Felipe Dallorto – Entrevista

Posted in Aido Bonsai, Bonsai - Entrevistas no Brasil, Bonsai no Brasil with tags , on 4 d e agosto d e 2017 by aidobonsai

Aqui mais uma entrevista com um bonsaísta que vem se destacando no Brasil,  Felipe Dalorto tem um trabalho de criação, modelagem, triângulação e  estética muito apurados.  Obrigado Felipe, pela disponibilidade de dar a entrevista, parabéns pelos seus trabalhos e por essa paixão a arte do bonsai. OSSSSS

1 – Felipe quando você se interessou e começou a se dedicar arte do Bonsai ?

Comecei no ano de 2001 comprando bonsai de supermercado. O primeiro morreu, depois comprei outro no mesmo supermercado, daí morreu também…rsrs comprei o terceiro também no mesmo supermercado, antes que morresse, comecei a pesquisar pela net e encontrei um curso de bonsai em Jacarepaguá, onde residia nesta época. Foi aí que conheci o Edson Sanroma, do extinto bonsai Sanroma, onde fiz meu primeiro curso de bonsai no ano 2003.  No ano de 2005 conheci o Roberto Gerpe e comecei a estudar com ele, anos depois entrei para a escola do Claudio Ratto. Entre os anos de 2005 a 2012 , fiz diversos workshops com mestres internacionais e nacionais. Em 2014, participei do concurso de novos talentos no evento Bonsai 2014 no Museu do Bonsai em Minas Gerais.  Ganhei em primeiro lugar e conheci o artista Italiano Mauro Stemberger, onde estudei com ele na Itália por 3 anos e me formei como instrutor profissional da escola dele na Italian Bonsai Dream.

2- Como você vê o crescimento do Bonsai hoje no Brasil ?

Vixi, cresceu de mais! Lembro bem da época que comecei, eram poucos que faziam cursos e também as informações eram precárias em relação a hoje. Com a facilidade de informações no mundo virtual, podemos afirmar que o bonsai cresceu muito e infelizmente de forma desordenada, pois muitas pessoas acham que irão aprender pela internet.

Bonsai é prática orientada,  assim como qualquer outra atividade, seja esporte, arte, música e etc.. sem prática orientada, muito difícil fazer qualquer atividade com qualidade e destreza.

3- Você gosta de fazer demostrações ? Que estilo de bonsai você mais gosta de trabalhar nos eventos que participa?

Sim , adoro as demonstrações. Gosto do desafio da criatividade. Você precisa pensar rápido e tomar decisões em pouco tempo, gosto desta adrenalina.

Sobre o estilo, não tenho muita preferência. Gosto de trabalhar todas as espécies no mais variados estilos. Quanto maior a qualidade do material, melhor o resultado final. Sinto falta disso aqui no Brasil, pois no exterior, as árvores são mais preparadas para as demonstrações. Aqui pegamos muitos materiais brutos do campo, onde dificulta muito um resultado final com qualidade.

4– Quando você está ensinando seus alunos, administrando cursos qual sua maior preocupação ?

Com certeza a didática, tento ser o mais didático possível, para que o aluno possa absorver bem as técnicas.

5- No seu curso como você tem um foco principal ? Entre: Teoria, Técnica, Prática ?

Tento passar o máximo possível da prática, pois aprendi muito praticando na Europa. Teoria é importante para a parte fisiológica.

Técnica de posicionamento de galhos, estrutura, aramação, poda, design, traumas e etc.. você só aprende na prática.

6- Você vê alguma diferença dos bonsaístas brasileiros, para os que se dedicam a arte fora do Brasil ?

Muita diferença! Aqui no Brasil, muitos começam como comecei, comprando “Malsai” de supermercado e tentando aprender na internet. Lá fora, quem tem interesse em começar na arte, entra para uma escola com um profissional qualificado.

Já ministrei 3 workshops na Europa junto ao meu mestre Mauro Stemberger, e pude perceber que o nível básico de quem está começando por lá é quase o nível avançado de pessoas daqui do Brasil, devido à qualidade de ensino nas escolas.

Outra é que muitos brasileiros que nunca fizeram cursos e que não se capacitaram como profissionais, ministram cursos e workshop para o público e isso gera uma confusão e distorção da arte no geral.

7 – Quais espécies você mais gosta de trabalhar ?

Pithecolobium tortum, Caliandra Espinosa, jabuticabas e as figueiras.

No quesito complexidade, os Pinheiros e juniperus, são mais interessantes e desafiadores.

8 – Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mais as circustâncias de clima e adaptação não permitem ?

Com certeza as coníferas, pinheiros e juniperus.

9 – Dos seus trabalhos qual você destaca com um carinho especial. Me fale um pouco sobre ele.

Destaco esse Pithecolobium Tortum, devido às inúmeras dificuldades que tive de mantê-lo comigo. Desde a coleta em 2010  com meu amigo Fábio Nery do Rio, tive dificuldade de trabalhar e manter ao meu lado, pois não tinha um espaço para colocá-lo. Sempre a árvore estava na casa de amigos e familiares. Quando me juntei com minha ex companheira, levei comigo e pude dar os primeiros passos nela. Anos depois, me separei  e tive que vender, mas para minha sorte, vendi para o proprietário do bonsai Leblon no Rio, no qual presto serviço para o mesmo e consegui dar continuidade nos trabalhos.

10– Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

Sigo o que as espécies mandam, se for uma conífera, estilizo como uma conífera, se for uma tropical, estilizo como uma tropical.

Aqui no Brasil, muitas pessoas aindam estão presas no bonsai japonês, estilizam árvores tropicais como Pinheiros e juniperus que nascem no Japão.

A técnica e a escola é uma só “Japonesa” digo; aramação, colocar a arvore no vaso, formas de patamares de diferentes espécies, torções, estilos de bonsai como moyogi, chokan e etc.. praticamente a maior parte das técnicas e informações da arte no geral é do Japão, mas as pessoas precisam entender que o Japão usam suas espécies nativas para fazer bonsai e delas que saem as inspirações e criações.

A Europa e os EUA, começaram na arte com espécies japonesas, após as idas e vindas de artistas no Japão, começaram a entender e praticar a arte com suas espécies nativas, desta forma, criaram sua identidade no bonsai do seu país, como na Europa que já é uma grande referência no mundo do bonsai com suas árvores nativas e agora os EUA que estão montando sua identidade.

11 – Você gosta mais de algum estílo de bonsai em particular ? Qual ?

Gosto de todos os estilos, sou apaixonado e muito aficionado pelo bonsai, mas o que mais me chama a atenção é o semi cascata e o literati.

12 – O que a arte do bonsai agregou na sua vida ?

Muitas coisas, principalmente paciência,  muita paciência…rsrsrs

13 – Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística ?

Então, na minha opinião e voltando um pouco do que disse na pergunta n:10 , o bonsai tem que ser como as árvores são, não digo da forma naturalista, mas com um design estético junto ao comportamento das espécies.
Por exemplo ; você já viu um Pinheiro e juniperus estilizados no Japão ou da Europa  com os galhos pra cima como uma tropical ou como uma caduca ? Acredito que não, pois cada espécie tem seu comportamento no ambiente que nascem.  A forma artística entra na criatividade, na transformação de um material que veio de uma forma bruta e você tem a liberdade para mudar ou não esta forma, dentro do comportamento de cada espécie.

14- Que bonsaístas chamam a sua atenção, hoje no cenário mundial ?

Com certeza meu mestre Mauro Stemberger que é requisitado no mundo inteiro e o Bjorn Holm, no qual tive a oportunidade de conhecê-lo e de ter trabalhado o seu lado na China.

15- Qual a sua percepção hoje da arte do bonsai no Brasil ? Você acha que teve um crescimento? Há uma maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

As coisas estão começando a fluir, acredito que em 10 anos estaremos com uma identidade mais concretizada no mundo do bonsai.  Temos bons artistas no Brasil, o que precisamos fazer de imediato é trabalhar mais as nossas nativas e estudar mais, desta forma a projeção mundial será natural.

16- Você esteve no Encontro nacional de Bonsai em Minas ? O que te chamou atençnao no evento ?

Sim, estive neste importante evento no Brasil.
O que me chamou a atenção foi a quantidade de pessoas novas e de diferentes estados e até de países vizinhos participando no evento. Sinal que o bonsai no Brasil está crescendo.

17- O que você gostaria de vêr nos eventos futuros do Bonsai 2018 ?
Gostaria de ver algumas pessoas de todas as associações, clubes, lojas e profissionais que não vi neste ano e 2017 no evento. Temos que nos esforçar mais na união e compartilhamento das informações.

18 – Que conselhos você poderia dar para quem está começando a se dedicar a arte do Bonsai.

Procurem sempre um profissional, façam um bom curso.   Não percam seu tempo com informações na internet. Você nunca irá dirigir um carro lendo um manual… pois para dirigir nas longas estradas é preciso prática, assim como na arte do bonsai.

19- Quais atributos o bonsaísta deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos ?
Talento, criatividade, paciência e ser estudioso.

20- Me fale um pouco do seu espaço, hoje você cuida de quantas plantas?

Infelizmente ainda não tenho um espaço. Vivo em um quarto em Copacabana e estou me esforçando o máximo para concretizar esse sonho.

21- Quais os benefícios físicos, mentais que podemos encontrar se dedicando a arte do bonsai?
Coordenação motora, atenção, criatividade, paciência, contato com a natureza e paciência, muita paciência. Rsrsrs

22– Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte.

Galhos retorcidos, aromas no ar, folhas no chão, sinais das estações e do mundo antigo.
Somos jovens, vagando pela face da terra, moldando árvores centenárias, onde a beleza nos hipnotiza e a troca alimenta a alma .

Entre na galeria e veja mais trabalhos de Felipe Dalorto:

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Fazendo um display para Conchas

Posted in Coleção de conchas, Curiosidades with tags , on 24 d e junho d e 2017 by aidobonsai

Aqui publico as fotografias das etapas de criação e produção de como eu faço alguns displays para guardar a minha coleção de conchas.

1- Material: Placa preta de EVA, régua de aço, faca olfa, fita dupla face, tesoura muito afiada, régua de gabarito quadrada, papelão rígido e feltro preto.

2- Primeiro eu pego um papelão e corto do tamanho da gaveta onde vou guardar as conchas.  Eu cubro o papelão com feltro negro usando fita dupla face, criando uma base para aplicar as divisões para as conchas de diversos tamanhos.

3- Passo fita dupla em um dos lados da placa de EVA para cortar.

4- Aqui cortei tiras de meio centímetro. Essa gaveta é para guardar conchas que tem de tamanho de 6 milímetros à 3 centímetros.

5- Começo a colar as tiras da borda para dentro, e vou escolhendo as distâncias dependendo do tamanho das conchas que vou encaixar.

6- Vou montando os espaços.

7- Aqui a placa já pronta para encaixar na gaveta. Essa arrumação permite que depois de fotografar, você possa catalogar todas as conchas no computador. Você pode numerar a borda das casas e relacionar todos os números em uma lista no seu computador.  Se você for colocar uma placa de catalogação completa, escrita ao lado das conchas deste tamanho, você teria que ter de 8 à 12 gavetas, para essa mesma quantidade de espécies.

Aqui a criação de uma placa única com 6 divisões apenas.

1- Começo desenhando com caneta os cortes que quero fazer na placa de EVA.2- Depois de cortado, coloco fita dupla na parte que será colada na placa de feltro negro. Passo fita dupla em todas as partes da placa.

3- Aqui a placa já colada com as conchas posicionadas. Aqui também conchas com o tamanho máximo de 3cm.

4- Aqui a placa dentro da gaveta de metal, que possui 5cm de altura. Ela é uma das gavetas de um móvel que comprei em 1989 na Tok Stok. Cada módulo vem com 6 gavetas, eu comprei na época 10 módulos somando 60 gavetas, apenas para guardar conchas de pequeno porte.

5- Nas fotos algumas gavetas em que eu fiz o display com papel cartão pesado, pintado de preto, acompanhando a cor do feltro, desta forma a concha se destaca bem do fundo.

OBS: As conchas da foto expostas à luz apenas ficam nessa situação quando recebo amigos, biólogos e outros colecionadores. As conchas ficam sempre totalmente cobertas, pois a luz e o sol afetam a pigmentação das conchas.

Aqui outra opção: uma gaveta com as placas de EVA cortadas com espaço para colar a classificação dos gastrópodes.

6- Agora a criação de um display para conchas menores ainda. As conchas aqui vão ter de 2 mílímtros à 6 mílímetros apenas. Para esse tamanho, temos que usar o feltro de fundo, para não permitir que as conchas se movam quando a gaveta é aberta.  Esse display permite guardar em uma única gaveta 500 conchas.

7- Você pode também, além do EVA com feltro, valorizar conchas raras usando tampas de produtos diversos. Eu corto o feltro do tamanho do fundo da tampa, isso faz com que a concha não deslize e fique bem segura.

Nesse a seguir acima usei tampa de Guaravitom, caixa de bombom da cacau show e tampa acrílica de mousse vendida em loja de embalagens.

Eu faço no Corel Draw a planta baixa, geométrica da caixa, e numero cada compartimento, assim você pode catalogar cada gaveta economizando 90% de espaço. Se você for colocar uma etiqueta completa de classificação ao lado de cada espécie diferente, você precisaria de 6 gavetas para catalogar 50 conchas, desta forma uma gaveta pode conter até 70 conchas de 3 centímetros, de forma bem destacada. Vou esta semana acrecentar aqui a planta baixa desta gaveta.

8- Aqui um display onde eu colo tampas iguais de Coca Cola com cola quente ou Tek Bond na placa de papelão, e depois eu pinto tudo com colorj Jet negro brilhante. Depois eu corto feltro negro e coloco no fundo de cada tampinha.

Entre na galeria e veja todas as fotos:

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250 Suisekis – As esculturas da natureza

Posted in Arte - Suisekis with tags , , , , , on 22 d e maio d e 2017 by aidobonsai

Aqui uma galeria para quem gosta de Suisekis, 250 fotografias de suisekis representando:  montanhas, pessoas, animais, flores, rios, insetos, verdadeiras esculturas naturais, expostas em daizas de todas as formas.

Aqui no blog você pode ler uma matéria sobre a história do Suiseki e todos seus detalhes:   https://aidobonsai.com/2008/12/29/suiseki-uma-arte…il-anos-de-idade/Você pode fazer pequenos suisekis, procurando pequenas pedras, leia essa matéria:   https://aidobonsai.com/2009/04/25/procurando-peque…ontanhas-suiseki/

Abaixo pedras recolhidas em ruas, praças, terrenos baldios e na praia de Itaipauçu, em um pequeno espaço, muitos suisekis, cada um com uma história.

Entre e veja mais 240 Suisekis de todo mundo:

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Roberto Gerpe – Visita ao seu Viveiro

Posted in Bonsai - Árvores especiais, Bonsai - Grandes Mestres, Bonsai no Brasil with tags , on 12 d e maio d e 2017 by aidobonsai

Um dos mais experientes e talentosos artistas do Brasil.

Hoje, dia 12 de Maio, voltei do viveiro do meu amigo e bonsaísta Roberto Guerpe e não tem como não retornar para casa com muita energia e com vontade estudar cada dia mais.

Tive o prazer de ser convidado pelo Roberto para fotografar e ajudar a produzir o seu livro pessoal  “A arte de Roberto Guerpe” (título provisório).  Roberto, no seu livro, vai contar um pouco da  sua história, falar sobre seus mestres, a sua trajetória na arte, e depois de todo seu acervo ser fotografado, escolher quais bonsais, entre mais de 150 trabalhos , serão contemplados em seu livro.

Hoje fizemos nossa primeira reunião de trabalho, onde começamos a decidir todo o processo fotográfico, direção de arte e conteúdo que o livro vai abordar.

Um pouco sobre o mestre Roberto Gerpe:

O primeiro mestre a transmitir as primeiras informações sobre a arte ao Roberto Gerpe foi Namizo Nakarara em Friburgo, no ano de 1985.

Roberto fez vários cursos na Alemanha com o mestre Horst Krekeler e workshops com Marc Noelanders e Udo Fisher. Quando voltou da Alemanha, Roberto conheceu o grande mestre Osamu Hidaka e com ele aumentou seus conhecimentos na arte do bonsai.

Em 1986 Roberto criou A Art Bonsai no Rio de Janeiro, empresa que manteve por 10 anos. Em 1997 foi para o Japão onde teve aoportunidade de conhcer o mestre Masahiko Kimura.

Em 2000, Roberto se muda para California onde começa a ter aulas periódicas com o grande mestre John Naka. Roberto também estudou com Ernie Kuo por 3 anos.

Estarei complementando essa matéria com fotos de vasos chineses de todos os tamanhos, que estão sendo vendidos por Roberto Guerpe, além de algumas plantas.

Já deixo aqui ao Roberto meu agradecimento pelo convite, pois será uma honra e um  prazer fotografar e ajudar a produzir seu livro.

“Cada vez que pratico a arte tomo conciência que sei muito pouco”

 Roberto Gerpe

Entre na galeria e veja mais fotos dos trabalhos de Roberto Gerpe:

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Espaço Aido Bonsai

Posted in Aido Bonsai, Bonsai - Meus Trabalhos, Bonsai no Brasil, Penjing Brasil with tags , on 5 d e maio d e 2017 by aidobonsai

Fotos do espaço Aido Bonsai. venha fazer um curso de Bonsai ou Penjing em um espaço que se dedica a essa arte milenar por 27 anos.  

Entre na galeria e veja mais fotos do espaço Aido Bonsai:

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Adriano Roldão bonsais com muita arte.

Posted in Bonsai - Entrevistas Internacionais, Bonsai - Entrevistas no Brasil, Bonsai - Ferramentas-Utilização, Bonsai - Matérias especiais, Bonsai no Brasil with tags , , on 27 d e abril d e 2017 by aidobonsai

Os Juniperus de Adriano Roldão na minha opinião, podem ficar em exposições ao lado dos trabalhos de grandes mestres internacionais. São árvores que possuem história na sua criação e principalmente muita poesia.

A medida que fui escolhendo fotografias no seu acervo pessoal, fiquei muito feliz de saber que está matéria seria uma das mais ricas publicadas nos 6 anos de blog, pois vocês vão poder observar ás árvores em suas etapas de trabalho.

Muito obrigado Adriano pela disponibilidade em dar a entrevista e de dividir com os leitores, o seu trabalho que possui um material fotográfico tão rico.

1 – Quando você se interessou e começou a se dedicar à arte do bonsai?

Eu ainda morava em Porto Alegre quando tive meu primeiro contato com bonsai, em uma exposição dentro de um shopping. Fiquei maravilhado. Somente em 2008 já morando em Curitiba, foi que, lendo jornal me deparei com uma matéria sobre bonsai. Somente depois de um empurrão da esposa fui atrás dos contatos e fiz meu primeiro curso de bonsai. A partir dai não parei mais.

Adriano trabalhando na coleta de um grande Jacaré (Juniperus horizontalis)

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Entrevista Ladoso do Bonsai Shizen

Posted in Bonsai - Entrevistas no Brasil, Bonsai no Brasil with tags , on 26 d e abril d e 2017 by aidobonsai

Dando continuidade as entrevistas de 2017, trago aqui o professor e dono do Bonsai Shizen, Ladoso, muito obrigado por ter você aqui no blog. Grande abraço

1 – Quando você se interessou e começou a se dedicar arte do Bonsai?

Na década de 80 eu conheci o filme Karatê Kid e comecei a me dedicar a arte do bonsai, hoje já fazem 20 anos. Perdi muito tempo, pois não conhecia nenhuma escola.

2- Como está o crescimento do Bonsai hoje em Minas Gerais?

Minas esta acompanhando a evolução do bonsai, graças ao Francisco (Chicão), por trazer grandes nomes do bonsai do exterior, e  também por fazer parceria e trazer o encontro do Mário Leal para Minas Gerais. Temos também muitos talentos em Minas: Rock Júnior, Renan Braido, Fernando Magalhaes e outros.

3- Você gosta de dar aulas? Como surgiu o Bonsai Shizen?

Amo de paixão, principalmente quando vejo o olhar de admiração dos alunos para com a arte, me sinto realizado. Eu comecei a aprender mesmo quando me associei a grupos, especialmente em Pedro Leopoldo (Cidade vizinha). Quando esse grupo acabou, resolvi fazer um no meu viveiro. Depois que já tinha um certo conhecimento comecei a dar aulas, e assim surgiu a Bonsai Shizen

4- Hoje o que o Bonsai Shizen traz para seus alunos e clientes?

Além do conhecimento da arte e cultivo, levo muito a sério os ensinamentos que acompanham o bonsai, não gosto mais da palavra filosofia, prefiro dizer os ensinamentos da natureza. Os resultados sãos boas amizades dentro de um padrão de comportamento baseados nos ensinamentos: Cooperação e Humildade.

5- Quando você está ensinando seus alunos, e administrando cursos, qual sua maior preocupação ?

Envolve-los completamente ao ponto de captar a exência do bonsai,  e mostrar a eles o que vai ser exigido para ser um bom bonsaísta.

Turmas aprendendo a Arte do Bonsai no Bonsai Shizen:

Aula na Universidade de São João Del Rey:

6- No seu curso você tem um foco principal ? Entre: Teoria, Técnica, Prática ?

Tudo começa pela teoria, a primeira aula é teoria geral incluindo a técnica, mas 80% é prática. A prática concretiza tudo.  Abaixo Cambuí.

7 – Quais espécies você mais gosta de trabalhar no Bonsai Shizen ?

Hoje gosto de todas, mas inicialmente minha preferência era Pithecolobium, Jabuticaba, Caliandra, Buxinho, Serissa e pitanga.

8- Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mais as circunstâncias de clima e adaptação não permitem?

Gosto muito do Pinheiro Negro, já perdi muitos e ainda estou aprendendo cultiva-lo. Aqui em Minas é um pouco quente, então é preciso saber cultiva-lo.

9– Dos seus trabalhos qual você destaca com um carinho especial. Me fale um pouco sobre ele ?

Tenho vários nessa situação, mas hoje tenho um carinho pelo bonsai de Pithecolobium Dumosum, é o meu primeiro trabalho naturalista.

10- Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

Amo de paixão todas as escolas e padrões. Sigo um pouco de cada, mas minha inspiração é a natureza.

Penjing com Pithecolobium dumosum.

11 – Você gosta mais de algum estílo de bonsai em particular ? Qual ?

Já gostei muito do Moyogi que é o primeiro amor. Hoje gosto do Bujing, Shakan, e Fukinagashi, não tenho preferência por um só em particular.

12 – O que a arte do bonsai agregou na sua vida ?

Aquelas arvorezinhas nas montanhas no meio das pedras surradas pelo vento e raios com carência de água e nutrientes e mesmo assim encontraram equilíbrio e beleza. Aprendi a buscar o contentamento seja qual for à situação na minha vida.

13 – Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística ?

A técnica (regras) vem em primeiro lugar, através delas compreendemos as formas. Depois de domina-las entendemos o seu objetivo, dali em diante o foco é a harmonia.

John Naka Disse:  “Não faça sua árvore parecer um bonsai, faça seu bonsai parecer uma árvore”

14 – Que bonsaísta (um ou mais) chama a sua atenção, hoje no cenário mundial ?

Dois bonsaístas que foram marcantes na minha vida, com uma nova visão foram: Luiz Nel e Walter Pall.

Um bonsaísta como pessoa: Carlos Tramujas

15- Quais eram as maiores dificuldades para desenvolver a arte no início?

Conseguir material de qualidade e plantas de fora.

16- Qual a sua percepção hoje da arte do bonsai no Brasil ? Você acha que teve um crescimento? Há uma maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

A arte esta crescendo, bonsai é uma longa caminhada. Temos alguns nomes se destacando lá fora. Eu costumo dizer que o bonsaísta passa por três fases:

1º  Acumulador 

2º  Faz bonsai 

3º  Faz Árvore  (Bonsai com cara de árvore)

Ainda temos muitos fazendo bonsai  

17- Que conselhos você poderia dar para quem está começando a se dedicar à arte do Bonsai ?

Bonsai não se aprende sozinho, não se isole e seja de mente aberta e humilde para aceitar criticas, não fique só na internet, a arte só se concretiza fazendo um curso com um bom professor.18- Quais atributos o bonsaísta deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos ?

Amor à arte e ser constante e esmerado.

19- Me fale um pouco do seu espaço, hoje você cuida de quantas plantas?

Meu espaço é pequeno, mas é aconchegante. De coleção tenho 40 bonsais.

20- Quais os benefícios físicos, mentais que podemos encontrar se dedicando a arte do bonsai?

Já soube de uma matéria que disse que a pratica do bonsai combate mal de alzheimer, o bonsai é a uma arte ímpar que nos liga diretamente com a natureza, isso nos causa bem estar.21– Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte.

“Uma arvore no vaso é só uma arvore no vaso, ela se torna bonsai quando toca a alma”

Walter Pall

Entre na galeria e veja mais trabalhos do professor Ladoso:

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Bonsaístas do Brasil

Posted in Bonsai - Bonsaistas do Brasil, Bonsai - Galerias de fotos with tags , , on 20 d e abril d e 2017 by aidobonsai

Trago aqui uma galeria de fotos antigas, que foram publicadas nas revistas:  Atelier do Bonsai, Universo do Bonsai, Como cultivar bonsai e O mundo do Bonsai.

Essas revistas entre os anos de 1989/ 1998 eram as únicas publicações sobre bonsai no Brasil. Aqui vocês verão árvores de grandes bonsaístas como:  Vicente Romagnole, Yasuji Hoshiba, Fabio Atakly, Bonsai Okuda, Renan Braido, Regina Susuki, Renato Bocabello, Sergio Siqueira,  entre muitos outros. 

Marcelo Miller

O bonsaísta Marcelo Miller foi um pioneiro as suas revistas: Atelier do Bonsai e O mundo do Bonsai, divulgaram muito nossa arte e os bonsaístas do Brasil, é uma pena que não tenhamos hoje uma revista brasileira especializada em bonsai.

Entre na galeria e veja mais 55 bonsais de artistas brasileiros:

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Bonsai, Tattoo e Pintura, a paixão do artista Márcio Martin

Posted in Aido Bonsai, Bonsai - Entrevistas Internacionais, Bonsai - Entrevistas no Brasil with tags on 17 d e abril d e 2017 by aidobonsai

Trago aqui os trabalhos do artista Márcio Martin, que chamou muito minha atenção por se dedicar não só ao Bonsai, mas por ter um trabalho lindo de Pintura e Tatuagem. É muito bom conhecer um artista de Minas Gerais, que está se dedicando muito para a divulgação dessa arte, com seus videos no You Tube e no cultivo de suas árvores em Minas Gerais.

Quando você se interessou e começou a se dedicar as artes da Pintura, desenho e da Tatuagem ?

Desenho desde uns 8 anos de idade por influência de uma tia. Comecei a me dedicar a tatuagem,que hoje tenho como profissão a uns 15 anos atrás e a pintura acabou sendo uma conseqüência.

Como surgiu o Bonsai na sua vida ?

Acredito que como a maioria dos brasileiros, meu primeiro contato com o bonsai foi através do filme Karatê Kid, mas sempre gostei de plantas, desde pequeno.

Como sua pintura e o desenho inlfuencia no seu trabalho de bonsai ?

Acredito que todas as artes tem algo em comum, já que a arte é uma forma de expressão, então uma complementa a outra pois as artes de um modo geral afiam a nossa percepção.

 

O cultivo do bonsai influenciou a sua pintura ?

Na verdade o bonsai influenciou toda a minha vida, não só a pintura, mas como ele me transformou internamente, reflete em tudo o que eu faço.

Quais espécies você mais gosta de trabalhar ?

Adoro a Serissa Foétida, Bougainvillea, Jaboticaba e os Pitecos. Mas também gosto de várias outras como, Ulmus, Pingo de Ouro, Amora, Pitanga, etc.

Que espécie você gostaria de trabalhar na sua região, mais as circustâncias de clima e adaptação não permitem ?

Gostaria muito de poder aprender e poder trabalhar os pinheiros em geral, mas aqui é bem difícil.

Dos seus trabalhos qual você destaca com um carinho especial. Me fale um pouco sobre ele?

Tenho um pré bonsai que pra mim é o mais especial, por que foi a primeira planta do meu viveiro.Trata-se de uma Serissa Foétida q ganhei de um amigo depois de comentar com ele a minha vontade de aprender a arte do bonsai. Essa planta não está tão estilizada, pois sempre tento fazer intervenções bem calculadas nela pra não correr o risco de errar, mas ela já deu origem a varias plantas através da estaquia já que essa foi a primeira técnica que apliquei.

Você segue alguma escola ou estilo nas suas criações?

Acho que nós brasileiros de um modo geral seguimos mais a escola japonesa, mas acho que estamos tendo uma visão um pouco mas ampla e nos deixando influenciar Tb por outras escolas, principalmente a Européia.

Você gosta mais de algum estílo de bonsai em particular ? Qual ?

Sim, o SEKIJÔJU. Principalmente por conta das suas raízes que mostram muita força e perseverança ao se desenvolver abraçando uma pedra.

Você faz algum tipo de croki ou esboço dos seus trabalhos, quando eles ainda estão em fase de criação ?

Sim. Acho muito adequado, já que a planta é algo a ser trabalhado e não uma forma pronta. Acho que quando se faz um desenho antes, você consegue visualizar melhor as possibilidades e o futuro da sua planta.

É como se você fosse construir uma casa, primeiro você faz uma planta pra depois começar a construção.

O que a arte do bonsai agregou na sua vida ?

O mestre Rock Jr,  certa vez disse uma frase que me marcou muito:

Na arte do bonsai a gente entorta a planta enquanto ela nos desentorta”.

E é isso, o bonsai me trouxe uma capacidade de me auto-avaliar de maneira a buscar o meu melhor como pessoa, enquanto lido com meus defeitos e aprendo com meus erros. Mas os principais beneficios que a arte meu trouxe foram, a paciência, tolerância e o respeito à natureza.

Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística ?

Acho que um está ligado ao outro,  as técnicas são muito importantes, já que são fruto de muito estudo dos antigos e uma maneira que explica as formas da natureza de maneira mais didática..

Mas também acho que a arte é uma obra aberta, e deve sim seguir uma direção mais livre já que ela é o resultado do sentimento e inspiração do artista. Para mim o novo deve se juntar ao antigo de forma respeitosa, porém firme e inovadora.

Que bonsaísta (um ou mais) chama a sua atenção, hoje no cenário mundial ?

Não tem como deixar de citar em 1º lugar o mestre Masahiko Kimura, pois pra mim ele é o exemplo do que eu disse antes, o novo e o antigo, com ousadia, inovação e respeito.

Entre vários outros que gosto muito estão:

Walter Pall, Mauro Stemberger, Salvatore Liporace, David Benavente, Masashi Hirao, Taiga Urushibata, Ryan Neil, Robert Esteven, Andres Bicocca, Nacho Marin, entre outros….

E dos brasileiros:

Meu mestre Ladoso, Carlos Tramujas, Rock Jr., Fernando Magalhães, Francisco Corrêa (Chicão), Mário Leal, Felipe Dallorto, Marcelo Martins, Charle White, Renato Bocabello, Paulo Netto, Sergivaldo Costa, Fabiano Costa, Edson Cordeiro, entre outros.

Hoje é mais fácil começar a se dedicar a criação de bonsais? Quais eram as maiores dificuldades no início?

Acho que de um modo geral, a internet facilitou muito a vida do ser-humano e no bonsai não é diferente. Assim como na tatuagem, as maiores dificuldades eram as informações e o acesso a material de qualidade, como plantas e ferramentas.

Qual a sua percepção hoje da arte do bonsai no Brasil ? Você acha que teve um crescimento? Há uma maior projeção dos nossos artistas no cenário mundial?

Bom, do pouco tempo que tenho no bonsai (cerca de 7 anos), pude ver que como em toda arte tem pessoas querendo ajudar e outras nem tanto, mas acho que a maioria quer ajudar e fazem isso principalmente na internet onde divulgam fotos de suas plantas e sua experiências. Um cara que tem ajudado muito na divulgação do bonsai no Brasil e no mundo é o Mário Leal, que com seu evento anual reúne uma galera bem bacana em torno da nossa arte e isso tem agregado muito nesse sentido. E um exemplo que gosto de citar é o Felipe Dallorto, que tem viajado o mundo mostrando a arte do bonsai aqui do Brasil.

Como está o crescimento do bonsai em Minas Gerais, que bonsaísta (s) você destaca pelo seu trabalho?

Aqui o bonsai está indo muito bem.Temos o privilégio de ter grandes mestres que além de se dedicar a arte, também se dedicam ao ensino da mesma. Destaco o meu mestre Ladoso, o Rock Jr., o Fernando Magalhães e o Francisco Corrêa (Chicão).

Que conselhos você poderia dar para quem está começando a se dedicar a arte do Bonsai.

Estudo e pratica, além de paciência. Bonsai não é fácil porque demanda tempo e dedicação, mas vale muito a pena. O respeito aos mais velhos também é sempre uma maneira de honrar os pioneiros da nossa arte.

Quais atributos o bonsaísta deve ter para conseguir um bom resultado nos seus trabalhos ?

O mais importante é gostar de plantas, respeitar a natureza em toda sua sabedoria e saber que quem manda é ela. E o respeito para com os mais antigos, porque só trilhamos esse caminho hoje, graças a dedicação que eles empregaram pra ajudar a arte e sua difusão.

Quais os benefícios físicos, mentais que podemos encontrar se dedicando a arte do bonsai?

Calma, serenidade, respeito, percepção artística e ética aguçadas, além de uma grande realização pessoal.

Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte ?

A Natureza é sábia, permita que sua voz ecoe em seu coração, pois essa é a voz de Deus!!!

A Natureza é sábia, permita que sua voz ecoe em seu coração, pois essa é a voz de Deus!

Muito obrigado Márcio Martin pela disponibilidade de responder a entrevista, parabéns pelos seus trabalhos com Bonsai, Penjing, Pintura e Tatto, todos mostram paixão, dedicação e muito comprometimento. Grande abraço 

Contatos do artista:

Canal do you tube: https://www.youtube.com/c/canalsamuraibonsai

E-mail: canalsamuraibonsai@gmail.com

Facebook: https://www.facebook.com/marciomartintattoo

Tel: 31 99229-2435

Entre na galeria e veja mais fotos dos trabalhos de Márcio Martin:

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Curso em Família

Posted in Aido Bonsai, Bonsai - Meus Trabalhos, Bonsai - Penjing e Yose ue with tags , , , , on 9 d e abril d e 2017 by aidobonsai

Aido Bonsai, “O caminho da harmonia pelo bonsai” nada representa mais esse pensamento, que uma linda família me dando a chance de dar um curso, e dividir essa experiência com eles, de ensinar a arte do Bonsai e do Penjing. Muito Obrigado a todos !

Mostrado técnicas de aramação em Ficus benjamina.

Lucas trabalhando sua Caliandra rosa.