A revista Pasión prima pela qualidade de suas matérias e muito me orgulha saber que, durante muito tempo, o diretor de redação foi um brasileiro, o grande mestre Carlos Tramujas. Vou traduzir para o blog uma das matérias mais completas sobre a história do bonsai, escrita para a revista Pasión pelo bonsaista Gilbert Labrid. É uma matéria bem completa escrita em seis capítulos:
1-Introdução à história do bonsai
2- Dinastia Tang (VII-X)
3- Dinastia Song (X-XIII)
4- Dinastia Ming
5- Dinastia Qing’y (período Edo)
6- A idade moderna (XX)
INTRODUÇÃO A HISTÓRIA DO BONSAI
São muitos os que hoje em dia se apaixonam pela arte do bonsai e buscam criar obras que falem ao coração dos homens. Todos contribuem com sua paixão para o futuro desta arte tão singular, e graças a isso os homens têm conseguido transmitir seus conhecimentos para gerações futuras.
Somos o resultado de muitas gerações e dinastias de indivíduos que foram, ao longo dos anos, transmitindo a sua paixão e amor através dos tempos. Graças a esta transmissão de conhecimento sem interrupção, o bonsai chegou a nós. Somos responsáveis e devemos perpetuar este conhecimento para o mundo moderno.
Quais as razões pelas quais o bonsai encanta as pessoas de todas as idades e várias culturas, apesar das dificuldades de sua criação e cuidados?
Será que o encanto que existe nas miniaturas ? Para manter a força vital de uma árvore e seu desenvolvimento no espaço limitado de um vaso, há que se ter o sentido de responsabilidade e aprender numerosas técnicas de horticultura e botânica. Temos que aprender as teorias estéticas, as formas das árvores e sua posição estética no vaso, e principalmente esperar com paciência seu desenvolvimento e se dedicar a cuidados que irão durar por toda sua vida.
Quando cultivamos bonsai descobrimos que a dificuldade aumenta com o tempo e, ao invés de desistir, isto estimula o desejo de aprender. Será por isso que os japoneses consideram o bonsai uma fonte de juventude? Às vezes sentimos a necessidade de julgar as obras vistas nas exposições e livros especializados, o que é normal e apaixonante. Mas para aperfeiçoar nosso conhecimento do mundo do bonsai é essencial conhecer as técnicas, as formas que existem na natureza e seus mistérios, para expressá-los com uma visão pessoal.
Aprender a observar é o primeiro ponto importante. O segundo é compreender. Para aprender os segredos de uma arte os chineses falam: “Temos que buscar a cultura lendo mil livros e fazendo uma busca de conhecimento que será infinita”. Essas são as duas etapas da busca do conhecimento estético: “conhecer e compreender”.
O bonsai é uma obra de pura contemplação, uma poesia sem palavras, um pintura em relevo; não é apenas uma técnica. Por isso é necessário aprender a história e conhecer a evolução do bonsai, para ver as decisões e direções que foram tomadas pelos nossos predecessores.
Compreendendo os seus motivos e sua maneira de observar a arte, aumentaremos nossa capacidade de construir e criar obras pessoais.
A expansão econômica do Japão nos anos 60 e 70 permitiram à cultura do país se expandir no mundo inteiro. Por razões históricas o país foi o principal instrumento de divulgação do bonsai no ocidente, principalmente por causa do isolamento cultural da China neste mesmo período. Isto contribuiu para que se criasse uma confusão sobre a origem do bonsai e sua apreciação estética.
Por falta de informação ou por conformismo, nós nos firmamos como ponto de encontro num modelo de bonsai japonês, sem compreender o sentido do Penjing, que é a arte do bonsai em chinês.
ANTIGUIDADE
Podemos dizer que o bonsai é uma flor que nasceu em um jardim da cultura chinesa. A aparição do bonsai está diretamente ligada às técnicas de cultivo de plantas em vasos. Os documentos antigos são raros, fragmentados e insuficientes para estabelecer uma cronologia precisa.
Em 1977 foi achado um fragmento de cerâmica nas escavações de Zhedjang. Este fragamento tinha gravado o desenho de um planta em um vaso. Este é o testemunho mais antigo da existência de cultivo “6.000 anos de idade”.

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