Bushido

Posted in Arte - Filosofia, Arte Marcial - Bushido with tags , , , , , , , , , , on 17 d e julho d e 2010 by aidobonsai

O Caminho do guerreiro

Na época em que algumas escolas de armas do Japão foram fundadas como o antigo Dojo da: Iaido Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu, as artes marciais no Japão eram todas chamadas por um único nome: bujutsu. Bu é a raiz que significa “marcial”, e jutsu significa “habilidade” ou “arte”. Embora o termo nem sempre seja usado de maneira correta no Japão atual, no sentido estrito ele se refere somente àquelas escolas que só ensinam habilidades de combate, como, por exemplo, Daitoryu Aiki Jujutsu e Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu.

Muitos séculos depois da fundação dessa escola, as influências do Budismo Zen afetaram as artes marciais japonesas; e, quando o Período de Edo (1603- 1867) – uma longa era de paz – seguiu-se à época dos generais litigantes, um novo conceito entrou nessas artes. Foi nessa época que a idéia de budô veio à existência. Budô significa “via marcial” ou “caminho marcial”. Dô é derivado da palavra chinesa tao e significa um caminho através da vida. A palavra budô era e ainda é usada para designar os sistemas marciais com ou sem o uso de armas nos quais alguns dos aspectos funcionais das artes de combate foram transformados, geralmente por razões estéticas.

Não obstante, conceitualmente, budô é mais do que isso. Ao adotar para si uma “via marcial” nessa época de paz, o guerreiro japonês comprometia-se antes de mais nada a seguir um caminho de desenvolvimento espiritual por meio do treinamento marcial. A eficácia prática desse treinamento de combate passou a ser secundária. Assim, a arte de combate pela espada, o ken-jutsu, tornou se o kendô, a via da espada; o naguinata-jutsu, a arte da alabarda, tornou-se o naguinata-dô, a via da alabarda; e assim por diante. Nas escolas de combate (jutsu), mais antigas, a função predominava sobre a forma; mas nas escolas dô, mais refinadas, a forma e o estilo às vezes sobrepujam a eficiência marcial.

Campeonato de Kendo

Entretanto, o bushidô ou “caminho do guerreiro” trata antes de mais nada das atitudes e objetivos mentais do guerreiro feudal. Na opinião do mestre de Iaido Otake Sensei, o bushidô ou código de ética do samurai foi grosseiramente distorcido e assumiu um sentido totalmente diferente do original. Essa distorção ocorreu principalmente na época moderna e foi usada para justificar sentimentos e atividades nacionalistas e militaristas.

Naginata e Yari fotografadas na exposição do CCBB em 2009.

O Sensei Otake explica:

Especialmente em nossa época, quando as pessoas falam sobre a palavra bushidô, lembram-se do recente suicídio de Mishima Yukio (um romancista cujos livros foram publicados no Ocidente) e pensam naquele tipo de bushidô exposto no livro Hagakure, escrito pelo sacerdote Yamamoto Joche. Além de ser sacerdote, ele escreveu seu livro durante o Período Genroku (1688-1704), que foi uma época de paz no Japão. Infelizmente, ele cometeu alguns erros em diversas passagens do livro, ao passo que outros trechos estão escritos de tal modo que podem facilmente ser mal-interpretados.

Na pintura a seguir  um biombo japonês mostra um general trajado de armadura tradicional atacando o exército inimigo sobre o seu cavalo na batalha do Rio Uji, ocorrida em 1184.

o Xintoísmo é a religião mais antiga do Japão. Os caracteres shintô significam literalmente “o caminho dos deuses”.

Ele afirma, para resumir, que seguir o bushidô é buscar a morte, mas o sentido de bushidô não se resume a morrer. Por causa dessa interpretação errônea, as pessoas de outros países acham que o bushidô é a mesma coisa que o harakiri ou seppuku, ou seja, o suicídio ritual. Na verdade, o sentido de bushidô é o de fazer alguma coisa boa para o mundo, deixar no mundo uma marca benéfica, e depois ser capaz de desapegar-se do corpo humano e aceitar a morte. Porém, é muito fácil entender erroneamente esse conceito. Ele não se resume a sair em busca da morte. Se você tentar realizar algo e por algum motivo não conseguir fazer o que queria, não será muito produtivo pensar:  “Falhei, tenho de me matar”. O bushidô não tem nada que ver com um modo de vida tão irresponsável quanto esse. Quando a pessoa tenta fazer algo e não consegue, há também no bushidô o conceito de continuàr a viver, mesmo que na desonra, se houver a possibilidade de corrigir o erro cometido ou remediar a situação. É esse o verdadeiro bushidô.

Palavra xintoísmo. séc VIX

É claro que esse conceito existe no Budismo: é o conceito budista de compaixão. Também no Budismo encontramos a premissa de que é bom ajudar os outros, fazer o bem ao mundo, mesmo que isso lhe cause problemas ou possa custar até mesmo a sua vida. Os dois conceitos são idênticos. A mesma coisa está presente no Cristianismo quando os cristãos falam da caridade.

Aqui no Japão, temos o Xintoísmo (Shintô). Trata-se de uma religião cujo nome, quando escrito com os caracteres chineses, significa ‘o caminho de Deus’ ou ‘o caminho dos deuses’. O caractere chinês que significa ‘via’, ‘estrada’ ou ‘caminho’ é escrito em duas partes. A parte à direita é o caractere chinês que significa pescoço ou cabeça; a parte à esquerda significa ‘correr’. O sentido global do caractere que significa ‘via’, ‘estrada’ ou ‘caminho’ é o de ‘tomar a cabeça nas mãos e correr para algum lugar’.

Acima desse caractere escrevemos o caractere que significa ‘deus’, e assim obtemos o escrito ‘via dos deuses’ ou ‘Shintô’. Se, acima do mesmo caractere, escrevermos os dois caracteres que significam bushi ou ‘guerreiro’, a palavra se torna bushidô. A nuance de significado da palavra, portanto, é a de que essa é um via que exige responsabilidade; em outras palavras, é uma via na qual a sua cabeça, ou o seu pescoço, está em risco. As diversas artes de cultivo pessoal são escritas com a palavra -dôo O sentido global, portanto, é o de que esse é o caminho correto a ser seguido pelos seres humanos.

Há uma história que, a meu ver, exemplifica muito bem esse ponto. Penso que ela deve ter pelo menos um fundo de verdade. Por volta do ano 1576, os soldados do Senhor Okudaira, um dos parentes próximos do Shogun Tokugawa, estavam sitiados em seu castelo. Dentre os homens havia um guerreiro de posição muito humilde chamado Torisunaemon. Todos os homens estavam no Castelo de Nagashino, sitiados pelos guerreiros da família Takada. O comandante da guarnição do castelo queria enviar um mensageiro ao Shogun Tokugawa para informá-lo da situação e pedir ajuda.

Quando o comandante perguntou quem se dispunha a ir, muitos homens qualificados apresentaram-se, mas um deles em específico, Torisunaemon, era famoso por ser bom nadador, e por isso foi escolhido para fugir do castelo e tentar chegar ao Shogun Tokugawa Ieyasu para pedir ajuda. Os alimentos estavam tão escassos dentro do castelo que os sitiados estavam tendo de comer casca de pinheiros para sobreviver. O comandante pedia que o socorro chegasse em três dias. Depois disso, eles se matariam para não morrer de fome.

Torisunaemon conseguiu escapar do sítio e chegar a Tokugawa, que concordou em mandar uma força de alívio em três dias. No caminho de volta, porém, o mensageiro foi capturado pelos soldados de Takada. O comandante dos homens de Takada pensou que, como Torisunaemon não era nobre, mas de classe baixa, poderia ser manipulado. Disse a Torisunaemon: ‘Se você for amanhã de manhã à frente do castelo e disser ao exército que o socorro não virá e que, portanto, eles devem se render agora, farei de você um oficial no meu exército.’

Aula de Kenjutsu. Jutsu (técnica) Ken (espada).

Torisunaemon começou a pensar com seus botões: ‘Se eu for promovido a essa patente, minha mãe ficará muito contente. Seria muito bom que ela visse que eu dei certo na vida.’ Assim, concordou com a proposta do general inimigo.

No dia seguinte, foi amarrado como se fosse um prisioneiro e levado à frente do castelo. Chamou as pessoas lá de dentro: Tenho algo a dizer; vocês todos, escutem com atenção.’ Quando o povo do castelo viu quem era, agrupou-se nas muralhas para ouvir o que ele tinha a dizer. Lá estava ele, amarrado, com todas as pessoas que conhecia olhando-o de dentro do castelo, do outro lado do fosso.

Então pensou consigo mesmo: ‘Por mais que minha mãe ficasse feliz se me visse oficial de um exército, um homem bem-sucedido na vida, ela ficaria muito mais feliz se eu fosse leal e ajudasse as pessoas do castelo a sobreviver a esta batalha, mesmo que eu venha a morrer por isso.’ Por isso, a essa altura, decidiu o que ia dizer e gritou bem alto: ‘Ouçam todos com atenção!’ Então disse: ‘Não desistam; o socorro está chegando, agüentem firme por mais três dias!’ Nesse instante, os soldados de Takada crivaram-no de lanças e o mataram.

É esse o verdadeiro sentido do auto-sacrifício, a verdadeira flor do bushidô.

DJ Art Design Galery

Posted in Arte - Pintura e Desenho with tags , , , on 13 d e julho d e 2010 by aidobonsai

Artes digitais, ilustrações, desenhos e fotografias sobre Dj, música e o som das ruas:

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Yin e Yang

Posted in Arte - Filosofia with tags , , , , , , , on 13 d e julho d e 2010 by aidobonsai

O Estudo do Yin e do Yang:

Yin Yang é, na filosofia chinesa, uma representação do príncipio da dualidade de positivo e negativo, o conceito tem sua origem no Tao (ou Dao), base da filosofia e metafísica da cultura Chinesa. O mundo do guerreiro japonês não era povoado somente por muitos elementos secretos e metafísicos. Ele era obrigado a cuidar de muitos assuntos práticos, mas, para tanto, recorria a meios totalmente diferentes dos que seriam empregados, por exemplo, por um europeu.

Segundo este princípio, duas forças complementares compõem tudo que existe, e do equilíbrio dinâmico entre elas surge todo movimento e mutação. Essas forças são:

Yang: o princípio activo, diurno, luminoso, quente, masculino.

Yin: o princípio passivo, noturno, escuro, frio, feminino

Também é identificado como o tigre e o dragão representando os opostos.

Essas qualidades acima atribuídas a cada uma das dualidade são, não definições, mas analogias que exemplificam a expressão de cada um deles no mundo fenoménico. Os princípios em si mesmos estão implícitos em toda e qualquer manifestação.

Os samurais não estudavam somente os ensinamentos das escolas do Budismo esotérico, mas também estudavam música, a doutrina de Confúcio e muitos outros ramos do conhecimento, como, por exemplo, a teoria do equilíbrio do yin e do yang. Na cosmologia chinesa, esses são os dois pólos fundamentais do universo, respectivamente o princípio negativo e o princípio positivo. Os japoneses chamam-nos de in e yo.

Todos esses estudos desempenhavam um papel na vida do guerreiro. A teoria do yin e do yang era usada, por exemplo, quando ele queria construir uma casa ou, se fosse rico e poderoso, fundar um castelo. Numa ocasião dessas, ele estudaria o equilíbrio entre o yin e o yang para determinar a melhor localização e orientação para o edifício. Sabia que, por mais esforço que empenhasse na fortificação, isso de nada valeria se os arredores não fossem condizentes com o seu objetivo.

O Yin e Yang na estratégia de uma fortificação:

Quanto a isto, as antigas artes da estratégia incluem ensinamentos acerca da importância das direções. Para o norte, por exemplo, é muito importante ter terras altas, ao passo que é uma grande desvantagem ter montanhas elevadas ao sul do edifício. As montanhas elevadas, quando posicionadas ao norte, garantem a proteção do deus chamado Serpente-Tartaruga. A leste, é importante garantir que haja água corrente, como um rio ou ribeiro. Diz-se que assim fica assegurada a proteção desse lado do edifício, pelo poder do Deus Dragão Azul. Ao sul, é vantajoso ter um espaço aberto, campos ou planícies, para obter-se a proteção do deus Pássaro Vermelho. Por fim, a oeste, é melhor ter uma grande estrada, que lhe garante a proteção do Deus Tigre Branco. Diz-se que um local como esse é protegido pelas quatro divindades: ao norte, a Serpente-Tartaruga; a leste, o Dragão Azul; ao sul, o Pássaro Vermelho; e a oeste, o Tigre Branco. Tudo isso faz parte de um sistema de estudos dos efeitos das forças positivas e negativas, sistema esse que as pessoas seguiam sem se desviar. Na moderna cidade de Tóquio, por exemplo, que antigamente era chamada Edo, o castelo de Edo, construído no século XVI pelos shoguns Tokugawa, foi feito exatamente de acordo com essas instruções.

Atualmente, o castelo faz parte do Palácio Imperial. Segundo os ditames do yin e do yang, uma casa construída de acordo com essas instruções tem grandes vantagens.  É interessante perceber que o Japão, o qual é um país situado basicamente num eixo leste-oeste, com uma cadeia de montanhas no centro, tem a maioria da população vivendo ao sul dessa cadeia de montanhas, no lado voltado para o sol, com os fundos de suas casas voltados para as montanhas, que barram os ventos frios da Sibéria. A meu ver, os ditames do yin e do yang resultam de tendências naturais que levam as pessoas a viver dessa maneira. Seguindo essas regras, elas podem viver confortavelmente de acordo com a natureza.
Há pouco tempo, alguns arqueólogos desenterraram espadas do Período dos Túmulos da pré-história do Japão, de 300 a 400 d.e. Algumas delas são espadas retas com incrustações de ouro e prata num lado ou nos dois. Os desenhos das incrustações são os usados para representar as diversas direções da rosa dos ventos. Outras espadas trazem os desenhos dos símbolos do sol e da lua, que também representam as forças yin e yang, negativa e positiva.”


Os Cinco Elementos no Pensamento Japonês Antigo

Seguindo a tradição chinesa, os guerreiros do Japão ocupavam-se não só da interação entre os dois pólos fundamentais do universo como também dos cinco elementos que se combinam de infinitas maneiras para criar tudo o que existe no mundo. Otake Sensei falou um pouco mais sobre esse aspecto da visão de mundo do guerreiro:

Os nomes dos dias da semana correspondem aos princípios do yin e do yang. O primeiro dia da semana é o dia do sol; o segundo, o dia da lua; e os outro cinco dias recebem os nomes dos cinco elementos físicos, determinados pelo estudo dos princípios positivo e negativo, estudo esse que foi feito na Ásia, nos tempos antigos. Os nomes dos dias são os nomes dos cinco elementos: fogo, água, madeira, metal e terra. Segundo os princípios do yin e do yang, esses cinco elementos podem dispor-se de duas maneiras. A primeira é uma ordem na qual geram um ao outro, uma ordem harmônica; a segunda é uma ordem na qual os elementos se dispôem de acordo com suas rivalidades. Nesta segunda ordem, os diversos elementos inevitavelmente destroem uns aos outros.
No relacionamento harmonioso entre os cinco elementos, a madeira produz fogo, que por sua vez transforma a madeira em cinza, ou seja, produz terra. A terra gera o metal; o metal gera a água e a água gera a madeira.


A segunda ordem, baseada no conceito da rivalidade dos elementos, começa com a madeira. Esta quebra a terra; a terra absorve ou impõe limites à água; a água apaga o fogo; o fogo derrete o metal e o metal corta a madeira. O estudo das forças positiva e negativa no universo; o estudo do Budismo dos encantamentos e magias, chamado mikkyo; o estudo dos cinco elementos; e o estudos das fórmulas mágicas – todos esses estudos foram reunidos e desempenhavam um papel na formação dos homens de guerra e generais militares do passado. Esses estudos constituíam a base do currículo deles.
O verdadeiro conteúdo do que tradicionalmente se chama de ‘artes marciais’ não são simplesmente as técnicas de matar. Há muito mais coisas envolvidas. O fundador da Shinto Ryu, Choisai Sensei, propôs estudos que conduzissem ao desenvolvimento da harmonia e de uma coexistência essencialmente pacífica entre o homem e a natureza e entre o homem e seus semelhantes. É nisso que ele pensava quando disse que as artes marciais devem ser as artes da paz. Os melhores guerreiros e generais do passado conheciam, além da arte de matar outros seres humanos, uma larga variedade de outras artes. Sem o seu conteúdo filosófico, as artes marciais não seriam nada além da aquisição de uma força bruta semelhante à dos animais.”

O diagrama do Taiji simboliza o equilíbrio das forças da natureza, da mente e do físico. (Preto) e (branco) integrados num movimento contínuo de geração mútua representam a interação destas forças.

A realidade observada é fluida e em constante mutação, na perspectiva da filosofia chinesa tradicional. Portanto, tudo que existe contém tanto o princípio Yin quanto o Yang. O símbolo Taiji expressa esse conceito: o Yin dá origem ao Yang e o Yang dá origem ao Yin.

Desde os primeiros tempos, os dois pólos arquetípicos da natureza foram representados não apenas pelo claro e pelo escuro, mas, igualmente pelo masculino e pelo feminino, pelo inflexível e pelo dócil, pelo acima e pelo abaixo.

O Yang,o poder criador era associado ao céu e ao Sol, enquanto o Yin corresponde à terra, ao receptivo, feminino e à Lua. O céu está acima e esta cheio de movimento. A terra – na antiga concepção geocêntrica – está em baixo e em repouso. Dessa forma, yin passou a simbolizar o repouso e yang, o movimento. No reino do pensamento, yin é a mente intuitiva, feminina e complexa, ao passo que yang é o intelecto masculino,racional e claro. Yin é a tranqüilidade contemplativa do sábio, yang a vigorosa ação criativa do rei.

O Hotu representa a geração do Tai Chi a partir do vazio

O Hotu representa a geração do Tai Chi a partir do vazio.

Esse diagrama apresenta uma disposição simetrica do yin sombrio e do yang claro . A simetria, contudo não é estática. É uma simetria rotacional que sugere,de forma eloquente, um continuo movimento cíclico. Os dois pontos do diagrama simbolizam a idéia de que toda vez que cada uma das forças atinge seu ponto extremo, manifesta dentro de si a semente de seu oposto


Yin Yang e a arte da espada.

Musashi Miyamoto

O mais famoso espadachim do Japão medieval foi Musashi Miyamoto. Foi ele um homem extremamente culto, poeta, artista e escritor. Seu Gorin no sho, ou Livro dos Cinco Anéis, é um clássico da literatura japonesa, mas a reputação de Musashi advém sobretudo de ele ter matado centenas de adversários em duelos.


Miyamoto, era muito forte, a ponto de ser freqüentemente considerado um kensei ou ‘santo da espada’ aqui no Japão. Entretanto, esse homem não se casou, não teve filhos, não teve descendente nenhum, e só teve três discípulos que estudaram a sua arte. Praticava um método de treinamento associado a um grau incomum de austeridade, algo que o homem médio não tem a menor esperança de conseguir realizar.
Ele não dormia nunca em leitos macios, por exemplo; não tomava banho nem penteava o cabelo. Não há dúvida de que esse tipo de treinamento é algo extraordinário, mas fico a me perguntar se ele acaso não sacrificou a própria humanidade para realizar-se na arte do espadachim.


Até mesmo a humilde erva ao redor do dojô gasta muita energia para tentar crescer, tentar gerar o caule e as folhas e, depois, tentar produzir uma semente. Desenvolveu meios de encorajar os passarinhos a comer suas sementes e transportá-las para outros lugares. Até a erva do campo tenta deixar descendentes. Em virtude desse esforço, muito embora ela possa morrer nessa tentativa, na primavera seguinte seus descendentes enchem de flores o campo onde ela se encontrava.
Parece-me que há aí uma lição para a humanidade. O ser humano que tem um objetivo tão fixo que não o deixa sentir o forte desejo de ver florescer os seus descendentes é uma pessoa sem coração, cujo valor enquanto ser humano é muito baixo.
Ao contrário de Miyamoto, Choisai Sensei viveu até os 102 anos de idade sem sofrer nenhum infortúnio sério numa era marcada pela luta e pela guerra. A família de Choisai Sensei continua até hoje, numa linha ininterrupta de vinte gerações. O atual Mestre da Ryu é um descendente direto de Choisai Sensei. Em virtude de suas excelentes qualidades humanas, sua família vem se perpetuando há vinte gerações.
É notável que qualquer família possa traçar uma linhagem de vinte gerações. Quando consideramos que essa família esteve ensinando uma arte marcial no decorrer de todas essas vinte gerações; e que ela viveu, entre outros, pelo períodohistórico Segoku (a Era dos Estados Litigantes que começou em 1470 e durou cem anos, e foi o século mais confuso e belicoso da história do Japão), esse feito torna-se ainda mais notável.
Não consigo deixar de me impressionar pelo esforço despendido pelas sucessivas gerações de mestres para preservar, transmitir e desenvolver as tradições da Katori Shinto Ryu e da família lizasa. O fato de que as técnicas, os métodos de treinamento e os ensinamentos espirituais da Katori Shinto Ryu foram preservados intactos é o resultado direto da natureza preciosa dos ensinamentos contidos nessa tradição.”
o Papel do Zen
Muitos mestres afirmam que a pessoa que quer tornar-se especialista em artes marciais tem de sentar-se e praticar também a meditação zen.


A História dos video games.

Posted in Curiosidades with tags , , , , , , , , , , , , on 5 d e julho d e 2010 by aidobonsai

Quem gosta de video game provavelmente deve ter tido como seu primeiro console um Telejogo, lançado no Brasil em 1978. Quem não lembra  das suas barras em preto e branco se movimentando na vertical do televisor simulando: Tênis, Futebol , Tiro, Volei e Paredão.

Esta matéria é fruto de uma pesquisa que estou fazendo há algumas semanas em vários sites, blogs e revistas especializadas. Quero tentar deixar aqui uma cronologia completa da evolução dos video games. Esta matéria será complementada sempre que achar novas informações ou novas fotografias.

Depois chegou ao Brasil em 1983 um dos consoles mais revolucionários da indústria de video games, o Atari 2600. Criado e projetado por Nolan Bushnell, este console foi lançado nos Estados Unidos em 1978 e é considerado um símbolo cultural dos anos 80. Colorido e com seus jogos comprados separadamente em forma de cartucho, foi um fenômeno de vendas no Brasil entre 1984 e 1986.

Imagem do Telejogo

Seus games até hoje são jogados por saudosistas que mantem o seu console original, ou jogam através de emuladores (software que simula o sistema do videogame em um computador ou console, usado para jogar games antigos com o teclado ou um joystick).

Embora a qualidade gráfica de videogames como Xbox 360 e PS3 tenham mudado a forma como se joga videogame, muitos afccionados por jogos uma vez ou outra snao tomados por uma saudade dos gráficos quadriculados do Atari, Master System, ou das aventuras de Super Mario em 2D nos consoles da Nintendo.

Um estudo da  “The Value Gamer”, publicado pela Nielsen no início de junho, fala que a taxa de usuários comprando games usados em 2009 é a maior desde 2006, quando a medição começou a ser feita. Quem não lembra com saudade de River Raid, Pac Man, Enduro, Frog, Laser Blaster, Míssil Comando, etc…

30 anos depois olhar um jogo de Playstation 3 em Full Hd é realmente mágico. Jogar um video game com resolução e movimentação superior aos longas metragens de animação 3D da década de 90 é impressionante.

Abaixo a galeria com a evolução dos videos games:

Tennis programming e Maatoka   1958

O primeiro jogo para computadores é criado nos Estados Unidos, mais exatamente no laboratório de pesquisas militares Brookhaven National Laboratory. O programa se chamava Tennis for Two e era exibido na tela de um osciloscópio. Uma simulação bem simplificada do esporte. Um ponto piscando representava a bola e os jogadores controlavam seu movimento por cima de uma linha vertical que representava a rede. Não havia na imagem a representação dos jogadores, apenas da ‘bola’ e da ‘quadra’ de tênis, numa vista lateral. O jogo nunca saiu do laboratório.

Em 1958 o físico William Higinbotham que havia trabalhado na primeira bomba atômica transformou duas linhas rudimentares e uma bola na primeira experiência interativa de entretenimento em computador: Maatooka.

Foi nesse ano que o físico Willy Higinbotham, criou o primeiro conceito do que depois viria a se tornar o videogame. Era um jogo de tênis bastante simples, chamado “Tennis Programming”, que rodava em um computador analógico e era mostrado em um monitor de 15 polegadas. O projeto, entranto, não foi patenteado e nem todos consideram Higinbotham como o criador dos games.

Spacewar   1962

Quatro anos depois, alguns cientistas do MIT se inspiraram em livros de ficção cientifica para criar outro jogo, o Spacewar!. O game rodava em um computador chamado DEC PDP-1 que, na época, custava US$ 120 mil. Ele disputa com Tennis Programming o título de primeiro jogo eletrônico já criado.

O Magnavox Odssey foi primeiro console de video game para conexão em televisão  dentro de casa. Foi criado por Ralph Baer que terminou o protótipo em 1968. Chega aos Estados Unidos em 1972 o primeiro console de videogame, o Odyssey 100, fabricado pela Magnavox, subsidiária da Philips holandesa. Existiam 12 jogos para o console, que podiam ser trocados pelo usuário por um mecanismo mais rudimentar que os cartuchos. Apesar da simplicidade, o equipamento oferecia um rifle opcional, para os jogos de tiro. Curiosidades interessantes sobre o Odyssey 100 são a necessidade de se anotar os pontos dos jogos tinham (e por isso folhas de papel acompanhavam o jogo) e que os usuários tinham de colocar cartões em frente à tela da TV para simular o campo do jogo (em um jogo de tênis por exemplo, colocava-se uma cartão verde para parecer grama).

Pong o console da Atari chegou em 1975. Criado pelo engenheiro Harold Lee, era um jogo de Ping Pong simples, com duas barras verticais e uma bola (quadrado), sem controle de velocidade ou reflexão. Deu início a uma série de video games com este design de dois botões de controle de movimento. Vendeu 150.000 unidades em um ano, uma marca expressiva para a época. O Pong, jogo para arcade criado por Bushnell na Atari, se torna um fenômeno e várias empresas, como a Ramtek e a Nutting, começam a lançar similares. A Atari estabelece contato com a Namco do Japão.


A série Telstar é uma série de máquinas de Pong lançados pela Coleco. Com esse videogame, a Coleco liderou a primeira geração de videogames. O console fez muito sucesso por causa de seus baixos preços (custava 50 dólares em média) e de um pouco de sorte.

A Coleco alcançou o primeiro lugar na venda de consoles da primeira geração graças aos baixos preços e a uma sorte extra. Naquela época havia muitas empresas querendo entrar para o ramo de videogames, o único problema é que haviam poucas fabricantes de chips. A príncipal fabricante da época era a General Instruments, que estava sobrecarregada de serviço, porém, a Coleco se adiantou nos pedidos do seu chip foi a única a receber todo o pedido de uma vez. Com o sobrecarregamento das empresas que produziam chips, algumas das grandes concorrentes da Coleco chegaram a receber somente 20% da encomenda. Resultado: a Coleco liderou.

O console da Telstar abaixo foi lançado em 1976 e tinha apenas 3 jogos com 3 níveis de dificuldade. Com toda simplicidade foi vendido mais de um milhão de unidades no mundo.

Atari 2600 foi um video game projetado por Nolan Bushnell e lançado em 1978 nos Estados Unidos e em 1983 no Brasil. Considerado um símbolo cultural dos anos 80, foi um fenômeno de vendas no Brasil entre os anos de 1984 a 1986 e seus jogos permanecem na memória de muitos que viveram a juventude nesta época.

Telejogo foi um aparelho de videogame simples produzido no brasil pela philco. Consistia basicamente de traços que subiam ou desciam para rebater um quadrado (bola), o controle era feito através de um dial (como o sintonizador de rádio). No Brasil ele foi comercializado em 1977 pela Ford e pela Philco.

O segundo console além dos 10 jogos dessa versão (Hockey, Tênis, Paredão I, Paredão II, Basquete I, Basquete II, Futebol, Barreira, Tiro Alvo I, Tiro Alvo II),tinha um  outro detalhe que se destacava, os joysticks. Com eles não era mais necessário ficar perto do console para poder jogar (bem diferente do 1o modelo)

Mas uma vez a Philco / Ford caprichou no acabamento, utilizando madeira clara, dando um toque elegante ao aparelho. Outro ponto interessante do design, é que o Telejogo II (assim como o Telejogo) não é simplesmente uma cópia de algum “Pong” estrangeiro, e sim um projeto totalmente brasileiro, mostrando que os fabricantes nacionais tinham total capacidade de concorrer com os aparelhos importados.

Entre leia e veja toda a evolução dos video games até hoje:

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Penjing

Posted in Bonsai - Meus Trabalhos, Bonsai - Penjing e Yose ue with tags , , , , , , , , on 4 d e julho d e 2010 by aidobonsai

Trabalho realizado em 3 de julho de 2010. Eugenia e Shimpaku. Conjunto com 70cm de altura e 100 cm de comprimento. Laje de pedra São Tomé, cortada em forma de gota (triangular). Arborização com pedras de rio e bromélias (rabo de lagartixa).

A laje de pedra tem duas perfurações para um bom escoamento de água na base do conjunto. Buracos com 3 polegadas de diâmetro.

Entre na galeria e veja todas as fotografias ou o slideshow do trabalho:

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Playstation 3 Digital Art

Posted in Arte - Pintura e Desenho with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 4 d e julho d e 2010 by aidobonsai

Incríveis artes gráficas 3D e 2D do video game Playstation 3 .

Entre na galeria com 220 Digital Arts do Playtation 3:

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100 desenhos de Dragões

Posted in Arte - Pintura e Desenho with tags , , , on 4 d e julho d e 2010 by aidobonsai

Dragões ou Dragos (do grego Drákon) são criaturas presentes na mitologia dos mais diversos povos e civilizações. São representados como animais de grandes dimensões, normalmente com aspecto semelhante a imensos lagartos ou serpentes. Muitos Dragões são idealizados  com asas, poderes mágicos ou jogando fogo de suas entranhas. A palavra dragão é originária do termo grego drakôn, usado para definir grandes serpentes.

Em vários mitos eles são apresentados como grandes serpentes, como eram inclusive a maioria dos primeiros dragões mitológicos, e em suas formações quiméricas mais comuns. A variedade de dragões existentes em histórias e mitos é enorme, abrangendo criaturas bem mais diversificadas. Apesar de serem presença comum no folclore de povos tão distantes como chineses ou europeus, os dragões assumem, em cada cultura, uma função e uma simbologia diferentes, podendo ser fontes sobrenaturais de sabedoria e força, ou simplesmente feras destruidoras.

Na modernidade, os dragões se tornaram um símbolo atrativo para a juventude. São criaturas poderosas que dão a ideia de força e controle, ao mesmo tempo que a capacidade de voar remete à ideia de liberdade. O dragão desenhado no estilo oriental é parte quase obrigatória de logotipos de Academias de Artes marciais pelos motivos já citados e pela sua ligação com a história dos países asiáticos onde estes esportes surgiram.

Dragões aparecem em várias histórias do gênero fantasia, desde O Hobbit de J.R.R. Tolkien com o dragão Smaug, passando por Conan de Robert E. Howard e chegando a filmes modernos como Reino de Fogo, que descreve um futuro apocalíptico, no qual a humanidade foi massacrada pelos répteis. O dragão considerado clássico foi imortalizado principalmente pela figura de Smaug, em O Hobbit, livro de J. R. R. Tolkien. Seguindo o conceito da cultura cristã ocidental, Smaug era um dragão terrível e destruidor, que reunia grandes tesouros em seu covil na Montanha Solitária. Por ter sido este o romance que praticamente iniciou toda a tradição de literatura fantástica contemporânea, Smaug acabou se tornando o estereótipo do dragão fantástico atual.

Entre na galeria ou veja o slideshow com 100 tipos de dragões:

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Bonsai 2010

Posted in Bonsai - Exposições with tags , , , , , , , , , , on 1 d e julho d e 2010 by aidobonsai

Esta matéria sobre o evento, “Bonsai 2010” foi feita com muito carinho pela minha amiga e bonsaísta Vânia Moreira Fortes.  Quero deixar aqui  o meu agradecimento, pois ela atendeu ao meu pedido respondendo algumas perguntas e compartilhando fotografias. Isto mata a curiosidade dos bonsaístas que não tiveram oportunidade e ir ao evento e deixa vontade de participar  do Bonsai 2011.

Quais foram os destaques do evento?

O evento teve início na sexta feira, quando ocorreram apresentações de técnicas sem formalidades e imbuídas de momentos de descontração.

A chegada dos participantes de vários países aconteceu sempre de forma festiva e descontraída, marcada por cordialidade e motivação. Abaixo mestre Hidaka chegando ao evento.

Sem sobressaltos, os expositores foram ajeitando seus produtos de maneira acessível, para aqueles que buscavam um vaso novo, uma ferramenta que lhes faltava, um adubo, arame etc. Ocorreu, até mesmo, a comercialização de mudas e de bonsai já formados. Ao anoitecer ocorreu o momento de confraternização mais intensiva e recebimento daqueles que ainda iam chegando e se acomodando em seus aposentos.

Já no sábado, após o café-da-manhã reforçado, Mário fez a abertura do BONSAI 2010, como sempre muito emocionado e cheio de vitalidade. Estabeleceu as regras e fez as devidas apresentações. Foi tudo sempre muito bacana, em cenário muito apropriado.

Entre e leia toda a matéria sobre o Bonsai 2010:

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Uma viajem pelo japão

Posted in Arte - Jardim Japonês, Fotografia - Japão with tags , , , , on 12 d e junho d e 2010 by aidobonsai

Viajem fotográfica pela terra do sol nascente. As pontes, os jardins japoneses e a mágicas paisagens, nos transportam a um mundo de beleza gráfica sem igual.

Ponte sagrada do rio Daiya. Nikko japan

Jardim de Siruen. Castelo de Nijo - Japão

Balé Kitano Odori kamichiguen. Kyoto Japão

Tori, portal xintoísta que separa o mundo material do espiritual. Ao fundo monte Fuji. Japão.

Ponte na prefeitura de Yamaguchi. Kintai - Japão

Lanternas de Kibune em Kyoto Japão

Castelo de Himejijo em Himeji, Kiki Japão

Templo de Kinjajuji. Kyoto Japão

Grande Tori de Itsukushima. Miyajima Japão

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Bushido

Posted in Arte - Filosofia, Arte Marcial - Bushido with tags , , , , , , , on 4 d e junho d e 2010 by aidobonsai

O caminho do Guerreiro

Na época em que a Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu foi fundada, as artes marciais no Japão eram todas chamadas por um único nome: bujutsu. Bu é a raiz que significa “marcial”, e jutsu significa “habilidade” ou “arte”. Embora o termo nem sempre seja usado de maneira correta no Japão atual, no sentido estrito ele se refere somente àquelas escolas que só ensinam habilidades de combate, como, por exemplo, a Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu.

Muitos séculos depois da fundação dessa escola, as influências do Budismo Zen afetaram as artes marciais japonesas; e, quando o Período de Edo (1603- 1867) – uma longa era de paz – seguiu-se à época dos generais litigantes, um novo conceito entrou nessas artes. Foi nessa época que a idéia de budô veio à existência. Budô significa “via marcial” ou “caminho marcial”. Dô é derivado da palavra chinesa tao e significa um caminho através da vida.

Katana do maior armeiro da história do Japão. Massamune. Katana de aço forjado e dobrado a mão. Seu Hamon, indica mais de 300.000 camadas de dobras.

A palavra budô era e ainda é usada para designar os sistemas marciais com ou sem o uso de armas nos quais alguns dos aspectos funcionais das artes de combate foram transformados, geralmente por razões estéticas.

Antigo suporte de Katana


Não obstante, conceitualmente, budô é mais do que isso. Ao adotar para si uma “via marcial” nessa época de paz, o guerreiro japonês comprometia-se antes de mais nada a seguir um caminho de desenvolvimento espiritual por meio do treinamento marcial. A eficácia prática desse treinamento de combate passou a ser secundária. Assim, a arte de combate pela espada, o ken-jutsu, tornouse o kendô, a via da espada; o naguinata-jutsu, a arte da alabarda, tornou-se o naguinata-dô, a via da alabarda; e assim por diante. Nas escolas de combate (-jutsu), mais antigas, a função predominava sobre a forma; mas nas escolas dô, mais refinadas, a forma e o estilo às vezes sobrepujam a eficiência marcial.

Menuki, detalhe do punho da Katana (Tsuka)

O caminho dos Deuses

Entretanto, o bushidô ou “caminho do guerreiro” trata antes de mais nada das atitudes e objetivos mentais do guerreiro feudal. Na opinião de Otake Sensei, o bushidô ou código de ética do samurai foi grosseiramente distorcido e assumiu um sentido totalmente diferente do original. Essa distorção ocorreu principalmente na época moderna e foi usadapara justificar sentimentos e atividades nacionalistas e militaristas. O Sensei explica:
“Especialmente em nossa época, quando as pessoas falam sobre a palavra bushidô, lembram-se do recente suicídio de Mishima Yukio (um romancista cujos livros foram publicados no Ocidente) e pensam naquele tipo de bushidô exposto no livro Hagakure, escrito pelo sacerdote Yamamoto Joche. Além de ser sacerdote, ele escreveu seu livro durante o Período Genroku (1688-1704), que foi uma época de paz no Japão. Infelizmente, ele cometeu alguns erros em diversas passagens do livro, ao passo que outros trechos estão escritos de tal modo que podem facilmente ser mal-interpretados.
Este detalhe da pintura de um biombo japonês mostra um general trajado de armadura tradicional atacando o ex’ército inimigo sobre o seu cavalo na batalha do Rio Uji, ocorrida em 1184.

O Xintoísmo é a religião mais antiga do Japão. Os caracteres shintô significam literalmente “o caminho dos deuses”.
“Ele afirma, para resumir, que seguir o bushidô é buscar a morte, mas o sentido de bushidô não se resume a morrer. Por causa dessa interpretação errônea, as pessoas de outros países acham que o bushidô é a mesma coisa que o harakiri ou seppuku, ou seja, o suicídio ritual.
“Na verdade, o sentido de bushidô é o de fazer alguma coisa boa para o mundo, deixar no mundo uma marca benéfica, e depois ser capaz de desapegar-se do corpo humano e aceitar a morte. Porém, é muito fácil entender erroneamente esse conceito. Ele não se resume a sair em busca da morte. Se você tentar realizar algo e por algum motivo não conseguir fazer o que queria, não será muito produtivo pensar: ‘F a-
. lhei, tenho de me matar.’ O bushidô não tem nada que ver com um modo de vida tão irresponsável quanto esse.
“Quando a pessoa tenta fazer algo e não consegue, há também no bushidô o conceito de continuàr a viver, mesmo que na desonra, se houver a possibilidade de corrigir o erro cometido ou remediar a situação. É esse o verdadeiro bushidô.
“É claro que esse conceito existe no Budismo: é o conceito budista de compaixão. Também no Budismo encontramos a premissa de que é bom ajudar os outros, fazer o bem ao mundo, mesmo que isso lhe cause problemas ou possa custar até mesmo a sua vida. Os dois conceitos são idênticos. A mesma coisa está presente no Cristianismo quando os cristãos falam da caridade.


Aqui no Japão, temos o Xintoísmo (Shintô). Trata-se de uma religião cujo nome, quando escrito com os caracteres chineses, significa ‘o caminho de Deus’ ou ‘o caminho dos deuses’. O caractere chinês que significa ‘via’, ‘estrada’ ou ‘caminho’ é escrito em duas partes. A parte à direita é o caractere chinês que significa pescoço ou cabeça; a parte à esquerda significa ‘correr’. O sentido global do caractere que significa ‘via’, ‘estrada’ ou ‘caminho’ é o de ‘tomar a cabeça nas mãos e correr para algum lugar’.
Acima desse caractere escrevemos o caractere que significa ‘deus’, e assim obtemos o escrito ‘via dos deuses’ ou ‘Shintô’. Se, acima do mesmo caractere, escrevermos os dois caracteres que significam bushi ou ‘guerreiro’, a palavra se torna bushidô. A nuance de significado da palavra, portanto, é a de que essa é uma via que exige responsabilidade; em outras palavras, é uma via na qual a sua cabeça, ou o seu pescoço, está em risco.

As diversas artes de cultivo pessoal são escritas com a palavra -dôo O sentido global, portanto, é o de que esse é o caminho correto a ser seguido pelos seres humanos.
Há uma história que, a meu ver, exemplifica muito bem esse ponto. Penso que ela deve ter pelo menos um fundo de verdade. Por volta do ano 1576, os soldados do Senhor Okudaira, um dos parentes próximos do Shogun Tokugawa, estavam sitiados em seu castelo. Dentre os homens havia um guerreiro de posição muito humilde chamado Torisunaemon. Todos os homens estavam no Castelo de Nagashino, sitiados pelos guerreiros da família Takada. O comandante da guarnição do castelo queria enviar um mensageiro ao Shogun Tokugawa para informá-lo da situação e pedir ajuda.
Quando o comandante perguntou quem se dispunha a ir, muitos homens qualificados apresentaram-se, mas um deles em específico, Torisunaemon, era famoso por ser bom nadador, e por isso foi escolhido para fugir do castelo e tentar chegar ao Shogun Tokugawa Ieyasu para pedir ajuda. Os alimentos estavam tão escassos dentro do castelo que os sitiados estavam tendo de comer casca de pinheiros para sobreviver. O comandante pedia que o socorro chegasse em três dias. Depois disso, eles se matariam para não morrer de fome.

Foto de samurai em miniatura (8cm) fotografado em Penjing, floresta miniatura. Aido Bonsai (Paulo Netto)


Torisunaemon conseguiu escapar do sítio e chegar a Tokugawa, que concordou em mandar uma força de alívio em três dias. No caminho de volta, porém, o mensageiro foi capturado pelos soldados de Takada. O comandante dos homens de Takada pensou que, como Torisunaemon não era nobre, mas de classe baixa, poderia ser manipulado. Disse a Torisunaemon: ‘Se você for amanhã de manhã à frente do castelo e disser ao exército que o socorro não virá e que, portanto, eles devem se render agora, farei de você um oficial no meu exército.’
Torisunaemon começou a pensar com seus botões: ‘Se eu for promovido a essa patente, minha mãe ficará muito contente. Seria muito bom que ela visse que eu dei certo na vida.’ Assim, concordou com a proposta do general inimigo.
No dia seguinte, foi amarrado como se fosse um prisioneiro e levado à frente do castelo. Chamou as pessoas lá de dentro: Tenho algo a dizer; vocês todos, escutem com atenção.’ Quando o povo do castelo viu quem era, agrupou-se nas muralhas para ouvir o que ele tinha a dizer. Lá estava ele, amarrado, com todas as pessoas que conhecia olhando-o de dentro do castelo, do outro lado do fosso.
Então pensou consigo mesmo: ‘Por mais que minha mãe ficasse feliz se me visse oficial de um exército, um homem bem-sucedido na vida, ela ficaria muito mais feliz se eu fosse leal e ajudasse as pessoas do castelo a sobreviver a esta batalha, mesmo que eu venha a morrer por isso.’ Por isso, a essa altura, decidiu o que ia dizer e gritou bem alto: ‘Ouçam todos com atenção!’ Então disse: ‘Não desistam; o socorro está chegando, agüentem firme por mais três dias!’ Nesse instante, os soldados de Takada crivaram-no de lanças e o mataram.

“É esse o verdadeiro sentido do auto-sacrifício, a verdadeira flor do bushidô.”

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