Entrevista com Luis Fernando Nickfury

Posted in Bonsai - Entrevistas no Brasil with tags , , on 24 d e julho d e 2012 by aidobonsai

Mais uma entrevista com um amigo que me deu a oportunidade de visitar sua casa e conhecer seu espaço em Brasília. Luis Fernando Nickfury é um apaixonado pela nossa arte,  e isso se retrata no seu trabalho cultivando bonsai. Tive a oportunidade de conhecer um pouco das árvores do cerrado e de observar seu trabalho aprimorado em um estilo que eu acho muito interessante, o Ishitsuki, (Raíz sobre rocha).  Aqui o meu agradecimento por ter me recebido e ter dividido suas experiências, muito obrigado.

1 – Quando você se interessou e começou a se dedicar arte do Bonsai ?

R- Há uns 15 anos, aproximadamente, lendo revistas antigas de bonsai publicadas no país, isso despertou meu interesse pela arte, passando então a tentar formar algo que fosse ao menos parecido com o que via naquelas publicações. Inicialmente, tentei adaptar as plantas que julgava mais simples e fáceis de lidar, como as nativas Jabuticabeira e Pitangueira, passando ainda pelo Fícus benjamina e Duranta repens (pingo de ouro).

Pitangueira (Estilo Literati)

2 – Quais espécies você mais gosta de trabalhar ?

R – Atualmente em meu viveiro cultivo variadas espécies, tanto nativas quanto alienígenas, sendo as minhas prediletas o Acer burgerianum, conhecido por Acer tridente, e a Serissa foetida chinesa.

Serrisa foetida       Mame  (altura 6cm)

3- Quais espécies melhores para o clima de Brasília?

R – De uma maneira geral, as melhores são as nativas, como as diversas variedades da Caliandra, a Jabuticabeira, a Pitangueira, o Pithecolobium tortus. Mas, igualmente, podemos também cultivar com sucesso todas as variedades do Ficus, bem como Piracantha, Carmona, Celtis, Resedá, Serissa, Aceroleira, Pinheiro negro e vermelho, dentre outras.

4- Quais espécies nativas do cerrado , podem ser modeladas para o cultivo do Bonsai?

R – A mais conhecida é a Mirindiba (Lafoensia Glyptocarpa), mas cultiváveis ainda o Ipê, o Jacarandá, Murici, Pau d’alho, Copaíba, Aroeira pimenteira, Uruvalha, etc.

Abaixo Penjing realizado em encontro do grupo de trabalho do Fernando com Serissas foetidas cultivadas em seu viveiro.

Fiquei encantado com esse Penjing de Serissas foetidas, a qualidade das árvores usadas nele, deram uma perpectiva e profundidade incríveis.

Eu sempre digo que o Penjing antes de mais nada deve se destacar pela qualidade de suas árvores e pela escala usada nas pedras e complementos, como pontes, figuras etc.

As diferenças de altura e a poda de patamares bem destacados, são uma característica dos bonsais utilizados no trabalho.

No lado esquerdo da paisagem as earvores seguindo na mesma direção e curvaturas, dão uma naturalidade e um movimento muito bonito ao conjunto.

Foi usado um Suiban de mármore para o conjunto. O Fernando com apoda de refinamento compacta bem a copa da Serrisa foetida e ela fica mais bonita.

5 – Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mais as circustâncias de clima e adaptação não permitem ?

R – Sem titubear, o Pinheiro branco, chamado pelos japoneses de Goyomatsu. (Pinus Pentaphylla).

Goyomatsu  (Japanese white pine) tree from Kandaka Shojuen bonsai garden.

Goyomatsu  (Bonsai museum)

6 – Dos seus trabalhos qual você destaca com um carinho especial. Fale um pouco sobre ele.

R – Pesquisando em sites e revistas japoneses, descobri o estilo Ishitsuki, que eles nomeiam os trabalhos formados com plantas e pedras. Despertou minha curiosidade e aguçou minha vontade de ter exemplares como os deles, todos formados com Acer burgerianum, ou Acer tridente, que os japoneses chamam de kaede. Desde então, nos últimos 8 anos, venho cultivando novas mudas nesse estilo, tenho algumas plantas quase prontas quanto à fusão de suas raízes com pedras, mas que ainda faltam formar a estruturação aérea, algo mais complexo nessa espécie e que irá levar ainda alguns anos mais para um resultado satisfatório.

Na Serissa foetida abaixo, Fernando começou o trabalho com uma pedra coletada em um rio. A pedra possuía um furo que ia de um lado a outro. Ele aproveitou e cultivou suas raízes, atravessando a perfuração da rocha.

Piracanta Coccinea

Detalhe das raízes atravessando a pedra.

Mais um trabalho destacando o estilo preferido de Fernado o Raíz sobre Rocha, Ishitsuki

Repare que a raíz desee pela fenda natural da rocha até a sua base.

7 – Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

R – Eu procuro sempre me guiar pela escola clássica japonesa, muito embora muita coisa tenha mudado ao longo desses anos todos, então também me pauto pela atualização, tanto dos estilos quanto da maneira de formatar corretamente um bonsai.

Viburno

7B – Você gosta mais de algum estilo de bonsai em particular? Qual?

R – Aprecio dois estilos, que são o Kengai e o Ishitsuki, composição que agrega pedra e planta, ambos têm variações interessantes, o que possibilita um resultado surpreendente e bonito, quando finalizados. Pithecolobium tortum, ainda em fase de refinamento.

Estilo Kengai (Cascata)

8 – O que a arte do bonsai agregou na sua vida?

R – O mais importante: ótimas e valiosas amizades, no DF, no Brasil e até no exterior.

Piracanta Coccinea

9 – Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística?

R – As ordens técnicas e estéticas são prevalentes num bonsai, qualquer que seja ele, mas certamente podemos e devemos ser flexíveis quanto à possibilidade de buscarmos, cada vez mais, formatos livres, que permitam exploração artística maior. Todavia, não poderemos jamais sacrificar o tecnicismo por uma abstração totalitária, ainda que reduzamos bastante a limitação criada pelas normas. Acredito num meio termo, entre esses dois limites, e que todos nós, bonsaistas, deveremos sempre conhecer a fundo as técnicas e regras, antes de tentar avançar dentro da criação livre. Ou seja, para quebrar uma regra, é preciso, antes, conhecer a regra.

10 – Que bonsaísta (um ou mais) chama a sua atenção, hoje no cenário mundial?

R – David Benavente, espanhol, é um grande nome, que merece meu respeito. Outro grande expoente, Masahiko Kimura, é sem duvida um dos nomes mais constantemente divulgados, por ser o precursor de inovações técnicas audaciosas quanto ao trabalho de formação de um bonsai de qualidade técnica superior. Admiro e estudo ainda o trabalho de: Kevin Wilson, Imai Chiaru, Sebastian Fernandes, John Yoshio Naka, Mario Komsta, Cheng Cheng Kung, Toni Payeras, Min Hsuan Lo, Robert Steven, dentre outros mais.

Rhus Sucedânea

11- Hoje é mais fácil começar a se dedicar a criação de bonsais? Quais eram as maiores dificuldades no início?

R – Sem duvida, atualmente temos à nossa disposição maiores facilidades quanto ao bonsai, seja no que toca a aquisição de novas e variadas espécies, ou mesmo antigas, bem como de vasos confeccionados no país, por grandes e excelentes artesãos ceramistas, e também pela facilidade em adquirir material didático sério e de qualidade, como revistas especializadas, citando duas espanholas, a Bonsai Actual e a Bonsai Pasion, além das sempre ótimas revistas japonesas Bonsai Sekai e Kinbon. Há também diversos livros, a maioria editados em idiomas estrangeiros, mas outros nacionais, que visam atender um segmento priorizando os iniciantes, como podemos atestar com publicações dos autores Mario Garcia Leal e Vania Fortes. Antigamente, porém, a dificuldade em conseguir bons livros, revistas e vasos era grande, e apenas uns poucos privilegiados tinham acesso a esse material. Ferramentas especiais e de qualidade, tanto japonesas quanto americanas e europeias também é algo que hoje em dia compramos por preços muito inferiores ao que foi pago no passado.

Pinheiro negro

12- Qual a sua percepção hoje da arte do bonsai no Brasil?  Você acha que teve um crescimento?  Há uma maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

R – Desde há alguns anos nomes do bonsai nacional vem conseguindo estabelecer, lá fora, novas fronteiras, sendo o mais festejado o bonsaista Carlos Tramujas, que inclusive esteve a frente durante alguns anos da prestigiada publicação que citei, Bonsai Pasion, quando trabalhava para a empresa espanhola Mistral Bonsai. Outros nomes seriam os da bonsaista Regina Suzuki, Marcelo Martins, que teve plantas suas premiadas em concursos virtuais, e, mais recentemente, o grande incentivador do bonsai nacional, Mario Garcia Leal, que acompanhado por seu fiel escudeiro, o grande amigo Bergson Vasconcelos, vem há alguns anos participando de grandes eventos de bonsai na Europa e Africa, onde tem divulgado o nome e a qualidade do trabalho do bonsai nacional.

Pinheiro negro

13- Como está o crescimento do bonsai em brasília, que bonsaísta (s) você destaca pelo seu trabalho.

R – Brasilia, atualmente, não apresenta o mesmo crescimento que observamos ocorrer em outros locais, como esteve no passado. Há bonsaistas espalhados por quase todas as cidades do DF, mas infelizmente não temos atualmente nenhum ponto relevante de encontro, embora vez ou outra eu promova alguma reunião ou exposição, contando com amigos pertencentes a nossa Associação, criada em 2004, que tem apenas sede virtual: http://www.brasiliabonsaiclube.com

Um clube de amigos unidos pela arte do Bonsai.

Há, inclusive, um comércio relativamente fértil e até forte na cidade, desenvolvido pela amiga Jô Ribeiro, que participa ativamente em feiras, shoppings e outros eventos correlatos, onde sempre leva bonsai para vender, algumas peças adquiridas de cultivadores brasilienses, ombreando com outras, trazidas de outras partes do país. Embora o comércio desperte interesse e haja muitas pessoas que compram suas plantas, essas mesmas pessoas não buscam interação com nosso clube, nem procuram contato com nossos associados, no intuito de interagir conosco, de forma que não sei, com certeza, quantos cultivadores há, atualmente, no DF. Nesse cenário, porém, ouso referenciar o nobre amigo Francisco Lustosa, bonsaista há mais de vinte anos, que apresenta um trabalho de vanguarda e inovador, ao mesmo tempo, com plantas magnificamente trabalhados e formatados por ele dentro de parâmetros estéticos e visuais que não perdem em beleza para nenhum outro trabalho de grandes mestres, nacionais ou internacionais.

Fernando tem toda razão, o trabalho do Francisco Lustosa é de muita criatividade, especialmente os bonsais criados com madeira morta, eles são muito especiais.  Abaixo 3 trabalhos de Francisco Lustosa.  Mês que vem vou publicar sua entrevista, e terei o prazer de fotografar pessoalmente sua coleção para o blog, aguardem !

Estudo de movimento:

Buxinho ainda em fase de estudo de movimento, mas que mostra um trabalho estético lindo. O Fernando colocou a planta na pedra para que eu pudesse fotografar. Vou tentar sempre publicar o acompanhamento deste trabalho.

14 – Que conselhos você poderia dar para quem está começando a se dedicar a arte do Bonsai.

R – Minha sugestão é que o iniciante busque primeiramente o conhecimento contido em livros, revistas, fóruns de discussão, sites e links da internet. Munido do conhecimento assim adquirido, que busque o mais rápido possível participar de algum curso, seja básico, intermediário e avançado, ou todos ao mesmo tempo, bem como vise participar de eventos, workshops, exposições, onde irá ter contato com ótimos professores, ver lindos trabalhos (que sempre servem de modelo) e carrear novas amizades, angariando bons amigos com que interagir e crescer na arte bonsai.

Mames de Serissa foetida

15- Quais atributos o bonsaísta deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos ?

R – O primeiro e mais divulgado é a paciência. Sem pressa, podemos obter ótimos resultados no que tange ao cultivo e formação de um bonsai, obtendo resultados bem mais satisfatórios. Ainda, persistência, pois dificuldades sempre haverá e, superando-as, renovaremos nossa capacidade e vontade de continuar investindo em algo que, ao cabo e afinal, só nos trará prazer e alegrias, tanto na forma de termos lindos bonsai, quanto na possibilidade de angariar novos e valiosos amigos nesse caminho.

Caliandra seloi

16- Quais os benefícios físicos, mentais que podemos encontrar se dedicando a arte do bonsai?

R – O estresse cotidiano, diário, que todos nós sofremos vez ou outra, pode ser o primeiro mal a ser combatido com a prática constante da nossa arte bonsai. Além disso, a arte bonsai é uma forma de desenvolvermos nossa criatividade, de liberar nossas forças e ficarmos em sintonia com a natureza que nos cerca, carreando beleza aos nossos olhos, e satisfação pessoal, pela excelência dos resultados que obtemos com nosso trabalho e labor nesse hobby sempre apaixonante.

17 – Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte.

R – A compreensão da arte bonsai libera a energia criativa que existe em nós.

Abaixo uma serie de fotos de trabalhos que estão sendo desenvolvidos no estilo Ishitsuki   (Raiz sobre Rocha)


Link do Bonsai clube em Brasília :   http://www.brasiliabonsaiclube.com/

Entre na galeria e veja mais trabalhos de Fernando Nickfury:

Continue lendo

As estátuas de Buda

Posted in Arte - Oriental várias, Fotografia - Galerias with tags , , , on 30 d e junho d e 2012 by aidobonsai

 

A vida do Buda

Segundo a tradição budista, Sidartha Gautama, o buda histórico, nasceu no clã Shakya, no início do período Magadha (546-324 a.C.), nas planícies de Lumbini, no sul do Nepal.

attaining-enlightenment

Sidartha Gautama vivia isolado em seu palácio ao meio do luxo e da ostentação. Insatisfeito com a futilidade de sua condição, resolveu abandoná-la e, ao se deparar com o sofrimento, a velhice, a doença e a morte, que não conhecia, juntou-se aos monges brâmanes tornando-se um asceta errante. Por meio do jejum e da penitência queria encontrar respostas para o sofrimento universal.

2750392373_4e2254e643_o

A vida contemplativa, no entanto,não foi suficiente para responder a seus questionamentos sobre o sofrimento universal. Inquieto, Sidarta abandonou os monges e passou a seguir seus próprios caminhos, de solidão e meditação, rejeitando o ascetismo e buscando um caminho intermediário entre o luxo e a automortificação, capaz de conduzi-lo à verdade. Após 7 semanas sentado ao pé de uma figueira, impertubável diante das tentações do demônio Mara, encontrou finalmente as respostas que procurava, chegando assim à iluminação.

2_0005

Sidarta alcançou assim o Nirvana (“extinção da chama da paixão e dos desejos”). A partir desse momento, tornou-se Buda , o Iluminado, passando a questionar as verdades dos Vedas e seus ensinamentos. Nos quarenta e cinco anos seguintes percorreu a planície do Ganges, na região central da Índia, ensinado as suas doutrinas a um grupo heterodoxo de pessoas.

531348903_8ea8255e4e_b

A sua relutância em nomear um sucessor ou em formalizar a sua doutrina levaria à formação de vários movimentos nos séculos seguintes. Em primeiro lugar surgiriam as escolas do Budismo Nikaya, das quais só sobreviveu o Theravada, e mais tarde o Mahayana.

2806281537_f84edb59a1

Índia

Após o fim do Império dos Kushanas, o budismo floresceria na Índia durante a dinastia dos Guptas (séculos IV-VI). Vários centros do saber Mayahana seriam criados, como Nalanda no nordeste da Índia, que se tornaria umas das universidades budistas mais importantes durante vários séculos, com mestres conhecidos como Nagarjuna. O estilo gupta de arte budista tornou-se influente à medida que a religião se difundiu do sudeste asiático à China.

6a00d83451586c69e200e54f2aa3fb8833-800wi

No século VII o budismo indiano começou a entrar em decadência em consequência das invasões dos Hunos Brancos e do Islão. No entanto, teria um renascimento durante a época do império Pala, entre os séculos VIII e XII.

Um dos acontecimentos mais marcantes na decadência do budismo indiano ocorreu em 1193 com a destruição de Nalanda por povos túrquicos islâmicos liderados por Muhammad Khilji. No final do século XII, após a conquista islâmica do baluarte budista de Bihar, os budistas deixaram de ser uma presença significativa na Índia. Para o desaparecimento do budismo também contribuiu o revivalismo hindu expresso através da escola Advaita Vedanta e no movimento Bhakti.

Apesar de ter nascido na Índia, o budismo é hoje praticado em pontos isolados do país.

borobudurperfectbuddha

Ásia Central

A Ásia Central esteve sob influência do budismo provavelmente deste o tempo do Buda. Segundo uma lenda preservada em pali (a língua da tradição Theravada) dois irmãos mercadores da Báctria, Tapassu e Bhallika, visitaram o Buda e tornaram-se seus discípulos. Quando regressaram à Báctria construiram templos dedicados ao Buda.

A Ásia Central era já há muito tempo o ponto de encontro entre o mundo chinês, indiano e persa. Durante o século II a.C., a expansão da Dinastia Han para ocidente fez com que entrassem em contacto com as civilizações helenísticas da Ásia. Depois disso, a expansão do budismo para o norte levou à formação de comunidades e de reinos nos oásis da Ásia Central. Algumas cidades da Rota da Seda era compostas praticamente por stupas e mosteiros budistas, sendo provável que um dos seus objectivos seria acolher os viajantes entre este e ocidente.

O budismo na Ásia Central entrou em declínio com a expansão do islão no século VII. Os muçulmanos não consideraram os budistas como “Povos do Livro” e consequentemente não os toleraram.

Buddha-Vajrapani-Herakles

Bacia de Tarim

A região oriental da Ásia Central (Xinjiang, Bacia de Tarim) tem revelado ricas obras de arte budista (pinturas murais, esculturas, objectos rituais…), que mostram influências helenísticas e indianas.

A Ásia Central parece ter desempenhado um importante papel na difusão do budismo para o oriente. Os primeiros tradutores das escrituras budistas para o chinês eram naturais da Ásia Central (da PártiaSogdiana ou de Kushan). Os monges budistas da Ásia Central e do Extremo Oriente parecem ter estabelecido contactos culturais significativos, como mostram os frescos da Bacia de Tarim.

BXK9360_buda-tail-andia800
China

É provável que o budismo tenha chegado à China por volta do século I d.C., vindo da Ásia Central (algumas tradições falam também de um monge budista que teria visitado o país no tempo de Asoka).

A introdução oficial do país à religião data de 67 d.C. com a chegada de dos monges Moton e Chufarlan. Em 68, sob patrocínio imperial, eles estabeleceram o Templo do Cavalo Branco, que ainda existe hoje em dia, perto da capital imperial Luoyang. No final do século II, uma próspera comunidade budista existia em Pengcheng (actualmente Xuzhou).

Os primeiros textos conhecidos do budismo Mahayana são traduções em chinês realizadas pelo monge Lokaksema em Luoyang, entre os anos de 178 e 189 d.C.. Os objectos mais antigos que se conhecem relacionados com o budismo na China são “árvores de dinheiro”, datadas de cerca de 200 d.C., reflectindo o estilo de Gandhara.

6a00d83453a73169e201156f96d479970b-800wi

Entre e leia a matéria sobre Buda e veja a galeria com incríveis estátuas:

Continue lendo

Esculturas naturais

Posted in Bonsai - Matérias especiais, Fotografia - Galerias with tags , on 17 d e junho d e 2012 by aidobonsai

Sempre que  quero buscar inspiração para modelar ou olhar formas naturais para os bonsais, procuro fotografias de florestas e árvores antigas. Colocar uma música e olhar as fotos em slide show, me mostra porque árvores são esculturas  naturais

Entre na galeria e veja mais 90 fotografias de árvores incríveis:

Continue lendo

A magia de Masahiko Kimura

Posted in Bonsai - Grandes Mestres, Bonsai - Técnicas especiais with tags , , , , , , on 16 d e junho d e 2012 by aidobonsai

A TRANSFORMAÇÃO DE UMA ÁRVORE

Mestre - masahiko Kimra

É um dos 10  livros mais surprendentes que eu tenho na minha biblioteca, e também recomendo a todos. Você pode encomendar na livraria Leonardo da Vinci.  O livro do mestre Masahiko Kimura e a  revista Bonsai Pasión pode ser comprada pela internet no Bonsai Center Romagnole com a Ilza Romagnle. Ela recebe todo mês um numero novo. É uma revista muito barata, pois trás muito conteúdo técnico e fotográfico.A revista Pasión também tem um artigo todo mês sobre cerâmica para Bonsais. Os links estão na barra da direita do blog. `

Paiasagen de Masahiko Kimura

O livro de Masahiko Kimura (Editora Tyris Sa), trás mais de 50 trabalhos fotografados passo a passo.  Ele  chega a inverter totalmente a posição de ápice  da planta, trazendo as raízes enroladas com ráfia para a posição que ele escolhe como base da árvore.

Livro - O Técnico mágico do bonsai atual

Taxus Cuspidata altuta 88cm

Juniperus Chinesis 78cm

Aqui algumas fotos do espaço de Masahiko Kimura situado na prefeitura de Saitama:

Entre na galeria ou veja o slideshow com os trabalhos do mestre Masahiko Kimura:

Continue lendo

Viveiro de Kunio Kobayashi – Tokyo

Posted in Bonsai - Galerias de fotos with tags , on 15 d e junho d e 2012 by aidobonsai

Em março de 2007 Joe Morgan viajou para o Japão onde estudou a arte do cultivo do Bonsai em Shizuoka, no Taisho – en Viveiro, com o mestre Mr. Nobuichi Urushibata. Depois que seu curso tinha terminado, ele viajou ao redor do Japão visitando muitos viveiros e conhecendo outros mestres. Joe Morgan criou um blog,  ”Bonsai in Japan” essa foi a sua maneira de partilhar a sua viagem com fotos incríveis.

Viveiro de Kunio Kobayashi:

Continue lendo

Viveiro de Nobuichi Urushibata em Shizuoka

Posted in Bonsai - Galerias de fotos with tags , on 15 d e junho d e 2012 by aidobonsai

Galeria de fotos do viveiro de Nobuichi Urushibata localizado em Shizuoka.

Em março de 2007 Joe Morgan viajou para o Japão onde estudou a arte do cultivo do Bonsai em Shizuoka, no Taisho – en Viveiro, com o mestre Mr. Nobuichi Urushibata. Depois que seu curso tinha terminado, ele viajou ao redor do Japão visitando muitos viveiros e conhecendo outros mestres. Joe Morgan criou um blog,  ”Bonsai in Japan” essa foi a sua maneira de partilhar a sua viagem com fotos incríveis.

Continue lendo

Viveiro em Tokyo – Omiya

Posted in Bonsai - Galerias de fotos with tags , , on 15 d e junho d e 2012 by aidobonsai

Localizado nos arredores de Tokyo, a cidade de Omiya mantem o lar de vários viveiros onde se cultivam bonsais. Em uma área que é famosa, pelo cultivo,  seus viveiros só podem ser visitados, ligando  e marcando uma visita com dias de antecedência.

Em março de 2007 Joe Morgan viajou para o Japão onde estudou a arte do cultivo do Bonsai em Shizuoka, no Taisho – en Viveiro, com o mestre Mr. Nobuichi Urushibata. Depois que seu curso tinha terminado, ele viajou ao redor do Japão visitando muitos viveiros e conhecendo outros mestres. Joe Morgan criou um blog,  ”Bonsai in Japan” essa foi a sua maneira de partilhar a sua viagem com fotos incríveis.

Entre na galeria e veja mais 15 fotografias do viveiro em Omiya:

Continue lendo

Indonesia Bonsai 2012

Posted in Bonsai - Galerias de fotos with tags on 15 d e junho d e 2012 by aidobonsai

Galeria com Bonsais de artistas da Indonésia: 

Entre na galeria e veja mais 70 fotografias de bonsaístas da indonésia:

Continue lendo

Taiwan Bonsai World

Posted in Bonsai - Taiwan with tags , , on 15 d e junho d e 2012 by aidobonsai

Aqui uma galeria com trabalhos de artistas da Taiwan Bonsai World.

Entre na galeria da Bonsai Taiwan World e veja mais 100 trabalhos:

Continue lendo

O Penjing de Mario A G Leal

Posted in Sem categoria with tags , , , on 10 d e junho d e 2012 by aidobonsai

Dando continuidade as entrevistas de bonsaístas Brasileiros, publico aqui no blog o trabalho de um artista que se destaca pelas suas criações: as paisagens com bonsais.  Mario Leal se dedica a a criação do Penjing arte de origem Chinesa, que cria paisagens em miniatura em bandejas “Suibans”, aqui um pouco dos seus trabalhos. 

Criando pequenos mundos:

1 – Quando você se interessou e começou a se dedicar arte do Penjing ?

Acredito que por volta de 1995

2 – Quais espécies você mais gosta de trabalhar na elaboração de uma paisagem?

Realmente não tenho preferências por espécies mas por tamanho: pequenos. Na verdade algumas espécies são muito interessantes para trabalhar como: Serissas, Ulmus e pequenos Juníperos pela facilidade de serem encontrados.

3- Você faz algum tipo de desenho ou esboço do seu projeto antes de uma demonstração, ou da finalização de um penjing?

Não faço, não tenho aptidão para desenho. Meu trabalho acontece a medida em que vou mexendo com os materiais que tenho disponíveis.

4- Como você escolhe os elementos que farão parte da sua composição?

-Sempre procurei dar aos meus trabalhos alguma tropicalidade ou, melhor ainda, uma certa Brasilidade, então, dentro deste conceito procuro dar formas dentro destas especificações. Em certos momentos não temos muita escolha pois, dependendo do local onde estou, tenho que trabalhar com o material que, no momento, tenho as mãos.

5 – Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mas as circustâncias de clima e adaptação não permitem ?

Pequenos pinheiros-negros.

6 – Dos seus trabalhos qual você destaca com um carinho especial. Me fale um pouco sobre ele.

Foi um trabalho realizado em Mandaguarí, ao iniciar me ocorreu a idéia de conseguir duas frentes o que não é muito comum. Sentí que havia conseguido e, isto me trouxe alguma satisfação.

7- Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

Não, o fato de não ter tido um professor quando iniciei fez com que “batesse cabeça” por alguns anos e, neste meio do caminho fui me encontrando com as Paisagens de Bonsai. Já havia feito alguns quando, em 1998, tive a oportunidade de fazer um Workshop com Qingquan Zhao. Foi excelente conhecê-lo e ter a oportunidade de vê-lo trabalhando mas, naquele momento já havia escolhido a maneira de trabalhar minhas paisagens. Sempre com pequenas árvores onde procuro mostrar, de forma didática, a oportunidade para que qualquer pessoa sinta-se apta a criar o seu próprio.

8 – Você gosta mais de algum estílo de Penjing ou Bonsai em particular ?

Creio que todo trabalho bem feito é do meu agrado e, de todos, mas especificamente no bonsai, gosto dos mames e shohins.

9 – O que a arte do Penjing e do Bonsai agregou na sua vida ?

Definitivamente: VIDA

10 – Você acha que um Penjing deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística ?

Certamente a liberdade criativa, quando usada com bom senso e observação fará com que consigamos bons trabalhos. Diria que o sentido de proporção e profundidade são pilares na criação de uma Paisagem de Bonsai independente dos materiais a serem usados.

11 – Que artista do Penjing e do Bonsai (um ou mais) chama a sua atenção, hoje no cenário mundial ?

Qingquan Zhao, é o artista mais reconhecido em todo o mundo na área das Paisagens de Bonsai. É certo que existem vários.

12- Hoje é mais fácil nos dedicarmos a criação de bonsai e penjing? Quais eram as maiores dificuldades no seu início?

Eram as informações, percebia que os que tinham conhecimento faziam em torno deste conhecimento um muro. Não havia muita literatura, revistas e a internet engatinhava. Hoje este cenário reverteu a favor dos interessados.

13- Qual a sua percepção, hoje, da arte do Penjing e do Bonsai no Brasil? Você acha que teve um crescimento? Há uma maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

Com certeza, hoje em dia, a Arte do Bonsai brasileira é comentada e reconhecida. Nos falta ainda uma maior união dentro de nosso País, batalha esta pela qual tenho lutado deste o princípio criando meu site em 1997 e o Fórum desde 2004. Pessoalmente, iniciei as minhas aventuras internacionais pela Bolívia, a convite do Club Bonsai Bolívia, depois, em 2003, um convite da Bonsai Centrum Nitra repetido em 2010. Neste momento já estive em 8 países mostrando um pouco do meu trabalho. Temos outros bonsaístas que estão aparecendo no cenário mundial cada vez mais.

14 – Que conselhos você poderia dar para quem está começando a se dedicar na arte do Penjing.

Olhem trabalhos realizados para perceber detalhes de lajes (suiban), pedras, figuras e árvores utilizadas mas, olhem especialmente a própria Natureza. Nunca copiem, nem dos trabalhos vistos e nem da Natureza, usem apenas os detalhes fundamentais para o seu trabalho, isto se transformará em um exercício de criatividade. Busquem o seu caminho, a sua assinatura.

15- Quais atributos o bonsaísta deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos ?

Paciência, em primeiro lugar depois, dedicação.

16- Quais os benefícios físicos, mentais que podemos encontrar nos dedicando a arte do bonsai?

Para os que gostam de Yamadori é um belo exercício físico agora, a terapia ocupacional proporcionada pelo Bonsai é um relaxante mental. Inigualável!

17 – Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte:

Depois de algum tempo trabalhando com as Paisagens de Bonsai, acredito ter encontrado uma definição adequada:

“Capturar uma paisagem e aprisioná-la em uma bandeja (suiban) com a sutileza de detalhes é, fundamentalmente, a Arte da PAISAGEM DE BONSAI. Para que isto aconteça temos que deixar que nossa imaginação flua, livremente, dentro da expectativa que a Natureza nos oferece. Neste momento, ousarmos como criadores de pequenas Naturezas.”

SOBRE O BONSAI

O tempo não faz de você um bonsaísta, é o seu interior que é ou não.

Mario leal tem dois livros publicados sobre Penjing e Bonsai, você pode comprar em livrarias especializadas e no seu site:

http://www.atelierdobonsai.com.br/

Gostaria de agradecer o pronto atendimento do Martio Leal ao meu pedido de entrevista. Um grande abraço e parabeens pelos trabalhos.

Paulo Netto