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As esculturas de Nelly Alves Manzanari

Posted in Aido Bonsai, Arte - Escultura, Bonsai - Matérias especiais with tags , on 16 d e fevereiro d e 2014 by aidobonsai

Nelly Alves Manzanari nasceu no Mato Grosso do Sul, em Campo Grande. Começou a trabalhar aos 14 anos na área de enfermagem e depois se profissionalizou em instrumentadora cirúrgica. Um dia, assistindo um programa de televisão sobre escultura, seu coração bateu forte e, como ela mesmo escreveu:    “Vi um senhor numa reportagem fazendo uma escultura, suas mãos percorriam naquela massa com delicadeza e precisão ao mesmo tempo…eu PAREI, senti meu coração bater na garganta, um forte sentimento de inquietação invadiu meus pensamentos, não consigo explicar até agora, mas naquele momento eu lembrei que sabia fazer escultura…mas como?”

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Nelly comprou argila no dia seguinte e modelou um busto feminino, e depois  começou sua jornada, buscando cursos, materiais, fazendo um curso de cerâmica, artesanato, procurando com dificuldade se profissionalizar.

Cavalo criado em cerâmica

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Nelly, em sua procura de materiais, passou pela cerâmica e encontrou o cimento estrutural ou concreto celular.  Para melhorar seu acabamento ela usa pó de mármore e também para retirar a porosidade do cimento estrutural.

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Lindos Guardiões modelados em concreto estrutural.

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O sonho de Nelly é fazer um curso de escultura em mármore; enquanto isso não acontece, pega pedras locais e trabalha com serra mármore, furadeira, esmerilhadeira, dremel com fresa diamantada, formão, talhadeirinhas…etc.

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Nelly é uma pessoa simples, que morava em um conjunto habitacional e hoje construiu uma pequena casa muito arborizada, onde aos poucos transformou em um lugar de paz para sua família e para criar seus trabalhos.

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Eu sempre digo que quando queremos construir e nos dedicarmos a algo não existem barreiras. A artista Nelly é a prova disso, está a cada dia nas suas esculturas, realizando seus sonhos e levando sua arte para amigos, clientes e apreciadores de seu trabalho.

Poseidon criado em cerâmica

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Para contato, encomendas, fale com Nelly Alves Manzanari nos telefones 67 9152 7726 e fixo 67 3354 8294  

Email: nellymanzanari@hotmail.com

Nelly me informou que sempre tem peças prontas e que aceita encomendas.

Paisagem onde Nelly caminha procurando pedras para trabalhos, inspiração e energia para trabalhar.

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Troque suas folhas, mantenha suas raízes. Por Claudia Penteado

Posted in Aido Bonsai, Bonsai - Meus Trabalhos with tags , , on 16 d e fevereiro d e 2014 by aidobonsai

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Todo mês Claudia Penteado vai buscar uma nova arte e escrever sobre uma experiência diferente para publicar no site da revista Época suas percepções. Essa matéria sobre o Bonsai e Penjing foi apenas o começo de suas novas experiências.  Vale a pena conferir todas que ela irá buscar. Abaixo, a matéria ilustrada com muitas fotografias. Queria agradecer aqui a chance de dividir um pouco da minha arte com essa pessoa especial e jornalista incrível!

Para lêr  as matérias de Claudia Pentado entre no link ao abaixo:

http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ruth-de-aquino/noticia/2014/02/btroque-suas-folhasb-mantenha-suas-raizes-por-claudia-penteado.html

Troque suas folhas, mantenha suas raízes. Por Claudia Penteado

Na ‘Visita de Domingo’, Claudia conta por que decidiu fazer uma coisa totalmente nova a cada mês. Por uma vida mais criativa, com seus riscos e encantamento

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“Com o Bonsai, percebi que o que mais desejo agora é cuidar de meu jardim, da minha casa e das pessoas importantes na minha vida. Há na arte do Bonsai algo de divino.” (Foto: Arquivo pessoal)

O título desse post é um pensamento de Victor Hugo, que traduz o meu primeiro desafio do ano: “Troque suas folhas, mantenha suas raízes”. 2014 chegou de supetão com sua onda de calor e sequidão, realçando a pilha crescente de livros por ler, filmes por assistir, viagens por fazer, projetos por desengavetar. É o ano do cavalo – que para os chineses representa movimento, comunicação e o poder que o homem tem de transformar a sua realidade. Foi esse o ano que escolhi para realizar algo planejado, quem diria, ainda em 2013 (no finalzinho, vai).

A decisão foi a seguinte: fazer pelo menos uma coisa inteiramente nova a cada mês. Sem nenhuma pretensão de escalar o Everest, praticar wing walking ou base jump. É simples como abrir uma janela. A ideia é fazer algo pela primeira vez, desde que enriqueça a rotina, estimule novas conexões, oxigene o cérebro e a aqueça a alma. Essencialmente, que sirva para tornar a minha vida mais criativa.

O escritor George Bernard Shaw disse uma vez que a criatividade desperta a inveja dos deuses, e por isso requer coragem. Gosto muito dessa ideia de uma batalha ativa com os deuses. Lá fui eu, portanto, enfrentá-los.

A jornada começou num domingo de manhã, junto à brisa fresca das praias oceânicas de Niterói, em um paraíso chamado Aido Bonsai. Lá, o amigo Paulo Netto concordou em me iniciar na arte do Bonsai. Mas por que o Bonsai?

Foto de Claudia Penteado fazendo imersão do seu trabalho, para compactar a terra, tirando ar, para não deixar espaços entre as raízes.

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Há vários motivos, claro, e um deles foi o desejo de me arrancar de casa e me aproximar da natureza, sujar as mãos de terra. Outro foi a curiosidade, desde pequena, em torno daquelas árvores em miniatura, perfeitas e imperfeitas ao mesmo tempo. A curiosidade é o desejo de mudança, que nos move na direção do novo.

De repente, lá estava eu, as mãos na terra, cavando a raiz de uma Eugenia Sprengelli, preparando-a para ser replantada e aos poucos transformar-se em um Bonsai. Juntas, ali, eu e ela, iniciamos uma nova etapa em nossas vidas.

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Há no Bonsai algo de divino. Dizem que cada miniatura reúne toda a magia da qual as árvores são dotadas. Não há como duvidar da potência dessa união encantadora entre arte e natureza, duas coisas capazes de elevar o espírito – até dos ateus.

A primeira coisa que se aprende na arte do Bonsai é que é preciso paciência. Sem ela, nada feito. Paulo conta que ficou mais calmo e meticuloso depois de tornar-se bonsaísta e especialista também na arte do Peijing – uma arte próxima ao bonsai, sem vasos, que cria minipaisagens em superfícies lisas ou pedras. É o exercício da espera que explica as muitas miniaturas de árvores com seus troncos grossos e mais de 300 anos de idade, passadas de geração para geração.

Foto tirada em fundo negro, para poder observar a estrutura da copa. Isso ajuda a observar os pontos vazios, e onde teremos que retirar nas semanas seguintes o  excesso de galhos e folhas.

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Foto já com estudo, de como a copa devemos no futuro preencher do lado direito, onde ainda não tem uma triangulação da copa.

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Cuidar de um Bonsai é um trabalho manual, delicado, de escolhas importantes, dia após dia. Os pequenos e frágeis galhos sempre poderão ser mudados de direção – para o bem e para o mal, pois podemos perdê-los por descuido.

O sociólogo Richard Sennett compara o ato de “moldar” e administrar as resistências dos materiais às resistências e idiossincrasias das relações humanas. Segundo ele, o trabalho manual ensina a lidar com as resistências sem lutar contra elas, e sim tentando entendê-las. É isso.

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Depois de muito falar sobre essa nova noção do tempo, sobre raízes, poda, estaca, sol, chuva, regas, devo dizer que ganhei vários presentes, naquele domingo, no jardim do Paulo Netto. Mas vou destacar três. O primeiro foi a iniciação nessa surpreendente arte em obra aberta, praticada em um ser vivo que respira, se alimenta, cresce e reage a cada escolha feita. Essa “obra” pode originar novas árvores, pode durar uma vida – ou várias.

Claudia fazendo uma poda de forma em sua Eugenia Sprenguelli.

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Li em algum lugar que praticar o Bonsai ajuda a preservar o coração de criança. Depois de conhecer o Paulo Netto, só posso acreditar nisso. Ele é um brincalhão capaz de contagiar a mais soturna das criaturas. Este foi outro dos presentes que ganhei: avivar o olhar lúdico para o mundo, a capacidade de imaginar e de brincar, que costuma adormecer com o passar dos anos, mas é tão determinante para nos manter não apenas vivos – mas vivazes.

No filme “A grande beleza”, de Paolo Sorrentino, há um trecho que me parece pertinente para falar do terceiro presente: diante do protagonista Jap Gambardella, escritor que sofre de bloqueio criativo, uma espécie de santa/freira diz que só se alimenta de raízes porque “as raízes são importantes”. A dimensão simbólica dessa reflexão ajuda o escritor a buscar, a partir dali, suas próprias raízes, livrando-se do bloqueio e encontrando novo sentido para a sua vida.

O terceiro presente que ganhei, com as mãos enfiadas na terra, foi reencontrar as minhas próprias raízes, e renovar a vontade de cuidar delas com o mesmo apreço. Cuidar, sinônimo de curar, zelar, vigiar: é o que eu quero fazer pelo meu jardim, pelas pessoas importantes da minha vida, pela nossa cadelinha Flor, pela nossa casa, por mim.

Eugenia spreguelli trabalhada por Claudia Penteado. Foto depois das etapas de aramação, tencionamento e poda.

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O cuidado que demanda um Bonsai é o mesmo que se deve ter com as relações e o que nos cerca. Esse é um dos muitos paralelos valiosos entre essa prática milenar e a vida.

De coração quente, sigo no meu confronto mensal com os deuses. Mas daqui para frente, sem querer combatê-los, e sim aprender com eles. Como sou da turma do improviso – e jamais serei a pessoa mais organizada e metódica do mundo –, ainda não escolhi minha próxima aventura.  Claudia Penteado.

Todo mês Claudia Penteado, vai buscar uma nova arte, vai escrever sobre uma experiência diferente, e publicar no site da revista Época suas percepções.Essa matéria sobre o Bonsai e Penjing foi apenas um começo de suas novas experiências, vale a pena conferir todas que ela irá buscar..

Claudia Penteado e seu marido Flavio Cordeiro

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