectiva da filosofia chinesa tradicional. Portanto, tudo que existe contém tanto o princípio Yin quanto o Yang. O símbolo Taiji expressa esse conceito: o Yin dá origem ao Yang e o Yang dá origem ao Yin.

Desde os primeiros tempos, os dois pólos arquetípicos da natureza foram representados não apenas pelo claro e pelo escuro, mas, igualmente pelo masculino e pelo feminino, pelo inflexível e pelo dócil, pelo acima e pelo abaixo.

O Yang,o poder criador era associado ao céu e ao Sol, enquanto o Yin corresponde à terra, ao receptivo, feminino e à Lua. O céu está acima e esta cheio de movimento. A terra – na antiga concepção geocêntrica – está em baixo e em repouso. Dessa forma, yin passou a simbolizar o repouso e yang, o movimento. No reino do pensamento, yin é a mente intuitiva, feminina e complexa, ao passo que yang é o intelecto masculino,racional e claro. Yin é a tranqüilidade contemplativa do sábio, yang a vigorosa ação criativa do rei.

O Hotu representa a geração do Tai Chi a partir do vazio

O Hotu representa a geração do Tai Chi a partir do vazio.

Esse diagrama apresenta uma disposição simetrica do yin sombrio e do yang claro . A simetria, contudo não é estática. É uma simetria rotacional que sugere,de forma eloquente, um continuo movimento cíclico. Os dois pontos do diagrama simbolizam a idéia de que toda vez que cada uma das forças atinge seu ponto extremo, manifesta dentro de si a semente de seu oposto


Yin Yang e a arte da espada.

Musashi Miyamoto

O mais famoso espadachim do Japão medieval foi Musashi Miyamoto. Foi ele um homem extremamente culto, poeta, artista e escritor. Seu Gorin no sho, ou Livro dos Cinco Anéis, é um clássico da literatura japonesa, mas a reputação de Musashi advém sobretudo de ele ter matado centenas de adversários em duelos.


Miyamoto, era muito forte, a ponto de ser freqüentemente considerado um kensei ou ‘santo da espada’ aqui no Japão. Entretanto, esse homem não se casou, não teve filhos, não teve descendente nenhum, e só teve três discípulos que estudaram a sua arte. Praticava um método de treinamento associado a um grau incomum de austeridade, algo que o homem médio não tem a menor esperança de conseguir realizar.
Ele não dormia nunca em leitos macios, por exemplo; não tomava banho nem penteava o cabelo. Não há dúvida de que esse tipo de treinamento é algo extraordinário, mas fico a me perguntar se ele acaso não sacrificou a própria humanidade para realizar-se na arte do espadachim.


Até mesmo a humilde erva ao redor do dojô gasta muita energia para tentar crescer, tentar gerar o caule e as folhas e, depois, tentar produzir uma semente. Desenvolveu meios de encorajar os passarinhos a comer suas sementes e transportá-las para outros lugares. Até a erva do campo tenta deixar descendentes. Em virtude desse esforço, muito embora ela possa morrer nessa tentativa, na primavera seguinte seus descendentes enchem de flores o campo onde ela se encontrava.
Parece-me que há aí uma lição para a humanidade. O ser humano que tem um objetivo tão fixo que não o deixa sentir o forte desejo de ver florescer os seus descendentes é uma pessoa sem coração, cujo valor enquanto ser humano é muito baixo.
Ao contrário de Miyamoto, Choisai Sensei viveu até os 102 anos de idade sem sofrer nenhum infortúnio sério numa era marcada pela luta e pela guerra. A família de Choisai Sensei continua até hoje, numa linha ininterrupta de vinte gerações. O atual Mestre da Ryu é um descendente direto de Choisai Sensei. Em virtude de suas excelentes qualidades humanas, sua família vem se perpetuando há vinte gerações.
É notável que qualquer família possa traçar uma linhagem de vinte gerações. Quando consideramos que essa família esteve ensinando uma arte marcial no decorrer de todas essas vinte gerações; e que ela viveu, entre outros, pelo períodohistórico Segoku (a Era dos Estados Litigantes que começou em 1470 e durou cem anos, e foi o século mais confuso e belicoso da história do Japão), esse feito torna-se ainda mais notável.
Não consigo deixar de me impressionar pelo esforço despendido pelas sucessivas gerações de mestres para preservar, transmitir e desenvolver as tradições da Katori Shinto Ryu e da família lizasa. O fato de que as técnicas, os métodos de treinamento e os ensinamentos espirituais da Katori Shinto Ryu foram preservados intactos é o resultado direto da natureza preciosa dos ensinamentos contidos nessa tradição.”
o Papel do Zen
Muitos mestres afirmam que a pessoa que quer tornar-se especialista em artes marciais tem de sentar-se e praticar também a meditação zen.


Bushido

Posted in Arte - Filosofia, Arte Marcial - Bushido with tags , , , , , , , on 4 d e junho d e 2010 by aidobonsai

O caminho do Guerreiro

Na época em que a Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu foi fundada, as artes marciais no Japão eram todas chamadas por um único nome: bujutsu. Bu é a raiz que significa “marcial”, e jutsu significa “habilidade” ou “arte”. Embora o termo nem sempre seja usado de maneira correta no Japão atual, no sentido estrito ele se refere somente àquelas escolas que só ensinam habilidades de combate, como, por exemplo, a Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu.

Muitos séculos depois da fundação dessa escola, as influências do Budismo Zen afetaram as artes marciais japonesas; e, quando o Período de Edo (1603- 1867) – uma longa era de paz – seguiu-se à época dos generais litigantes, um novo conceito entrou nessas artes. Foi nessa época que a idéia de budô veio à existência. Budô significa “via marcial” ou “caminho marcial”. Dô é derivado da palavra chinesa tao e significa um caminho através da vida.

Katana do maior armeiro da história do Japão. Massamune. Katana de aço forjado e dobrado a mão. Seu Hamon, indica mais de 300.000 camadas de dobras.

A palavra budô era e ainda é usada para designar os sistemas marciais com ou sem o uso de armas nos quais alguns dos aspectos funcionais das artes de combate foram transformados, geralmente por razões estéticas.

Antigo suporte de Katana


Não obstante, conceitualmente, budô é mais do que isso. Ao adotar para si uma “via marcial” nessa época de paz, o guerreiro japonês comprometia-se antes de mais nada a seguir um caminho de desenvolvimento espiritual por meio do treinamento marcial. A eficácia prática desse treinamento de combate passou a ser secundária. Assim, a arte de combate pela espada, o ken-jutsu, tornouse o kendô, a via da espada; o naguinata-jutsu, a arte da alabarda, tornou-se o naguinata-dô, a via da alabarda; e assim por diante. Nas escolas de combate (-jutsu), mais antigas, a função predominava sobre a forma; mas nas escolas dô, mais refinadas, a forma e o estilo às vezes sobrepujam a eficiência marcial.

Menuki, detalhe do punho da Katana (Tsuka)

O caminho dos Deuses

Entretanto, o bushidô ou “caminho do guerreiro” trata antes de mais nada das atitudes e objetivos mentais do guerreiro feudal. Na opinião de Otake Sensei, o bushidô ou código de ética do samurai foi grosseiramente distorcido e assumiu um sentido totalmente diferente do original. Essa distorção ocorreu principalmente na época moderna e foi usadapara justificar sentimentos e atividades nacionalistas e militaristas. O Sensei explica:
“Especialmente em nossa época, quando as pessoas falam sobre a palavra bushidô, lembram-se do recente suicídio de Mishima Yukio (um romancista cujos livros foram publicados no Ocidente) e pensam naquele tipo de bushidô exposto no livro Hagakure, escrito pelo sacerdote Yamamoto Joche. Além de ser sacerdote, ele escreveu seu livro durante o Período Genroku (1688-1704), que foi uma época de paz no Japão. Infelizmente, ele cometeu alguns erros em diversas passagens do livro, ao passo que outros trechos estão escritos de tal modo que podem facilmente ser mal-interpretados.
Este detalhe da pintura de um biombo japonês mostra um general trajado de armadura tradicional atacando o ex’ército inimigo sobre o seu cavalo na batalha do Rio Uji, ocorrida em 1184.

O Xintoísmo é a religião mais antiga do Japão. Os caracteres shintô significam literalmente “o caminho dos deuses”.
“Ele afirma, para resumir, que seguir o bushidô é buscar a morte, mas o sentido de bushidô não se resume a morrer. Por causa dessa interpretação errônea, as pessoas de outros países acham que o bushidô é a mesma coisa que o harakiri ou seppuku, ou seja, o suicídio ritual.
“Na verdade, o sentido de bushidô é o de fazer alguma coisa boa para o mundo, deixar no mundo uma marca benéfica, e depois ser capaz de desapegar-se do corpo humano e aceitar a morte. Porém, é muito fácil entender erroneamente esse conceito. Ele não se resume a sair em busca da morte. Se você tentar realizar algo e por algum motivo não conseguir fazer o que queria, não será muito produtivo pensar: ‘F a-
. lhei, tenho de me matar.’ O bushidô não tem nada que ver com um modo de vida tão irresponsável quanto esse.
“Quando a pessoa tenta fazer algo e não consegue, há também no bushidô o conceito de continuàr a viver, mesmo que na desonra, se houver a possibilidade de corrigir o erro cometido ou remediar a situação. É esse o verdadeiro bushidô.
“É claro que esse conceito existe no Budismo: é o conceito budista de compaixão. Também no Budismo encontramos a premissa de que é bom ajudar os outros, fazer o bem ao mundo, mesmo que isso lhe cause problemas ou possa custar até mesmo a sua vida. Os dois conceitos são idênticos. A mesma coisa está presente no Cristianismo quando os cristãos falam da caridade.


Aqui no Japão, temos o Xintoísmo (Shintô). Trata-se de uma religião cujo nome, quando escrito com os caracteres chineses, significa ‘o caminho de Deus’ ou ‘o caminho dos deuses’. O caractere chinês que significa ‘via’, ‘estrada’ ou ‘caminho’ é escrito em duas partes. A parte à direita é o caractere chinês que significa pescoço ou cabeça; a parte à esquerda significa ‘correr’. O sentido global do caractere que significa ‘via’, ‘estrada’ ou ‘caminho’ é o de ‘tomar a cabeça nas mãos e correr para algum lugar’.
Acima desse caractere escrevemos o caractere que significa ‘deus’, e assim obtemos o escrito ‘via dos deuses’ ou ‘Shintô’. Se, acima do mesmo caractere, escrevermos os dois caracteres que significam bushi ou ‘guerreiro’, a palavra se torna bushidô. A nuance de significado da palavra, portanto, é a de que essa é uma via que exige responsabilidade; em outras palavras, é uma via na qual a sua cabeça, ou o seu pescoço, está em risco.

As diversas artes de cultivo pessoal são escritas com a palavra -dôo O sentido global, portanto, é o de que esse é o caminho correto a ser seguido pelos seres humanos.
Há uma história que, a meu ver, exemplifica muito bem esse ponto. Penso que ela deve ter pelo menos um fundo de verdade. Por volta do ano 1576, os soldados do Senhor Okudaira, um dos parentes próximos do Shogun Tokugawa, estavam sitiados em seu castelo. Dentre os homens havia um guerreiro de posição muito humilde chamado Torisunaemon. Todos os homens estavam no Castelo de Nagashino, sitiados pelos guerreiros da família Takada. O comandante da guarnição do castelo queria enviar um mensageiro ao Shogun Tokugawa para informá-lo da situação e pedir ajuda.
Quando o comandante perguntou quem se dispunha a ir, muitos homens qualificados apresentaram-se, mas um deles em específico, Torisunaemon, era famoso por ser bom nadador, e por isso foi escolhido para fugir do castelo e tentar chegar ao Shogun Tokugawa Ieyasu para pedir ajuda. Os alimentos estavam tão escassos dentro do castelo que os sitiados estavam tendo de comer casca de pinheiros para sobreviver. O comandante pedia que o socorro chegasse em três dias. Depois disso, eles se matariam para não morrer de fome.

Foto de samurai em miniatura (8cm) fotografado em Penjing, floresta miniatura. Aido Bonsai (Paulo Netto)


Torisunaemon conseguiu escapar do sítio e chegar a Tokugawa, que concordou em mandar uma força de alívio em três dias. No caminho de volta, porém, o mensageiro foi capturado pelos soldados de Takada. O comandante dos homens de Takada pensou que, como Torisunaemon não era nobre, mas de classe baixa, poderia ser manipulado. Disse a Torisunaemon: ‘Se você for amanhã de manhã à frente do castelo e disser ao exército que o socorro não virá e que, portanto, eles devem se render agora, farei de você um oficial no meu exército.’
Torisunaemon começou a pensar com seus botões: ‘Se eu for promovido a essa patente, minha mãe ficará muito contente. Seria muito bom que ela visse que eu dei certo na vida.’ Assim, concordou com a proposta do general inimigo.
No dia seguinte, foi amarrado como se fosse um prisioneiro e levado à frente do castelo. Chamou as pessoas lá de dentro: Tenho algo a dizer; vocês todos, escutem com atenção.’ Quando o povo do castelo viu quem era, agrupou-se nas muralhas para ouvir o que ele tinha a dizer. Lá estava ele, amarrado, com todas as pessoas que conhecia olhando-o de dentro do castelo, do outro lado do fosso.
Então pensou consigo mesmo: ‘Por mais que minha mãe ficasse feliz se me visse oficial de um exército, um homem bem-sucedido na vida, ela ficaria muito mais feliz se eu fosse leal e ajudasse as pessoas do castelo a sobreviver a esta batalha, mesmo que eu venha a morrer por isso.’ Por isso, a essa altura, decidiu o que ia dizer e gritou bem alto: ‘Ouçam todos com atenção!’ Então disse: ‘Não desistam; o socorro está chegando, agüentem firme por mais três dias!’ Nesse instante, os soldados de Takada crivaram-no de lanças e o mataram.

“É esse o verdadeiro sentido do auto-sacrifício, a verdadeira flor do bushidô.”

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Wabi Sabi “A beleza na imperfeição”

Posted in Arte - Filosofia, Arte - Oriental várias, Bonsai - Matérias especiais with tags , , , on 11 d e setembro d e 2009 by aidobonsai

A beleza na imperfeição. ” A beleza do tempo”

Wabi Sabi é uma expressão japonesa usada para definir a harmonia visual que existe na imperfeição. Olhar e tentar observar tudo com simplicidade, naturalidade, e atenção à realidade que está a nossa volta.

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Varrendo um grande jardim:

Em uma linda noite, um dos maiores mestres da cerimônia do chá no Japão, Takeno Joo, recebeu em seu mosteiro um jovem chamado Sen no Rikyu, que bateu à sua porta querendo aprender os complicados rituais da cerimônia.

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Mestre Takeono Joo

Takeno abrigou o rapaz e pediu que, no dia seguinte pela manhã bem cedo, antes das orações, ele varresse o jardim externo do mosteiro, que era todo circundado de Momijis e cerejeiras em flor.

Pela manhã Rikyu, começou feliz seu trabalho e, ao final de algumas horas, o jardim estava completamente limpo e sem folhas. Olhou mais uma vez e, antes de chamar o seu mestre, checou cada centímetro de areia e pedras para ver se estavam completamente limpas.

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Sen no Rikyu

Sen Rikyu se dirigiu para uma árvore central do jardim e sacudiu um de seus galhos e algumas flores caíram no areia e nas pedras do jardim. Ele retornou e falou para seu mestre que, agora sim, estava tudo em harmonia. O mestre Takeono sorriu e, daquele dia em diante, Sen Rikyu se tornou um dos seus melhores alunos do mosteiro e se tornaria, com o tempo, um dos maiores e mais revolucionários mestres da cerimônia do chá no Japão.

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A cultura Zen e Taoísta mostra que a ação do homem tem que ser leve e harmoniosa quando lida com a natureza e com o que está à sua volta. Não devemos interferir de maneira que se perca a essência da vida: nascimento, amadurecimento e morte são um ciclo e devem ser respeitados. Devemos enxergar e admirar aquilo que o tempo desgasta e toca com suas mãos.

Ter uma visão Wabi Sabi é ter um olhar melancólico, sabendo que á vida é feita de várias etapas passageiras, e o pensamento Budista retrata bem esse sentimento.

“Todas as coisas são impermanentes. Todas as coisas são imperfeitas. Todas as coisas são incompletas”.

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Wabi Sabi e o Bonsai

Podemos entender e aplicar esse conceito ao nosso trabalho na criação de Bonsai, principalmente observando a beleza das árvores que nos inspiram a fazer os estilos de madeira exposta e arrastada. As árvores à beira mar com seus galhos retorcidos e polidos pelo vento, que perdem seu ápice ou uma braça de tronco pela ação de um raio, perdem sua beleza? Não, ficam na minha opinião mais bonitas! Isso é Wabi Sabi.

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Às vezes perdemos por acidente um galho importante na estética de um estilo escolhido para um bonsai. Já aconteceu comigo de um tronco central rachar ao meio depois da queda de um grande e pesado galho com o vento sudoeste. Às vezes uma broca escondida abre um buraco interior no tronco, um galho seca pela aramação, aí uma nova direção estética tem que ser tomada, e uma mudança é forçada no estilo do trabalho, e essa nova direção pode trazer uma beleza diferente para nossos olhos.

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As características materiais de wabi-sabi são:

Sugestão de processo natural

Irregular

Antigo

Intimista

Despretencioso

Terreno

Simples

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Comentário sobre o conceito  “Wabi Sabi de Marcelo Duptat”, professor de pintura e cordenador do curso de belas artes da UFRJ e maravilhoso Bonsaísta:

O professor de desenho Nelson Macedo, tem uma metáfora simples e esclarecedora que se aplica a atitude que temos diante de todo o visível. Diz ele que quando olhamos um prédio moderno, de vidro e aço, vemos primeiro o todo. Sua forma é pregnante. Mas olhando uma ruína o olhar vagueia. Vai a cada pedacinho, identificando cada acidente. Logo reconhece a ação do tempo, verdadeira história impressa e gravada no corpo da construção.
O mesmo se aplica a uma quadro ou bonsai. São formas que muito podem expor sua história, sua idade, o quanto mudaram. Conseqüentemente reconhecemos uma existência, que é, uma vida.
Sua resistência ao tempo, como logo imaginamos, pode ser desastrosa ou ter alguma dignidade. Afinal há muitos modos de envelhecer, não é mesmo? O tempo pode ser um inimigo e carrasco, cedo ou tarde ele sempre o é. Mas, enquanto se está em harmonia com ele, o sublime gestor da vida e da maturidade. Pequena muda se transforma em frondosa árvore.
Digo isso porque a palavra “imperfeição”, no titulo “a beleza da imperfeição”, não parece perfeita. “A beleza do tempo”, para nós ocidentais, apesar de ficar estranho, seria mais apropriado.

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A equação Áurea de Fibonacci

Posted in Arte - Filosofia, Bonsai - Matérias especiais with tags , , , , , , on 6 d e setembro d e 2009 by aidobonsai

Uma viajem pela equação Áurea de Fibonacci.

A harmonia da solidão.

Ao olhar uma árvore isolada, em um ambiente em que o seu crescimento não tenha tido nenhuma interferência climática extrema, podemos observar a harmonia de seu movimento e a beleza da sua forma.

árvore isolada.

Os estilos de bonsai retratam todas as formas e estéticas  que as árvores apresentam ao se adaptar à natureza, clima, vento, altitude, temperatura e solo.Os estilos Hokidashi (vassoura), Chokan (ereto formal) e Moyogi (ereto informal) retratam bem essa harmonia.  A solidão de uma árvore num campo aberto traz uma beleza singular; suas formas são leves e simétricas, seu crescimento em todas as direções seguem regras fractais de forma, que podem ser observadas em toda natureza, em um coral, numa semente de girassol,  no movimento de uma onda, na formação geológica de cristais de rocha, na teia de aranha, nos flocos de neve, ou na rotação de uma gigantesca galáxia.

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A equação áurea de Leonardo Pisani

O crescimento de uma planta, assim como tudo na natureza, segue uma regra matemática, que foi primeiramente estudada por Leonardo de Pisa, conhecido como Fibonacci. Esta lei é conhecida como “Equação áurea” ou “Retângulo áureo”.

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Retângulo áureo de Fibonacci

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Estrutura do movimento em espiral do Nautilus.

Fibonacci

Leonardo Pisani também conhecido como Fibonacci.

Um dos maiores gênios do cinema, o diretor  Stanley Kubrick, imortalizou o retângulo áureo em seu filme “2001 uma Odisséia no espaço”, escolhendo como a forma que se manifesta nas etapas do conhecimento e evolução do homem. A famosa cena do aparecimento do monolito antes do momento em que os macacos usam o osso de um animal morto como ferramenta, e o osso sendo lançado ao céu se transformando em uma estação espacial, é uma das cenas mais poéticas do cinema.

Cena do filme 2001 uma Odisséia no Espaço.

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Cena do filme 2001 uma Odisséia no Espaço.

O olho humano pode não notar, mas o crescimento de uma planta segue esta regra, seguindo um padrão de crescimento em espiral, como a espiral formada por uma grande furacão ou por um feto dentro do corpo da mãe.

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Furacão observado por satélite.

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Estrutura do movimento espiral de crescimento.

Uma planta em particular, mostra os números da sucessão de Fibonacci nos seus “pontos de crescimento”. Quando a planta tem um novo rebento, leva dois meses a crescer até que as ramificações fiquem sufecientemente fortes. Se a planta ramifica todos os meses, depois disso, no ponto de ramificação, obtemos uma figura semelhante à de baixo:

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Crescimento vegetativo.

Os arranjos das folhas de algumas plantas em torno do caule são números de Fibonacci. Com este arranjo, todas as folhas conseguem apanhar os raios solares de igual forma. Quando chove, o escoamento da água torna-se também mais fácil.Na figura abaixo, podemos contar as folhas, seguindo-as pela ordem que aparecem, até encontrar uma folha exactamente na vertical da primeira.

Na planta do topo contamos três rotações no sentido dos ponteiros do relógio, antes de encontrarmos a folha na mesma direcção da primeira. Passamos por cinco folhas, até que isso aconteça. Se contarmos no sentido contrário aos ponteiros do relógio, precisamos de duas rotações. Os algarismos 2, 3 e 5 são como vimos, números da sucessão de Fibonacci. Podemos escrever então 3\5 de volta por folha.

Na outra planta, para encontrarmos a folha na mesma direcção da primeira tem de se fazer cinco rotações no sentido dos ponteiros do relógio . Passamos por oito folhas até que isso aconteça. Se contarmos no sentido contrário aos ponteiros do relógio, precisamos de três rotações. Os algarismos 3, 5 e 8 são como vimos, números da sucessão de Fibonacci. De igual modo podemos escrever 5\8 de volta por folha.

Podemos agora ver alguns exemplos de plantas em que isto acontece:

1\2 olmo, tília, limeira

1\3 faia, aveleira, amora silvestre

2\5 carvalho, cerejeira, macieira, azevinho, ameixieira, cardo-morto

3\8 choupo, álamo, roseira, pereira, salgueiro

5\13 amendoeira

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Espirais de crescimento vegetativo.

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Movimento em espiral de uma galáxia.

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Via Lactea

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Uma gigantesca onda forma matematicamente com precisão os números de ouro.

Meu interesse pela equação áurea é mais antiga do que a paixão pelos bonsais; desde pequeno as conchas e caramujos jogados pelo mar de Itaipuaçu chamaram a minha atenção e comecei a colecioná-los aos 8 anos de idade, após ganhar um livro de classificação de espécies do meu amado bisavô e padrinho,  Herbert Alfred Lepper. Hoje tenho 18.000 espécies diferentes de todo mundo e mais de 45.000 conchas e caramujos.

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Nautilus, esse Cephalopode é capaz de descer há 1000 metros de profundidade, mesmo possuíndo menos de 2 milímetros de espessura nas paredes externas de sua concha. Ele foi a base para o estudo e desenvolvimento do sistema de lastro nos submarinos. Através de câmaras ocas em seu interior, que se enchem de água através do bombeamento que é feito pelo seu corpo. Julio Verne deu o nome de Nautilus ao submarino de 20.000 léguas submarinas em sua homenagem. Um dos maiores submarinos nucleares americanos também recebeu seu nome.

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