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Adubação e substrato nos Bonsais e Penjings.

Posted in Bonsai - Substratos/Adubos with tags , , , , on 16 d e julho d e 2013 by aidobonsai

A busca do Santo Graal.

A importância da procura do substrato e da adubação perfeita.

Leia a matéria, com a música que é o som ambiente do meu espaço há 22 anos. “Cantos Naturais”

Todas as plantas de interior e bonsais, por serem cultivadas em vasos, necessitam de reposições periódicas de nutrientes e micronutrientes para que possam se desenvolver, florescer e frutificar, como se fossem plantadas diretamente no solo.

National Bonsai China e Nipon Bonsai Mames.

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No caso dos bonsais e penjings as adubações devem ser feitas com produtos especiais e de forma controlada, pois o tamanho dos vasos são pequenos e, nos penjings, são usados suibans (bandejas rasas).

Bonsai de Ulmus chinesis  plantado em suibam – Aido Bonsai.

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Devido à pouca quantidade de terra que os vasos contem, os nutrientes da terra são absorvidos com maior rapidez; já uma grande quantidade de adubo prejudica o desenvolvimento saudável do bonsai, podendo até causar a sua morte.

Os fertilizantes podem ser orgânicos ou químicos. No caso dos adubos orgânicos, você pode utilizar esterco de frango curtido, ou uma mistura de farinha de osso misturado com torta de mamona em partes iguais.

Existem hoje no mercado brasileiro várias opcões de adubos orgânicos e químicos de marcas nacionais e importadas. Aqui no blog você encontra vários links de lojas que comercializam esses produtos.

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Os adubos orgânicos, por serem mais naturais, permitem um nível de segurança maior com relação a possíveis excessos, pois estes são absorvidos gradativamente pelo solo e pela planta.  Ou adubo orgânico que é produzido em formato de pequenas pedrinhas. Você pode enterrar 1o delas em volta do vaso o mais próximo da superfície, longe do tronco. (vasos de até 2,5 litros).

Abaixo o Osmocote adubo químico de liberação controlada  e Bio Gold, um dos mais usados adubos orgânicos.

4217FE1Adubos químicos possuem formulações diferentes com relação as porcentagens de N P K, nitrogênio, fósforo e potássio, podendo serem apresentados nas formas sólida (granulado) e líquida. Você encontra essas indicações em destaque na embalagem.

Quando você utilizar adubos químicos é importante tomar muito cuidado e precauções, pois altas concentrações nas dosagens podem queimar as raízes das plantas, levando à sua morte.

Eu uso sempre de uma forma: diluo e uso a metade do que o fabricante manda na sua bula de instrução; preferencialmente trabalho com os adubos líquidos, que também são absorvidos por toda parte aérea da planta.

Não coloque adubo ou fertilizante quando os bonsais estiverem secos, e sim uma hora após as regas regulares. A melhor hora é bem cedo pela manhã ou no final da tarde, evitando o sol. As adubações devem ser quinzenais e somente na primavera e no outono.

Nas espécies frutíferas a adubação deverá ser suspensa no início da floração e retornada apenas quando o fruto estiver do tamanho de uma ervilha. Já para as espécies floríferas a adubação deverá ser suspensa durante toda a floração. Nunca se adubam plantas fracas, doentes, debilitadas ou recém transplantadas. Uma planta que é transpalntada só deve ser adubada após dois meses, para não correr nenhum risco de perda de galhos ou raízes.

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Bougainvillea com uma floração exuberante em exposição:  Taiwan 2013.

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Para completar o seu ciclo de vida, as plantas, como qualquer ser vivo necessitam de água e de vários elementos encontrados na natureza:

Macronutrientes: oxigênio, fósforo, nitrogênio, potássio, ferro, carbono, cálcio, magnésio e enxofre.

Micronutrientes:  zinco, manganês, boro, cloro, cobre, ferro e molibdênio.

As plantas, ao contrário dos animais, que só obtém seus nutrientes através dos alimentos ingeridos, têm mais de uma forma de absorver os elementos. O ar é um destes, sendo que dele as plantas extraem o carbono, o oxigênio e eventualmente o enxofre, sendo absorvidos através da respiração.

Bonsai clássico do Japão: Chinese quince – 160 anos – 68cm.

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O hidrogênio e o oxigênio chegam às plantas através da água, através da quebra de sua molécula. Mas o principal veículo de absorção é obviamente a terra, de onde são extraídos todos os demais nutrientes. Por isso a importância de um substrato bem equilibrado, é que vai permitir o desenvolvimento de um bonsai saudável, criando todas as características de uma árvore antiga, centenária. Imagine o cuidado com esses bonsais que coloquei aqui para ilustração do que é uma planta sadia. São bonsais clássicos do Japão com mais de 200 anos de idade.

Pinheiro negro 260 anos de idade.

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Todos os nutrientes são importantes para o crescimento de um bonsai, mas 3 deles se destacam, pois a planta precisa deles em maior quantidade, tanto que, quando se procuram adubos para a criação de bonsai e penjings, a sigla K P K (nitrogênio, fósforo e potássio) é muito falada e usada. Eles são apresentados em várias porcentagens, por exemplo: 10-10-10 / 04-14-08 / 0-25-25.

Pinheiro Branco – 500 anos Bonsai clássico do Japão.

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Após absorvidos, os nutrientes desenvolvem e participam de diferentes funções nas plantas:

Abaixo estão os nutrientes mais importantes para o cultivo de bonsais e plantas em vaso. Existem algumas espécies de plantas que utilizam outros elementos em seu metabolismo, como cobalto, níquel, silício e sódio.

Macronutrientes:

Nitrogenio – Tem ação na parte verde da planta, as folhas. É um dos principais componentes das proteínas vegetais, sem ele as plantas não podem realizar a fotossíntese nem a respiração. Atua no crescimento e nas brotações da planta. Sem nitrogênio, a planta não cresce normalmente, se torna pequena e com um menor número de folhas. Como perceber se está faltando:  presença de folhas amareladas é um bom indício de falta de nitrogênio.

Onde encontrar:  nos químicos: ureia, sulfato de amônia, salitre do chile e adubos compostos com grande percentual de N, como NPK 20.05.20. Nos orgânicos: esterco bovino e de aves, húmus de minhoca e farinha de peixe.

Fósforo –  Atuando principalmente na floração e na maturação e formação de frutos, no crescimento das raízes e na multiplicação das células, o fósforo é essencial às plantas e deve estar presente em uma forma inorgânica simples para que possa ser assimilado. Como perceber se está faltando: atraso no florescimento, flores quebradiças e pequeno número de frutos e de sementes.

Onde encontrar: nos químicos: superfosfatos, termofosfatos e adubos compostos com alto percentual de P, como NPK 04.14.08. Nos orgânicos: farinha de ossos e farinha de peixe.

Potássio –  Essencial para o crescimento e responsável pelo equilíbrio de água nas plantas. Atua no tamanho e na qualidade dos frutos e na resistência a doenças e falta de água. Como perceber se está faltando: crescimento lento, raízes pouco desenvolvidas, caules fracos e muito flexíveis e formação de sementes e frutos pouco desenvolvidos.

Onde encontrar: nos químicos: cloreto de potássio, sulfato de potássio e em adubos compostos com alto percentual de K, como NPK 20.05.20. Nos orgânicos: cinza de madeira e esterco bovino.

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Penjing  “As águas de Kioto”. Este é um trabalho que, como eu modelei a montanha em concreto celular e o espaço para o Pithecolobium torthum é de apenas 1 litro (25 cm X 10cm altura), eu tenho que fazer uma troca de substrato todo ano, pois as raízes crescem e tentam se embrenhar pelas fendas do concreto. Eu uso uma mistura 30% pedrisco, 25% caco de tijolo,  15% terra negra. 10% areia da restinga e 20% condicionador de solo.

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Micronutrientes:

Cálcio – Está relacionado à formação da membrana das células. Na frutificação é fundamental, pois este é um momento onde existe uma criação muito intensa de novas células. O fruto passa a apresentar manchas profundas e enegrecidas, as folhas mais novas apresentam as pontas murchas e curvadas. Nas raízes também aparecem sintomas de deficiência, pois este também é um local de grande multiplicação celular, então as raízes novas ficam sem estrutura, ou seja, moles, frágeis e gelatinosas.

Principal componente da parede celular, é importante para a formação de novas células, desenvolvimento de frutos, raízes e caules. Como perceber se está faltando: frutos deformados e manchados, pontas murchas e retorcidas nas folhas mais novas, raízes fracas e mal formadas.

Onde encontrar: nos químicos:Calcáreo dolomítico. Nos orgânicos: farinha de ossos, cinza de madeira.

Magnésio – A molécula de clorofila contém este nutriente e, na falta deste, passa da cor verde para laranja. Em deficiência a planta apresenta perda de coloração entre as nervuras das folhas. É um sintoma de fácil visualização, pois ocorre nas folhas mais velhas e suas nervuras permanecem verdes. Principal componente da molécula de clorofila, o magnésio é fundamental para a fotossíntese. Como perceber se está faltando: as folhas mais velhas ficam sem coloração, apesar das nervuras permanecerem verdes.

Onde encontrar: nos químicos: calcáreo dolomítico. Nos orgânicos: cinza de madeira e húmus de minhoca.

Enxofre – está relacionado fortemente à fotossíntese. Em deficiência a planta apresenta perda de cor nas folhas mais novas podendo tornarem-se roxas ou avermelhadas. As folhas ficam pequenas e apresentam suas margens enroladas e caem. O florescimento fica bastante reduzido na falta de enxofre. Participa ativamente da fotossíntese.

Como perceber se está faltando: as folhas não se desenvolvem bem e caem com facilidade, vão perdendo a cor verde e ficando com uma tonalidade avermelhada. Ocorre diminuição no volume de flores e na produção de frutos.

Onde encontrar: nos químicos: sulfato de amônia, superfosfato simples.    Nos orgânicos: esterco de frango e de boi.

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Ulmus chinesis plantado em uma poliqueta (vermitídio) jogado pelo mar de Itaipuaçu no ano de  1980. Eu tinha 15 anos quando peguei essa poliqueta. Ela foi escavada deixando um buraco de 26 cm X 10 cm de profundidade.  Este  trabalho tem o substrato trocado todo ano no início da  primavera. Substrato usado: 50% caco de tijolo, 25% terra negra e 25%ondicionador de solo.

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Micronutrientes secundários:

Ferro – constituinte de enzimas importantes para a clorofila. A deficiência aparece nas folhas mais novas que apresentam o que se chama de “clorose”, que é a perda da cor verde passando ao amarelo ou branco entre as nervuras, e depois toda a folha que pode se tornar esbranquiçada.

Zinco – está relacionado principalmente à fabricação de uma enzima chamada AIA, que é responsável pelo crescimento celular. Portanto, uma planta deficiente em zinco apresenta-se anã e suas folhas novas não se desenvolvem completamente, formando uma roseta nos ramos novos.

Boro – Sua função primordial é a de formação do fruto. Em frutíferas pode-se identificar sua deficiência através de frutos deformados. As folhas mais novas apresentam-se pequenas e deformadas, vindo a cair. As raízes ficam com as pontas grossas e com áreas escuras, podendo ocorrer a morte das mesmas.

Cloro – tem função nas reações de quebra da molécula de água. Não se conhece deficiência de cloro, pois sobre todos os solos do globo em algum momento houve água do mar, que é abundante em cloro.

Cobre – está relacionado à atividade fotossintética. A deficiência é evidenciada por enrolamento das pontas das folhas mais novas.

Manganês – está ligado diretamente à fabricação da clorofila. Na sua  falta, a planta apresenta a perda de cor nas folhas novas, em toda a área interior das folhas (nervuras).

Molibdênio – este elemento é exigido em baixíssimas quantidades e está ligado ao aproveitamento do nitrogênio pelas plantas. Uma planta em deficiência de molibdênio apresenta sintomas semelhantes aos de deficiência  de nitrogênio.

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Adubando um penjing em laje de pedra:

Penjing  “O camimho do templo”.  Este trabalho foi criado por mim em 1995.  e foi finalizando usando uma pedra São tomé como base. A adubação é feita todo ano com adubo ôrgânico na primavera. Eu enterro ao longo de toda floresta 70 pedrinhas de adubo produzido pelo meu amigo Claudio Ratto e é um adubo similar ao importado Bio Gold. Uso esse adubo nas minhas plantas há 5 anos e ele me traz resultados muito bons.

No outono eu coloco 20 cestos de adubo espetados no solo durante os 30 primeiros dias da estação.

De 3 em 3 anos eu levanto todo o conjunto e coloco uma camada de 1cm de substrato novo.  50% pedrisco de rio lavado, 25% terra preta e 25% de condicionador de solo.

Penjing criado com 15 Eugenias sprenguelli.  Aido Bonsai

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Detalhe do penjing   “O caminho do templo”

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É importante ressaltar que a adubação deve ser vista como um tratamento médico, onde o excesso pode trazer transtornos. Quando a adubação é demasiada, excessiva, além do gasto ser maior do que o desejado, as plantas podem apresentar queima nas raízes, folhas e frutos ou até mesmo morrer.

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Existem adubos químicos onde os micronutrientes estão presentes em pequenas proporções, juntamente com o NPK em suas formulações. Quando existe a falta de micronutrientes, na maior parte dos casos, é feito uma reposição através de adubação líquida foliar com pulverizações através de burrifadores.

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Os bonsais, como todas as plantas, absorvem os nutrientes também através das folhas, sendo que neste sistema de absorção a planta apresenta uma resposta muito mais rápida.

No cultivo de plantas ornamentais, hortas e viveiros de produção de mudas, também podem ser utilizados adubos orgânicos.

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Os adubos orgânicos são aqueles obtidos diretamente da natureza, sem nenhum tratamento químico. Eles podem ser de origem vegetal, animal ou até mesmo mineral. Os mais conhecidos e utilizados adubos orgânicos são: farinha de peixe, torta de mamona, farinha de ossos calcinada, ulmus de minhoca e esterco curtido de animais.

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Torta de mamona:

É o bagaço que sobra após a retirada industrial do óleo de mamona. Além de ser muito rica em nitrogênio (cerca de 5%) ainda possui ação nematicida (os nematoides são vermes que atacam as raízes das plantas).

Embora excelente para as plantas, ela é extremante venenosa para os animais de estimação. Além da ricina (veneno presente na mamona), há concentrações elevadas de metais pesados como o cádmio e o chumbo.

Farinha de ossos:

Resultante da moagem ou autoclavagem de ossos de boi, a farinha de ossos é rica em cálcio, fósforo e matéria orgânica. É muito indicada para utilização em plantas floríferas e no controle da acidez do solo.

Húmus de minhoca:

O húmus é resultado do processamento dos nutrientes presentes no esterco bovino que, depois de passar pelo organismo das minhocas, fica totalmente solubilizado, tornando mais fácil sua assimilação pelas plantas. Rico em matéria orgânica, além de fertilizar, o húmus recupera as características físicas, químicas e biológicas do solo natural, favorecendo, assim, o bom desenvolvimento das plantas.

Esterco:

Os mais utilizados são os de gado e de frango. O esterco de gado contém maior quantidade de fibras, o que evita a compactação do solo e ajuda a reter maior quantidade de água. O de frango, por sua vez, é mais concentrado, extremamente rico em nutrientes. Porém, a grande quantidade de alguns elementos aumenta o risco de tornar o solo mais ácido e salino.

As aves e os bovinos fornecem os tipos de esterco mais utilizados, mas deve-se deixá-los em caixas de repouso por algumas semanas para que eles possam fermentar, pois o esterco cru queima as raízes das plantas com sua acidez. Em todo período de fermentação o esterco pode ser enriquecido com restos vegetais. Este processo é chamado de compostagem e o esterco é considerado pronto para uso quando não está mais com cheiro forte.

Abaixo um equipamento (Envirocycle Composter)  criado para quem quer fazer compostagem, reciclando seu lixo orgânico em casa.

Para saber mais entre no link ao lado:   http://mundoorgnico.blogspot.com.br/2009/11/como-fazer-adubo-organico-e-compostagem.html

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Caliandra.  Aido Bonsai

Substrato usado:

10% kanauma  (de preferencia)

25% caco de tijolo triturado de 3 a 5 milímetros ou akadama

25%  terra negra

40% condicionador de solo

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A importância do Substrato para Bonsai e Penjing:

Eu considero o estudo da composição do substrato de bonsai um dos assuntos mais importantes no cultivo do bonsai. A escolha do substrato pelo cultivador é o fator determinante de saúde, crescimento e envelhecimento da árvore.

O substrato é todo o elemento que possa ser  utilizado como meio de crescimento para a planta que não esteja sendo cultivada diretamente no solo. Pode ser formado por um único elemento ou por uma mistura balanceada de materiais orgânicos, minerais ou sintéticos.

1- A qualidade do solo é determinante para o cultivo do bonsai e do penjing. O solo precisa ter todos os nutrientes suprir as necessidades em todas as estações do ano. Um substrato escolhido de forma errada vai fazer com que a planta não produza frutos e flores, ou que vá enfraquecendo e perdendo galhos até morrer. O substrato deve manter uma boa umidade para facilitar a absorção de todos os nutrientes.

2- Chamamos de aeração os espaços vazios no substrato por onde o ar pode circular livremente. O substrato tem que ser drenante, a água tem que entrar e sair do vaso passando por todas as raízes. A concentração de água parada pode e vai afogar as raízes. A perda das raízes vai levar à perda de galhos e, consequentemente, à perda da planta.

3- Boa sustentação, o substrato tem que permitir a fixação das raízes e do bonsai para que ele não fique desiquilibrado e oscilando com ventos e chuvas, pois isso enfraquece a planta e causa a perda de galhos e folhas.

4- Medir o Ph e manter o que a espécie necessita para seu crescimento. Eu tenho um medidor que, após enterrado no vaso, informa em 3 minutos o índice de Ph da terra.

5- A quantidade de pedrisco, caco de tijolo e areia no substrato faz com que o crescimento de raízes capilares responsáveis pela alimentação triplique no vaso. A granulação induz ao maior crescimento de raízes capilares.

6- A areação mantém a temperatura da terra mais baixa no verão.

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Nesse trabalho, que tem 7 anos, eu usei um vaso muito raso. Ele tem 1,5 cm de profundidade e apedra ocupa grande parte do vaso. É um trabalho em que eu troco o substrato 4 vezes por ano, pois o crescimento da raíz da xeflera é muito rápido. O substrato é muito drenante:  50% caco de tijolo, 15% pedrisco e 35% terra negra. Eu misturo na terra negra uma colher de chá de osmocote plus.

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Alternativas de elementos orgânicos e inorgânicos para produção de substrato:

Orgânicos: Condicionador de solo, terra, carvão vegetal, casca de pinus, turfa e esfagno.

Inorgânicos: areia, pedrisco, caco de tijolo, vermiculita, akadama e  kanuma.

Vermiculita

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Formação: Mineral formado por cristais finos chamados laminulas superpostas.

Propriedades: Grande absorção de água e nutrientes, muito utilizado na produção de mudas. Ótimo condicionador de solos ácidos e argilosos tornando-os mais soltos, porosos e arejados, propiciando, desta forma, um melhor desenvolvimento das raízes das plantas. Excelente para ser usado em alporquia, pois favorece desembaraço das novas raízes para que possamos colocá-las de forma radial.

Nutrientes: possui grande concentração de cálcio, potássio e magnésio.

Caco de tijolo moído

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Formação: Barro, argila, tabatinga com percentuais de terra e areia queimados a temperaturas que variam entre 800 e 900 graus.  Telhas são produzidas em alturas mais altas, por isso são muito mais compactas e duras.

Propriedades: Excelente retenção de umidade e areação, não produz compactação, ph neutro. Pode ser produzido em várias gramaturas.

Nutrientes: não possui nutrientes.

Carvão vegetal

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Formação: O carvão vegetal ativado, cujo nome botânico é Carbo activatus, é preparado a partir da queima controlada, com baixo teor de oxigênio, das partes lenhosas de angiospermas não resinosas.

Propriedade:  Tal substância é bastante porosa e possui grande capacidade de captar e reter, em seu interior, substâncias tóxicas, impurezas, micro-organismos e gases oriundos da decomposição fito-sanitária. Pode ser usado em até 15% da mistura moída na mesma granulometria dos outros componentes. O carvão ativado possui aproximadamente 10% de potássio, este nutriente é importante na manutenção estrutural da planta.

Nutrientes: potássio e carbono.

Dolomita

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Formação: É um mineral de carbonato de cálcio e magnésio CaMg(CO3)2 similar à calcita, muito abundante na natureza na forma de rochas dolomíticas, utilizado como fonte de magnésio e para a fabricação de materiais refratários.

Propriedades: De Ph alcalino, proporciona boa areação. Na sua formação não existe matéria orgânica em nenhuma forma.

Nutrientes: não possui nutrientes.

Terra do cupim

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Formação: Argila, barro compactado e areia fina.

Propriedades: Ótima porosidade, mantendo muita umidade, em quase todas as regiões do Brasil o seu ph é neutro, mas no Rio de Janeiro algumas formações se mostram mais ácidas, quando formadas de barro roxo ou negro.

Nutrientes: pouco nutriente.

Akadama

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Formação: A akadama é uma argila de origem vulcânica, de coloração vermelho/amarelada, muito utilizada pelos bonsaístas de todo o mundo por sua forma granulada e difícil decomposição.

É encontrada em 3 densidades:

Duro- Queimada a altas temperaturas.

Médio- Natural, Mole- retirado de maior profundidade

Mole-  Retirada das camadas próximas a superfície.

Propriedades: A akadama quando molhada escurece, o que ajuda o bonsaísta a observar a hora da rega, um dos melhores substratos na retenção de umidade. Tem as vantagem de ser completamente inorgânica e inerte. Possui ótima absorção de água e proporciona excelente aeração e proporciona bom crescimento das raízes.

Nutrientes: traços de calcário

Pedrisco ou cascalho lavado de rio

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Formação: Sedimentação de arenito, quartzo, feldspato e areia.

Propriedades: Ph Neutro, não possui matéria orgânica, não retem muita umidade devido a falta de porosidade, ótima drenagem.

Nutrientes: não possui nutrientes.

Kanuma

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Formação: Arenito leve e poroso retirado da província de Karuma no Japão. Admirado e muito usado pelos cultivadores de azaléias.

Propriedade: Possui o pH ácido e mantém essa propriedade por muito tempo. Ideal para acidificar misturas. Indicado especialmente para Ericáceas (Azaléia), como também para frutíferas e floríferas. Assim como o akadama, apresenta níveis de dureza, dependendo da profundidade que é extraída.

Nutrientes: não possui.

Terra negra

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Formação:  A melhor opção é procurar terra esterilizada para que ela não fique com sementes e fungos.  O uso deve ser conciliado com uma boa mistura de pedrisco, caco, vermiculita, etc, pois tende a compactar-se muito.

Propriedades:  A característica especial da terra negra é que, por ser de extraída diretamente do solo, já contém muitos nutrientes.

Nutrientes:  potássio, nitrogênio, magnésio, ferro, cálcio entre outros micronutrientes.

Pedrisco de granito

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Formação: Brita de pedreiras de superfície áspera.

Propriedade: Estéril e inerte. Pequena capacidade de retenção de umidade e nutrientes por absorção. Permite ótima drenagem se usada uma gramatura acima de 4 milímetros.  Muito boa se misturada com terra negra para enraizamento e obtenção de mudas.

Nutrientes: não possui.

Condicionador ou corretivos de solo

Condicionador de solo

Os condicionadores ou corretivos de solo não são considerados fertilizantes, mas atuam diretamente na correção do pH e de algumas outras características do solo. A correção adequada do pH do solo é uma das práticas que mais benefícios trazem ao bonsai e a jardinagem, pois está diretamente relacionado à saúde e ao bom desenvolvimento das plantas. Os condicionadores de solo proporcionam uma combinação favorável de vários efeitos, dentre os quais se mencionam os seguintes:

Formação: Normalmente possuem em sua composição, carvão, terra, casca de arroz, casca de pinus e, às vezes, com adição de alguns nutrientes.  Ele é muito usado para plantas tropicais, principalmente as de folhas largas. Tende a acidificar devido à decomposição da matéria orgânica.

Propriedades: São substratos preparados industrialmente, para compor solos de floreiras, sementeiras, etc. Alguns exemplos: Top extrato, Biomil, Biomix, Top Garden, etc.

• eleva o pH;
• diminui ou elimina os efeitos tóxicos do alumínio, manganês e ferro;
• diminui a “fixação” de fósforo;
• aumenta a disponibilidade do NPK, cálcio, magnésio, enxofre e molibdênio no solo;
• aumenta a eficiência dos fertilizantes;
• aumenta a atividade microbiana e a liberação de nutrientes, tais como nitrogênio, fósforo e boro, pela decomposição da matéria orgânica;
• reduz o desenvolvimento de fungos e pragas que preferem solos ácidos.

Muitos materiais podem ser utilizados como corretivos do solo. Os principais são: calcáreo dolomítico, cal virgem, gesso agrícola, conchas marinhas moídas e cinzas. Tanto a eficiência como o preço é bastante variado para cada tipo de corretivo.

Nutrientes: nitrogênio, potássio, fósforo e cálcio.

Casca de Pinus

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Muito usado na decoracão de jardins em canteiros como forração, é encontrado em várias gramaturas.

Formação: Componente orgânico para ser acrescentado ao solo. Possui  boa retenção de umidade.  Não aconselho usar a casca de  pinheiro muito fina. Não se usa as lascas de casca ainda verdes, pois as mesmas podem  conter microorganismos patogênicos e até mesmo fungos. Esses dois elementos podem liberar toxinas que podem levar a planta até à morte.

Propriedades: É um elemento que promove uma boa  absorção de adubos. Mas tem a desvantagem de decompor-se com rapidez, então é preciso usar com moderação.

Nutrientes: rico em resinas e têm propriedades bactericidas.

Sphagnum

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Formação:  Musgo, que é colhido na natureza para ser secado ou cozido. Usado muito quando o bonsaísta que fazer uma muda pelo método de  alporquia e no cultivo de espécies carnívoras. Ao comprar o  esfagno,é necessária a observação, pois ele não pode  conter partes ainda verdes, sendo isso sinal de que ele não foi cozido ou não foi bem secado.

Propriedades:  Excelente na retenção de umidade e agregador de substrato. Pode ser usado na cobertura de substrato em vasos pequenos, normalmente, para manter um total do substrato úmido. Coloca-se também na superfície do substrato das  plantas recém transplantadas para manter a temperatura e umidade em níveis ideais para o desenvolvimento das raízes.

Composição do substrato:

Quando queremos que uma planta tenha um crescimento mais rápido, se recupere por estar debilitada ou com pouca saúde, quando é necessário aumentar o crescimento de raízes capilares. O ideal é usar um substrato mais drenante, mais aerado.  Não devemos acrescentar à mistura material orgânico em quantidade. Quando você tiver uma planta doente, use a mistura apenas com areia grossa até que ela se recupere.

Folhas caducas: os bonsais  de folhas caducas e de folhas perenes largas precisam  mais de material orgânico.

Coníferas: colocar mais pedrisco e material inorgânico.

Quantidades e proporções:   “A busca do Santo Graal “

Se você procurar na internet matérias sobre as proporções e elementos escolhidos para a fomação de substratos, vai observar que bonsaístas que moram na  mesma região do país seguem caminhos diferentes.  Por isso é difícil afirmar: use essa mistura que realmente é a melhor.

Abaixo vou dar uma série de exemplos de composições básicas pois, para chegar no substrato ideal, é necessário observar na sua casa o micro clima, as espécies escolhidas e como você vai efetuar a rega das suas plantas.

Esolha a gramatura dos pedriscos, cacos de tijolo, akadama etc.. pelo tamanho do vaso.

Vasos muito pequenos – gramatura 1 mm e adicionar esfagno ou vermiculita na mistura, para ajudar a manter a umidade.   Bambú  Aido Bonsai.

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Vasos pequenos – Gramatura 2mm até 3mm      Carmona – Aido Bonsai

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Vasos medios – Gramatura 3mm até 5mm        Buxinho – Aido Bonsai

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Vasos grandes – Gramatura 5mm até 7mm    Bougainviilea Aido Bonsai

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Vasos muito grandes – Gramatura a partir 5mm   Penjing – Aido Bonsai

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Exemplos de substrato

Coníferas:  

35%% Pedrisco ou brita

30% Caco de tijolo triturado de 3 há 5milímetros

30% Material  orgânico

05% Carvão

Folhas caducas:

15% Pedrisco ou  Vermiculita

35% Caco de tijolo triturado de 3 há 5milímetros ou Akadama

20% Material orgânico

30% Condicionador de solo

Floríferas:

10% Kanauma  (de preferencia)

25% Caco de tijolo triturado de 3 há 5milímetros ou Akadama

25% Material orgânico

40% Condicionador de solo

Frutíferas:

10% Kanauma  (de preferencia)

25% Caco de tijolo triturado de 3 há 5milímetros ou Akadama

25% Terra negra

30% Condicionador de solo

10% Material orgânico

Perenes:

10% Pedrisco de rio ou Vermiculita

30% Caco de tijolo triturado de 3 há 5milímetros ou Akadama

30% Terra negra

30% Condicionador de solo

Azaléia:  

20% Kanauma (de preferência) ou vermiculita

20% Caco de tijolo triturado de 3 há 5milímetros  ou Akadama

30% Substância orgânica

30% Casca de Pinus

Considerações finais:

O importante é pesquisar, testar, não desistir de achar o substrato que responda às necessidades das suas plantas. Eu acho, de todos os assuntos que envolvem a arte do bonsai e do penjing, este o mais difícil. A parte de estética e modelagem você conserta e, mesmo demorando anos, você acha uma solução. Uma árvore que perdeu um galho você transfere para uma floresta, cria uma pedra e acha uma solução criativa. Mas, como na vida do ser humano, sem comida certa não se tem saúde, não há desenvolvimento.  Na arte do bonsai e penjing, o envelhecimento da planta na bandeja, com toda a sua beleza, é o objetivo principal.

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Essa pedra eu modelei em concreto celular para esse  Juniperu horizontalis (jacaré).  Coloco musgo para ajudar na manutenção da humidade.

Substrato usado:

35%% Pedrisco

30% Caco de tijolo triturado de 3 mm

30%  Terra negra

05% Carvão

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