Rosa do deserto – Adenium Obesum

Posted in Bonsai - Matérias especiais, Bonsai - Rosa do deserto with tags , , , , , , , on 6 d e novembro d e 2010 by aidobonsai

Do que uma planta precisa para sobreviver e se desenvolver no deserto?

Um caule bem desenvolvido na sua base para suportar ventos e, principalmente, armazenar muita água e nutrientes em locais muito áridos. A flor do deserto chamou a atenção do naturalista Isaac Bayley Balfoocer, no ano de 1886. Sua forma é tão exótica que não parece deste planeta.

De floração exuberante, a flor do deserto (Adenium obesum/Adenium arabicum), nativa do Sul da África e da Penísula Arábica, está ganhando o mundo e conquistando os amantes de plantas exóticas e bonsaístas.

A rosa do deserto é uma suculenta da família Apocynaceae que pode alcançar até 4 metros de altura, com um diâmetro de um metro e meio de largura. Quando em crescimento livre no solo e cultivada em clima adequado, tem um ótimo desenvolvimento em todos países de clima tropical.

Embora não seja uma planta com as características básicas para a criação de um bonsai, sua base (nebari), quando bem larga, lembra a estrutura de um baobá gigante. Os países em que elas são mais cultivadas hoje são: Tailandia, Vietnam, Taiwan e Indonesia.

Estrutura

Sua estrutura apresenta folhas dispostas em espiral e agrupadas nas pontas dos ramos. Elas são inteiras, coriáceas, simples, de forma elíptica e espatulada, verdes e com nervura central de cor creme. Raríssimas variedades apresentam variações, com folhas creme, salpicadas de verde. O florescimento ocorre basicamente na primavera, mas em algumas espécies as flores se formam também no verão e no outono. As flores são tubulares com cinco pétalas e lembram outras da mesma família como a alamanda, jasmim manga e espirradeira.

As cores são variadas, indo do branco ao vinho escuro, passando pelos diferentes tons de lilás e vermelho.

Modelagem

Há colecionadores e produtores que utilizam de algumas técnicas básicas de cultivo do bonsai como aramação, tencionamento dos galhos e enxertia para extruturar a sua forma.

A técnica de enxertia permite a produção de flores de cores diferentes em mesmas plantas e um aumento nas suas ramificações.

O replantio com troca de substrato deve ocorrer de 8 meses até 2 anos, dependendo do desenvolvimento e enraizamento da planta. A cada troca de substrato pode-se deixar mais larga e aparente a sua base de raízes, permitindo que, a cada ciclo, a planta tenha sua estrutura de base (nebari) mais exposta, valorizando a sua forma e dando o aspecto de um baobá bem velho.

Sua seiva é tóxica e devemos trabalhar sempre com luvas para não queimar as mãos ou ocasionar uma reação alérgica.

Hoje, rosas do deserto de espécies raras e com uma modelagem aprimorada, são muito valorizadas e alcançam altos preços no mercado mundial. A cada dia mais colecionadores e associações surgem em todo mundo. Mesmo em países de clima mais frio são cultivadas em estufas, para suportar o inverno, mas se tornam semi-deciduas. As rosas do deserto morrem em temperaturas inferiores aos 14˚ graus.

As podas na rosa do deserto devem ser cuidadosas e bem estudadas. Como é uma suculenta os cortes devem ser muito limpos para não criar deformidades e calosidades. Deve-se usar cicatrizante de boa qualidade para se obter um resultado bem natural, não observando na planta a intervenção do artista.

Adubação e solo

Como é uma planta de deserto, deve ser cultivada em sol pleno. Se for plantada em meia sombra deve receber um mínimo de 4 horas de sol indireto por dia ou não irá produzir flores. Deve-se ter o cuidado de não encharcar o solo e apenas regar a flor do deserto quando o substrato estiver bem seco.

O solo deve ser altamente drenoso, arenoso, rico em nitrogênio e fósforo. Devemos enriquecê-lo com matéria orgânica para ajudar no desenvolvimento do tronco e proporcionar uma bela floração.

Sua propagação se dá por sementes, já que necessita de polinização manual para sua reprodução, ou então deve-se adotar o método de mudas por estaquia.

O Adenium é uma escultura viva. Observar as formas exóticas que ele adquire no seu habitat é impressionante. A ilha de Sócotra é famosa por obter no seu ecossistema diversas espécies de sulculentas gigantes. Aqui no blog você pode ler uma matéria e olhar uma galeria de fotos sobre a ilha de Sócotra. Depois de concluir a matéria sobre a rosa do deserto, entre aqui no link e conheça o exótico mundo de Sócotra.

Abaixo fotos da ilha de Sócotra.

Nome Científico: Adenium obesum / Adenium arabicum

Sinonímia: Adenium coetaneum

Nome Popular: Rosa-do-deserto , Lírio-impala, Adenium

Família: Apocinaceae

Divisão: Angiospermae

Origem: Sul da África e Península Arábica

Ciclo de Vida: Perene

Entre na galeria ou veja o slideshow das Rosas do deserto modeladas e no seu ambiente natural:

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Johannes Vermmer

Posted in Arte - Pintura e Desenho with tags , , , , , on 29 d e outubro d e 2010 by aidobonsai

Johannes Vermeer  foi um pintor holandês, que também é conhecido como Vermeer de Delft ou Johannes van der Meer.
Vermeer viveu toda a sua vida na sua terra natal, onde está sepultado na Igreja Velha (Oude Kerk) de Delft.
É o segundo pintor holandês mais famoso e importante do século XVII (um período que é conhecido por Idade de Ouro Holandesa, devido às espantosas conquistas culturais e artísticas do país nessa época), depois de Rembrandt. Os seus quadros são admirados pelas suas cores transparentes, composições inteligentes e brilhante com o uso da luz.


Pouco se sabe da sua vida. Era filho de Reynier Jansz e Dingenum Baltens. Casou-se em 1653 com Catharina Bolenes e teve 15 filhos, dos quais morreram 4 em tenra idade. No mesmo ano juntou-se à guilda de pintores de Saint Lucas (São Lucas). Mais tarde, em 1662 e 1669, foi escolhido para presidir à guilda. Sabe-se que vivia com magros rendimentos como comerciante de arte, e não pela venda dos seus quadros. Por vezes até foi obrigado a pagar com quadros dívidas contraídas nas lojas de comida locais. Morreu muito pobre em 1675. A sua viúva teve de vender todos os quadros que ainda estavam na sua posse ao conselho municipal em troca de uma pequena pensão (uma fonte diz que foi só um quadro: a última obra de Vermeer, intitulada Clio).


Depois da sua morte, Vermeer foi esquecido. Por vezes, os seus quadros foram vendidos com a assinatura de outro pintor para lhe aumentar o valor. Foi só muito recentemente que a grandeza de Vermeer foi reconhecida: em 1866, o historiador de arte Théophile Thoré (pseudónimo de W. Bürger) fez uma declaração nesse sentido, atribuindo 76 pinturas a Vermeer, número esse que foi em breve reduzido por outros estudiosos. No princípio do século XX havia muitos rumores de que ainda existiriam quadros de Vermeer por descobrir.
Conhecem-se hoje muito poucos quadros de Vermeer. Só sobrevivem 35 a 40 trabalhos atribuídos ao pintor holandês. Há opiniões contraditórias quanto à autenticidade de alguns quadros.
A vida do pintor é contracenada no filme “Girl with a Pearl Earring” (2004) do diretor Peter Webber. A atriz Scarlett Johansson interpreta Griet, a moça com brinco de pérola.  Johannes nasceu em 31 de Outubro de 1632, e morreu em 15 de Dezembro de 1675.

Entre na galeria e veja mais obras de Vermmer:

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Paul Cézanne

Posted in Arte - Pintura e Desenho with tags , , , on 29 d e outubro d e 2010 by aidobonsai

Paul Cézanne nasceu na França em Provence no ano de 19 de janeiro de 1839 e veio a falecer em 22 de outubro de 1906.

Paul Cézane foi um pintor pós-impressionista, cujo trabalho forneceu as bases da transição das concepções do fazer artístico do século XIX para a arte radicalmente inovadora do século XX. Cézanne pode ser considerado como a ponte entre o impressionismo do final do século XIX e o cubismo do início do século XX. A frase atribuída a Matisse e a Picasso, de que Cézanne “é o pai de todos nós”, deve ser levada em conta

Para conhecer um trabalho detalhado e sério sobre Paul Cézane acesse o site do Marcelo Duprat e leia o seu livro disponível em PDF  “A expressão da Natureza de Paul Cézanne”     http://www.marceloduprat.net/Textos/cezannelivro.pdf

Após uma fase inicial dedicada aos temas dramáticos e grandiloquentes próprios da escola romântica, Paul Cézanne criou um estilo próprio, influenciado por Delacroix. Introduziu nas suas obras distorções formais e alterações de perspectiva em benefício da composição ou para ressaltar o volume e peso dos objetos. Concebeu a cor de um modo sem precedentes, definindo diferentes volumes que foram essenciais para suas composições únicas.


Cézanne não se subordinava às leis da perspectiva. A sua concepção da composição era arquitectônica; segundo as suas próprias palavras, o seu estilo consistia em ver a natureza segundo as suas formas fundamentais: a esfera, o cilindro e o cone. Cézanne preocupava-se mais com a captação destas formas do que com a representação do ambiente atmosférico. Não é difícil ver nesta atitude uma reação de carácter intelectual contra o gozo puramente colorido do impressionismo.

Sobre ele, Renoir escreveu, rebatendo o crítico de arte Castagnary: Eu me enfureço ao pensar que ele [Castagnary] não entendeu que Uma Moderna Olympia, de Cézanne, era uma obra prima clássica, mais próxima de Giorgione que de Claude Monet, e que diante dele estava um pintor já fora do Impressionismo.


Cézanne cultivava sobretudo a paisagem e a representação de naturezas mortas, mas também pintou figuras humanas em grupo e retratos. Antes de começar as suas paisagens estudava-as e analisava os seus valores plásticos, reduzindo-as depois a diferentes volumes e planos que traçava à base de pinceladas paralelas. Árvores, casas e demais elementos da paisagem subordinam-se à unidade de composição. As suas paisagens são sutilmente geométricas. Cézanne pintou sobretudo a sua Provença natal (O Golfo de Marselha e as célebres versões sucessivas de O Monte de Sainte-Victoire).

Nas suas numerosas naturezas mortas, tipicamente compostas por maçãs, levava a cabo uma exploração formal exaustiva que é a terra fecunda de onde surgirá o cubismo poucos anos mais tarde. Entre as representações de grupos humanos, são muito apreciadas as suas cinco versões de Os Jogadores de Cartas. A Mulher com Cafeteira, pela sua estrutura monumental e serena, marca o grande momento classicista de Cézanne.

Entre na galeria e veja mais 40 obras de Cézanne:

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Entrevista com Luís Galvão

Posted in Bonsai - Bonsaistas do Brasil, Bonsai - Entrevistas no Brasil with tags , , , on 28 d e outubro d e 2010 by aidobonsai

Dando continuidade às entrevistas de grandes bonsaístas brasileiros, trago aqui o trabalho do artista Luis Galvão.  Seu trabalho com plantas nativas é diferenciado e, sempre que tenho tempo, estou olhando suas fotos e admirando seus bonsais no Facebook. Gostaria de destacar aqui o seu exemplar de  Pau Mulato e Araça Piroca: esses trabalhos poderiam estar na capa de qualquer revista internacional de bonsai. Uma pessoa simples com um trabalho muito sério, esse é o astral que  Luís me passou em sua entrevista. Obrigado ao amigo mais uma vez pela disponibilidade de dividir, aqui no blog, um pouco das suas idéias.

1 – Quando você se interessou e começou a se dedicar à arte do bonsai? Me fale um pouco sobre você, seu espaço e onde ele está localizado.

Faz precisamente 11 (onze) anos e 6 (seis) meses que ingressei nesta arte. Tomei conhecimento através de um amigo de que haveria um curso básico de bonsai para iniciantes em Recife. Na ocasião, este curso me foi muito útil e prazeroso, pois me encontrava com alguns problemas pessoais, e o bonsai ajudou bastante, elevando a minha auto-estima. Atualmente, resido na cidade de Igarassu, região metropolitana do Recife.

Ficus microcarpa

2 – Quais espécies você mais gosta de trabalhar?

Bem, para mim não existe precisamente “aquela” espécie, pois cada uma tem a sua particularidade e harmonização.

3 – Como você vê o crescimento e procura pelo bonsai hoje no Brasil?

Hoje, no Brasil, os eventos e exposições que vem se efetivando em diversos estados; também a divulgação pela internet vem atraindo novos adeptos.

4 – Dos seus trabalhos, qual você destaca com um carinho especial? Me fale um pouco sobre eles.

Para mim é difícil, pois a maioria dos meus trabalhos é feita de Yamadori, e cada um tem sua história de relacionamento muito grande comigo, até mesmo os feitos de sementes, estaquias e alporquias, sendo esta a técnica que menos utilizo. Agora posso afirmar que os trabalhos que mais chamam a atenção dos visitantes, são os Paus Mulatos e Araçá Pirocas, destacando-se sempre, aquele que você mesmo gostou, durante a visita às fotos do viveiro.

Pau Mulato

5 – Você gosta mais de algum estilo de bonsai em particular? Qual?

Não tenho um estilo preferido. Procuro sempre moldar minhas plantas de acordo com as características que consigo visualizar nelas, aprimorando sua estética à sua personalidade.

Pitangueira florida

6 – O que a arte do bonsai agregou à sua vida?

Gosto da natureza desde criança. Aprendi com o bonsai a ser mais cauteloso, pensar mais no futuro, como também respeitar a vida como um todo.

7 – Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística?

Olha! Eu sempre me questiono neste aspecto. Acho que devemos conhecer técnicas e estética para darmos início a um conhecimento mais profundo de um trabalho em que a planta possa sentir-se bem com ela mesma, e ser bem sucedida quando apresentada em público.

Ubaia com fruto

8 – Que bonsaísta (um ou mais) chama a sua atenção, hoje, no cenário mundial?

São vários. Entre eles temos John Naka (in memorian), Kimura, Salvatore Liporace; porém, o que mais me chamou atenção foi o Charles Cicerônio (África do Sul). Tive o prazer de conhecê-lo em um evento do Atelier do Bonsai; daí então passei a admirá-lo como bonsaista e como pessoa, por sinal muito simples, quando o mesmo falou em bom tom que nós vivemos em um país tropical e que deveríamos desenvolver estilos e técnicas para nossas espécies…Isto me marcou bastante.

John Naka - Yose Ue

Masahiko Kimura - Juniperus Chinesis 78cm

Salvatore Liporace - Juniperus chinensis

9- Que perfil e pessoas hoje buscam aprender a arte do bonsai no Brasil?

O universo do querer é muito grande. Existem aqueles que simplesmente admiram a beleza do bonsai e querem tê-lo apenas por vaidade; neste caso, a maioria. E existem aqueles que amam de fato a natureza e vivem afastados dela, tentando, assim, levá-la para as selvas de pedra para realizarem seus sonhos de voltar às suas raízes.

10- O que você acha que as pessoas podem encontrar na arte do bonsai que as ajude tanto no trabalho como na sua vida pessoal?

Existem várias coisas que podemos por em prática em nossas vidas com a arte do bonsai. Primeiramente paciência; depois determinação e bom relacionamento com outras pessoas.

11- Qual erro você acha mais comum nos iniciantes quando começam a se dedicar ao cultivo do bonsai?

Na minha opinião, o erro está na falta de orientação das pessoas que administram cursos para iniciantes. Eles têm obrigação de ensiná-los, como primeiro passo, a fisiologia da espécie e depois, então, a estilização da planta.

12 – Que conselhos você poderia dar para quem está começando a se dedicar à arte do bonsai?

O conselho que tenho a dar aos iniciantes é o seguinte: procurar fazer o curso com uma pessoa séria, que goste e respeite a natureza, que trabalhe com seriedade, não visando o lado financeiro querendo apenas comercializar, pois estamos lidando com uma vida que merece respeito, e não querer viver fazendo experiências sem o conhecimento da arte.

13 – Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetize nossa arte.

Bonsai é vida, é arte, é projeto, é sensibilidade, é compreensão, é dedicação, é afinidade, é sonho, é puramente amor ao que você faz.

A seguir uma galeria de fotos com uma demonstração realizada  por Luis Galvão no evento da Associação dos Bonsaistas de Ribeirão Preto em São Paulo no dia 01/05/2010. A planta escolhida por ele foi um Araça Piroca.

Entre na galeria e veja toda demonstração:

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Projeto Bonsai na Praça – ABMT

Posted in Bonsai - Bonsaistas do Brasil, Bonsai - Matérias especiais with tags , , , , , on 28 d e outubro d e 2010 by aidobonsai

Quero destacar aqui a iniciativa da Associação Bonsai Mato Grosso, que criou mensalmente numa praça pública em Cuiabá, exposições e trabalhos conjuntos com bonsaistas da associação. Quem mais ganha é a população que e tem a oportunidade de conhecer mais sobre nossa arte. Todo mês os moradores locais e visitantes poderão andar nessa praça linda, e olhar verdadeiras obras de arte.

Parabéns a ABMT, isso é um exemplo a ser seguido em todo Brasil. Quando existir o teletransporte usado na Star Trek estarei aí todo mês com vocês!  Um abraço aqui do Rio de Janeiro.  Para saber mais sobre a ABTM: http://www.bonsaimt.com.br/

Com o intuito de divulgar a arte do bonsai no Estado de Mato Grosso e também divulgar os bonsaístas locais, nós da ABMT – Associação Bonsai Mato Grosso – buscamos sempre compartilhar os conhecimentos que adquirimos, ao decorrer do tempo, com o maior número de adeptos da arte, com os quais mantemos contato.

Com o intuito de expandir ainda mais esse número de amigos, foi criado o Projeto Bonsai na Praça, onde os associados da ABMT criaram a partir de então uma rotina mensal de reuniões públicas, abertas para toda a população.

Nessas reuniões públicas, além de visualizar uma exposição de bonsai, a população recebe informações e tira suas dúvidas sobre o desenvolvimento da arte bonsai, podendo observar nossos associados desenvolvendo vários trabalhos durante o período das reuniões na Praça do Bonsai.

As reuniões públicas acontecem no Bairro Boa Esperança, em Cuiabá, sempre no segundo domingo de cada mês. O horário das reuniões é das 14 às 18 horas.

Esperamos que, com esse projeto, consigamos fazer com que um número cada vez maior de adeptos da arte bonsai se conheçam e que, a partir desse momento, possam vir a criar laços de amizade entre sí, expandindo ainda mais nossa rede de amigos.

Entrevista com Sergivaldo Costa

Posted in Bonsai - Bonsaistas do Brasil, Bonsai - Entrevistas no Brasil with tags , , , , on 7 d e outubro d e 2010 by aidobonsai

Em 2008 quando comecei a serie de entrevistas no meu blog, escolhi um dos artistas que mais respeito no Brasil, o amigo Sergivaldo Costa. Hoje 3 de Junho de 2017 estou aqui incluindo na sua entrevista, mais 10 trabalhos é um artista perfeccionista que faz poesia com suas Caliandras. abraço amigo !

Comemorando um ano do meu blog, gostaria de compartilhar com meus leitores e amigos que frequentam o Aido Bonsai, uma série de entrevistas com os bonsaístas brasileiros que chamam a minha atenção com seu trabalho e dedicação à nossa arte. Muito me orgulho em começar com os trabalhos de Sergivaldo Costa. Seus bonsais tem  grande cuidado estético, possuem lindos nebaris e trazem consigo toda beleza das árvores nativas da sua região. Gostaria aqui de agradecer a disponibilidade e a velocidade com que ele atendeu ao meu pedido de entrevista.

1 – Quando você se interessou e começou a se dedicar à arte do bonsai ?

Tudo começou em setembro de 1984, quando estava numa estação rodoviária à espera do ônibus para ir ao trabalho, e encontrei numa banca de revistas a “Edição Especial da Revista dos Amantes da Natureza – BONSAI”. Fiquei fascinado e, a partir dali, comecei a tentar fazer bonsai com todo tipo de plantas que encontrava pela frente: mangueira, jambeiro, pimenteira, flamboyant, etc.

2 – Quais espécies você mais gosta de trabalhar?

Entre as espécies que cultivo, as que mais gosto de trabalhar são o umarizeiro-bravo (Calliandra spinosa) e a jurema-branca (Pithecellobium dumosum). Ambas, pelas suas características (folhas pequenas, fácil enraizamento, brotação vigorosa após as podas e intensa ramificação), são excelentes para o cultivo do bonsai; mas a primeira, pela exuberância da textura do tronco e floração é, sem dúvida, a minha preferida.

Umarizeiro bravo   –   (Calliandra spinosa )

Jurema branca  –  Pithecellobium dumosum

3 – Que espécie você gostaria de trabalhar mas as circustâncias de clima e adaptação não permitem?

Ah, são várias espécies que adoraria poder cultivar mas, infelizmente, o clima da região onde moro não permite. Posso citar, por exemplo, o Acer palmatum e tantos outros áceres; especialmente um que tem uma coloração encantadora: a Azalea satzuki.
Azalea satzuki – US National Arboretum Bonsai Collection

Acer palmatum – Mr. Walter Pall

4 – Dos seus trabalhos, qual você destaca com um carinho especial? Me fale um pouco sobre ele.

Não possuo muitos exemplares na minha coleção, mas é difícil destacar uml. Cada planta tem uma história importante para mim e várias tem significado especial: o Ficus microcarpa, o primogênito; o Pitheceelobium dulce, pela experiência de aprendizado que me proporcionou; o “gigante” araçá-piroca (Myrcia cf. Multiflora), pela sua imponência (para mim) e aventura que foi  fazer esse yamadori,  etc.

Ficus microcarpa – O primogênito em 1996

Ficus microcarpa – O primogênito em 2008

Ficus microcarpa – O primogênito em 2009

Arrebenta boi  –  Myrcia  Multiflora

5 –  Você gosta mais de algum estilo de bonsai em particular? Qual?

Os estilos que mais me atraem no bonsai são aqueles que transmitem a idéia de dramaticidade, como por exemplo, o varrido-pelo-vento (Fukinagashi).

Para saber mais sobre o estilo Fukibagashi acesse: https://aidobonsai.wordpress.com/2009/06/06/a-arvore-e-o-vento/


6 – O que a arte do bonsai agregou na sua vida ?

Sou um pouco estressado e não sei como seria minha vida sem o bonsai. Quando estou entre minhas plantas esqueço-me dos problemas e me sinto mais feliz. Além disso, o bonsai permitiu-me conhecer pessoas diferentes e fazer boas amizades.

Araçá-piroca (Myrcia cf. multiflora)

Calliandra spinosa


7 – Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística ?

Eu encontrei minha forma de fazer bonsai e sinto-me realizado com isso. Comecei aprendendo sobre as regras, lendo bastante e analisando os trabalhos de vários mestres, dos quais busquei inspiração.

Sou perfeccionista por natureza e graças a isso não me acomodo com a ilusão de que faço um trabalho maravilhoso. Talvez aí resida minha obsessão pela busca do aprimoramento, pela compreensão de que, por trás de regras supostamente rígidas, exista uma razão lógica para realizarmos, com sucesso, trabalhos agradáveis aos nossos olhos.

Entretanto, penso que cada um deva buscar o caminho que mais o faz sentir-se realizado, quer seja seguindo regras ou de forma livre e descontraída.

Acredito que meu trabalho é uma mistura de tudo aquilo que vi e aprendi.

Umarizeiro-bravo (Calliandra spinosa)

Calliandra spinosa


8 – Qual bonsaísta (um ou mais) chama a sua atenção hoje no cenário mundial?

O Robert Steven, da Indonésia, é o bonsaísta que mais me chama a atenção do cenário mundial atual. Seus trabalhos falam por si só e seus livros mostraram-me caminhos a percorrer que nenhum outro bonsaísta, até então, ousou mostrar.

9 – Que conselhos você daria para quem está começando a se dedicar à arte do bonsai?

1)    Bonsai é tempo e paciência, sinta-se feliz com o que está produzindo no momento, mas não se iluda acreditando que descobriu a fórmula mágica de fazer um novo bonsai artístico rapidamente.

2)    Leia o máximo que puder sobre bonsai, participe de eventos, aprenda com os mais experientes e compartilhe o que já aprendeu.

Carqueijo (Calliandra depauperata)

10 – Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte.

Bonsai é arte e, como tal, cada trabalho expressa um sentimento de nossas almas.

Tataré (Pithecellobium tortum)

Entre na galeria ou veja o slide show com mais trabalhos do Bonsaista Sergivaldo Costa.

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Meus trabalhos – Aido Bonsai (setembro 2010)

Posted in Bonsai - Meus Trabalhos with tags , , , , on 19 d e setembro d e 2010 by aidobonsai

Alguns dos meus trabalhos modelados, aramados e fotografados em  05 de setembro de 2010.

1- Pithecolobium torthum – 35 cm de altura / 45 cm de comprimento – Vaso oval feito em barro.

2- Eugenia sprenguelli  (frente) – 30 cm de altura / copa com 30 cm de largura – Vaso de cerâmica oval. A poda de refinamento será feita em outubro. Tensionamento dos galhos por fio.

Eugenia sprenguelli  (costas)

3- Bougainvillea 60 cm de altura (frente) / 45 cm de largura – Vaso oval em cerâmica. Trepadeira lenhosa, de florescimento abundante e espetacular. Sua folhas são pequenas, lisas, levemente alongadas e brilhantes

Costas, visão da parte de trás da árvore.  O bonsai está em brotação após desfolhamento total em 20 de agosto de 2010.

Detalhe da madeira morta. Tronco base com largura de 16 cm. Figura com 8cm de altura.

Visão lateral da árvore.

4- Eugenia sprengelli (frente) 75cm de altura. Copa com 62 cm de largura. Vaso oval de cerâmica.

Costas, poda de refinamento e isolamento das copas realizados em 08 de setembro de 2010.

5- Viburno 20 cm de altura (frente) – 15 cm de largura. Vaso artesanal feito em barro. Arranjo feito com madeira arrastada, jogada pelo mar de Itaipuaçu.

Costas – Madeira arrastada da forma natural como foi jogada pelo mar. Ela foi cortada criando uma base plana, para ter um bom equilíbrio no vaso. A ponta que sobrou faz parte do conjunto, usei no lado oposto do vaso.

6- Eugenia sprengelli (frente)  65 cm de altura –  Copa com 66 cm de largura. Vaso retangular.  Pedra ( Jasper marrom) em primeiro plano. Modelagem e segunda armação realizada em julho de 2010.

Costas – Composição com duas árvores elas possuem bastante ramificações. A poda de refinamento será feita em dezembro, após a brotação.

7- Pithecolobium thortum 64 cm de altura. – 73 com de largura. Vaso oval de cerâmica.

8- Eugenia sprengelli – Altura da árvore 90cm – Largura da copa 65 com. Pedra modelada em concreto celular. Vaso modelado em pedra sabão.

costas do trabalho. Vou modelar uma outra pedra acompanhando mais a curvatura do tronco principal. Esta pedra foi modelada há 9 anos atrás, muito no começo do trabalho com esta planta.

Visão da copa depois da poda de refinamento. Aumentei os espaços entre as copas e os galhos. É necessário deixar a copa rala, para obter um brotação interna na Eugenia.

9- Penjing com pithecolobium thortum . Altura do Bonsai 42c – Largura da copa do  Bonsai  33cm. Plantado em poliqueta, jogada pelo mar de Itaipuaçu em 1980.

10- Penjing com Eugenia sprengelli (frente) – Altura 67 cm / largura da copa 44 cm. Bandeja modelada em concreto puro. Pedra da compisção de arenito (natural).

Costas

Detalhe da composição.

11- Ulmus chinesis  (frente) – Altura 52 cm – Largura da copa 40 cm. Vaso quadrado de concreto.  A árvore está em brotação em 7 dias após o desfolhamento total.

Costas

Detalhe do tronco principal. Esta planta tinha uma grande cicatriz no meio do tronco. Abri com a retificadeira um Huro (buraco de coruja), para esconder o machucado. Hoje o Huro já está cicatrizado.

12- Penjing com Eugenia sprenguelli. Título “O mestre”  – 70 cm de altura / 75 cm de largura de copa. Plantada em pedra São Tomé

costas – Laje de pedra São Tomé. Pedras do arranjo arenito e granito, naturais. Figura com 10 cm de altura.

13- Ficus benjamina (frente)  altura 55cm – Largura dacopa 45cm – Vaso oval de barro.

costas

14-  Penjing com Craça – (frente) – Altura 40cm – Largura 60cm – Vaso oval de ceriamica – Pedras naturais.

costas

15 –  Bonsai de Viburno – Pedra modelada em concreto celular

Entre e veja o slide show ou mais fotos dos trabalhos:

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Eugenia sprengelli – Aramação e poda

Posted in Bonsai - Meus Trabalhos, Bonsai - Técnicas especiais with tags , , , , , , , on 14 d e setembro d e 2010 by aidobonsai

Desde que comecei a me dedicar à arte do bonsai em 1990, a Eugenia sprengelli sempre foi uma das espécies que eu sempre encontrei nas florálias como opção de trabalho. É uma planta da família das mirtáceas, e algumas de suas espécies recebem o nome de araça no Brasil. Este grupo está distribuido pelas zonas tropicais de todo o mundo, sendo mais diversificado nas Américas. Alguns autores classificam as espécies do género Syzygium (por exemplo, o cravinho) como Eugenia.

Eugenia sprengelli em viveiro, já modelada para paisagismo.

Quando procuramos em viveiros e florálias a espécie para trabalho com bonsai, devemos procurar uma planta sem forma tão definida. As da foto acima já foram modelas para uso em paisagismo . Se você quiser fazer um bonsai estilo Hokidashi (vassoura), tudo bem , não vai demorar para deixar a forma mais natural e com copas mais definidas, cerca de 2 anos. Mas para outros estilos o melhor é encontrar uma planta com mais patamares de copa, com galhos em diversas posições e alturas.

Modelando uma Eugenia sprengelli :

Nas fotos a seguir vou mostrar a modelagem e poda de alguns dos meus trabalhos com esta espécie.

A Eugenia abaixo foi comprada em março de 2010. Quando ela estava no próprio vaso de plástico do viveiro fiz a primeira limpeza retirando todos os galhos secos e deixando a copa menos densa. É fundamental que penetre sol nos galhos desta espécie pois ela brota no seu interior em qualquer idade da sua vida. Isso é muito bom pois permite criar novas copas, e substituir alguma perda importante que aconteça ao longo dos anos. Em Maio eu mudei a planta para um vaso de pré bonsai, cortando 60% das raízes capilares e as grandes raízes de sustentação.

Eugenia sprengelli - maio de 2010

Eugenia sprengelli - FRENTE em setembro de 2010

Nas fotos acima não retirei nenhuma folhagem. A aramação dos galhos secundários foi preenchendo os espaços e criando os patamares das copas. A beleza do trabalho com está espécie é poder observar a estrutura interna dos galhos. Eu gosto de imaginar um Flamboyant gigante, isolado no campo, quando estou modelando. Existe uma árvore no aterro do Flamengo na pista em direção ao aeroporto que deve ter uma copa de 100 metros quadrados.

Flamboyant

No transplante para o vaso de pré bonsai eu uso um substrato bem leve e drenante:

1- 60% de areia de rio (usada em filtro de piscina) ou caco de tijolo com 2mm.

2- 30% de terra negra sem adubo orgânico nenhum. Nunca usar humus de minhoca.

3- 10% de subtrato floreira, usado em hortaliças.

4- Três colheres de sopa de osmocote misturado no substrato. Osmocote é um adubo de liberação controlada.

Eugenia sprenguelli com todos os galhos tencionados e aramados.

Estrutura de arame para tensionamento dos galhos.

Para estruturar um estilo Hokidashi  (vassoura) eu preparo uma estrutura de arame que me permite abaixar qualquer galho em todas as direções ( 360˚). Eu passo por baixo do vaso dois arames de cobre com argolas fechadas em suas pontas. A estrutura é fixa por outro arame cruzando toda parte de cima, unindo os arames e criando os outros pontos de amarração.

Os arames serão dobrados em direção à borda.

Vaso já com os arames preparados.

Detalhe da estrutura de arame para tensionamento dos galhos.

Para abaixar e tencionar os galhos eu uso fios de naylon ou encerados especiais. Este fios encerados são encotrados em casas de esporte e pesca, e tem uma grande durabilidade e resistência. São usados na confecção de varas de pesca para prender os anéis guia. Resistentes á água e ao sol, alguns usados por mim já ficaram um ano sem arrebentar. Eles aguentam tencionar galhos bem grandes, e se for necessário é só colocar duplo ou até triplo.

Abaixo os fios que eu uso:

Fios usados para tencionar galhos na modelagem.

Todos os fios abaixo duram de 6 meses à um tencionando galhos ao ar livre.

1- Araly  Ocean fio de 0,35mm que suporta 20 libras. Ele não aparece nem em fotos, é excelente pois é muito forte e resistente. O naylon tem a vantagem de não penetrar para dentro dos galhos. É escorregadio para finalizar as amarrações, e é preciso saber alguns nós especiais.

2- Encerado para costura em couro. Tem a vantagem de ser muito fácil de amarrar e dar nós firmes. Ele não escorrega e é muito resistente. Aguenta cerca de 30 kilos. Você encontra nas cores verde, marrom, preto e cinza.

3- Linha usada para finalizar os anéis em varas de pesca. É impressionante a durabilidade ao ar livre. Pode molhar, pegar sol que não arrebenta. Encontrada em muitas cores, Eu uso marrom e preta.

4- Fios de cobre bem finos. É preciso mais atenção pois não deve ser colocado em contato direto com o galho. Para não cortar ou deformar os galhos, eu coloco fio de luz, soro ou borracha para protegendo a amarração.

Aramação:

O tencionamento dos galhos não substitui a aramacão. Somente a aramação dá sinuosidade ao galho. Para abaixar os galhos e diminuir  a altura o tencionamento é uma técnica excelente, mas depois de abaixar os galhos grandes eu faço a aramação dos galhos secundários e terciários da planta.

Muitas vezes eu aramo o galho, fazendo uma curvatura e depois faço o tencionamento do mesmo.

Primeiro galho de baixo muito alto.

Eugenia sprengelli já com galho tencionado. Frente

Galho já tencionado, para isolar a copa. O fio está preso na própria raiz.

Eugenia sprengelli com as copas bem definidas. Frente

Eugenia sprengelli com as copas bem definidas. Costas

Eugenia sprengelli. Frente

Eugenia sprengelli. Costas

Eugenia sprengelli. Frente

Eugenia sprengelli. Costas

Penjing com Eugenia sprengelli. Frente

Penjing com Eugenia sprengelli. Costas

Penjing com Eugenia sprengelli. Lateral

Eugenia sprenguelli - 35cm de altura - Frente

Eugenia sprenguelli - 35cm de altura - Costas

Vou complementar esta matéria com mais fotos detalhadas sobre a aramação.

Nirasawa Iasushi

Posted in Arte - Pintura e Desenho with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 1 d e agosto d e 2010 by aidobonsai

Yasushi Nirasawa é um ilustrador e pintor japonês que nasceu na prefeitura de Niigata em Tokio no ano de 1963. Seu primeiro trabalho para o cinema foi animação e criação da concepção artística dos longas de animação: Vampire Hunter e Space Trukers. Ganhou muitos prêmios com a criação dos fantasmas no longa 3D “Final Fantasy, The Spirits Within”.

Entre na galeria e veja 120  trabalhos de Yasushi Nirasawa:

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O Paradoxo das artes marciais.

Posted in Arte Marcial with tags , , , , , on 31 d e julho d e 2010 by aidobonsai

Quando as artes marciais primitivas chegaram ao Oriente, lá lançaram raízes e começaram o gradual processo de diversificação que gerou seus vários ramos, todos eles perfeitamente desenvolvidos. Infelizmente, no que diz respeito ao primeiro crescimento e à disseminação das artes marciais, a esmagadora maioria dos indícios de que dispomos é de mitos, especulações e histórias transmitidas oralmente. Não obstante, certos fragmentos de informação, tirados das antigas tradições artísticas e literárias da China e da Índia, dão a entender que as artes marciais começaram a desenvolver-se nessas civilizações em algum momento entre o século V a.c., quando começou a manufatura de espadas em grande quantidade na China, e o século III d. c., em que os exercícios nos quais baseiam-se as artes marciais foram escritos pela primeira vez.

Bodhidarma

Segundo a lenda, depois de chegar ao Mosteiro de Songshan Shaolin, Bodhidharma passou nove anos olhando para a parede de uma caverna, “ouvindo as formigas gritar”. Esse fato impressionou a tal ponto um dos monges que este cortou fora uma de suas mãos como gesto simbólico de compaixão. A cena está representada nesta pintura feita no século XIII, na época da Dinastia Sung.

Bodhidarma

Caso você ache tudo isso muito vago, compare-o com os esforços que se fazem para determinar a data de certos acontecimentos essenciais para o desenvolvimento de outras artes antigas – a culinária, a fabricação de vinhos, a fabricação de queijos ou a própria agricultura, por exemplo. As origens dessas habilidades não podem ser determinadas com precisão, mas de tempos em tempos surge um documento que prova que, em certa data, as técnicas haviam mudado.
É exíguo o número de documentos ou objetos que se referem aos primórdios da história das artes marciais, mas muitos artistas marciais acham que sua arte começou na China, no começo do século VI d.e.


A crença deles baseia-se numa lenda segundo a qual um monge indiano chamado Bodhidharma chegou certo dia ao templo e mosteiro de Songshan Shaolin, ao pé das Montanhas Songshan, no Reino de Wei, na China, onde passou a ensinar um tipo novo e mais direto de Budismo, que envolvia longos períodos de meditação estática. Diz-se que Bodhidharma passou nove anos sentado de frente para a parede de uma caverna, e instruiu os outros monges a fazer a mesma coisa.
Para ajudá-los a agüentar as longas horas de meditação, ensinou-lhes técnicas de respiração e exercícios para desenvolver-lhes a força e a capacidade de defender-se na remota e montanhosa região onde residiam.
Acredita-se que foi dos ensinamentos de Bodhidharma que nasceu a escola dhyana ou meditativa do Budismo, chamada Ch’an pelos chineses e Zen pelos japoneses. Diz-se ainda que a arte marcial conhecida como Shaolin ch’uanfa, ou boxe do Templo de Shaolin, desenvolveu-se a partir dos exercícios transmitidos pelo monge indiano. Muitas artes marciais chinesas e japonesas nasceram dessa tradição. Abaixo foto de uma demostração de Kung Fu Shaolin Norte com Espada.


Há muitas dúvidas acerca da realidade dessa lenda, mas, se ela for verdadeira, alguns dos fatos históricos que ela parece revelar mostram-se muito interessantes. A lenda reflete o fato de que o interesse mútuo pelo Budismo garantiu o contato entre a China e a Índia no século VI d.e., fato esse que é confirmado pela obra do Dr. Joseph Needham, grande siriólogo do século XX. Além disso, significa que, desde as épocas mais recuadas, a meditação e os exercícios marciais eram aspectos complementares do Budismo: a primeira, passiva e estática; o segundo, ativo e móvel.
Não obstante, o estudo cuidadoso das fontes históricas mostra que as artes marciais já existiam e floresciam na Índia e na China desde muito tempo antes da viagem de Bodhidharma.


As Tradições de Luta do Extremo Oriente

Como era a vida militar na China e na Índia entre 500 a. e. e o século III d. e.? Será que apresentava as condições adequadas para a evolução de uma forma especializada de luta que mais tarde poderia ser identificada como precursora das artes marciais de hoje em dia?

Samurai lutando com Naginata.

OS CAMINHOS QUE LEVAM AO ORIENTE

Até o século II d.C, a civilização chinesa desenvolveu-se isolada do Ocidente. Embora já houvesse comércio entre a Índia e a Mesopotãmia desde cerca de 2500 a.C, pensa-se que só no século VI a.C é que começaram os intercâmbios comerciais entre a Índia e a China.
Muitos’séculos antes de abrirem-se as rotas de comércio com a Índia, a China já fabricava a seda. Porém, foi só quando terminou o período feudal da história chinesa e começou a dinastia Han (206 a.C-24 d.C) – a qual disseminou por todo o país a sua influência civilizadora – que se fizeram as primeiras tentativas de exportá-la. O Imperador Han Wu Ti (140-87 a.C) enviou as primeiras embaixadas chinesas rumo ao Ocidente, e estas foram logo seguidas por mercadores e comerciantes que levavam consigo fardos de seda fina e macia, um tecido desconhecir fora da China.
Os indianos vendiam a seda aos persas, que a trocavam com mercadores que iam à Síria. Na virada do milênio, caravanas gigantescas partiam de Ch’ang-an (a moderna Sian) e, passando por Kashgar, Merv e pelas grandes cidades caravaneiras de Hamadan, Damghan e Bagdá, percorriam mais de nove mil quilômetros e chegavam a Tiro, Antioquia e Palmira, nas fronteiras do Império Romano.

A linda e enigmática India.

A partir do século VI d.e., porém, a Rota da Seda começou a perder sua importância. Dois monges cristâos conseguiram contrabandear para Constantinopla os ovos do bicho-da-seda, e a seda começou a ser fabricada no Ocidente.
Porém, nessa época, um outro tipo de intercâmbio estabelecera-se ao longo das antigas rotas. A Rota da Seda era freqüentemente percorrida por monges que atuavam como diplomatas, estabelecendo embaixadas em países estrangeiros sob a. forma de templos e mosteiros, que se tornaram centros para a transmissâo de influências culturais.
Bodhidharma foi um desses monges. Segundo a tradiçâo, ele viajou de Madras a Nanquim de barco, parando várias vezes ao longo do caminho. De Nanquim partiu em viagem pela China e finalmente chegou ao Templo de Shaolin, nas Montanhas de Songshan, na China Central, onde estabeleceu a escola dhyana (Ch’an ou Zen) do Budismo e ensinou os exercícios em que supostamente baseiam-se as artes marciais modernas.

Rota de Madras

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