Ishigumi – Pedras no jardim japonês.

Posted in Arte - Jardim Japonês with tags , , , , on 12 d e abril d e 2009 by aidobonsai

 

As pedras no jardim japonês são utilizadas de muitas formas e tem muitos significados.

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Na cultura oriental a pedra tem o sentido de  conhecimento, longevidade, e principalmente eternidade. A utilização de pedras é considerado pelos mestres na arte de criação dos jardins japoneses como o elemento mais difícil de ser trabalhado com harmonia.

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Quando uma pedra é escolhida para o projeto altura, textura, cor, profundidade, movimento visual, tudo tem que ser pensado com antecedência. Pedras colocadas lado a lado tem que ser estudadas. Uma pedra de grande e médio porte nunca é pousada na terra, deve-se enterrar parte de sua estrutura para que ela brote do chão e o observador não saiba o quanto dela está embaixo da terra, como a ponta de um iceberg.

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Usar pedras em um jardim aumenta a sensação de um ecossistema que já estava presente. Os caminhos de pedras são muito importantes e nos conduzem a uma viajem por paisagens pré determinadas. Passeando por um jardim japonês bem estruturado veremos quadros vivos, cada detalhe deve ser pensado e planejado.

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O posicionamento do sol deve ser estudado pois os elementos como as árvores, arbustos, pedras, lanternas devem ser posicionados pensando na luminosidade que receberão ao longo de todas as estações do ano. As pedras, junto com as árvores, para alguns artistas japoneses são a base da construção de qualquer estilo de jardim zen. 

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Entre e veja toda galeria de fotografias:

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Ishidoro – Lanternas Japonêsas

Posted in Arte - Jardim Japonês with tags , , , , , , on 11 d e abril d e 2009 by aidobonsai

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A lanterna japonesa é sem dúvida um dos elementos principais nos jardins orientais, e o mais conhecido e usado na decoração por arquitetos no ocidente. Ishidoro tem suas origens na iluminação dos caminhos que levavam aos templos Budistas, a luz tinha a função religiosa de tranquilizar os espíritos inquietos durante a noite. Com a aparição da cerimônia do chá, as lanternas foram usadas na iluminação dos Tsukubai (água da purificação) nos jardins Chaniwa te. As mais belas lanternas japonesas foram criadas na era Kamakura.

Chaniwa-te são jardins criados especificamente como base para o recebimento de convidados para a cerimônia do chá.

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Partes da lanterna japonêsa

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Neste tipo de lanterna a característica principal é que o pedestal principal fica enterrado diretamente no chão. São muito usadas nos jardins destinados a cerimônia do chá, fazendo a iluminação dos caminhos de pedra e do tsukubai (recipiente da água da purificação).

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Tachi-gata (lanternas com pedestal)

Esta é a lanterna usada nos jardins de grande porte nos monastérios, palácios e jardins públicos. Seu tamanho varia de 1 há 3 metros de altura. Ela proporciona uma luz natural e que se espalha pelo ambiente. As tachi- gata de grande porte devido ao problema de espaço e custo muito alto, só são usadas em residências com jardins muito grandes.

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Oki-gata (lanternas pequenas)

Estas pequenas lanternas são usadas em grandes áreas para pontuar os caminhos, e valorizar vegetação e pedras.

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Yukimi-gata (lanternas da neve)

Esta é a lanterna mais conhecida no ocidente, ela recebe esta forma devido a função de iluminar nas intempéries do tempo, principalmente a neve. É o tipo que tem o maior numero de formas. Podem ser esculpidas em pedras rústicas ou confeccionadas em concreto e cerâmica. A iluminação dentro da lanterna (casa de luz) que no passado era natural proveniente de lamparinas e velas, hoje em dia são substituídas por lâmpadas elétricas.

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Entre na galeria ou veja o slideshow com várias formas de lanternas japonêsas:

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Kusanomos (pequeno grande detalhe)

Posted in Bonsai - Matérias especiais, Fotografia - Galerias with tags , , on 11 d e abril d e 2009 by aidobonsai

Um elemento de grande simplicidade e beleza e fundamental na apresentação dos bonsais no tokonoma, é o kusanomo. Estas ervas, flores, plantas rasteiras e até musgos são plantadas em pequenos vasos, em pedras com cavidades e em madeiras mortas. Sua função na apresentação do bonsai é transmitir ao observador a beleza de uma vegetação que está no ambiente das grandes árvores na natureza.

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Hoje no japão existe uma nova linha de criação de kussanomos onde com uma mistura de: argila, barro, fibras, terra preta e sementes de várias plantas rasteiras e flores, é feita uma bola que com a rega e humidade vai brotando e criando vida ! não tem recipiente de contenção apenas uma cerâmica rasa, madeira ou pedra usados como base visual. Alguns artistas estão usando a base dos conhecimentos estéticos e espirituais da arte milenar Ikebana, para dar a naturalidade e harmonia. Os conceitos: Pai, Mãe e filho e Céu, Água e Terra estão sempre presentes. O trabalho abaixo é um kussanomo e com certeza também traz a beleza de um Ikebana.

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Entre na galeria destes arranjos incríveis:

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Mame – Galeria de bonsais vendidos em Tokyo

Posted in Bonsai - Mames, Fotografia - Galerias with tags , , on 11 d e abril d e 2009 by aidobonsai

Há cerca de três anos encontrei um site todo em japonês e, depois de ficar uma hora clicando em cada ideograma, como um arqueólogo procurando fotos escondidas, achei uma galeria apenas de mames! Eles são vendidos entre 100 e 1500 dólares. O site não tinha tradução para o inglês, mas mesmo assim queria dividir estas fotos, pois os mames são pequenas jóias. A dedicação para que uma árvore deste tamanho dê frutos tão belos e frondosos é digna de palmas. 2 - capacapa 4

Entre na galeria de mames de Tokyo:

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Árvore da semana – Needle juniper 500 anos (10/04)

Posted in Bonsai - Árvores especiais with tags , , on 10 d e abril d e 2009 by aidobonsai

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Esta árvore tem um lugar especial na história do bonsai, cuja aparição na 30˚ exibição Kokufuten no Japão em 1995, deu início á reavaliação das virtudes Tosho.

Primeiramente foi encontrada crescendo naturalmente, e seu formato foi seriamente modificado no início do trabalho., sua altura foi diminuida em 70% .Afortunadamente, foi parar nas mãos de um grande mestre da família Tosho, graças a quem devemos o grande prazer artístico e evolução do Bonsai no Japão do início do século.

A projeção da madeira morta da base do tronco converge para o meio da árvore e aumenta o senso longevidade da árvore, isso ocasiona um belísssimo contraste com o verde brilhante da folhagem. Sua triangulação é perfeita e suas copas muito bem definidas. O vaso oval na cor marrom escura, aumenta a elegância não competindo em nada com a árvore.  

Ente na galeria e veja mais detalhes da árvore:  

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Tsukubai – A água da purificação.

Posted in Arte - Jardim Japonês with tags , , , , , , , , , on 9 d e abril d e 2009 by aidobonsai

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Tsukubai é o nome da fonte encontrada nos jardins Chaniwa, criada para ser um dos elementos da tradicional cerimônia do chá no Japão. Essas fontes de água corrente, tem a função da purificação dos convidados que chegam na casa onde irá se realizar a cerimônia.

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A fonte é composta de um recipinte de pedra maciça, barro ou cerâmica, que pode ter várias formas, nela fica depositada a água corrente em uma superfície não muito profunda (média de 55 cm), a água é bebida numa concha feita de bambu, ou madeira das árvores Momiji ou Maple. Essa água é chamada de água da purificação.

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Em alguns livros o Tsukubai também é chamado de “A água do viajante”, pois era prova de hospitalidade e respeito oferecer água e comida há um monge que estava longe de sua casa ou monastério em peregrinação.

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Nos recipientes de pedra são entalhados vários conceitos do Zen Budismo como: paz, harmonia, saúde da mente , espírito forte, luz interior etc..

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Entre na galeria ou  veja o slideshow de vários formatos desse elemento fundamental em um jardim japonês:

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Fotos do Japão de Frantisek Staud

Posted in Fotografia - Galerias, Fotografia - Japão with tags , , on 8 d e abril d e 2009 by aidobonsai

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Imagens mágicas do Japão tiradas pelo  fotógrafo Frantisek Sataud, os enquadramentos, cores, momentos captados por este artista são fantásticos. As fotografias nos transportam para um Japão milenar, de uma direção de arte sem comparação. Este é  o link de fotos de Frantisek Staud : http://www.phototravels.net/ nele você pode apreciar todo trabalho deste fotógrafo inacreditável. Clique em leia mais e veja as fotos que chamaram a minha atenção.

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Entre na galeria de Frantisek Staud:

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O Jardim Zen

Posted in Arte - Jardim Japonês with tags , , , , , , , , , on 7 d e abril d e 2009 by aidobonsai

Ryogen – Kyoto Garden Japão

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Muitos são os aspectos e as regras que envolvem a criação e filosofia  de um jardim japonês. Por isso criei esta categoria aqui no blog e, aos poucos, irei acrescentando informações sobre cada elemento que compõe a sua estrutura e sua explicação estética e filosófica.

No projeto de um jardim zen, um dos elementos básicos na sua criação é não poder se observar o trabalho da mão humana, “do jardineiro”. O jardim tem que parecer um ecossistema intocado, como uma floresta com vegetação distante que nunca foi modificada pelo homem.

Templo de Kenji

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Este conceito é muito útil aos bonsaístas, pois modelar uma árvore como se ela tivessse crescido no seu ambiente natural sem intervenção externa nenhuma, como aquela árvore que cresce isolada no meio do campo, harmoniosa em toda sua forma, é um dos objetivos de um bonsaistas.

Chineses já criavam jardins em ambientes fechados há 1700 anos atrás. Desenhos de bandejas grandes com pedras formando paisagens já eram encontradas em 700 a.C.

O homem sempre tentou reproduzir a natureza e trazer seus elementos para perto da sua casa.

O JARDIM DE PEDRAS  “KARESANSUI”

No ocidente este estilo de jardim ficou conhecido com o nome de “Jardim Zen”. Os jardins de pedras são muito apreciados no Japão e são usados para meditação nos monastérios budistas e como decoração nas casas tradicionais. Neste estilo de jardim a areia branca representa o mar; as pedras são ilhas ou arquipélagos e representam a beleza das pequenas e altas montanhas. Esse estilo de jardim é frequentemente concebido de modo a imitar a varredura de uma vasta paisagem dentro de um espaço muito limitado.

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A escolha das pedras é fundamental. Elas tem que ser colocadas em número ímpar e decrecesnte, e sua forma deve ser estudada. Pedras que serão colocadas próximas ou coladas devem se encaixar visualmente e devemos ter a sensação de que, como antigos continentes, elas se dividiram e se afastaram ao longo dos tempos. As  pedras são divididas em cinco grupos constituídos de cinco, dois, três, dois e três pedras. As 15 pedras existentes no jardim estão espalhadas de maneira que o observador só possa ver 14 delas por vez a partir de qualquer ângulo em que se olhe.

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Musgo pode ser colocado em volta das pedras acentuando a visualização de uma ilha com uma alta montanha. Com um ancinho de madeira, cuja distância entre os dentes pode variar de acordo com a gramatura da areia ou do cascalho utilizado, desenhos e formas são feitos em volta ou ao londo das pedras imitando o movimento  da água.

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Um dos mais belos jardins do Japão foi construido e idealizado por Muou Soseki (1275-1351), mestre que idealizou jardins zen para 74 templos no Japão.

À este famoso mestre zen, cujo nome verdadeiro era Muou Soseki, é creditado a construção de 66 jardins zens em templos em todo o Japão, entre eles os doss templo de Kamaura e Saihoji em Kyoto.

Entre na galeria ou veja o slideshow do Jardin Zen, com as incríveis fotos de Frantisek Staud:

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Árvore da semana – Juníperus 300 anos (05/04)

Posted in Bonsai - Árvores especiais with tags , on 5 d e abril d e 2009 by aidobonsai

A cada semana colocarei uma das árvore da Nippon Bonsai Association com sua análise técnica feita pelo mestre Hideo Aragaki (Livro “Classic Bonsai of Japan”) . Dentro da galeria as fotos estão em detalhes e em alta resolução.

Poucos bonsais demonstram as incríveis qualidades desse Juníperus de 300 anos (83cm/altura), que parece mudar o seu humor dependendo da hora do dia ou do tempo, exatamente como acontece no ambiente natural. Existe um incrível poder na base do tronco, que parece se estender para toda a árvore. Existe estabilidade nas linhas da madeira morta que se estendem até a copa. A copa tem a suave linha curva das montanhas distantes. Existem poucos Juníperus, mesmo entre os mais conhecidos, que crescem tão fortes em seu vaso, quanto este.

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Acredita-se que foi descoberta nas altas encostas do Rio Itoi na prefeitura de Niigata, na Honshu central, cerca de 80 anos atrás.

Com trezentos anos de idade e cheio de vida, tinha forte caráter e uma folhagem crescendo densa e  bela. A atual interação com o espaço e a luz e a sua volta é o resultado de inúmeras remodelagens. O vaso retângular cerâmico contribui para o todo harmônico.

Entre e veja a árvore em detalhes:

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O desenho, a pintura e o Bonsai

Posted in Arte - Oriental várias, Arte - Pintura Oriental with tags , , , , , on 5 d e abril d e 2009 by aidobonsai

 

 O suiboku-ga (pintura à tinta), mais conhecido como sumiê,  a arte da pintura japonesa, tem suas bases e influências na própia arte da caligrafia chinesa. É uma técnica de pintura em preto e branco originada em mosteiros budistas da China, na época da dinastia Sung (1990a.C). Trazida ao Japão pelos monges zen a partir do século XIV, o sumiê possuía temáticas religiosas que representavam elementos budistas, como o círculo, que indicava o vazio interior, ou a natureza, como as rochas e a água. O mais importante no Suiboku-ga é retratar de maneira simples a essência do elemento que vai ser retratado, mais do que o detalhe da aparência exterior. Pássaros, flores e  paisagens passaram a ser pintados a partir do século XV.desenhos-68-bonsai

Como o suiboku-ga possui traços semelhantes aos da caligrafia chinesa, muitos materiais utilizados na técnica podem ser aproveitados para a pintura, como o pote para colocar a tinta (suzuri), o pincel (fude), o papel (kami ou washi) e a tinta (sumi), esta última feita de carvão diluído em água. Entre as  ferramentas mais importantes estão os pincéis, pois a qualidade da pintura depende muito deles. Existem em quantidade muito grande, feitos com variados tipos de pelos; porém, há três categorias básicas: o grosso serve para desenhar, o suave para colorir e os dois usados juntos.

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Fabricado manualmente, o papel é geralmente feito do arroz, mas pode vir também da polpa do bambu. O papel mais comum é o xuan, de superfície branca, leve e absorvente. Utiliza-se também o papel de alumínio e cola, que possui uma superfície menos absorvente, sendo adequado para trabalhos com linhas finas.

O pai e a mãe do Suiboku-ga:

O bambu caracteriza a simplicidade da vida, por isso é o pai de espírito humilde, calmo e sábio, qualidades valorizadas no zen-budismo.  O bambu representa o  inverno e é o tema mais pintado no oriente.sumie_bamboo Seu tronco simboliza a força e as virtudes do sexo masculino, refletindo um senso de equilíbrio perfeito. Seu centro é oco, remetendo ao sentido de vazio interior do zen. Sua retidão é comparada ao caráter íntegro e o tronco firme lembra a estabilidade inabalável, apesar de flexível.

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Hotei observando uma rinha de galos, por Miyamoto Mesashi. Museu de arte de Fukuoka.

Como esta arte retratou a história e vários momentos na cultura do Japão e da China, é natural que algumas obras mostrem bonsais e penjings. Na galeria que está incluida neste post coloquei vários desenhos antigos e modernos, que nos dão inspiração e nos transportam para um Japão e China antigos, cheios de magia e de conhecimentos que são perpetuados com tinta e papel pela mão do homem.

Muitos dos desenhos são dos livros: Nipon Bonsa Association, Miniatura Bonsai de Gustafson, Bonsai Remy Samsom, Penjing de Oigquan Zhao e O Samurai de William Scott Wilson. 

Entre na galeria e veja vários desenhos e pinturas:

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