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Bonsai e Arte Marcial por Ricardo Andrade

Posted in Bonsai - Bonsaistas do Brasil, Bonsai - Entrevistas no Brasil with tags , , , on 9 d e maio d e 2020 by aidobonsai

Quando penso em dedicação e paixão a tudo que faz, tenho como um norte magnético o meu amigo Ricardo Andrade, mestre em taekondo e bonsaísta dedicado. Aqui na sua entrevista um pouco da sua visão destes dois mundos.

1 – Ricardo Andrade quando você se interessou e começou a se dedicar a arte do bonsai?

Sempre admirei a arte do bonsai, mas também sempre imaginei que seria algo inatingível pra mim – técnica e financeiramente. Até que, buscando cursos sobre cultivo de plantas em geral e paisagismo, participei de um curso de orquídeas e assisti a uma palestra do mestre Cláudio Ratto sobre bonsai. Ele discorreu de maneira clara e didática, e me fez ver que seria possível ingressar nesse mundo maravilhoso das pequenas árvores.

2 – Quais espécies você mais gosta de trabalhar?

Como todo iniciante, adquiri várias espécies, de vários estágios – de semente à planta adulta. Mas os ensinamentos e a prática, me fizeram chegar à conclusão de que eu teria que cultivar espécies que eu gostasse, mas que fossem apropriadas ao meu micro clima. A partir daí direcionei minha energia e zelo às jaboticabeiras, bougainvilleas, calliandras, figueiras, dentre outras nativas da minha região.

3 – Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mas as circunstancias de clima e adaptação não permitem?

Certamente cerejeira, macieira, oliveira dentre outras que necessitam de um inverno mais rigoroso e constante que o de Niterói.

Bonsais da NBA (Nipon Bonsai Associantion)

4 – Dos seus trabalhos qual você destaca com carinho especial. Me fale um pouco sobre ele.

Tenho alguns, mas destaco uma jaboticabeira, que adquiri em 2012 com 2m de altura, no Sítio Carvalho, vendida para cultivo em vaso grande. Passado um ano, identifiquei um potencial para ser conduzida como bonsai, e perguntei a meu mestre Cláudio Ratto. Ele confirmou minha percepção e apliquei a técnica de poda drástica do grande e saudoso bonsaísta John Naka. Atualmente, 7 anos depois, tornou-se um belo shohin, aguardando flores e frutos chegarem.

OBS: Veja o passo a passo deste trabalho no fim da entrevista.

5 – Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

Faço parte da Escola de Bonsai Niterói, conduzida pelo Mestre Cláudio Ratto, que transmite seu conhecimento a partir dos estilos e técnicas do bonsai japonês. Mas ficamos à vontade para estudar e aplicar outras propostas e estilos, de acordo com a planta e gosto pessoal.

6- Você gosta mais de um estilo de bonsai em particular? Qual?

Hokidashi, Bujin e Kengai

7 – O que a arte do Bonsai agregou na sua vida?

A arte do bonsai chegou em minha vida num momento difícil. Meu pai estava internado e mal de saúde. Era como se fosse uma válvula de escape. Comecei em abril de 2012 a frequentar as aulas do mestre Cláudio Ratto, e diversas foram as vezes que 

eu ia direto do hospital, onde passava a noite com meu pai, direto pra casa dele, ajudar em alguma tarefa relacionada ao cultivo do bonsai.Meu pai faleceu em agosto daquele ano. O lidar com o bonsai agregou muito em meu perfil e conduta, aliado à minha formação em arte marcial desde 1979. E nesse período de confinamento, cuidar dessas pequenas árvores – podando, desfolhando, adubando e observando, definitivamente minimiza e muito o estresse gerado pelo isolamento social.

8- Como um mestre e fundador de uma tradicional escola de Taekwondo (Highway One), e que tem muitos alunos de idades diferentes, me diga como a arte do bonsai influencia, e se pode ajudar na arte marcial?

Influencia e muito. Diversas são as situações que durante as aulas, faço comparações e metáforas, envolvendo o treinamento do praticante com o treinamento dos bonsais. E dessa forma procuro transmitir as boas e valiosas características do cultivo do bonsai, com a formação de um genuíno praticante de arte marcial.

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9- Existe filosofia, diretrizes que sejam comuns nas artes marciais e no cultivo do Bonsai?

Sim, com certeza. Respeito, disciplina, ética, paciência e treinamento de repetição para buscar a excelência.

Foto da faixa preta Livia Lessa filha do mestre Ricardo Andrade.

10- O que é mais difícil conseguir a faixa preta no Taekwondo ou na Arte do Bonsai ?

Costumo dizer que a faixa preta significa o início de um longo caminho, onde se dará realmente o aprendizado do praticante, que durante os anos de treino nas faixas coloridas, se preparou para chegar até esse início. Na arte do bonsai

, acredito que seja mais difícil. Na arte marcial você aprende e treina para controlar o seu próprio corpo. Dependerá apenas de você o quê e como acontecerão a execução dos golpes de ataque e defesa. No bonsai, você tem que aprender como utilizar as técnicas, mas que terão que ser aplicadas de acordo com as mudanças e alterações daquele ser vivo – a planta, a partir das intempéries climáticas, as ações de animais e as ocorrência de pragas. Ou seja, não depende só do bonsaísta. Por exemplo, depois de conquistar a faixa preta, levei 13 anos para me graduar como mestre no taekwondo, enquanto que estou há 8 anos aprendendo a arte do bonsai. Fazendo uma comparação, imagino que eu seja um 3º gub (a 6ª graduação das 8 existentes nas faixas coloridas), ainda faltando muito para alcançar a “faixa-preta de bonsai”.

11 – Você acha que um Bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística?

Penso que, ao se escolher uma prática, seja profissional, técnica ou corporal, há que haver muita dedicação e aprendizado. É fato que no Brasil, a grande maioria dos bonsaístas segue a escola japonesa, assim como a Escola de Bonsai Niterói. Mas a partir do domínio do conhecimento, pode-se vislumbrar outras vertentes e estilos. Particularmente hoje, prefiro um estilo mais livre e artístico, buscando a estrutura natural que observamos na natureza.

12 – Que bonsaista (um ou mais) chama a sua atenção, hoje no cenário mundial?

Infelizmente não acompanho plenamente o bonsai pelo mundo. Mas posso destacar alguns que já visitei e/ou presenciei atuando – Kobaiashi, Kimura, Nacho Marin e Robert Stevens.

Acima no centro um dos maiores mestres Masahiko Kimura, que revolucionou no Japão a forma de criar bonsais principalmente os de madeira morta: Sabamiki e Sharamiki. Kimura as vezes conduz as raízes de suas plantas com ráfia até o lado oposto do projeto, criando verdadeiras esculturas.

Seja nos estilos de madeira morta ou tradicionais, podemos também ver a criatividade do mestre Kimura em suas paisagens, esse trabalho quando apresentado na Kokofu Bonsai em  1995, se tornou uma referência para bonsaistas de todo mundo.

13 – Hoje é mais fácil começar a se dedicar a criação de bonsais? Quais eram as maiores dificuldades no inicio?

Minha maior dificuldade foi a falta de informação e divulgação da arte, que aqui no Rio de Janeiro era bem restrita. Hoje em dia, principalmente com o advento da internet, podemos acessar inúmeras informações. Mas à reboque, também constatamos muita desinformação – como em todas as áreas, gerando uma deturpação das técnicas a serem aplicadas. Sem falar no grande número de comerciantes, que oferecem mudas, como bonsais antigos.

14 – Qual a sua percepção hoje da arte bonsai no Brasil? Você acha que teve um crescimento? Há maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

Vejo que existem muitos grupos em todas as regiões, fomentando e divulgando a arte do bonsai no país em diversos segmentos. Quanto a nossa projeção internacional, não saberia dizer. Mas certamente temos excelentes bonsaístas brasileiros que teriam muito a contribuir e agregar, principalmente no que tange às plantas nativas brasileiras.

15 – Que conselhos você poderia dar para quem está começando a se dedicar a arte do Bonsai?

Basicamente buscar um professor que norteie seu trabalho com ética, preocupado em transmitir conhecimento sem colocar o viés comercial acima da transmissão do conhecimento. Dessa forma, evitará perder tempo, dinheiro e plantas.

16 – Quais atributos o bonsaista deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos?

Acima de tudo a busca pelo conhecimento, através de livros, das mídias e principalmente da interação com outros bonsaístas.

Abaixo Ricardo Andrade visitando o viveiro do mestre Kobahashi, que possui em sua casa uma das maiores coleções de bonsais antigos de todo mundo.

17 – Quais os benefícios físicos e mentais que podemos encontrar se dedicando a arte do Bonsai?

O benefício mental é notório, a partir da paciência a ser adquirida e da tranquilidade gerada na interação com a planta, seu entorno e assuntos afins. Agora o benefício físico se dará a partir da consciência de cada um, pois terá que lidar com várias dinâmicas e tarefas inerentes à prática do bonsai, que irão demandar o mínimo de condição física, como peneirar, misturar substrato, manusear tesouras e alicates, carregar plantas e vasos etc

18 – Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte?

Entre o enraizar e o florescer, há que se respeitar o tempo.

O tempo se materializa e se perpetua pelas nossas sementes, que se tornam árvores com raízes fortes. Bonsais criados com raízes fortes podem passar por todas as dificuldades que nunca vão cair ou morrer, vão sempre se regenerar. Assim também são os filhos de homens com honra, objetivos e caráter. O meu muito obrigado ao amigo e irmão Ricardo Andrade pela entrevista, e por tudo que aprendo com você todos os dias.   OSSSS

                                                                                  Paulo Netto Neto

PASSO A PASSO DE UM PITHECOLOBIUM THORTUM:

PASSO A PASSO DE UMA JABITICABA POR RICARDO ANDRADE:

Bushido

Posted in Arte - Filosofia, Arte Marcial - Bushido with tags , , , , , , , on 4 d e junho d e 2010 by aidobonsai

O caminho do Guerreiro

Na época em que a Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu foi fundada, as artes marciais no Japão eram todas chamadas por um único nome: bujutsu. Bu é a raiz que significa “marcial”, e jutsu significa “habilidade” ou “arte”. Embora o termo nem sempre seja usado de maneira correta no Japão atual, no sentido estrito ele se refere somente àquelas escolas que só ensinam habilidades de combate, como, por exemplo, a Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu.

Muitos séculos depois da fundação dessa escola, as influências do Budismo Zen afetaram as artes marciais japonesas; e, quando o Período de Edo (1603- 1867) – uma longa era de paz – seguiu-se à época dos generais litigantes, um novo conceito entrou nessas artes. Foi nessa época que a idéia de budô veio à existência. Budô significa “via marcial” ou “caminho marcial”. Dô é derivado da palavra chinesa tao e significa um caminho através da vida.

Katana do maior armeiro da história do Japão. Massamune. Katana de aço forjado e dobrado a mão. Seu Hamon, indica mais de 300.000 camadas de dobras.

A palavra budô era e ainda é usada para designar os sistemas marciais com ou sem o uso de armas nos quais alguns dos aspectos funcionais das artes de combate foram transformados, geralmente por razões estéticas.

Antigo suporte de Katana


Não obstante, conceitualmente, budô é mais do que isso. Ao adotar para si uma “via marcial” nessa época de paz, o guerreiro japonês comprometia-se antes de mais nada a seguir um caminho de desenvolvimento espiritual por meio do treinamento marcial. A eficácia prática desse treinamento de combate passou a ser secundária. Assim, a arte de combate pela espada, o ken-jutsu, tornouse o kendô, a via da espada; o naguinata-jutsu, a arte da alabarda, tornou-se o naguinata-dô, a via da alabarda; e assim por diante. Nas escolas de combate (-jutsu), mais antigas, a função predominava sobre a forma; mas nas escolas dô, mais refinadas, a forma e o estilo às vezes sobrepujam a eficiência marcial.

Menuki, detalhe do punho da Katana (Tsuka)

O caminho dos Deuses

Entretanto, o bushidô ou “caminho do guerreiro” trata antes de mais nada das atitudes e objetivos mentais do guerreiro feudal. Na opinião de Otake Sensei, o bushidô ou código de ética do samurai foi grosseiramente distorcido e assumiu um sentido totalmente diferente do original. Essa distorção ocorreu principalmente na época moderna e foi usadapara justificar sentimentos e atividades nacionalistas e militaristas. O Sensei explica:
“Especialmente em nossa época, quando as pessoas falam sobre a palavra bushidô, lembram-se do recente suicídio de Mishima Yukio (um romancista cujos livros foram publicados no Ocidente) e pensam naquele tipo de bushidô exposto no livro Hagakure, escrito pelo sacerdote Yamamoto Joche. Além de ser sacerdote, ele escreveu seu livro durante o Período Genroku (1688-1704), que foi uma época de paz no Japão. Infelizmente, ele cometeu alguns erros em diversas passagens do livro, ao passo que outros trechos estão escritos de tal modo que podem facilmente ser mal-interpretados.
Este detalhe da pintura de um biombo japonês mostra um general trajado de armadura tradicional atacando o ex’ército inimigo sobre o seu cavalo na batalha do Rio Uji, ocorrida em 1184.

O Xintoísmo é a religião mais antiga do Japão. Os caracteres shintô significam literalmente “o caminho dos deuses”.
“Ele afirma, para resumir, que seguir o bushidô é buscar a morte, mas o sentido de bushidô não se resume a morrer. Por causa dessa interpretação errônea, as pessoas de outros países acham que o bushidô é a mesma coisa que o harakiri ou seppuku, ou seja, o suicídio ritual.
“Na verdade, o sentido de bushidô é o de fazer alguma coisa boa para o mundo, deixar no mundo uma marca benéfica, e depois ser capaz de desapegar-se do corpo humano e aceitar a morte. Porém, é muito fácil entender erroneamente esse conceito. Ele não se resume a sair em busca da morte. Se você tentar realizar algo e por algum motivo não conseguir fazer o que queria, não será muito produtivo pensar: ‘F a-
. lhei, tenho de me matar.’ O bushidô não tem nada que ver com um modo de vida tão irresponsável quanto esse.
“Quando a pessoa tenta fazer algo e não consegue, há também no bushidô o conceito de continuàr a viver, mesmo que na desonra, se houver a possibilidade de corrigir o erro cometido ou remediar a situação. É esse o verdadeiro bushidô.
“É claro que esse conceito existe no Budismo: é o conceito budista de compaixão. Também no Budismo encontramos a premissa de que é bom ajudar os outros, fazer o bem ao mundo, mesmo que isso lhe cause problemas ou possa custar até mesmo a sua vida. Os dois conceitos são idênticos. A mesma coisa está presente no Cristianismo quando os cristãos falam da caridade.


Aqui no Japão, temos o Xintoísmo (Shintô). Trata-se de uma religião cujo nome, quando escrito com os caracteres chineses, significa ‘o caminho de Deus’ ou ‘o caminho dos deuses’. O caractere chinês que significa ‘via’, ‘estrada’ ou ‘caminho’ é escrito em duas partes. A parte à direita é o caractere chinês que significa pescoço ou cabeça; a parte à esquerda significa ‘correr’. O sentido global do caractere que significa ‘via’, ‘estrada’ ou ‘caminho’ é o de ‘tomar a cabeça nas mãos e correr para algum lugar’.
Acima desse caractere escrevemos o caractere que significa ‘deus’, e assim obtemos o escrito ‘via dos deuses’ ou ‘Shintô’. Se, acima do mesmo caractere, escrevermos os dois caracteres que significam bushi ou ‘guerreiro’, a palavra se torna bushidô. A nuance de significado da palavra, portanto, é a de que essa é uma via que exige responsabilidade; em outras palavras, é uma via na qual a sua cabeça, ou o seu pescoço, está em risco.

As diversas artes de cultivo pessoal são escritas com a palavra -dôo O sentido global, portanto, é o de que esse é o caminho correto a ser seguido pelos seres humanos.
Há uma história que, a meu ver, exemplifica muito bem esse ponto. Penso que ela deve ter pelo menos um fundo de verdade. Por volta do ano 1576, os soldados do Senhor Okudaira, um dos parentes próximos do Shogun Tokugawa, estavam sitiados em seu castelo. Dentre os homens havia um guerreiro de posição muito humilde chamado Torisunaemon. Todos os homens estavam no Castelo de Nagashino, sitiados pelos guerreiros da família Takada. O comandante da guarnição do castelo queria enviar um mensageiro ao Shogun Tokugawa para informá-lo da situação e pedir ajuda.
Quando o comandante perguntou quem se dispunha a ir, muitos homens qualificados apresentaram-se, mas um deles em específico, Torisunaemon, era famoso por ser bom nadador, e por isso foi escolhido para fugir do castelo e tentar chegar ao Shogun Tokugawa Ieyasu para pedir ajuda. Os alimentos estavam tão escassos dentro do castelo que os sitiados estavam tendo de comer casca de pinheiros para sobreviver. O comandante pedia que o socorro chegasse em três dias. Depois disso, eles se matariam para não morrer de fome.

Foto de samurai em miniatura (8cm) fotografado em Penjing, floresta miniatura. Aido Bonsai (Paulo Netto)


Torisunaemon conseguiu escapar do sítio e chegar a Tokugawa, que concordou em mandar uma força de alívio em três dias. No caminho de volta, porém, o mensageiro foi capturado pelos soldados de Takada. O comandante dos homens de Takada pensou que, como Torisunaemon não era nobre, mas de classe baixa, poderia ser manipulado. Disse a Torisunaemon: ‘Se você for amanhã de manhã à frente do castelo e disser ao exército que o socorro não virá e que, portanto, eles devem se render agora, farei de você um oficial no meu exército.’
Torisunaemon começou a pensar com seus botões: ‘Se eu for promovido a essa patente, minha mãe ficará muito contente. Seria muito bom que ela visse que eu dei certo na vida.’ Assim, concordou com a proposta do general inimigo.
No dia seguinte, foi amarrado como se fosse um prisioneiro e levado à frente do castelo. Chamou as pessoas lá de dentro: Tenho algo a dizer; vocês todos, escutem com atenção.’ Quando o povo do castelo viu quem era, agrupou-se nas muralhas para ouvir o que ele tinha a dizer. Lá estava ele, amarrado, com todas as pessoas que conhecia olhando-o de dentro do castelo, do outro lado do fosso.
Então pensou consigo mesmo: ‘Por mais que minha mãe ficasse feliz se me visse oficial de um exército, um homem bem-sucedido na vida, ela ficaria muito mais feliz se eu fosse leal e ajudasse as pessoas do castelo a sobreviver a esta batalha, mesmo que eu venha a morrer por isso.’ Por isso, a essa altura, decidiu o que ia dizer e gritou bem alto: ‘Ouçam todos com atenção!’ Então disse: ‘Não desistam; o socorro está chegando, agüentem firme por mais três dias!’ Nesse instante, os soldados de Takada crivaram-no de lanças e o mataram.

“É esse o verdadeiro sentido do auto-sacrifício, a verdadeira flor do bushidô.”

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